A apuração interna não se limita ao episódio recente da liquidação, mas também revisita decisões tomadas durante a gestão de Roberto Campos Neto, entre 2019 e 2024. Nesse período, o Banco Master saltou de uma instituição de nicho para um conglomerado com dezenas de bilhões em ativos, movimento considerado incompatível com os controles prudenciais exigidos para bancos de porte médio. Documentos e relatórios de mercado indicam que alertas foram ignorados, o que coloca em xeque a atuação da supervisão bancária no passado.
Dois diretores do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, deixaram seus cargos após o início da auditoria. Embora não haja acusações formais contra eles, a decisão foi interpretada como um gesto de responsabilidade institucional. Galípolo enfatizou que não se trata de uma caça às bruxas, mas de um esforço para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer. O processo não tem prazo definido para conclusão, mas já sinaliza uma mudança de postura no Banco Central.
Para o governo Lula, a iniciativa fortalece a narrativa de que o Brasil precisa de instituições sólidas e transparentes. Ao apoiar a autonomia do Banco Central em investigar seus próprios erros, o presidente reforça a ideia de que a estabilidade financeira é prioridade nacional. A sindicância sobre o caso Master não apenas expõe fragilidades herdadas de gestões anteriores, como também demonstra que o país está disposto a enfrentar problemas estruturais sem esconder responsabilidades.
