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Everton de Andrade

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Parabéns à Acadêmicos de Ni pela crítica social carnavalesca

February 23, 2026 2:26 , by Everton de Andrade - | No one following this article yet.
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Além de fazer uma homenagem honrosa a uma importante liderança política do país, a escola de samba acadêmicos de Ni apresentou duas críticas relevantes.

A primeira delas ao Bozo. Passada a fase do Vampirão na presidência no final da década passada, até agora faltava alguma representação na passarela do samba sobre os absurdos ocorridos na gestão bozista. Se dependesse exclusivamente da vontade desse palhaço, talvez até na atualidade a população teria dificuldades para se imunizar contra a covid e, consequentemente, o país poderia continuar em permanentes surtos da doença pandêmica.

Ao merecidamente perder a eleição, especialmente pelo caos sanitário provocado por ele ao mentir sobre as consequências do vírus pandêmico, o nefasto líder da extrema direita ainda teve a astúcia de articular um golpe de Estado contra a chapa vencedora do pleito eleitoral e contra o Poder Judiciário, a partir da mobilização de centenas de milhares ou até de milhões de elementos acéfalos defronte aos quartéis rumo à capital nacional.

Outro elemento significativo do desfile da referida escola foi a alegoria a determinados grupos religiosos. Lamentavelmente, há lideranças religiosas que utilizam as respectivas atividades para distorcerem a mensagem central da fé e passam a interpretar versículos bíblicos secundários para legitimarem barbaridades. Os fiéis precisam estar atentos com a propagação de ideologias de pensamento único sobretudo voltadas contra os divergentes. No caso do Cristianismo, é mister ressaltar que Jesus de Nazaré jamais pregou o ódio e a segregação de opositores.

Apesar dessa relevante performance artística nesse ano, a Acadêmicos de Ni foi expulsa do grupo especial das escolas de samba. Assim, mantém-se a tendência segundo a qual quem aborda os problemas graves de grupos políticos poderosos é considerado uma ameaça e precisa ser neutralizado. Caso sirva de consolo aos integrantes dessa agremiação carnavalesca, Jesus de Nazaré foi assassinado porque expôs as contradições e a hipocrisia da elite religiosa da região dele.

Findada a tradicional folia, o grande desafio é provocar a capacidade analítica da população brazilquistanesa para a avaliação altiva e soberana das circunstâncias sociopolíticas, de maneira que a sapiência orgânica se sobreponha até aos interesses da inteligência artificial.


Everton de Andrade