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Notas rápidas internacionais 01/06/18

1 de Junho de 2018, 10:03 , por Ana Prestes - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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por Ana Prestes

por Ana Prestes

- Espanha tem novo premiê. Caiu o primeiro ministro Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), que estava no poder desde 2011. O novo premiê é Pedro Sánchez do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). O PSOE havia apresentado proposta de moção de censura contra Rajoy há cerca de duas semanas, após vários membros do PP terem sido denunciados em esquemas de corrupção. A moção teve apoio do Partido Nacionalista Basco (PNV) e assim foram obtidos 180 votos entre 350 do total de parlamentares do Parlamento Espanhol, quatro acima do necessário para aprovar a destituição de Rajoy.

- Também na Espanha, foi aprovada pelo governo a nova composição do executivo regional da Catalunha, anunciada pelo novo presidente Catalão, o parlamentar independentista Quim Torra. Espanha tem nova direção e a Catalunha também. Fica a incógnita de como será conduzida a questão da independência da Catalunha daqui em diante.

- Argentina vai às ruas massivamente hoje, 1º. de junho. Estão chegando à capital Buenos Aires marchas de várias partes do país como de Fromosa, Chaco, Rio Negro, Mar del Plata e outras. A marcha já estava marcada há algumas semanas e será ainda mais forte, possivelmente, pelo veto de ontem (31) por Macri de um projeto de lei do Senado que previa congelamento de tarifas de água e energia. Macri já havia cortado subsídios das prestadoras de serviços, transferindo os custos para as mensalidades pagas pelos contribuintes pelo uso de serviços como água e eletricidade. O projeto de congelamento das tarifas foi aprovado por 37 a 30 no senado argentino.

- No dia de ontem (31) foi realizada uma grande mobilização em frente ao parlamento argentino como parte de uma jornada por aborto legal, livre e gratuito que já dura há semanas no país. Uma votação sobre o tema é prevista para o próximo 13 de junho.

- No Chile também estão bastante fortes as mobilizações feministas, mas neste caso a pauta é por uma educação não sexista. Em um encontro ocorrido esta semana pelo conselho de Universidades do Estado, os reitores trataram do tema. Fruto das pressões das ruas, um conjunto de medidas será tomado para “avançar a igualdade de gênero nas comunidades universitárias, que têm como eixo a prevenção e erradicação de casos de violência e abuso sexual”. Foi também anunciada uma reforma curricular para avançar à uma educação superior não sexista. As mobilizações das universitárias se espalham por todo o país.

- Apesar de protestos e pedidos de organizações de direitos humanos, a seleção argentina de futebol jogará a polêmica partida contra o time de Israel em Jerusalém no próximo dia 9 de junho, véspera da abertura da Copa do Mundo na Rússia. A seleção argentina está sendo acusada de aceitar jogar sobre um terreno que hoje é um “cementerio de niños, niñas, ancianos, mujeres, hombres palestinos” e de terem como público soldados armados e judeus ortodoxos colonos da Palestina ocupada.

- O dia das mães na Nicarágua, nesta quarta (30), foi marcado por nova onda de manifestações, violência e mortes. Fala se em 15 mortos (enquanto escrevia, vi notícias de que já seriam 16), elevando para 102 o número de mortos desde o início dos conflitos em 18 de abril. Uma lista com os 102 nomes circula pela internet. As marchas são bastante distinguíveis pelas cores, enquanto os apoiadores do governo estão em vermelho e preto (cores da frente sandinista de libertação nacional), os opositores vão de azul e branco (cores da bandeira da Nicarágua). Havia duas mobilizações, uma do governo pela avenida Chávez que culminou no Lago Xolotlán e outra da oposição que culminou na UCA (Universidad Centroamericana). Os locais são próximos (menos de um quilometro). O enfrentamento entre opositores e membros da Frente Sandinista teria se dado próximo a um estádio nacional de beisebol e também na região da UNI (Universidade de Engenharia) próximo ao estádio. Anteriormente, ônibus que vinham do interior para as marchas já haviam sido igualmente atacados. Nas redes, a consigna #sosnicaragua alarmava a população sobre os conflitos, o que gerou mais pânico e correria, muitas pessoas se refugiaram na UCA. Na confusão, opositores atacaram novamente a Nuvea Radio Ya (já havia sido incendiada nos últimos protestos), destruíram instalações da Caja Rural Nacional (cooperativa que administra os fundos do bloco ALBA para projetos sociais) e atacaram edifício do Ministério de Economia Familiar. Também foi atacado o canal de notícias da oposição 100% Noticias e a radio opositora Darío. No interior, em Masaya e Estelí, também houve destruição de edifícios do governo. Opositores atestam que ataques foram reação à repressão do governo Ortega. Após os mortos e feridos do dia das mães, a Igreja Católica que mediava a mesa de negociações entre governo e oposição disse que não cumprirá mais o papel que vinha realizando. A Conferencia Episcopal da Nicaragua (CEN) anunciou que não seguirá no diálogo enquanto o povo continue sendo reprimido e assassinado. Secretário geral da OEA e governo dos EUA também se pronunciaram sobre as mortes, culpando o Governo de Ortega.

