Não é mais uma questão de “se”, mas de “como”. O roteiro que o Brasil assiste agora na condução do chamado Caso Master guarda semelhanças assustadoras com o modus operandi que marcou a República de Curitiba. O que vemos é a reedição de uma estratégia de poder disfarçada de justiça, onde o devido processo legal é substituído pela espetacularização e pelo uso estratégico de vazamentos seletivos.
Assim como no passado, a engrenagem funciona em ciclos bem definidos:
Vazamentos Cirúrgicos: Informações sigilosas chegam “convenientemente” às mãos de setores da mídia. O alvo? Nomes como os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de figuras recorrentes no imaginário antipetista, como Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Conexão de Fatos Desconexos: De posse desses retalhos, constroem-se manchetes que ligam pontos que não se tocam. O objetivo não é provar um crime, mas criar uma mancha de suspeição. Se a quebra de sigilo de Lulinha não revelou ilegalidades, a narrativa muda o foco para o “volume das movimentações”, omitindo que os valores são compatíveis com o faturamento de sua empresa no setor esportivo.
A “Delação” como Coação: Investigados são encarcerados e pressionados. A delação premiada deixa de ser um meio de prova para se tornar uma fábrica de confirmações para narrativas previamente plantadas.
O “Apagão” Midiático sobre Ibaneis e Cláudio Castro
Enquanto a artilharia se volta contra o governo, o silêncio sobre os verdadeiros eixos de influência do Banco Master é ensurdecedor. Estranhamente, desapareceram do noticiário as relações promíscuas que envolvem governadores de direita.
É fundamental questionar o papel de Ibaneis Rocha e a nebulosa simbiose entre o BRB (Banco de Brasília) e o Grupo Master. Da mesma forma, o rastro de influência chega ao Rio de Janeiro de Cláudio Castro, onde o Instituto de Previdência do Rio (Rioprevidência) tornou-se terreno fértil para movimentações que beneficiam o ecossistema financeiro de Marco Aurélio Vorcaro. Por que essas conexões, que envolvem dinheiro público e gestões estaduais aliadas ao bolsonarismo, não recebem o mesmo destaque das ilações contra a família Lula?
A tentativa de misturar o Caso Master com a CPI do INSS serve a um propósito claro: blindar figuras como o “Careca do INSS” e seus laços com parlamentares do centrão. Ao fundir os casos em uma confusão midiática, os operadores dessa nova “Lava Jato” conseguem proteger seus aliados ideológicos. Vorcaro, o pivô central, transita livremente enquanto a mídia gasta tinta com o volume bancário de uma empresa de marketing esportivo que não apresenta irregularidades.
Se Sergio Moro, de uma vara de primeira instância, conseguiu desestabilizar a democracia, o risco atual é potencializado pela estatura institucional dos envolvidos. A atuação do ministro André Mendonça e a escolha de quadros da Polícia Federal sob sua influência levantam alertas vermelhos.
Já se ventila que policiais indicados por Mendonça, prováveis fontes dos vazamentos, podem pedir a prisão de Lulinha. Mesmo que o pedido seja juridicamente natimorto, o dano político já estará feito: uma “chuva de manchetes” programada para desgastar o Governo Lula e alimentar a base oposicionista com fatos distorcidos.
O Caso Master está se tornando o novo laboratório de uma elite que não aceita o resultado das urnas. Precisamos separar o joio do trigo: investigar crimes é dever do Estado, mas usar a estrutura pública para assassinar reputações, enquanto se protege figuras como Ibaneis, Castro e Vorcaro, é o caminho mais curto para o autoritarismo. O Brasil já viu esse filme, e o final todos nós conhecemos.
