Em Salvador, a repercussão foi imediata. A capital baiana, que abriga ruas e praças com nomes ligados a militares do período de 1964 a 1985, terá de revisar sua nomenclatura. A lei prevê a elaboração de relatórios para identificar locais que ainda carregam referências a figuras associadas à repressão. Essa revisão não se limita à capital, cidades como Feira de Santana, Vitória da Conquista e Ilhéus também deverão passar por mudanças, já que possuem escolas e logradouros que homenageiam personagens do regime. A medida é vista como um passo decisivo para alinhar a política estadual com os valores democráticos.
Jerônimo Rodrigues destacou que equipamentos públicos não podem carregar símbolos de retrocesso. Para ele, cada nome é mais do que uma placa, é uma mensagem transmitida às futuras gerações. Ao sancionar a lei, o governador reforçou que a Bahia não tolerará homenagens a torturadores, censores ou agentes da repressão. “Democracia não se negocia”, disse, em tom firme, ao lado de parlamentares e representantes de movimentos sociais. O discurso foi recebido com aplausos e reforçou a imagem de Jerônimo como líder comprometido com direitos humanos.
Em cidades menores, como Paulo Afonso e Barreiras, a lei também terá impacto. Muitas dessas localidades possuem praças e escolas batizadas em homenagem a militares que atuaram durante o regime. Agora, prefeitos e câmaras municipais terão de se adequar, revisando denominações e propondo novos nomes que reflitam valores de liberdade e cidadania. A expectativa é que figuras históricas da resistência, artistas e líderes comunitários ganhem espaço na memória coletiva. Essa substituição é vista como oportunidade de ressignificar a história local.
A escolha da data de sanção, 8 de janeiro, foi carregada de simbolismo. Enquanto o Brasil lembrava os ataques golpistas de 2023, a Bahia respondia com uma lei que reafirma o compromisso democrático. Robinson Almeida, autor da proposta, destacou que a medida é um recado claro de que não há espaço para homenagens a períodos de censura e violência. A lei, portanto, não apenas proíbe novas denominações, mas também abre caminho para revisão das já existentes. É um gesto político que coloca a Bahia na vanguarda da luta pela memória e pela verdade.
Com essa decisão, Jerônimo Rodrigues fortalece sua imagem como governador que não teme confrontar o passado. Ao contrário, ele o encara de frente, propondo uma ruptura necessária. A Bahia, que já foi palco de resistência cultural e política, agora se torna referência nacional ao adotar uma legislação que impede a perpetuação de símbolos da ditadura. O impacto será sentido em Salvador, Feira de Santana, Ilhéus, Vitória da Conquista, Paulo Afonso e tantas outras cidades que terão de reescrever suas placas e, com elas, sua narrativa histórica.
