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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
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Vai parar: trabalhadores em transportes vão participar da greve geral de 14 de junho

5 de Junho de 2019, 14:32, por Blog do Arretadinho

Trabalhadores do transportes definem adesão à greve geral de 14 de junho. Direitos de toda a população ameaçados exigem resposta e resistência
Aeroviários, aeroportuários, portuários, motoristas e cobradores rodoviários, além de metroviários e ferroviários confirmam adesão à mobilização nacional contra a reforma da Previdência, pela retomada do crescimento e contra os ataques aos direitos da população pelo governo Bolsonaro

Publicado por Redação RBA, com portal CUT 

São Paulo – Reunidas na capital paulista nesta terça-feira (4), entidades que representam trabalhadores e trabalhadoras dos transportes – aeroviários, aeroportuários, portuários, motoristas e cobradores rodoviários, além de metroviários e ferroviários – decidiram aderir à greve geral do dia 14 de junho, contra a reforma da Previdência, pela retomada do crescimento econômico brasileiro com geração de empregos e renda e contra os cortes na educação.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, que abriu a reunião, reafirmou o papel que a greve tem no atual momento social e econômico do Brasil, com recessão econômica, recordes de desempregados e as políticas de retirada de diretos pelo governo de Jair Bolsonaro.

O dirigente ressaltou o papel dos trabalhadores em transportes para o êxito da mobilização do dia 14 de junho. “Em todas as greves gerais que construímos com grande êxito, a participação dos trabalhadores e trabalhadoras dos transportes foi fundamental”, disse o dirigente.

Vagner avalia que essa greve geral difere das anteriores, já que cresce a cada dia a politização da sociedade, que “acordou para o fato de que esse governo está destruindo o Brasil”.

“A greve está sendo debatida em escolas, igrejas, bares e as pessoas falam da greve por conta do rumo que o país tomou com Bolsonaro. Há um absoluto desalento com o governo. Bolsonaro se apresentou como solução e não resolveu nada. As pessoas estão vivenciando uma enorme crise e questionando o governo, que não tem proposta de política econômica”, afirmou Vagner.

Participação geral
O cenário, ainda de acordo com o presidente nacional da CUT, fortalece a mobilização de todas as categorias, ainda mais do que em greves anteriores.

Por sua vez, o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL-CUT), Paulo João Eustásia, relatou que está consolidada a participação de todos os modais de transporte na paralisação de 14 de junho

“Temos tudo para superar o dia 28 de abril de 2017 e dar uma resposta ao governo com relação aos ataques aos direitos, principalmente contra a reforma da Previdência”, disse Eustásia, referindo-se à greve geral realizada há dois anos contra a política neoliberal do ilegítimo Michel Temer.

Caminhoneiros
Ainda de acordo com o presidente da CNTTL, boa parte dos caminhoneiros é representada pela confederação e a categoria também anunciou, com ressalvas, que vai paralisar atividades no dia 14 de junho.

O ativista avalia que muitos caminhoneiros deverão aderir à greve geral em número superior a outras mobilizações organizadas pela CUT e pela CNTTL. Ele explica que, habitualmente, greves desses motoristas começam em pontos isolados e vão ganhando corpo, assim como aconteceu em 2018.

“Acredito que mais caminhoneiros vão aderir. Eles têm uma pauta específica da categoria, que é a questão da fiscalização do piso mínimo para os fretes e o congelamento do preço do óleo diesel, mas também são alvo da reforma da Previdência e boa parte já decidiu participar da greve geral”.

O dirigente explica também que um fator determinante para a adesão da categoria é o crescente descontentamento com Bolsonaro: “Na ocasião da eleição 70% dos caminhoneiros apoiavam Bolsonaro. Hoje, já percebendo o retrocesso do Brasil, o número inverteu e 70% são contra o governo”.

Ainda sobre os caminhoneiros, durante o encontro, Paulo Eustasia informou que a categoria tem uma mobilização marcada para o dia 20 de junho, caso as pautas específicas não sejam atendidas.

A greve e os transportes
A preocupação dos sindicatos dos trabalhadores em transportes é de que grande parte da responsabilidade das greves deve recair sobre eles. “Ainda que você mande ofício 72 horas antes informando a greve, logo vem a liminar proibindo a paralisação e estipulando multas absurdas”, afirma o presidente da CNTTL.

