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Notas rápidas internacionais 18/06/18

18 de Junho de 2018, 9:48 , por Ana Prestes - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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por Ana Prestes

por Ana Prestes

- Iván Duque foi eleito ontem (17) presidente da Colômbia com 54% de votos. O candidato Gustavo Petro obteve 41,8% dos votos. O ex-senador e ex-funcionário do Bird em Washington, Iván Duque, é do mesmo partido do ultra-direitista Álvaro Uribe, Centro Democrático. Ambos dialogaram na campanha com a parcela da população que acredita que os acordos de paz com as FARC, promovidos por Juan Manuel Santos, foram muito condescendentes com os guerrilheiros e precisam ser revistos. Mais de 200 mil guerrilheiros abandonaram as armas, após meio século de conflitos, em uma pactuação construída e selada em Havana. A candidatura de Gustavo Petro, ex-guerrilheiro do M-19 e ex-prefeito de Bogotá pelo Polo Democrático, foi o mais próximo que a esquerda já conseguiu chegar da possibilidade de governar. Pouco mais de 8 milhões de pessoas lhe deram seu voto.

- Temer representará o Brasil na reunião de cúpula do Mercosul que ocorre nesta segunda (18) em Assunção no Paraguai. Um dos debates da cúpula deverá ser a aproximação entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico. Ambos blocos devem se encontrar em 24 de julho no México.

    - A Itália voltou a recusar barcos com migrantes provenientes da Líbia neste sábado (16). As embarcações são de uma ONG e segundo o ministro do interior italiano, Matteo Salvini, foram vistas na costa da Líbia “à espera de seu carregamento de seres humanos”. O barco Aquarius, rejeitado pelo governo da Itália há uma semana chegou à Espanha. Itália, Grécia e Espanha são as três maiores portas de entrada marítima para migrantes no continente europeu. Mais de 200 pessoas já morreram só em 2018 nas travessias.

    - O primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte se reuniu com seu homólogo francês, Emmanuel Macron, em Paris na última sexta, 15. O encontro ocorreu depois de um mal estar entre os dois governos por conta da embarcação Aquarius, com mais de 600 migrantes vindos da costa da Líbia. Macron criticou o governo italiano por fechar seus portos para o barco, mas ele também não abriu seu porto na Córsega para receber o barco que por fim seguiu para a Espanha, após anúncio de acolhimento pelo governo espanhol. Macron tentou remediar depois dizendo que a Espanha poderia enviar parte dos acolhidos para a França, o que o governo espanhol aceitou prontamente. Conte e Macron disseram no encontro que o mal estar estava resolvido e que seus governos vão cooperar nesta e em outras matérias. A solução pensada pelos dois para a questão da migração é que nos próprios países africanos, de onde saem os migrantes, sejam criados “centros de refugiados”, a justificativa é que muitos dos que tentam migrar não conseguem asilo na Europa e morrem na travessia. A iniciativa vem de encontro aos últimos pronunciamentos do premiê da Áustria, que pretende construir “campos para refugiados” fora da Europa.

    - Guerra comercial entre China e EUA está mais quente ainda. Na sexta (15) Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre produtos chineses que somam 50 bilhões de dólares e prometeu ampliar caso haja retaliação chinesa. Mesmo antes dos anúncios, a China já havia revelado que se confirmadas as sobretaxações cancelaria todos os acordos alcançados nos últimos dois meses de negociações. Grande parte dos itens taxados pelos EUA são de produtos do programa “Feito na China 2025” de alta tecnologia. No sábado (16) a China anunciou taxas de 25% sobre 659 tipos de produtos americanos no valor igualmente equivalente a 50 bilhões de dólares. O principal produto atingido será a soja. A China é o maior país comprador de soja dos EUA. A China também deu sinais de que pode taxar petróleo e gás natural.

    - Foram revelados pelo Wall Street Journal alguns impropérios ditos por Trump durante o último G7 no Canadá. Em um deles, ao falar sobre os problemas da migração, o presidente americano disse ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, que enviaria 25 milhões de mexicanos ao Japão e que este logo estaria fora do cargo.

    - A mesa de diálogo entre governo e oposição na Nicarágua prosperou nesta sexta (15). Entre uma das decisões está o aceite, por parte do governo, da presença de observadores internacionais de direitos humanos para investigar as mortes nos protestos que ocorrem desde 18 de abril. Foi acertada também a presença da CIDH, da ONU e da OEA, além de organizações internacionais como Anistia Internacional. Uma das propostas que também está na mesa para ser discutida é a antecipação das eleições gerais no país para 29 de março de 2019. Ocorre que logo após os diálogos da sexta, houve um novo incidente grave no sábado (16). A invasão de pessoas armadas a uma casa de três andares em Manágua deixou 8 pessoas mortas e incendiou a edificação. Há controvérsias entre governo e oposição sobre quem teria atacado a casa. O líder sandinista Carlos Fonseca comentou em nota que os que morreram eram sandinistas e que nem o partido e nem o governo colocariam a perder o êxito do diálogo ocorrido há horas antes com uma barbaridade dessas, como foi o ataque a uma casa de família.

