O detalhe mais explosivo é que esses deputados baianos são aliados de ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia em 2022. A campanha de Neto sempre se apresentou como símbolo de “honestidade” e “renovação política”, mas a presença de seus apoiadores na lista de Vorcaro coloca em xeque esse discurso. Como pode uma campanha que se vende como ética estar cercada de parlamentares que figuram em um escândalo financeiro nacional? Essa contradição expõe fragilidades na narrativa de integridade que Neto tentou consolidar.
Os três deputados citados não são figuras secundárias, o Diego Coronel é filho do senador Angelo Coronel e tem influência no PSD baiano, João Carlos Bacelar, do PL, é conhecido por sua proximidade com o bolsonarismo e Márcio Marinho, dos Republicanos, integra a bancada evangélica e tem forte atuação política em Salvador. Todos aparecem na lista de contatos de Vorcaro, o que levanta suspeitas sobre a profundidade dessas relações. Ainda que alguns tenham negado conhecer o empresário, o simples fato de seus nomes constarem no aparelho apreendido já é suficiente para gerar desgaste político.
O episódio escancara uma contradição, que é a de falar em honestidade e transparência quando apoiadores diretos de uma campanha aparecem ligados a um escândalo bancário? A lista de Vorcaro não é apenas um detalhe técnico da investigação, mas um retrato das conexões políticas que sustentam candidaturas na Bahia. O caso reforça a necessidade de maior escrutínio sobre quem compõe alianças eleitorais e até que ponto discursos de moralidade resistem quando confrontados com fatos.
