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Daniela

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O pluralismo de araque do Roda Viva

20 de Agosto de 2012, 21:00 , por Desconhecido - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Não se espere do Roda Viva nenhuma veleidade de aprofundar a discussão sobre a deficiência, nem que saiba diferenciar a luta pela inclusão das visões estereotipadas difundidas.
Se Mário Sérgio Conti buscasse um mínimo de seriedade na discussão, se não o dominasse o espírito de patota, a entrevista traria pensamentos divergentes não apenas no campo jornalístico, mas no da inclusão - tema  que o entrevistado passou a recorrer como forma de legitimar sua atuação jornalística, eximindo-a de abusos recorrentes.

TV Cultura "veta" participação do redator-chefe da revista Trip no 'Roda Viva'

Convidado para participar do 'Roda Viva' desta segunda-feira, 20, o criador do blog 'Falha de São Paulo' e redator-chefe da revista Trip, Lino Bocchini, foi "vetado" do programa. De acordo com as informações do jornalista, a emissora informou que ele tinha sido cortado da lista nesta manhã. A exibição, que foi ao ar às 22h, entrevistou Diogo Mainardi, ex-Veja.
Bocchini não participou do 'Roda Viva' desta segunda-feira
(Imagem: Arquivo pessoal)
Ao Comunique-se, o jornalista explicou que na última sexta-feira, 17, recebeu formalmente o convite para participar do programa e o livro de Mainardi, que será abordado como tema durante o encontro. Além disso, na segunda-feira pela manhã a produção confirmou o carro que o pegaria na revista Trip. "Logo depois me ligaram dizendo que tinham cancelado a minha participação, pois o programa só poderia ter cinco participantes. Então questionei, pois na lista só tinha cinco mesmo".
No release divulgado pela TV Cultura, o nome de Bocchini aparece junto de outros quatro profissionais - Rodrigo Levino, editor-assistente do caderno Ilustrada, da Folha de S. Paulo; Rinaldo Gama, editor do caderno Sabático, do jornal O Estado de S. Paulo; Michel Laub, jornalista e escritor; e Mona Dorf, colunista do portal IG.
O redator da Trip conta que, logo depois, o nome de Joyce Pascowitch foi cotado para participar da atração. "Me senti desrespeitado e pedi para que alguém do canal me ligasse", contou. O apresentador do 'Roda Viva', Mario Sergio Conti, entrou em contato com o jornalista da Trip e explicou que, para a entrevista de hoje, Joyce "seria mais adequada" e deixaria o encontro mais plural.
Bocchini, em parceria com o irmão, é criador do blog Falha de S.Paulo, que foi censurado pela Folha de São Paulo há dois anos. À época, o site fazia crítica bem-humorada do conteúdo publicado pelo jornal e foi tirado do ar por meio de uma liminar que cassou o domínio registrado. Depois do caso, os irmãos criaram o 'Desculpe a nossa Falha', onde o caso é explicado com detalhes.
O Comunique-se falou com a TV Cultura, que confirmou a troca de jornalistas para o programa de hoje, mas não informou os motivos.
Do Blog Manual da Midia Legal - de agosto de 2003