    - No Marrocos, um boicote a três empresas desde o dia 20 de abril tem provocado uma crise social e política no país. O boicote, organizado através do facebook, faz parte de uma série de protestos, que foram mais fortes nas ruas em 2016, contra a desigualdade e a carestia. Já se fala em intervenção do Rei do Marrocos no governo formado por uma coalizão de 5 partidos. O rei é o único que pode nomear ou destituir ministros. Uma das empresas boicotadas é a Afriquia que detém postos de combustíveis e pertence a Aziz Ajanuch, ministro de Agricultura e Pesca desde 2007 e que possui a segunda maior fortuna do país, ficando apenas após o rei Mohamed VI. O ministro planeja assumir o governo em breve. As outras empresa boicotadas são a Centrale (da Danone), que comercializa leite e a Sidi Ali que comercializa água potável. O Rei do Marrocos possui participação econômica em todas as empresas permitidas no país.

    - Se aproxima a eleição da Turquia, que ocorrerá no próximo dia 24 de junho. A eleição será plebiscitária, contra ou a favor de Edrogan que é presidente há 15 anos e antecipou em um ano e meio as eleições para poder se beneficiar das novas regras constitucionais que garantem mais poder ao dirigente máximo do país.

    - Governo da Colômbia e ELN (exército de libertação nacional) terminaram nesta sexta (15) mais um ciclo de conversas de paz em Havana. Foi o quinto ciclo. Ainda não foi alcançado um cessar-fogo. O sexto ciclo de diálogos começa em 25 de junho, após o segundo turno das eleições presidenciais deste domingo (17).

    - Já são quase 2 mil crianças separadas de suas famílias, que entraram ilegalmente nos EUA em 2018. A ONU denuncia “violação grave dos direitos da criança”. Cinicamente Trump atribui a medida a uma lei proposta por democratas durante o governo Obama e que objetivava eliminar o tráfico de crianças. Em entrevista Trump disse que para mudar a lei precisa do apoio dos democratas. Já o secretário de Justiça, Jeff Sessions, citou a Bíblia para justificar a separação das famílias detidas na fronteira. Segundo Sessions, ter filhos não dá imunidade aos migrantes para cometer o delito de cruzar a fronteira e citou o apóstolo Paulo em uma passagem da Bíblia: “obedeça as leis do governo, porque Deus enviou o governo para seus propósitos”. A porta voz da Casa Branca, Sarah Sanders, fez coro com o secretário ao dizer que “é muito bíblico fazer cumprir as leis”. Estas declarações vieram logo após o republicano Paul Ryan, presidente da Câmara dos Deputados, ter se pronunciado em conferência à imprensa dizendo que o parlamento não quer as crianças separadas de suas famílias e que é necessário resolvê-lo mediante uma lei migratória. Um grupo de parlamentares democratas já apresentou um novo projeto de lei para por fim à prática, mas a líder do bloco, Nancy Pelosi, disse não ver perspectiva na aprovação da nova lei.

    - O ex-chefe de campanha de Donald Trump, Paul Manafort, foi preso preventivamente. Ele enfrenta processo em que é acusado de conspiração e lavagem de dinheiro ao trabalhar para governos estrangeiros, como o da Ucrânia, por exemplo.

    - Repercutiu internacionalmente a passagem dos 90 dias do assassinato de Marielle Franco sem que o caso tenha sido elucidado pelas autoridades. Destaque para as ações da Anistia Internacional no país.

    - Movimentos progressistas do Paraguai lembraram na última sexta (15) os seis anos do massacre de Curuguaty, no qual morreram 11 camponeses e 6 policiais. As mortes ocorreram durante uma reintegração de posse de uma fazenda perto da fronteira com o Brasil. O conflito foi uma das justificativas usadas para a execução do golpe parlamentar que derrubou o então presidente Fernando Lugo, o que facilitou o encarceramento pelas autoridades de 6 camponeses até hoje presos sem provas, acusados de matarem os policiais envolvidos. No Paraguai apenas 3% de proprietários concentram cerca de 85% das terras e existem 9 milhões de hectares de terras que os paraguaios chamam de “malhabidas”, ou seja, apropriadas ilegalmente por particulares, sociedades e instituições durante a ditadura de Alfredo Stroessner entre 1954 e 1989 e nos anos posteriores, valendo se de um vácuo legal.

    - Na Bolívia, seguem os conflitos entre a UPEA (universidade pública de El Alto) e o governo. Houve mais protestos em La Paz na última sexta (15). Professores, estudantes e administrativos da UPEA pedem modificação da Lei 195 de Coparticipação Tributária. A marcha do dia 15, que foi tensa por estouro de bombas, pediu negociação sem condicionantes do governo e libertação de manifestantes detidos nas últimas semanas. O conflito entre a universidade e o governo já dura 4 semanas.

    - Em Cuba e na Argentina várias atividades ocorreram pela passagem dos 90 anos de nascimento de Ernesto Che Guevara no último 14 de junho.

    - Na Argentina, a postagem de um médico em suas redes sociais viralizou poucas horas após a aprovação na câmara das deputadas e deputados da Lei do Aborto (ainda vai ao senado e sanção presidencial). Segundo o médico, durante seu turno no hospital, os abortos serão realizados sem anestesia. A publicação gerou reação da Ministra da Saúde, Judit Díaz Bazán e do Conselho de Medicina do país.


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