Ir para o conteúdo

Blog do Arretadinho

Tela cheia Sugerir um artigo

Postagens

3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
Licenciado sob CC (by-nc-sa)

A carta de Lula na prisão

21 de Julho de 2018, 17:42, por Blog do Arretadinho

Foto Joaquim Dantas/Blog do Arretadinho
Estou preso há mais de cem dias. Lá fora o desemprego aumenta, mais pais e mães não têm como sustentar suas famílias, e uma política absurda de preço dos combustíveis causou uma greve de caminhoneiros que desabasteceu as cidades brasileiras. Aumenta o número de pessoas queimadas ao cozinhar com álcool devido ao preço alto do gás de cozinha para as famílias pobres. A pobreza cresce, e as perspectivas econômicas do país pioram a cada dia. 

Crianças brasileiras são presas separadas de suas famílias nos EUA, enquanto nosso governo se humilha para o vice-presidente americano. A Embraer, empresa de alta tecnologia construída ao longo de décadas, é vendida por um valor tão baixo que espanta até o mercado. 

Um governo ilegítimo corre nos seus últimos meses para liquidar o máximo possível do patrimônio e soberania nacional que conseguir —reservas do pré-sal, gasodutos, distribuidoras de energia, petroquímica—, além de abrir a Amazônia para tropas estrangeiras. Enquanto a fome volta, a vacinação de crianças cai, parte do Judiciário luta para manter seu auxílio-moradia e, quem sabe, ganhar um aumento salarial. 

Semana passada, a juíza Carolina Lebbos decidiu que não posso dar entrevistas ou gravar vídeos como pré-candidato do Partido dos Trabalhadores, o maior deste país, que me indicou para ser seu candidato à Presidência. Parece que não bastou me prender. Querem me calar. 

Aqueles que não querem que eu fale, o que vocês temem que eu diga? O que está acontecendo hoje com o povo? Não querem que eu discuta soluções para este país? Depois de anos me caluniando, não querem que eu tenha o direito de falar em minha defesa?

É para isso que vocês, os poderosos sem votos e sem ideias, derrubaram uma presidente eleita, humilharam o país internacionalmente e me prenderam com uma condenação sem provas, em uma sentença que me envia para a prisão por "atos indeterminados", após quatro anos de investigação contra mim e minha família? Fizeram tudo isso porque têm medo de eu dar entrevistas? 

Lembro-me da presidente do Supremo Tribunal Federal que dizia "cala boca já morreu". Lembro-me do Grupo Globo, que não está preocupado com esse impedimento à liberdade de imprensa —ao contrário, o comemora. 

Juristas, ex-chefes de Estado de vários países do mundo e até adversários políticos reconhecem o absurdo do processo que me condenou. Eu posso estar fisicamente em uma cela, mas são os que me condenaram que estão presos à mentira que armaram. Interesses poderosos querem transformar essa situação absurda em um fato político consumado, me impedindo de disputar as eleições, contra a recomendação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. 

Eu já perdi três disputas presidenciais —em 1989, 1994 e 1998— e sempre respeitei os resultados, me preparando para a próxima eleição. 

Eu sou candidato porque não cometi nenhum crime. Desafio os que me acusam a mostrar provas do que foi que eu fiz para estar nesta cela. Por que falam em "atos de ofício indeterminados" no lugar de apontar o que eu fiz de errado? Por que falam em apartamento "atribuído" em vez de apresentar provas de propriedade do apartamento de Guarujá, que era de uma empresa, dado como garantia bancária? Vão impedir o curso da democracia no Brasil com absurdos como esse?

Falo isso com a mesma seriedade com que disse para Michel Temer que ele não deveria embarcar em uma aventura para derrubar a presidente Dilma Rousseff, que ele iria se arrepender disso. Os maiores interessados em que eu dispute as eleições deveriam ser aqueles que não querem que eu seja presidente. 

Querem me derrotar? Façam isso de forma limpa, nas urnas. Discutam propostas para o país e tenham responsabilidade, ainda mais neste momento em que as elites brasileiras namoram propostas autoritárias de gente que defende a céu aberto assassinato de seres humanos. 

Todos sabem que, como presidente, exerci o diálogo. Não busquei um terceiro mandato quando tinha de rejeição só o que Temer tem hoje de aprovação. Trabalhei para que a inclusão social fosse o motor da economia e para que todos os brasileiros tivessem direito real, não só no papel, de comer, estudar e ter moradia. 