Como resposta à previsível reação dos poderes públicos para diminuir o alcance do movimento, o consenso entre as entidades é de que os sindicatos vão “bancar a greve” e enfrentar todos os obstáculos, como liminares e descontos do dia da folha de pagamento.

Paulo Eustasia deixa claro que “é hora de enfrentar o governo. Bolsonaro, na verdade, nunca teve um plano de governo eficiente e real. Hoje isso está claro para sociedade. Ele não tem proposta. Enquanto isso, o país afunda no desemprego, empresas quebram e a população está percebendo isso. E está vindo para a luta para poder reverter. É agora ou nunca mais.”

Mobilização nacional
Para Vagner Freitas, presidente da CUT, a greve geral será uma resposta que a sociedade dará à questão nacional. “A greve é por mudança na economia e isso é favorável para que seja uma grande paralisação no dia 14”.

Prova disso, segundo o dirigente, foram as mobilizações dos dias 15 e 30 de maio, organizadas por entidades do movimento estudantil, que levaram às ruas milhões de pessoas e que não tinham relação com os movimentos sociais e sindical.

“Foram mobilizações construídas no movimento sindical, pela CNTE, que viraram protestos de estudantes e englobaram toda a sociedade”, concluiu.

Com reportagem da CUT Nacional



Sarau Paulin Diolinda

4 de Junho de 2019, 15:50, por Blog do Arretadinho

Em frente ao Campus da UNB do Gama



A senadora da turma do Bozo está zonza até agora

4 de Junho de 2019, 12:04, por Blog do Arretadinho




TEXTO IMPERDÍVEL

3 de Junho de 2019, 19:29, por Blog do Arretadinho

por Luciana Hidalgo !!

Na primeira greve em repúdio aos cortes de verbas na Educação (em 15 de maio), soube de uma carta escrita pelo pai de um aluno de um colégio particular carioca. Professores de uma escola católica no Leblon (uma das mais caras do Rio de Janeiro) haviam aderido à paralisação nas instituições públicas, num belo gesto de solidariedade, e o pai do aluno escreveu uma carta atacando “a submissão do corpo docente deste colégio ao Sindicato dos Professores, dominado pela ideologia marxista que é absolutamente contra o cristianismo”. 

Em São Paulo aconteceu algo na mesma linha. Quando poucas escolas privadas aderiram à greve, o Sindicato de Estabelecimentos de Ensino de SP publicou nota xingando professores desses colégios de “esquerdopatas”. Tudo isso leva à pergunta: quem tem medo da “esquerda”?

 E mais: o que é a “esquerda” hoje? Já ouvi gente dizendo que não existe mais diferença entre “direita” e “esquerda”. Bem, é claro que quem diz isso nunca foi realmente de esquerda e tem certo constrangimento em ser rotulado de “direita”. Pois eu, talvez por ser escritora e lidar diariamente com a semântica, com a linguagem em suas minúcias, ousaria dizer que a “esquerda” nunca esteve tão clara, definida e ativa no Brasil. Pode-se sim inventar outro rótulo, um neologismo até, afinal a língua é viva e mutante, mas o que importa aqui é a ideia de base: “esquerdistas” estão longe, muito longe de ser “esquerdopatas”, justamente porque defendem a vida acima de tudo, não apenas a própria vida, mas o bem-estar coletivo (não só dos mais abastados). Isso significa lutar diariamente pela redução da desigualdade social e pela aceitação total da igualdade entre mulheres e homens, negros e brancos, LGBTs e não-LGBTs.

 A “direita” (ou outro rótulo que se dê) é formada por pessoas como o pai do aluno do colégio do Leblon, que pensa nele próprio, na família, nos bens que conseguiu acumular e ignora a desigualdade ao redor. Ignora até mesmo o sentido filosófico do cristianismo. Se tivesse lido e entendido cada palavra de Jesus Cristo, saberia que cristãos devem sim lutar por tudo o que no fundo a “esquerda” luta.

 Tanto que o próprio Papa Francisco começou a ser tachado de “socialista” ao dizer o óbvio: Jesus pregou a igualdade e a aceitação de todos por todos sem exceção. Infelizmente a Igreja Católica (a Instituição), ao viver na opulência, às vezes vai contra os ensinamentos do próprio Cristo que a “fundou”; mas essa é outra história. O que importa agora é notar que conceitos como “marxismo”, “socialismo”, “comunismo” e o próprio “cristianismo” têm sido usados das formas mais levianas, por isso evito também usá-los. 

