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Modo Trump na política internacional é o “novo normal” ou será passageiro?

23 de Janeiro de 2026, 9:24 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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Por Carlos Wagner em seu Blog Historias Mal Contadas

Nas próximas eleições presidenciais, quem irá concorrer pelos Republicanos? Foto: Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (republicano), 79 anos, comemorou em alto estilo o primeiro aniversário da posse no seu segundo mandato na Casa Branca, que aconteceu em 20 de janeiro de 2025.

Na quarta-feira (21), dirigentes políticos e jornalistas de todo o mundo aguardavam com grande expectativa o discurso de Trump no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça.

A pauta era a seguinte. Desde que assumiu, o presidente americano tem afirmado que os Estados Unidos pretendem anexar o Canadá e a Groenlândia. Por enquanto, a história do Canadá, que seria transformado no 51º estado americano, está em “banho-maria”.

Já com relação à Groenlândia a conversa é outra. Trump afirmou que a anexação da maior ilha do mundo, quase totalmente coberta de gelo, estrategicamente localizada entre a Europa e a América do Norte e entre o Atlântico Norte e o Oceano Ártico, é fundamental para a segurança dos Estados Unidos.

Atualmente, a Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca, um dos 32 países signatários da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Sendo que a maior força militar dessa aliança militar, fundada em 1949 para fazer frente aos países comunistas liderados pela finada União Soviética, são justamente os Estados Unidos.

Um dos artigos da organização diz que se um dos países da aliança for atacado, será defendido pelos demais. A proposta inicial de Trump de comprar a Groenlândia, onde vivem cerca de 58 mil pessoas, foi recusada. Há pouco mais de uma semana, sete países europeus (Dinamarca, Alemanha, França, Suécia, Holanda, Noruega e Finlândia) enviaram pequenos contingentes militares para a Groenlândia, enfurecendo Trump.

Em retaliação, ele ameaçou sobretaxar em 10% os produtos desses países exportados para o mercado americano, que já era tributados em 15%, elevando a carga total para 25%. E advertiu que poderia mandar tropas militares para ocupar a ilha. A expectativa sobre o seu discurso em Davos era saber se confirmaria, ou não, a ameaça de usar a força para tomar a Groenlândia caso os europeus continuassem se opondo à sua aquisição pelos Estados Unidos.

O discurso de Trump em Davos durou uma hora e meia. Antes de seguir a história vou dizer o seguinte. No dia 9 de janeiro, publiquei o post Presidente Donald Trump é o “senhor das manchetes” dos jornais. Onde descrevo a grande habilidade do presidente americano de surfar nas ondas da popularidade criadas pelos noticiários.

Na época, Trump surfava na tremenda repercussão causada pela invasão da Venezuela por militares americanos para prender o presidente do país, Nicolás Maduro, 63 anos, e mulher dele, Célia Flores, 69 anos. O casal foi levado para Nova York, onde será julgado por tráfico de drogas e outros crimes.

Voltando a nossa história. Não era minha intenção ouvir o discurso de Trump em Davos. Mas não tinha como virar as costas para a situação da Groenlândia. Pensem num confronto entre tropas dos Estados Unidos e da OTAN, que são predominantemente formadas por soldados americanos (39% do efetivo, segundo dados de 2024).

Nem os mais criativos roteiristas de Hollywood conseguiram imaginar uma cena destas. Logo na abertura do seu discurso, Trump garantiu: “Não usarei a força na Groenlândia”, acrescentando que estava retirando a sobretaxação dos produtos europeus. Mais tarde, após se encontrar com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, anunciou na sua rede social (Truth Social) que os Estados Unidos e a aliança militar haviam avançado num acordo referente à Groenlândia e a todo o Ártico.

Imediatamente, as bolsas de valores ao redor do mundo reagiram positivamente. O resto do discurso foi um desfile de assuntos surrados que foram ressuscitados para construir uma imagem pública na qual os europeus são acusados de terem usado o dinheiro e o poder militar dos americanos para proteger os seus interesses sem darem nada em troca.