Querem que as pessoas se esqueçam de que o Brasil já teve dias melhores? Querem impedir que o povo brasileiro —de quem todo o poder emana, segundo a Constituição— possa escolher em quem quer votar nas eleições de 7 de outubro? 

O que temem? A volta do diálogo, do desenvolvimento, do tempo em que menos teve conflito social neste país? Quando a inclusão dos pobres fez as empresas brasileiras crescerem? 

O Brasil precisa restaurar sua democracia e se libertar dos ódios que plantaram para tirar o PT do governo, implantar uma agenda de retirada dos direitos dos trabalhadores e dos aposentados e trazer de volta a exploração desenfreada dos mais pobres. O Brasil precisa se reencontrar consigo mesmo e ser feliz de novo. 

Podem me prender. Podem tentar me calar. Mas eu não vou mudar esta minha fé nos brasileiros, na esperança de milhões em um futuro melhor. E eu tenho certeza de que esta fé em nós mesmos contra o complexo de vira-lata é a solução para a crise que vivemos.

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente da República (2003-2010)



"O Estado tira do pobre para dar aos-ricos", diz Boulos

21 de Julho de 2018, 16:37, por Blog do Arretadinho

Pré-candidato do PSOL à Presidência é o quarto participante da série "Sabatina GaúchaZH"

O mais jovem pré-candidato à Presidência da República e uma das principais lideranças da esquerda no país, Guilherme Boulos, 36 anos, do PSOL, é o quarto participante da série Sabatina GaúchaZH.

Entrevistado na segunda-feira pelos jornalistas Carolina Bahia, Daniel Scola e Rosane de Oliveira, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que não esconde o entusiasmo quando comparado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), defende a implementação de mecanismos de democracia direta, investimentos públicos em infraestrutura social e reforma tributária progressiva, com taxação concentrada na renda dos "super-ricos":

— Vamos, sim, criar imposto sobre grandes fortunas, que está previsto no Constituição desde 1988 e não foi regulamentado até hoje por falta de coragem.

Na contramão de companheiros do PSOL que querem distância do PT, como Luciana Genro, Boulos esteve ao lado de Lula no dia em que foi preso, em São Bernardo do Campo, e defendeu a resistência. Ele diz que a afinidade é recíproca, mas não alimenta esperança de ser o indicado pelo petista, caso o ex-presidente seja mesmo impedido de concorrer:

— O PT não deixaria — afirma.

Confrontado com os baixos índices nas pesquisas, o pré-candidato tenta manter um discurso otimista:

—  As pessoas não se sentem representadas pelo que está aí. As instituições estão em crise, talvez inédita desde o fim da ditadura militar. Então, isso abre espaço para a construção do novo.

Nas recentes pesquisas de intenção de voto, o senhor aparece com 1%. Esta é uma campanha curta, e estamos há menos de três meses das eleições. Como fazer deslanchar a sua candidatura?

Estamos diante das eleições mais imprevisíveis dos últimos 30 anos no Brasil. A mesma pesquisa que você citou mostra que 58% dos brasileiros não sabem em quem votar ou dizem que vão votar nulo, em branco. A situação geral é de indefinição para uma crise do sistema político. O sistema político brasileiro faliu. As pessoas não se sentem representadas pelo que está aí. As instituições estão em crise, talvez inédita desde o fim da ditadura militar. Isso abre espaço para a construção do novo. Essa crise de representação, essa desesperança da sociedade, permite que aventureiros e oportunistas saiam da sua toca e queiram explorar o medo e a insegurança das pessoas, fazendo política em cima da intolerância e do ódio. E aqui estou falando de Jair Bolsonaro (pré-candidato à Presidência pelo PSL). Se por um lado há espaço para esse tipo de excrescência, por outro também é oportunidade para apresentar o novo e a mudança. Não temos a menor dúvida de que, quando tivermos oportunidade, durante a campanha, de dialogar com o povo brasileiro e apresentar alternativa que toque o dedo na ferida, uma alternativa que não tenha medo de bater de frente com o privilégio e que diga, com todas as letras, que esse sistema político faliu, que precisa ser refundado, vamos conseguir dialogar com maioria do povo.

O sistema político brasileiro faliu. As pessoas não se sentem representadas pelo que está aí.