Para falar a verdade, nem são mais tão necessários, porque todos sabemos o que está e sempre esteve em jogo desde que a humanidade é humanidade: existem aqueles que lutam para manter velhas tradições e privilégios, e resistem às mudanças (seja de ordem financeira, social ou moral), em geral porque nasceram privilegiados e talvez se achem no seu “direito divino”; e existem aqueles que lutam para revolucionar as tradições, porque o mundo gira, a lusitana roda, e pessoas têm sim o direito de escolher suas orientações sexuais, negros e brancos têm sim os mesmíssimos direitos (assim como mulheres e homens), e todos (independentemente da classe social, do gênero e da cor) devem ter direito a moradia, educação pública e saúde pública.

 Essa é a verdadeira “polarização” no Brasil (e no mundo), e partidos políticos só ganham importância nesse cabo-de-guerra a partir do momento em que conseguem representar essas duas correntes. Conheço pessoas mais tradicionalistas que fazem caridade, e eu as admiro, mas tento explicar a elas, com amor e carinho, que não adianta apenas pegar uma sobra do dinheiro e dar uma esmolinha ao sem-teto na porta da igreja no dia da missa.

 É sem dúvida uma boa ação, que eu mesma incentivo, por outro lado é uma ajuda de cima pra baixo que só confirma o poder de quem tem muito em detrimento dos que nada têm e nada terão enquanto o Brasil não for um país justo. Dou dois exemplos de países mais justos hoje (o que não quer dizer perfeitos): França e Holanda.

 Mas atenção: esses países só se tornaram mais justos porque “esquerdistas” um dia revolucionaram as tradições, ousando tornar suas sociedades menos desiguais. E não fizeram isso dando esmolas, mas sim com a aplicação de políticas públicas formuladas por políticos inspirados em ideias de “esquerda”. Quando morei em Paris, ao andar pelas ruas, pude perceber que não havia um só dia na cidade sem que uma categoria profissional entrasse em greve, com o direito pleno de se manifestar na rua, atrapalhar o trânsito, deixar pessoas sem trem nem metrô. 

Nem vou dizer isso ao pai do aluno do colégio do Leblon, porque a “Europa” que ele conhece deve ser outra, aquela imaginária, em que História e Política foram abolidas, e onde toda a beleza arquitetônica, as ruas limpas, a educação e a saúde gratuitas para todos os cidadãos, tudo isso simplesmente “apareceu” magicamente, de um dia para o outro. Não me darei ao trabalho de dizer isso ao pai do aluno do colégio do Leblon, porque no fundo, bem no fundo, sei que ele sabe a verdade, apenas prefere ter dois pesos, duas medidas. Afinal, ele deve ter dinheiro para manter seus privilégios no Brasil, então que “marxistas”, “esquerdopatas”, "pobres" e cia. se danem. Na cabeça de uma pessoa dessa, qualquer cidadão que lute contra a injustiça social num dos países mais injustos do mundo é “marxista”, “esquerdopata” etc.

 É, esse tipo de ignorância não tem fim. No entanto, quanto mais pessoas assim esperneiam, mais percebo que as ideias consideradas de “esquerda” no Brasil se fortalecem – por isso, aliás, elas não param de espernear (mesmo estando no poder!). E para aqueles que acham a “esquerda” no Brasil atual fragilizada, sugiro que olhem ao lado, olhem bem, sem medo de olhar. As ideias de “esquerda” estão não só nas manifestações de professores e estudantes por uma Educação de excelência para todos, mas na empregada doméstica que não aceita mais dormir no emprego nem leva tanto desaforo pra casa, no funcionário que luta por seus direitos na Justiça, nos negros que se formam e ocupam altos cargos no mercado de trabalho, no feminismo que a cada dia denuncia mais e mais machistinhas de plantão, nos LGBTs que não só saem do armário mas se casam e se beijam na rua à luz do dia.

 Toda essa revolução, digamos, de ordem “moral”, que em países como a França e a Holanda já ocorre há décadas, começou a acontecer no Brasil de forma mais sólida há apenas alguns anos. E não por acaso um governo de extrema-direita foi eleito recentemente por uma parcela da população brasileira na tentativa de frear essas mudanças. 

Sim, os tradicionalistas andam atordoados. Para falar a verdade, tem até gente de “esquerda” duvidando da esquerda, abusando do “fogo amigo”. Tem coisa mais triste? Arriscaria dizer que gente assim nunca foi de esquerda nem tem a menor ideia do que é a luta diária na microfísica do poder (merci, Monsieur Foucault). 