MANUAL DA MÍDIA LEGAL 2 - www.escoladegente.org.br
Esse manual traz, entre outros textos, a análise de matérias que abordam de maneira inadequada pessoas com deficiência e outras minorias.
Título: Estou com os paraplégicos, Revista Veja (Coluna Diogo Mainardi), 06 de agosto de 2003
Trechos analisados
Trecho 1: (...) E foi ainda mais longe em Os Vingadores Aleijados, no qual um cego, um surdo-mudo, um perneta e um deficiente mental se unem para enfrentar uma seita de guerreiros sádicos. É meu filme predileto.
Trecho 2: A televisão não mostra a Paraolimpíada. Se mostrasse, eu passaria o dia inteiro grudado nela. É o evento esportivo mais entusiasmante que há. E, contrariamente ao que acontece nas Olimpíadas, o Brasil não passa vergonha.
Trecho 3: Uma vitória na Paraolimpíada é mais honrosa para um país do que uma vitória em qualquer outra competição. Eu sou do time dos paraplégicos
Análise dos universitários
Trata-se de um artigo em que não se consegue entende com clareza qual é a perspectiva defendida pelo colunista. Parece que procura enaltecer, supervalorizar tudo o que se refere à pessoa com deficiência. Entretanto, ele acaba difundindo uma postura preconceituosa. Juliana, Direito
O texto é, do início ao fim, preconceituoso. Tem uma abordagem cruel de um assunto relevante (...) Fala que uma medalha de ouro conseguida por um atleta com deficiência é mais honrosa. Por quê? Fábio, Jornalismo
Na tentativa de defender a posição de igualdade em relação às pessoas com deficiência e valorizar os esforços delas, o colunista acaba tomando uma postura radical, que cria uma espécie de discriminação ao avesso (...) Thais, Direito
O texto associa a cegueira à idéia de incompetência. O autor passa a impressão de que um filme protagonizado por um personagem com deficiência deveria ser necessariamente cômico (...) Estimula as pessoas com deficiência a praticarem artes marciais como uma forma de defesa ao preconceito que sofrem, solução que não ajuda e aumenta as chances de segregação (...) Bárbara, Direito
O articulista satiriza a questão da deficiência. Confunde conceitos como faz no trecho em que fala do filme Vingadores Aleijados, no qual um cego, "um surdo-mudo", um "perneta" e um deficiente mental se unem. Ele junta diferentes deficiências numa classe de "aleijados". Mariana, Jornalismo
O colunista manifesta um descaso sobre as pessoas com deficiência. Apesar de aparentemente estar tentando ser solidário com o problema da deficiência, ele continua contribuindo para a exotização das pessoas com deficiência, utilizando um tom de sarcasmo em sua coluna. Yuri, Direito
Comentário da Escola de Gente
O que há de equivocado em se acreditar que as paraolimpíadas são o evento esportivo mais entusiasmante que existe? Nada, desde que para defender seu ponto de vista o articulista não se mostrasse tão preconceituoso em relação a pessoas sem deficiência.
Não existiria uma outra forma de valorizar pessoas com deficiência que não fosse desmerecendo pessoas sem deficiência? Isso fica claro na frase "uma vitória na paraolimpíada é mais honrosa para o país do que uma vitória em qualquer outra competição." Por quanto tempo perpetuaremos a prática de compararmos condições humanas?
Página 37
Não é hora de nos soar ultrapassado o hábito de se dividir a humanidade em dois blocos homogêneos de pessoas, os com e os sem deficiência? É justamente essa prática que a "ética da diversidade" se propõe a combater.
O que existe entre um homem gordo e um magro? O mais ou menos gordo ou o mais ou menos magro? Entre um homem gordo em um magro existe uma infinidade de formas humanas que, sob a ótica da diversidade, não representam, jamais, a média.
Anote
Use "surdo" e não "surdo-mudo". Existem múltiplas formas de comunicação entre seres da nossa espécie, sendo impossível compará-las como "a mais humana" ou "a menos humana". O fato de a maioria das pessoas "falar pela boca" não nos dá o direito de considerar esta forma de expressão como a única valorizada, ou seja, o modelo. Esta é uma visão que favorece a comparação entre condições humanas. Para uma pessoa surda é difícil falar o português, sendo natural que opte pela língua de sinais brasileira (Libras). Neste caso, ela não é muda, apenas surda.
Comentário do Ministério Público
Por Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, Procuradora da República e Procuradora Regional dos Direitos do Cidadão no Estado de São Paulo.
"O papel aceita tudo" é um ditado comum, mas a mídia não deveria fazer o mesmo. Se o autor do texto queria elogiar as Paraolimpíadas, incentivar a prática de esportes por pessoas com deficiência, ele poderia fazer isso de outra forma, sem usar termos estigmatizantes e altamente refutados pelos movimentos sociais: "maneta", "aleijados", "surdo-mudo", "perneta", "paralisado cerebral"...
O conteúdo do texto dá a impressão de que o autor se diverte muito e acha engraçada a performance das pessoas com deficiência, dando mais a sensação de ironia do que de qualquer outra coisa.
Em termos de Direitos Humanos, pensamos que as Paraolimpíadas deveriam ser reestruturadas de forma que os atletas com deficiência pudessem participar das Olimpíadas, bastando que houvesse modalidades específicas, computando-se suas medalhas juntamente com todas as outras obtidas pelos países. Penso que, no futuro, é isso que vai acontecer e as pessoas gostarão de assistir a todas as cenas, mas não por um interesse à beira de níveis doentios, mas por saberem que a espécie humana é definida pela diversidade.
Contra o autor do texto, caberia pelo menos uma ação por dano moral por parte dos grupos que se considerassem ofendidos. Com relação ao veículo, pelo menos um pedido de direito de resposta, em igual espaço e destaque.
Luis Nassif
No Advivo
Fonte: http://contextolivre.blogspot.com/2012/08/o-pluralismo-de-araque-do-roda-viva.html

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