Quando fala em "bater de frente com os privilégios", poderia exemplificar quais combateria em primeiro lugar?

Posso exemplificar começando com os privilégios da elite financeira do país. É inadmissível que o Brasil seja a sétima economia do mundo e esteja entre os 10 países mais desiguais do planeta. É inadmissível, segundo levantamento da Oxford, que seis bilionários tenham mais patrimônio, riqueza, renda, do que 100 milhões de brasileiros e brasileiras. Não dá. Esse abismo social que temos no Brasil é resultado de um Estado que funciona como se fosse um Robin Hood ao contrário, que tira dos trabalhadores da classe média, dos mais pobres, para dar para os super-ricos. O Robin Hood tirava do rico para dar ao pobre. O Estado brasileiro tira do pobre, da classe média, para dar aos super-ricos, com um sistema tributário abusivo e injusto. Isso precisa ser enfrentado.

Como corrigiria isso? Criando, por exemplo, imposto sobre fortuna?

Vou lhe dar dois caminhos. Primeiro, é a reforma tributária. Vamos, sim, criar imposto sobre grandes fortunas, que está previsto no Constituição desde 1988 e não foi regulamentado até hoje por falta de coragem. Vamos, sim, tributar lucros e dividendos. Não é aceitável que acionista de grande empresa não pague sobre o que recebe da companhia. Estudos de tributaristas mostram que só a tributação de lucros e dividendos arrecadaria R$ 60 bilhões para o país por ano. Hoje, no Brasil, quem tem mais, paga menos. Quem tem menos, paga mais. Vamos colocar essa coisa nos eixos. O segundo caminho é que vamos enfrentar a farra do bolsa-empresário no Brasil. Não dá. Saiu recentemente declaração do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, que falou que, neste ano, o país vai deixar R$ 283 bilhões de desonerações a empresas. Isso é 4% do PIB, o dobro da média internacional em desonerações. Tem de acabar com essa palhaçada.

As pessoas dizem, muitas vezes, sobre o Bolsa Família, "ah, não pode dar o peixe, tem de ensinar a pescar". Para lá. A média do Bolsa Família é de R$ 174 por família. Hoje não dá quase para comprar um botijão de gás no país, do jeito que a coisa anda. O total do Bolsa Família no orçamento da União é R$ 30 bilhões ao ano, 10 vezes menos do que o bolsa-empresário. Vamos deixar de dar o peixe ao grande empresário e ensinar a pescar.

O Brasil tem mais de 12 milhões de desempregados. Qual sua proposta para geração de empregos?

Estamos em crise profunda, com anos de recessão, o PIB tem queda acumulada em três anos e pouco de 7%, e nenhum país do mundo saiu de crise sem investimento público. Não tem saída da crise sem investimento público. Vamos criar programa emergencial para geração de emprego e renda, recuperar o emprego para o trabalhador brasileiro, primeiro retomando o investimento público em infraestrutura social, em saneamento, em moradia. Isso, além de gerar melhoria na qualidade de vida, gera emprego. Vamos investir em serviços públicos, saúde, educação, nessas cadeias, e vamos retomar o programa de obras públicas. Como vamos fazer isso? A reforma tributária progressiva e o fim da farra das desonerações. Isso libera condições de investimento para o Estado que são incríveis. É mentira que falta dinheiro. O dinheiro está mal distribuído ou superarrecadado por quem está recebendo benefício fiscal indevido. Outra coisa: venderam um peixe podre para os trabalhadores brasileiros com a reforma trabalhista. Disseram: "vamos cortar direitos, que isso vai gerar empregos". Opa! Vai fazer um ano da reforma trabalhista, e o desemprego só cresceu e precarizou o trabalho de quem tem.

Pretende reverter alguma coisa da reforma trabalhista?

Não tenho a menor dúvida. Nossa primeira medida, dia 1º de janeiro de 2019, se ganharmos as eleições, vai ser, com o Congresso e a sociedade e brasileira, chamar um plebiscito para que o povo possa decidir se quer manter ou revogar as medidas do governo Michel Temer. E cito aqui a reforma trabalhista em bloco, inteira. Ela não foi feita para modernizar a legislação do trabalho. Foi feita para retirar direitos.

O povo vai ter condições de votar em questões técnicas, por exemplo, que não dizem só respeito somente ao trabalhador, mas também ao empregador?