Porque toda essa luta para que o Brasil um dia chegue à mesma justiça social da França, da Holanda e de outros países europeus tem sim de passar pela Política, por partidos que implementem novas leis e tornem igualitários os direitos mais básicos.

 E isso não inclui desapropriar terras como na Rússia de 1917 nem outros fantasmas do velho “comunismo”. Aliás, é bom esclarecer, França e Holanda não são países “comunistas”. E outra coisa: justiça social não é “comunismo”. Usar esses termos de maneira frívola para tocar o terror é má-fé e manipulação da ignorância alheia. 

Vejo muita gente boa sendo manipulada, repetindo esses termos de forma ingênua, e nessa hora tenho muita pena de nós, brasileiros. Todo país justo se baseia na democracia e no direito pleno à greve e à manifestação. Quando um professor chama seus alunos para manifestações, dá a eles a melhor das lições: a da cidadania.

 É meio óbvio isso, afinal, se um governo corta verbas do colégio público, o estudante que nele estuda tem de entender que isso o afeta diretamente: ele terá menos qualidade de ensino num país onde o ensino nas escolas públicas já deixa a desejar, o que certamente acabará com qualquer possibilidade de uma vida melhor no futuro.

 O pai do aluno do colégio do Leblon sabe disso, mesmo assim ele prefere chamar professores manifestantes de “marxistas” etc., numa manipulação ao mesmo tempo tola e perversa. Por tudo isso espero que a Greve Geral no próximo dia 14 de junho seja uma das maiores, mais bonitas e democráticas manifestações contra o governo de extrema-direita que chama manifestantes de “idiotas úteis” e diz, a todos que têm ouvidos para escutar, que o Brasil está “ingovernável”. 
Para bom entendedor, um adjetivo basta. Tudo que o governo busca agora é uma “justa causa” para aprovar na marra medidas que só fortalecerão o bolso do pai do aluno do colégio do Leblon e acabarão de exterminar trabalhadores de baixa renda.

 Apesar de tudo isso, na minha utopia particular, ainda sonho com o dia em que o pai do aluno do colégio do Leblon será mais digno, humano, inteligente e solidário.

Até lá, toda greve é necessária: é preciso mostrar, com manifestações pacíficas e amorosas, que o Brasil, para se tornar um país mais justo e desenvolvido como França e Holanda, precisa com urgência que suas elites elevem o índice de humanidade. Sem isso não há país que avance. Boa greve a todos!



para implantar capitalização, Bolsonaro vai gastar quase R$ 1 trilhão

3 de Junho de 2019, 16:57, por Blog do Arretadinho

Custo da transição do atual sistema de aposentadoria para o regime de capitalização será de cerca de R$ 954 bilhões, diz técnico do governo

A migração do sistema de aposentadoria atual, de repartição, mantida com  contribuições mensais dos trabalhadores e dos empresários, além de recursos da União, para o de capitalização, sistema onde só o trabalhador contribui, vai custar ao Brasil R$ 954 bilhões em 20 anos.

A informação foi divulgada três meses depois da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 006/2019 da reforma da Previdência chegar ao Congresso Nacional, pelo secretário de Previdência do Ministério da Economia, Leonardo Rolim, em uma audiência na Câmara dos Deputados. Na mesma audiência, o secretário especial de Previdência e trabalho, Rogério Marinho, que não gostou de ver os números divulgados, foi flagrado pela imprensa dando um puxão de orelhas em Rolim.

O motivo é simples. O dado derruba a tese do governo de Jair Bolsonaro (PSL) de que a reforma, que acaba com o direito de aposentadoria de milhões de trabalhadores e trabalhadoras, gera uma economia de quase R$ 1 trilhão. O mercado já havia jogado um balde de água fria nesta previsão. Alguns analistas de mercado, segundo a imprensa, acreditam que a reforma vai economizar ao governo metade do previsto, R$ 600 bilhões. Portanto, menos do que o governo vai gastar para implementar a capitalização que será entregue aos bancos.

Para o economista da Unicamp, Marcio Pochmann , esses números demonstram que a reforma da Previdência não é necessária. O que o mercado financeiro quer com o apoio do governo Bolsonaro é privatizar a Previdência Social. Por isso, o mercado pressiona pela aprovação da reforma, que é o primeiro passo para o governo seguir com a proposta de capitalização.

