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“O Brasil é uma colônia digital”, afirma Sergio Amadeu

23 de Novembro de 2021, 15:49 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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Sociólogo denuncia subordinação tecnológica e cultural às grandes plataformas mundiais, propondo política de controle público; veja vídeo na íntegra

No Opera Mundi

No programa 20 MINUTOS ENTREVISTA desta segunda-feira (22/11), o jornalista Breno Altman entrevistou o sociólogo e professor especialista em internet e redes sociais Sergio Amadeu.

Amadeu alertou para a coleta de dados irrestrita nas redes sociais e como as principais plataformas digitais estão se estendendo para outras áreas além da comunicação, como saúde e agricultura, sem nenhum tipo de controle.

“Essas plataformas vêm para o Brasil, extraem dados e fazem pesquisas com dados de brasileiros que a gente nem sabe. Fazem experimentos com as nossas informações e nós precisamos saber que experimentos são esses. A gente não sabe e deixa que coletem os nossos dados mesmo assim. Somos uma colônia digital. Nossas informações são usadas para treinar algoritmos de empresas internacionais, para que elas ganhem dinheiro em cima de nós”, destacou o professor.

Essa coleta de dados não serve apenas para vender produtos aos usuários, mas para o posicionamento “geoestratégico da classe dominante”. Por exemplo, Amadeu afirmou que é comprovada a manipulação que os Estados Unidos tentam exercer sobre a população cubana por meio das redes sociais.

Por isso, ele defendeu a criação de um “Estado digital” que atue para regular as plataformas e construir estruturas tecnológicas, descartando o argumento da autorregulação: “Só regular as plataformas não resolve o problema, precisamos trazer recursos para o nosso país, apostando em softwares livres, datacenters sediados no Brasil e deixar de disponibilizar dados não essenciais para empresas estrangeiras”.

No entanto, o especialista reconheceu que um esforço desse tipo não seria promovido pela burguesia e enfrentaria um “lobby pesado”, pois as BigTech querem seguir com as liberdades e o poder de influência que têm. 

Assim, a iniciativa deverá ser capitaneada pelo Estado, na visão de Amadeu, não apenas chefiado “por um presidente adequado, que tem que ser o Lula”, mas com um Congresso forte que aprove os projetos necessários.

“A gente precisa de transparência das regras de conduta interna das plataformas, deixando claras as regras de operação; de uma comissão que tenha o poder de fazer portarias para que cada especificidade seja controlada, formada pela sociedade civil, o Estado e representantes das plataformas, com o judiciário de fora para tomar as decisões provenientes dos choques que vão haver; e proibir o fluxo internacional de dados sensíveis”, listou.

Reprodução
Sociólogo alertou para a coleta de dados irrestrita nas redes sociais no Brasil

O professor ainda se posicionou contrário à solução de aumentar ainda mais o poder das plataformas para que elas bloqueiem ou tirem do ar contas que disseminem fake news ou publiquem comentários racistas e nazistas, por exemplo. 

Ele reforçou a importância do Judiciário nessas situações de punir os casos concretos e pedir o bloqueio de contas apenas depois do devido julgamento. Entretanto, concordou ser preciso a responsabilização, não só de quem publica, mas também das próprias redes que permitem a publicação desses discursos, “com humanos que atuem quando surjam erros no algoritmo e com uma auditoria”.

Exemplo chinês

A China é usada como exemplo de combate às BigTechs. Não só por ter criado suas próprias redes sociais, mas por ter banido Facebook, Instagram e outras plataformas de seu território. O sociólogo ponderou a respeito da iniciativa chinesa: “Sou contra criar bloqueios à liberdade de expressão, restringir o debate democrático é ruim, mas não controlar as plataformas e tratar todos os dados como prescindíveis acho um equívoco”.

“Dizem que informações sobre os nossos exames médicos ou os dados de estudantes têm que fluir pela rede. Mas o que têm a ver os dados de crianças ou a biometria da população com a liberdade de expressão no mundo? Não têm. É uma trapaça para interferir comercial e ideologicamente na nossa população”, agregou Amadeu.

Ele disse que a China foi inteligente ao perceber que a disputa econômica do futuro se daria, e já está se dando, no terreno tecnológico, e se utilizou dos métodos norte-americanos para liberar e incentivar a criação de plataformas nacionais, que se transformaram em espelhos das empresas norte-americanas.

“E agora estão ganhando em território norte-americano. Hoje quem tem o maior número de pedidos de patentes de inteligência artificial é a China. Decidiram ganhar em território norte-americano usando as técnicas deles”, enfatizou.

Assista:

Sérgio Amadeu da Silveira é um sociólogobrasileiro (graduado na USP em Ciências Sociais em 1985), nascido em 22 de agosto de 1961, geralmente lembrado como defensor e divulgador do Software Livre e da Inclusão Digital no Brasil. Foi um dos grandes implementadores dos Telecentros na América Latina e presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. Sérgio Amadeu é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo[1] e, atualmente, é professor adjunto da Universidade Federal do ABC (UFABC).[2] (Da WIKIPÉDIA)


Fonte: https://luizmuller.com/2021/11/23/o-brasil-e-uma-colonia-digital-afirma-sergio-amadeu/

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