Essas não são questões técnicas, são questões sociais. Você autorizar que uma mulher grávida possa trabalhar em locais insalubres, isso não tem nada de técnica.

Em relação à contribuição sindical obrigatória, também acha que é um ponto que deve ser revogado?

Há uma legislação que precisava ser aprimorada. Agora, isso precisa ser discutido com as categorias. Contribuição sindical tem de passar pela assembleia. Os trabalhadores têm de ser chamados a opinar. O que não pode é fazer como se fez, um enfraquecimento geral dos sindicatos. Não estou falando apenas de estrutura, mas sobretudo da legislação. Com os sindicatos não precisando mais homologar demissão, os acordos coletivos perderam valor em relação aos individuais, porque isso enfraquece os trabalhadores. O sindicato é um mecanismo importante de luta. É claro que sindicato que não representa de fato os trabalhadores e que serve para poder pegar recursos públicos e chupinhar tem de ser combatido.

Qual sua posição sobre a reforma da Previdência?

Primeiro, temos de encarar o fato de que toda vez que aumenta a expectativa de vida de um país, abre-se o debate sobre sistema de seguridade social e de previdência pública. E é preciso fazer esse debate de maneira democrática. O que é a Previdência? Solidariedade de uma geração com outra. Hoje, trabalhamos para ajudar a sustentar a aposentadoria de uma geração que trabalhou antes, que, por sua vez, quando trabalhava, sustentou a aposentadoria de outra geração. É solidariedade geracional.

Esse princípio o senhor não quebraria? Porque também há países em que o sistema é diferente, a pessoa faz a poupança para depois, no futuro.

Não achamos que deveria se individualizar a Previdência. Ela tem de ser um direito universal. Mais do que isso. Não há países do mundo em que esse sistema é autossustentável. Ele precisa, sim, de investimento público. Isso se chama de déficit. Aliás, a Constituição já prevê isso. Uma série de fontes de financiamento para seguridade social no Brasil, PIS, Cofins, Pasep, contribuição social sobre lucro líquido, são impostos destinados a sustentar a seguridade e a Previdência. Quando começa o problema? Quando 30% do total dessa arrecadação por meio da DRU é desviado da sua finalidade original. E é sistematicamente utilizado para pagar juros da dívida pública para agiota. Vamos rever a DRU, porque é muito fácil apontar o déficit da Previdência quando o dinheiro que deveria ir para ela está sendo retirado. É claro que vai ter um rombo cada vez maior. Segundo: precisamos cobrar das grandes empresas que não pagam a sua parte. Temos R$ 450 bilhões de estoque de dívida de grandes empresas com a Previdência no Brasil. Mais do que isso, tem uma série de desonerações em folha, que aí é fluxo, não é estoque, de empresas que deixam de pagar para Previdência. Temos de rever essas desonerações. O que o Temer tentou fazer é crime, covardia. Você querer botar a conta do problema da Previdência em gente que trabalhou a vida inteira e que vai receber um salário mínimo depois. Isso é covardia de quem não tem coragem para mexer em grandes privilégios. Não vamos aceitar e vamos mexer na ferida, no privilégio.

O senhor é um dos líderes do MTST, e as ocupações geram debate intenso no Rio Grande do Sul. Qual é o critério para existir uma ocupação? Qual é a sua avaliação?

Quero agradecer pela pergunta, porque ajuda a esclarecer muitos preconceitos. Estou há 17 anos na luta pelo direito à moradia e o que mais ouço, quando há ocupação, é "ah, é vagabundo", "gente que quer tomar o que é dos outro, quer ganhar fácil". É muito fácil fazer essa leitura sem se colocar na pele das famílias que vão para uma ocupação. O que leva uma senhora com seus dois filhos a pisar no barro, ficar debaixo de um barraco de lona, sem água encanada, sem energia elétrica, sem infraestrutura básica, não é nenhum tipo de oportunismo, porque ela não está ganhando nada com isso. É completa falta de alternativa. Temos milhões de pessoas no Brasil que, no final do mês, tem de escolher entre pagar aluguel e botar comida na mesa. Conheci muita gente, atuando no movimento de moradia, que chega lá e diz: "Olha, recebo R$ 900 por mês e pago R$ 700 de aluguel". O que você vai dizer para uma pessoa dessas? O poder público nunca ofereceu alternativa para ela. O que você vai dizer para uma família dessas?