Segundo ele, o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes, não é transparente em relação a informações sobre a reforma. Os cálculos de quanto o governo vai economizar não levam em consideração o déficit que virá com a capitalização, porque o número de pessoas aposentadas no regime atual de repartição ainda será bem maior do que o de jovens que entrarão no regime de capitalização.

“Se os mais jovens e as empresas não contribuírem com uma parte da aposentadoria dos mais velhos, o déficit na Previdência pública será muito maior”, afirma Pochmann.

A professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Gentil, também diz que o governo precisa mostrar os cálculos que fez para chegar a essa “economia” de um trilhão e dos gastos com a transição entre o atual sistema e a capitalização.

“Os brasileiros estão cansados de receber números sem o governo dizer qual a base de dados, as equações para chegar a esse resultado porque esses números, não têm credibilidade, não têm fundamentos”, critica a economista.

Capitalização só interessa aos bancos
Denise Gentil também critica o discurso oficial do governo de que o valor economizado com a reforma da Previdência vai para a educação e a saúde.

“É uma falácia de que esses recursos serão apara atender a área social. O sistema que eles estão criando é para beneficiar os bancos. Vamos retirar recursos das pessoas mais carentes, de quem recebe o Benefício de Prestação Continuada { BPC}, para que os bancos possam lucrar ainda mais”, diz.

A mesma visão de que a capitalização só é boa para os bancos, tem Marcio Pochmann. Segundo ele, os bancos querem operar o dinheiro arrecadado, e agora, ainda mais, com a recessão econômica batendo a porta do país, o mercado financeiro não quer perder suas taxas de lucro.

O que o Estado arrecadaria com tributos vai para o setor privado, para os bancos. Vamos acabar vivendo num país onde será cada um por si, porque a Previdência pública pressupõe contrapartidas de quem trabalha

– Marcio Pochmann
Segundo o professor da Unicamp, “as pessoas que estão aposentadas e as que já estão contribuindo com a Previdência pública terão uma trajetória de vida de mais alguns anos, e o Estado é que vai pagar as pensões, sem ter a contrapartida dos demais trabalhadores e das empresas”.

Já Denise Gentil, explica ainda que o Estado é que sempre paga pelo sistema de capitalização, porque ao transferir a arrecadação da Previdência para os bancos, essas instituições financeiras aplicam o dinheiro da capitalização no tesouro público, que por sua vez remunera os bancos.

É um ciclo vicioso. É a União que paga a aplicação que o banco faz com o dinheiro do trabalhador, que, por sua vez, aplicou seu dinheiro na capitalização. O dinheiro sai do bolso do cidadão brasileiro para privilegiar bancos, e não para atender os mais pobres, como afirma o governo Bolsonaro

– Denise Gentil
Reforma Trabalhista piora as contas da Previdência
Segundo Marcio Pochmann, a reforma Trabalhista, de Michel Temer, acabou praticamente com o emprego de carteira assinada, e reduziu os ganhos dos trabalhadores e será quase impossível alguém contribuir por conta própria.

“Metade da população vai ficar sem aposentadoria”, critica o professor da Unicamp.

Para Denise Gentil, a reforma Trabalhista aumentou o tamanho da informalidade e o desemprego, e sem carteira assinada para que os trabalhadores da ativa possam contribuir com a Previdência, o rombo será muito maior.

“Querem implantar um sistema alternativo, que é o caso da carteira verde amarela, que na verdade, se transformará no sistema principal meio de contratação, e com o atual o tamanho da informalidade e do desemprego, só vai restar o regime de capitalização”, afirma a professora de economia da URFJ.

Ela explica ainda que ao retirar da sociedade um fundo público, como a Previdência, restará apenas a insegurança do mercado financeiro e o isolamento do trabalhador porque o capitalismo não quer mais contribuir com a Previdência.

“É um salve-se quem puder. Não vai mais existir o regime de solidariedade e vai aumentar a exploração da classe trabalhadora e o governo vai ter de complementar a renda da população com benefícios assistenciais para a pobreza não se alastrar mais”

Segundo ela, a perspectiva de empobrecimento aumenta muito para os mais pobres. “Não só apenas uma pequena parcela da população conseguira poupar, como haverá uma enorme perda de patrimônio, o que deixará a todos com uma renda extremamente baixa”.

Por CUT