- O Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, esteve ontem (31) na Coreia do Norte onde se reuniu com Kim Jong-un. O encontro acontece na véspera de uma possível cúpula entre Kim e Trump neste mês de junho e é uma demonstração de que o governo russo está atento às novas movimentações. Lavrov sugeriu em entrevistas após o encontro que as sanções contra a Coreia do Norte podem ser relaxadas ainda com as negociações de desnuclearização em curso, posição diferente dos EUA, que só cogitam relaxar sanções após completa desnuclearização da península. Em um vídeo gravado no início da reunião está registrado o convite de Lavrov a Kim para que visite Moscou.

- Um emissário de Kim está nos EUA e se reuniu com o Secretário de Estado, Mike Pompeo. O General Kim Yong Chol é o mais alto funcionário do governo da Coreia do Norte a visitar os EUA em 18 anos. Pompeo deixou claro após a reunião que o encontro de junho, entre os dois presidentes, está condicionado à decisão de Pyongyang de abandonar seu programa nuclear, o que ainda não foi anunciado. Apesar das tuitadas de Trump dizendo que foram “muito bons” os encontros entre os representantes dos dois países, ainda é incerto se haverá ou não a cúpula diante do tom exigente e inflexível norte-americano.

- Secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, anunciou nesta quinta (31) que União Europeia, Canadá e México estarão sujeitos às tarifas de 25% sobre a exportação do aço e 10% sobre o alumínio. As tarifas estavam suspensas para negociação, assim como com Brasil e China, mas as negociações não satisfizeram Trump que resolver manter as tarifas. União Europeia, Canadá e México responderam elevando a tarifa sobre vários produtos que importam dos EUA. O Canadá é o maior exportador de aço para os EUA, seguido do Brasil que tem a segunda posição. (Lembramos que nas negociações o Brasil ficou com o sistema de cotas para o aço e os 10% sobre o alumínio).

- FMI ficou alarmado com a escalada da guerra comercial promovida por Donald Trump nos últimos dias. Em um anúncio do banco desta quinta, (31) lê-se: “é infeliz que as tensões comerciais estejam crescendo em um momento no qual a recuperação global está se apoiando no comércio”.

- Um fato curioso ocupou a imprensa e as redes sociais da Rússia e da Ucrânia ao longo desta semana. Um jornalista anti-Kremlin, Arkady Babchenko, foi dado como assassinado em Kiev, na Ucrânia, mas apareceu vivo no dia seguinte na conferência de imprensa sobre sua morte. A farsa era para acusar Putin de ter mandado matar o jornalista. Um homem foi preso acusado de ter sido “capturado” pelos russos para matar o jornalista e a farsa foi “necessária” segundo o governo ucraniano para provar a trama. Governo russo, além de não reconhecer a acusação, não perdeu a oportunidade de tripudiar ao dizer que “apesar de Babchenko não ter morrido, a Ucrânia ainda é um país perigoso para jornalistas”.