O problema é complexo. Mas qual é o critério para a ocupação?

Temos de ver as ocupações quebrando esse preconceito, entendendo ela como um problema social antes de qualquer outra coisa. Poderíamos falar aqui também do problema legal, e aí vamos tratar disso. Qual é o critério que um movimento social usa para ocupar uma terra? Ninguém, ao contrário do que mistificam, vai chegar e falar "ó, vai ocupar o teu quintal, vai dividir teu quarto no meio, vai ocupar teu apartamento". Não é isso. Movimento social ocupa prédio ou terreno que está abandonado, ocioso, devendo imposto. Portanto, está numa situação ilegal.

Nossa primeira medida, se ganharmos as eleições, vai ser chamar um plebiscito para que o povo possa decidir se quer manter ou revogar as medidas do governo Michel Temer.
Mesmo que seja privado?

Sim, porque está ilegal. A Constituição assegura o direito à propriedade privada, mas também diz que a propriedade tem de cumprir função social. Propriedade que está largada, abandonada, devendo, está em situação inconstitucional e ilegal no país.

Mesmo que esses locais não tenham condições?

Quem tem condições, competência para analisar isso e resolver é o poder público. Quem tem Defesa Civil, bombeiro, engenheiro, arquiteto para fazer análise de habitabilidade é o poder público, que, aliás, não deveria deixar um prédio sem condições, esperando para ser ocupado. Deveria fazer a lei ser cumprida, desapropriá-lo e requalificá-lo para moradia popular e entregar para as famílias que precisam.

Qual é a sua relação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)?

Relação de apoio. A luta para a reforma agrária no Brasil é dívida histórica do nosso Estado. Vamos lembrar do comício da Central do Brasil, do gaúcho João Goulart (presidendo do Brasil entre 1961 a 1964), em 1964, que estava lá assinando a lei da reforma agrária. Mas, em 54 anos, ela não foi feita no Brasil. Temos 1% dos proprietários que concentram 40% das terras. Isso é inadmissível.

Mas concorda com a invasão quando a fazenda é produtiva e, mesmo assim, é ocupada?

Temos de discutir quais são os critérios de produtividade. Um latifúndio que esteja em suposta produtividade, tem lá uma terra do tamanho do Mato Grosso e você planta um pé de alface e vem me dizer que é produtivo? Não é.

O senhor é contra o uso de transgênico?

Sou contra transgênico.

E pretende banir?

Claro, assim como vários países do mundo já o proibiram. A produção de agrotóxico, de transgênico, na verdade, serve para enriquecer meia dúzia de corporações, como Syngenta, Bayer. Monopolizam o comércio das sementes e tornam qualquer pequeno agricultor refém deles, porque as sementes têm de vir deles, e trazem um prejuízo incalculável para o meio ambiente no médio e longo prazos. Vamos banir isso. A gente ouve muito que o agronegócio é a salvação nacional. Pera lá, gente. 70% da comida que chega na nossa mesa todos os dias vem da agricultura familiar, que recebe quase zero de crédito do Estado, enquanto o agronegócio tem dinheiro e tapete vermelho em qualquer instituição bancária pública.

Dentro do campo de centro-esquerda, o concorrente com o melhor desempenho nas pesquisas, com exceção de Lula, é o candidato do PDT, Ciro Gomes. O PSOL estaria disposto a fazer aliança com ele?

Praticamos uma unidade da esquerda quando se trata de defender princípios, democracia, direitos sociais, que estão sendo fortemente agredidos no Brasil no último período. Temos de pensar, quando se fala de unidade, onde estava cada um no verão passado. Eu estava, junto com o PSOL, junto com vários movimentos sociais que constroem a aliança da nossa candidatura, construindo lutas sociais, contra a reforma da Previdência, contra a reforma trabalhista, para tirar o Temer do poder, quando ele se salvou. Salvou o pescoço dele com emenda parlamentar comprando mais da metade do Congresso. É lá que estávamos. Unidade se constrói aí. Tanto eu quanto PSOL, PCB e movimentos que estão conosco não nos sentimos representados por projeto que volte a fazer aliança com quem está na base de Temer e que ajudou a dar golpe parlamentar no Brasil. Não me representa.

Mas, e em eventual segundo turno, no caso de o senhor ficar fora, e aquela escolha que precisa ser feita entre o ruim e o menos pior, às vezes. Qual seria a posição do PSOL?

