Go to the content

Luiz Muller Blog

Go back to Blog
Full screen Suggest an article

A Revolução Tecnológica e os Planos Quinquenais da China: O Que o Brasil Pode (e deve) Aprender

January 22, 2026 16:27 , by Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
Viewed 9 times

No Brasil estamos presos à disputa pela manutenção do ‘Orçamento Secreto’ e das emendas parlamentares, onde o dinheiro público é pulverizado em interesses paroquiais em vez de ser concentrado em infraestrutura e inteligência. No Brasil, “planejamento” é quase uma palavra proibida. A visão estratégica foi substituída por um “ajuste fiscal” que, na prática, funciona como uma cláusula de rendição industrial antecipada.” Extrato do Artigo de Olímpio Cruz Neto* no GGN, que reproduzo na íntegra a seguir:

O que a China planeja enquanto o Brasil briga pelas sobras

Imagine que você está em 1990 e alguém lhe diz que, em vinte anos, uma nação agrária e pobre se tornará líder em carros elétricos, inteligência artificial e trens de levitação magnética. Se você visitar Xangai ou Pequim hoje, terá a sensação de ter pousado num oásis futurista que faz as grandes metrópoles do Ocidente parecerem datadas. Esse salto não foi fruto do acaso ou da “mão invisível do mercado”. Foi fruto de planejamento.

Enquanto o Brasil se prepara para o ciclo eleitoral de 2026, a China acaba de lançar as bases do seu 15º Plano Quinquenal (15PQ). Para o brasileiro comum, o termo pode soar burocrático, mas é isso que vai decidir quem terá os melhores empregos, a energia mais barata e a tecnologia mais avançada na próxima década.

O que é o 15PQ e por que ele importa

Na China, o governo não planeja apenas o orçamento do próximo mês para acalmar os mercados. Eles planejam a vida da Nação para os próximos cinco, dez e vinte anos. O 15PQ (2026-2030) é o mapa que diz às fábricas, às universidades e aos bancos onde o esforço nacional deve ser aplicado.

O foco agora é a “Modernização ao Estilo Chinês”. Eles não querem apenas ser a “fábrica do mundo”. A meta é se tornar o laboratório do planeta através das chamadas “novas forças produtivas de qualidade”. Pequim vai investir bilhões para que, em 2030, a China seja autossuficiente em semicondutores — o “cérebro” de toda a vida moderna — e líder absoluta na economia verde. Eles entenderam que limpar o planeta é, também, o maior negócio do século 21.

O contraste sino-brasileiro

O contraste com a nossa realidade é gritante e doloroso. Enquanto Pequim discute como dominar a fusão nuclear e a biotecnologia, o Congresso Nacional brasileiro está mergulhado na “política de baixa prateleira”.

Estamos presos à disputa pela manutenção do ‘Orçamento Secreto’ e das emendas parlamentares, onde o dinheiro público é pulverizado em interesses paroquiais em vez de ser concentrado em infraestrutura e inteligência. No Brasil, “planejamento” é quase uma palavra proibida. A visão estratégica foi substituída por um “ajuste fiscal” que, na prática, funciona como uma cláusula de rendição industrial antecipada.

O governo sofre pressão da Faria Lima para cortar gastos justamente naquilo que pode tirar o Brasil do século 20: Ciência e Tecnologia (C&T), educação e políticas sociais. Para o mercado financeiro, o Brasil deve ser apenas o eterno “fazendão” eficiente, exportador de carga bruta. Ignoram que superávit sem chaminés é derrota parcelada. Para a China, o objetivo é ser a inteligência que comanda as cadeias de valor.

O perigo da nossa paralisia

Vamos entrar na campanha de 2026 debatendo “pautas de costumes” e dogmas fiscais, enquanto as ferramentas reais de desenvolvimento nacional não estão no radar da opinião pública. Muito menos no parlamento. Nessas instâncias, não há um projeto para a indústria nacional, tampouco um plano para a nossa soberania digital. A ciência corre o risco de sobreviver apenas de migalhas.

Se Pequim transformou a China num oásis de tecnologia em apenas 20 anos, imagine onde eles estarão ao final de 2030. Aceitar o diagnóstico da Faria Lima e a paralisia do Congresso é aceitar que o Brasil seja apenas figurante no século da China.

É hora de o brasileiro exigir mais do que apenas sobrevivência fiscal; é hora de exigir uma Geopolítica de Reciprocidade. Se a China precisa da nossa segurança alimentar e energética para sustentar o seu 15PQ, o preço a ser cobrado não é o lucro imediato das tradings, mas a nossa independência tecnológica. Ou arrancamos uma nova “Volta Redonda” agora, ou 2030 será o ano do nosso silêncio industrial.

*Olímpio Cruz Neto é jornalista e analista de Risco Institucional e Geopolítica. Foi consultor do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) em Xangai, diretor de Relações Institucionais da GAC Brasil e secretário de Imprensa da Presidência da República.


Source: https://luizmuller.com/2026/01/22/a-revolucao-tecnologica-e-os-planos-quinquenais-da-china-o-que-o-brasil-pode-e-deve-aprender/

Novidades