O que foi tratado entre quatro paredes entre Trump e a cúpula da OTAN é desconhecido. Há muita especulação circulando sobre o assunto. Tenho lido muito a respeito. E a ideia que se nota nas entrelinhas das matérias é que os líderes europeus estão “empurrado com a barriga” a situação, na esperança de que Trump não eleja o seu sucessor em 2028.

Sobre as próximas eleições americanas. Trump não poderá concorrer, porque a lei não permite um terceiro mandato presidencial. Claro, boatos dizem que seguidores do presidente vão “forçar a barra” para viabilizar a sua candidatura. Mas vamos falar sobre a realidade.

No momento, há dois candidatos claros à sucessão de Trump: o principal é o vice-presidente J. D. Vance, um jovem de 41 anos, autor do livro Hillbilly Elegy (Lamento de uma América em ruínas), que foi transformado em filme. Ao contrário de Trump, que ganhou fama de bravateiro no seu primeiro mandato (2017 – 2021) por não ter conseguido colocar em prática os seus principais projetos, como o de erguer um muro separando o México dos Estados Unidos, Vance transmite uma imagem de pessoa séria e muito bem informada sobre a realidade.

Aqui há um detalhe que merece ser lembrando aos colegas repórteres. Trump se deu conta de que o fracasso do seu primeiro mandato se deveu a uma articulação entre pessoas do seu próprio partido com funcionários de carreira do governo, que boicotaram os seus projetos. O boicote aconteceu por várias razões, uma delas a natureza absurda de algumas propostas, como a de anexar o Canadá. No atual governo, do primeiro ao último escalão,

Trump só colocou gente da sua confiança, que concorda 100% com o seu pensamento político. Não se sabe como o governo Trump vai terminar. Mas o volume de manchetes nos jornais que tem gerado, como no caso da Groenlândia, mantém o presidente dos Estados Unidos como personagem central dos noticiários ao redor do mundo.

Casos Vance concorra e seja eleito, ele irá herdar “esta máquina administrativa” lubrificada e funcionando.

O segundo candidato a substituir Trump é o seu secretário de Estado, Marco Rubio, 58 anos. Ele é o arquiteto da invasão da Venezuela. Rubio tem muito claro o papel dos Estados Unidos na América Latina. Ressuscitou a ideia, que nasceu e cresceu durante a Guerra Fria (1947 – 1991), de que os países da região são “quintais” dos Estados Unidos e, portanto, seus dirigentes políticos e suas operações comerciais devem estar alinhados com os interesses americanos. O instrumento usado para implantar esta política foram as ditaduras militares dos anos 60 e 70, financiadas pelos americanos – matérias na internet.

Rubio é filho de cubanos que foram morar nos Estados Unidos. É daí que vem o seu conhecimento e interesse pela América Latina. Pelo que tenho lido, existem articulações para montar uma chapa com Vance na cabeça e Rubio como vice. Seria uma continuação do governo Trump. Chances de vencerem os democratas? Ainda é muito cedo para falar. Mas uma coisa é certa. Não são só os europeus que estão empurrando Trump com a barriga e apostando nas próximas eleições presidenciais americanas. Há muita gente agarrada à mesma tese, inclusive no Brasil. As chances de ser eleita uma chapa identificada com as crenças de Trump é real. Ou seja, o que está ruim pode piorar. Mas seja qual for o destino dos republicanos nas próximas eleições, o modo de fazer política internacional nunca mais será o mesmo.

Carlos Wagner é repórter, graduado em Comunicação Social — habilitação em Jornalismo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul — Ufrgs. Trabalhou como repórter investigativo no jornal Zero Hora (RS, Brasil) de 1983 a 2014. Recebeu 38 prêmios de Jornalismo, entre eles, sete Prêmios Esso regionais. Tem 17 livros publicados, como “País Bandido”. Aos 67 anos, foi homenageado no 12º encontro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI), em 2017, SP.


Fonte: https://luizmuller.com/2026/01/23/modo-trump-na-politica-internacional-e-o-novo-normal-ou-sera-passageiro/

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