Primeiro, espero estar no segundo turno, acreditamos que há espaço enorme para que a nossa pré-candidatura cresça. Agora, em cenário de segundo turno em que eventualmente a gente não esteja, e esteja qualquer representação da centro-esquerda contra uma candidatura do campo do Michel Temer, estaremos com essa representação da centro-esquerda contra Temer. Não há a menor dúvida.

O que acha da Lava-Jato?

Primeiro, o combate à corrupção é fundamental para o país. Se houver operação policial, judicial ou a Lava-Jato que foque no combate à corrupção, muito bem. O que não pode é ela começar a se partidarizar e a se politizar nas suas investigações. Isso é um problema. Temos que combater a corrupção independentemente da coloração partidária. E, mais do que isso, temos de fazer combate à corrupção na sua estrutura. Uma operação policial não basta para isso. Lava-Jato é a dipirona diante da febre do sistema político.

Mas não é importante?

E é uma dipirona que ainda tem efeito colateral. Seria muito importante para a sociedade se se limitasse a fazer o combate à corrupção sem partidarização. Não foi isso que aconteceu.

O senhor pode dar um exemplo de partidarização?

A prisão de Lula. É um exemplo muito claro. Foi usado critério totalmente diferente para ele.

Mas o senhor reconhece a existência de desvios na Petrobras, por exemplo?

Não tenho a menor dúvida.

Então, como se puniria esses desvios?

Justiça criminal não se faz com achismo, se faz com provas. Não se condena no atacado. Justiça criminal precisa ter prova para condenar alguém. Essa história de "não sei quem indicou e o outro fez", não é assim.

No caso do ex-presidente, foi o dono da OAS que disse "esse apartamento era para Lula".

Ele disse isso se contradizendo duas vezes no que tinha dito depois de um ano preso. E você está com base em uma palavra, em uma delação. Que prova material tem? Tem gravação de Temer no porão do Palácio comprando silêncio de (deputado cassado Eduardo) Cunha, tem o braço direito dele filmado com mala de dinheiro na calçada e ele está dirigindo o Brasil. Tem gravação de Aécio Neves (senador do PSDB) dizendo até que iria matar o primo antes de delatar, e está fazendo lei a essa hora no Senado.

Estão errados, mas os dois têm foro privilegiado.

De um lado, há prova de sobra e não tem punição. Do outro, não tem prova material e tem punição. Não dá para ser assim. Quero acrescentar uma coisa: estamos falando de um desvio da Lava-Jato, que foi ir para o caminho da politização e da partidarização. Mas investigação, qualquer que seja ela, policial, operação judicial, não resolve a estrutura da corrupção no Brasil. A infecção. Corrupção é uma febre, você tem uma dipirona na operação policial. Temos de mexer na infecção. A infecção é como se organiza o sistema político brasileiro.

E como se mexe nessa infecção, então?

Primeiro, vamos diagnosticar o problema para dar a solução. Vamos falar o português claro para quem está nos lendo. Como é que começa a corrupção no Brasil: financiamento privado de campanha eleitoral. Grandes empresários, empreiteiros, banqueiros, agronegócio pagam campanha de deputado, governador, presidente da República, vereador, de cima a baixo. Aí quem ganha vai atender ao interesse de quem pagou, e não de quem votou. Se formam verdadeiras máfias no Congresso e no poder público. Máfias que defendem interesse corporativo.

Por conta da polêmica do impasse em torno do habeas corpus de Lula, o senhor disse que, se eleito, implementará processo de democratização do Judiciário. Acha que o Poder Judiciário não é democrático?

Não tenho a menor dúvida. É absolutamente antidemocrático.

Mas julga o Poder Judiciário em cima desse episódio?

Não. Julgo o Poder Judiciário em cima do que é e sempre foi na história brasileira.

Que é?

Que sempre julgou com dois pesos e duas medidas. Me diga se tem um juiz pobre no Brasil. Procure um, com lupa. Poder Judiciário é um poder elitizado, é um poder sem nenhum grau de controle social. Nenhuma instituição confiável se autocontrola. Toda instituição precisa ter controle externo.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não faz esse papel?

O CNJ é praticamente interno. Os privilégios do Judiciário e a falta de controle da sociedade sobre ele precisam ser enfrentados.

