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Jornadas de Junho, 5 anos depois: Um País Caótico (Por Arnóbio Rocha)

7 de Dezembro de 2018, 11:30 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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As Jornadas de Junho e o Giro à Direita do Brasil.
“Não podem tuas armas fulgurantes,
Mesmo feitas com têmpera celeste,
Para ele constituir-te invulnerável:
De fúteis esperanças não te iludas;
A seu golpe mortal ninguém resiste,
Ninguém…”
(O Paraíso Perdido- John Milton)

Houve uma guinada mundial à Direita, desde as primaveras árabes, passando por Ucrânia, depois Brasil. Houve um processo político claro, como resposta do Kapital à Crise colossal de 2008, um novo modelo de Estado, a que chamo de Estado Gotham City, sendo as maiores vítimas a Democracia e a Política. Foi uma construção no tempo e no espaço, não algo aleatório e ocasional.

As jornadas de junho e seus desdobramentos fazem parte desse processo político.

Há 5 anos explodiam as famosas jornadas de junho, o que parecia ser apenas por 0,20 centavos(?), os aumentos das passagens dos transportes, porém virou o país pelo avesso, o prejuízo chegou na casa dos trilhões, especialmente para os trabalhadores, com o enorme desemprego, e os mais pobres, pela volta da extrema miséria, pois, hoje, o país vive o caos, com uma relação direta àqueles eventos fatídicos.

A esquerda de verdade, aquela mesma que vive cobrando autocrítica, serviu de escada para os fascistas, não só no Brasil. Óbvio que não foi por falta de alertas, de debates, haja visto que o evento fez parte uma onda de ventos de um ajuste à Direita, iniciado na Tunísia, mas que ganhou corpo e rosto, na Praça Tahir, no Cairo, e teve um dos marcos simbólicos a Praça Maidan, Kiev, Ucrânia.

O Movimento das “primaveras” árabes, em janeiro de 2011, que os mais afoitos chamavam de “Digitais”, sendo o Tuiteiro o “novo sujeito” da revolução. Ela se alastrou pela Espanha, Inglaterra, EUA, os movimentos dos #occupies, 99%, indignados, são variações de um mesmo tema. Tantas vezes nesse blog combatida e, claro, tão ignorada, pelos gurus da época e de agora.

Quando aportou aqui, já havia uma “narrativa”, estava bem azeitada, não veio por acaso, tinha um modus operandi bem definido, pegar todas as demandas, reais e verdadeiras, como a questão dos aumentos dos transportes, mas também a crise que abalou os EUA e Europa, começou a se sentir os efeitos, em 2012, mas não tinha cenário catastrófico, longe disso, mas a nova classe média e perdia fôlego, sem poder de compra.

Então, a turnê das “primaveras”, encontrou terreno fértil, a economia já não respondia como nos anos anteriores, as velhas feridas se reabriam, a incapacidade da classe média de ter novos ganhos, trouxe de volta o preconceito, por exemplo, de aceitar que os mais pobres pudessem dividir espaço no mercado de consumo, viajar no mesmo avião, encontrar nos restaurantes.

A corrupção, os serviços públicos deficientes, ainda que o desmonte de FHC tivesse sido em parte revertido, houve abertura de Universidades e Institutos Federais, contratação de servidores, melhoria nas carreiras, vários planos de incentivo ao ensino e facilitar o acesso da população mais pobre.

Mas o turbilhão de emoções, bem urdida, extremamente perspicaz com técnicas científicas, uma longa preparação, fez explodir todos os ódios, mesmo que parecesse que havia apenas demandas positivas, essas foram rapidamente esquecidas, deixadas de lado, “não era apenas por 20 centavos”, era escolas ou hospitais “padrão Fifa”, depois “Não vai ter Copa”.

Ainda dentro daquele mês enfurecido, vê-se que 5 anos depois não há o que comemorar. As tais jornadas deram extremo poder ao MP aos juízes justiceiros, transformaram o judiciário, o poder mais caixa-preta em paladinos da ética e da luta contra os males do Estado, pois no fundo, se transformou a luta contra o Estado.

Em 2014, se elegeu o pior congresso da história, comandado por Cunha, o ponto fora da curva foi a eleição de Dilma, mas foi “corrigido” pelo GOLPE de 2015 e 2016, simplesmente ela não podia governar, as relações se esgarçaram e nem diálogo era possível. De uma tacada só se jogou no lixo 54 milhões de votos e puseram no governo figuras mais corruptas históricas, pois o mais importante era “tirar a Dilma e o PT”.

A Economia foi destruída rapidamente, voltaram a fome, a miséria. As riquezas sendo entregues sem cerimônia, pré-sal, Petrobrás, Eletrobras CEF, Banco do Brasil. Contingenciamento de gastos sociais por 20 ANOS, quebra dos direitos sociais e trabalhistas. Explosão do desemprego.

A Democracia desmoronou de uma forma que não se tem certeza de que as eleições ocorram nesse ano, ou em que condições.

O PT foi criminalizado, seus líderes e dirigentes presos em processos de exceção e seletivos. O escárnio da condenação de Lula é o maior exemplo.

As jornadas de junho fizeram o destampar da caixa de pandora. Mesmo com todos os erros e vacilos dos governos do PT, o país merecia essa reversão? Quem financiou e incentivou as jornadas, depois os Patos, os Paneleiros, são os que lucram os Trilhões, não há o que se contestar, são fatos, inegáveis.

Parabéns aos envolvidos.

Também sobre o tema, clique nos links a seguir e leia:

Uma contribuição do Blog a análise do PT sobre o Resultado das eleições de 2018.

Há relação entre os Movimentos de Junho de 2013 e a Eleição das Fake News de 2018?

Comunicação e Redes Sociais: Ou a esquerda acorda ou terá um “Déjà vu” de 2013

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Fonte: https://luizmuller.com/2018/12/07/jornadas-de-junho-5-anos-depois-um-pais-caotico-por-arnobio-rocha/

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