- Parlamento da Uganda aprovou uma lei que cobra taxas de usuários de redes sociais e aplicativos de mensagem, como Facebook, WhatsaApp, Twitter e outros. O presidente do país disse que essas plataformas incentivam a disseminação de “olugambo” (fofocas) e o dinheiro arrecadado será usado para pagar a crescente dívida pública. Nova lei valerá a partir de julho e ainda não se sabe como será aplicada. Outros países africanos, como Tanzânia e Quênia têm aplicado legislações mais duras para uso da internet através de blogs e redes sociais. Governos temem ser questionados nas redes e prejudicados em processos eleitorais.

- A novela italiana continua (desde março). Giuseppe Conte, o jurista e professor universitário que virou primeiro-ministro após um acordo da Liga e do Movimento 5 Estrelas validado pelo presidente Mattarella, deixou de ser premiê alguns dia após ser anunciado e agora voltou a ser o primeiro-ministro de novo! Só pra relemebrar, o presidente Mattarella, apesar de validar Conte, não aceitou sua indicação para Ministro da Economia, que era o economista eurocético Paolo Savona. Com o veto a instabilidade reinou, Conte saiu de cena e chegou a ser anunciado que um ex-integrante do FMI, Carlo Cottarelli, conduziria o país para novas eleições. Porém, aliados no parlamento, Liga e M5E não gostaram da solução e trouxeram à cena novamente Giuseppe Conte, disseram que Savona não assumirá pasta da economia, mas vai assumir ministério das “Questões Europeias”!. A questão de fundo é: a Itália fica ou não na zona do euro.

- Cresceu a tensão entre Síria e EUA nos últimos dias. Em entrevista à emissora estatal russa, Assad teria aventado a possibilidade de conflitos armados com os EUA em regiões da Síria com ocupação do exército norte-americano. Em uma nova fase do conflito, amparado por Rússia e Irã, o governo de Assad se encontra em melhores condições de retomar o governo sobre todo o território sírio. Regiões de fronteira com Iraque, Jordânia e Turquia, ainda estão mais tensas. Há algumas semanas os EUA cogitavam trocar suas tropas no país por soldados da árabia saudita.

- Seguem as investigações do vaticano sobre bispos, padres e arcebispos chilenos envolvidos em casos de crimes sexuais. Existe um relatório de 2300 páginas com detalhes do caso e que foi apresentado ao Papa Francisco, fazendo com que este revisse algumas posições anteriores, alegando estar até então "mal informado".

- Seria votado ontem (31) pelo Conselho de Segurança da ONU um projeto de resolução que pede a proteção dos Palestinos em Gaza e nos territórios ocupados. Votação não ocorreu por manobras de diplomatas norte-americanos. O projeto vai a voto nesta sexta, 1º. de junho. Embaixadora dos EUA, Nikki Haley, afirmou que os EUA “vetarão indiscutivelmente” a aprovação do projeto.

- Parlamento da Dinamarca votou ontem (31) uma nova lei que proíbe o uso do véu islâmico integral em espaços públicos no país. Outros países como França e Bélgica também têm leis semelhantes em vigor. Mulheres que usarem serão multadas.

- Faleceu o sociólogo peruano Anibal Quijano. Foi professor da Universidad Nacional de San Marcos e um grande pensador latino-americano dos séculos XX e XXI. Denunciou o eurocentrismo na América Latina e a colonialidade do poder em nossa região.

- Presidente cubano, Díaz-Canel, visitou nesta quarta (30) o Quartel da Montanha em Caracas onde está enterrado o presidente Hugo Chávez. Esta é a primeira visita ao exterior do novo presidente cubano. Esteve em uma sessão especial na Assembleia Nacional Constituinte (ANC) e se reuniu com integrantes da Missão Médica Cubana na Venezuela. Esteve também com Maduro em Miraflores, onde foi condecorado com a Ordem Libertadores.

- Oposição venezuelana está organizando uma “cúpula de parlamentares” com representantes da Colombia, Argentina, Uruguai, Chile e União Europeia para este 1º. de junho na cidade colombiana de Cúcuta, fronteiriça com a Venezuela. O tema é a “crise humanitária da Venezuela”. A cúpula é organizada pelo partido opositor a Maduro, Primero Justicia. Não foram divulgados nomes dos parlamentares que atenderão o encontro.


Fonte: Ana Prestes

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