Sobre o programa Minha Casa Minha Vida, muitos condomínios estão hoje caindo aos pedaços. Onde é que o governo errou nesse caso?

O programa teve o mérito de trazer subsídio público. Teve um programa, um programa federal e teve recurso com subsídio. Muito bem. Qual é o problema? Ele foi feito na mesma lógica como historicamente se pensou moradia popular no Brasil: jogar os pobres para mais longe. Então, foram sendo construídos condomínios grandes nas periferias das cidades, não tem infraestrutura, onde não há serviços públicos e longe das ofertas de emprego. Essa lógica de que pobre tem de morar na periferia é muito ruim e precisa se enfrentada. Como? Destinando terrenos e imóveis ociosos nas regiões centrais para moradia popular. Temos de quebrar esse tabu de que pobre não pode morar no centro.

Tanto eu quanto PSOL, PCB e movimentos que estão conosco não nos sentimos representados por projeto que volte a fazer aliança com quem está na base de Temer.

O senhor, como nós, é privilegiado, pois teve acesso ao Ensino Superior, algo que a maioria dos brasileiros não tem. E hoje se gasta muito no nível Superior e pouco lá embaixo. O resultado é que as crianças que tiveram uma má escola pública não terão acesso à universidade pública. Como se quebra essa escrita?

Vamos revogar a Emenda Constitucional 95 (conhecida como teto dos gastos), que congela dinheiro inclusive da educação, pelos próximos 20 anos. Porque dizer que educação é prioridade e não destinar o investimento para ela é demagogia e hipocrisia. Vamos fazer reforma tributária progressiva, acabar com farra de desoneração de juro abusivo para poder ter recurso público para investimento pesado em educação. Tem de ter prioridade no ensino básico. Começando desde a creche, educação infantil em tempo integral para poder atender às mães que trabalham e estudam, universalizando o atendimento de creche no país.

O senhor é, talvez, um dos principais líderes políticos de esquerda que surgiu nos últimos anos. E é jovem. Em qual modelo de governo se inspira?

Me inspiro em muita gente que lutou e luta por justiça social, democracia, direitos. Não acredito em repetição de modelos. Acho que o Brasil é grande e diverso demais para repetir o que aconteceu em qualquer outro lugar. Acredito firmemente em um país com igualdade de oportunidades, que ninguém seja diferente ou discriminado pelo lugar onde nasce, pela cor da sua pele ou por condição econômica. Acredito em um país que não tenha privilégios, com participação das pessoas, em que elas possam decidir sobre seu próprio destino.

Assista à íntegra da sabatina:



Em 3 meses, um novo presidente; em 6, um novo governo progressista

21 de Julho de 2018, 13:27, por Blog do Arretadinho

por EMIR SADER no 247

A contagem regressiva avança. Em outubro o Brasil terá um novo presidente, eleito pelo voto popular. No primeiro turno, dia 7, no segundo dia 28. E em janeiro teremos um novo governo.

Se os nomes não estão certos, principalmente o de quem lidera todas as pesquisas, e a direita está dispersa, a única certeza é a liderança do Lula e sua capacidade de tornar favorito quem ele indique, caso seja impedido de concorrer.

Haverá um candidato do PT, favorito. Esse é o caminho que temos para derrotar e derrubar o governo do golpe e o regime de exceção. A luta por essa via tem uma dimensão jurídica – superar as tentativas de impedir sua candidatura e sua liberdade –, uma dimensão política – lançamento do programa eleitoral do PT, cujo esboço já foi divulgado e alianças para compor a chapa do Lula – e uma dimensão de massas – com o aumento das mobilizações pela liberdade do Lula e de rejeição das posições do Judiciário.

As outras pré-candidaturas veem esgotar seus tempos para viabilizar-se como alternativas no campo da esquerda e permanecem na expectativa do que acontecerá com a candidatura do PT. A definição, como fica cada vez mais claro, se dará no âmbito do PT: ou Lula ou quem ele indicar, do PT, caso ele seja impedido de concorrer.

Ciro não conseguiu aglutinar forças da direita, que lhe dessem maior espaço, ficando sua candidatura resumida ao PDT. O PSB tende claramente a deixar aberta a questão, diante da impossibilidade de conciliar o partido em Pernambuco, que tende para o Lula, e em São Paulo, ligado ao Alckmin.

O imenso espaço ocupado pelo Lula deixa as outras pre candidaturas sem espaço próprio, de tal forma a polarização do Lula contra o governo golpista se torna a contradição fundamental do momento politico atual. De tal forma que da resolução desse enfrentamento se decide o futuro do Brasil por muito tempo, talvez por toda a primeira metade do século.

O campo da direita parece ficar mais claro, com a candidatura do Alckmin agrupando forcas da direita, para disputar com o Bolsonaro eventual lugar no segundo turno. Desistiram de tentar alguém de fora da politica tradicional. Enquanto isso, Meirelles fica sem nenhum apoio, ao personificar o núcleo básico da falta de popularidade do governo Temer, ameaçando com levar o PMDB ao pior resultado da sua historia.

A contagem regressiva se torna dramática. Até 15 de agosto estarão registradas as candidaturas, começa uma nova batalha, na luta pelo Lula para ser candidato. Dela depende a constituição definitiva do cenário eleitoral. A direita conta com a interdição do Lula e eventuais dificuldades para ele transferir sua influencia em votos para quem ele escolher. Quem quer que venha a ser, a mídia e o Judiciário farão cair sobre ele os mesmos mecanismos de perseguição politica de que o Lula é vitima.

É a esperança da direita, porque da sua força própria não pode esperar muito, seja de Alckmin, seja de Bolsonaro. É a hora de a esquerda concentrar forças em torno da alternativa real de derrotar a direita e o seu golpe. E a única possibilidade é a de Lula ou de quem ele indicar.

São menos de três meses até a definição de quem será o próximo presidente do Brasil. Menos de seis meses para que um novo governo comece a resgatar o Brasil, sua democracia, os direitos dos trabalhadores, as políticas sociais para todos.



Atriz faz piada com Bolsonaro e é ameaçada e chamada de 'vagabunda'

21 de Julho de 2018, 9:12, por Blog do Arretadinho

Atriz Ingrid Guimarães (reprodução)
Depois de compartilhar uma imagem fazendo piada com Jair Bolsonaro, Ingrid Guimarães é ameaçada e xingada por seguidores do deputado. Atriz publicou um desabafo após os ataques sofridos e se disse assustada

Dias depois de compartilhar em seu Instagram uma imagem fazendo piada com o deputado Jair Bolsonaro, Ingrid Guimarães voltou às redes para falar sobre a repercussão negativa que recebeu sobre a postagem.

Segundo a atriz, apoiadores do deputado começaram a deixar comentários ofensivos e ameaças na foto. Em depoimento publicado em seu Facebook, desabafou: “Fui atacada, ameaçada, chamada de vagabunda, global (pra alguns é xingamento), acusada de ter usado a lei rouanet (oi?) e por isso estar mancomunada com o governo, tinha até uma tenente dizendo que estava ‘de olho em mim’”.

No post, Ingrid ainda se mostrou assustada com a quantidade de gente que apoia Bolsonaro e acredita em sua campanha para a presidência nas eleições de 2018. “Se você acha que o inferno é agora, amigo, 2018 está chegando e com ele o verdadeiro golpe: o moralismo, o preconceito, o machismo e o radicalismo em um só candidato. Cheio de fãs jovens fofos que falam palavrão e chamam atrizes de puta em nome da família”, escreveu.

Horas depois da publicação, Ingrid apagou a declaração de seu perfil na rede social.

Leia na íntegra:

“Coloquei uma piadinha sobre Bolsonaro no meu insta e fui atacada, ameaçada chamada de vagabunda, global ( pra alguns é xingamento), acusada de ter usado a lei rouanet (oi?) e por isso estar mancomunada com o governo, tinha até uma tenente dizendo que estava “de olho em mim”.

Mas de tudo o que mais me chocou foi ver a quantidade de Bolsonaroprapresidente2018
Fui pesquisar a cara das minhas ameaças e a maioria eram jovens cristãos com instagram fofo cheio de dizeres. Tive medo e apaguei.

Pq se vc acha que o inferno é agora amigo 2018 está chegando e com ele o verdadeiro golpe: o moralismo, o preconceito, o machismo e o radicalismo em um só candidato. Cheio de fãs jovens fofos que falam palavrão e chamam atrizes de puta em nome da família. Alguem tem contato em Portugal?”

fonte O Dia



Dilma está voltando, como senadora por MG

19 de Julho de 2018, 21:00, por Blog do Arretadinho