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Luiz Muller Blog

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Tecnologia: Manuela D’Ávila afirma que haverá Internet Pública e gratuita para todos os porto alegrenses

24 de Novembro de 2020, 11:38 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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Inovação e tecnologia terão papel central, afirmou Manuela em entrevista ao Jornal do Comércio, que publico na íntegra a seguir

A candidata argumenta que R$ 18 milhões são suficientes para expandir o acesso gratuito à internet wifi

A candidata argumenta que R$ 18 milhões são suficientes para expandir o acesso gratuito à internet wifi

A candidata à prefeitura de Porto Alegre, Manuela d’Ávila (PCdoB), quer transformar a Capital em uma referência em inovação e tecnologia. Para garantir os investimentos necessários, Manuela pretende utilizar a Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa) e sua capacidade de ampliar o acesso à internet na cidade; os recursos do Fundo Municipal de Inovação e Tecnologia de Porto Alegre (FIT), aprovado em março de 2020; e a parceria do Pacto Alegre, Tecnopuc e outras instituições privadas ligadas ao setor tecnológico.No seu plano de desenvolvimento tecnológico, a Procempa desempenha um papel central. Devido à capacidade de fibra ótica já instalada pela companhia na cidade, a candidata argumenta que R$ 18 milhões são suficientes para expandir o acesso gratuito à internet wifi. “Quem quer ser a capital da inovação precisa investir para que as suas pessoas tenham acesso à internet. A inovação e a sustentabilidade garantem empregos bem remunerados para o nosso povo”, argumenta.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, Manuela garante que manterá a Companhia Carris Porto-alegrense (Carris) e o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) públicos. Ela também explicou que quer enviar, ainda durante a transição, um projeto que suspenda o aumento do IPTU programado para 2021. O reajuste está previsto na planta revisada pelo atual prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), que já se comprometeu em enviar projetos do prefeito eleito durante a transição. Se o texto não for enviado em 2020, a suspensão não entra em vigor em 2021.

Jornal do Comércio – A senhora recebeu o apoio programático de alguns partidos no segundo turno, como o PSOL, PDT e Rede. Caso vença as eleições, vai buscar esses partidos para formarem sua base de governo?

Manuela d’Ávila – Vamos governar com esses partidos em um programa pactuado, claro. Mas também com a inteligência da cidade. Porto Alegre tem pessoas muito capazes em todas as áreas. Hoje essas pessoas não são ouvidas, nem valorizadas nos conselhos ou nos mecanismos de pactuação. Enfim, não são chamadas para governar junto. Olha o caso do Pacto Alegre. Somos uma cidade que possui tudo para construir o novo símbolo de desenvolvimento econômico – a partir da inovação e da tecnologia. Temos a Procempa, que pode ser parceira nisso. Agora também temos o FIT, aprovado a partir de um projeto constituído lá no conselho de ICTs (Instituições Científicas e Tecnológicas). Temos o Tecnopuc.

JC – Como seria a relação com a Câmara Municipal, visto que os partidos que a apoiam teriam minoria no Legislativo?

Manuela – Sabe qual é um dos maiores orgulhos que tenho da minha trajetória? É o de sempre aprovar meus projetos em consenso. Apesar de ter chegado muito nova à Câmara de Vereadores, nunca fui uma parlamentar com dificuldade de dialogar. Tanto que, apesar de ser uma vereadora de oposição ao então prefeito José Fogaça (MDB, 2005-2010), votei a favor da lei de Parcerias Público-Privadas (PPPs), porque acreditava que era o melhor para a cidade. Outro exemplo, como deputada federal, fui relatora do Estatuto da Juventude. Cerca de 33% do relatório foi construído na internet. Ao mesmo tempo, conseguimos unir a frente parlamentar LGBT e os evangélicos em um único texto. Foi o único texto da história da Câmara dos Deputados com uma redação comum entre esses dois campos que se enfrentavam lá dentro. Então, a minha marca é o diálogo que chega em soluções reais para a cidade. Não é o diálogo para enrolar. Então, é assim que vou trabalhar e a Câmara Municipal é parceira disso. É só ver o exemplo do FIT…

JC – Que foi aprovado pelos vereadores em março de 2020…

Manuela – Por que o FIT foi aprovado mesmo com tanta tensão estabelecida entre o prefeito e a Câmara? Porque foi construído com a sociedade. Quem estava envolvido? O conselho de ICT, a turma do Pacto Alegre… Quando chegou à Câmara, o projeto tinha legitimidade política e social. A proposta não saiu da cabeça de um prefeito iluminado. Vou ser uma prefeita que vai governar com legitimidade política e social para fazer a cidade avançar. A rearticulação dos conselhos municipais, do Orçamento Participativo (OP) faz com que os projeto cheguem ao Legislativo mais próximos do desejo da cidade. A Câmara não é contra a cidade. Nunca foi. Fui vereadora e sei que a Câmara quer contribuir.

JC – A senhora mencionou o FIT, o Pacto Alegre e a Procempa. Inovação e tecnologia serão prioridade?

Manuela – Quando a gente fala sobre a pandemia, muita gente fala sobre os postos de trabalho e sobre a questão sanitária – o que é correto. Só que existe uma terceira parte dramática, que é a perda de vínculo das crianças com as escolas. (Para recuperar o ano letivo) a gente fala como se fosse só botar a criança de volta lá na rede municipal. Não é assim. Ninguém fala que 88% das crianças da rede municipal não têm acesso à internet. Além disso, não existe nenhum trabalho hoje desconectado da tecnologia. É por isso que o nosso programa tem a inovação no centro. Sabemos do nosso potencial para construir um novo ciclo de desenvolvimento econômico com essa galera que se organiza nas nossas universidades, no Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada). Esse pessoal sabe que isso não vai ser sólido, não vai ser sustentável, se a gente não tiver internet.

JC – Planeja expandir a internet na cidade?

Manuela – A partir da Procempa, temos a possibilidade de ter mil pontos de wifi gratuitos na cidade, com um investimento de R$ 18 milhões. Tu podes me dizer assim: “nossa, R$ 18 milhões para isso?”. E eu digo: quem quer ser a capital da inovação precisa investir para que as suas pessoas tenham acesso à internet. A inovação e a sustentabilidade garantem empregos bem remunerados para o nosso povo. Mas também precisamos compreender que não conseguiremos fazer isso, se não superarmos as desigualdades que nos marcam. Porto Alegre é uma cidade muito desigual.

JC – Qual o papel da Procempa no plano de inovação e tecnologia?

Manuela – A Procempa terá um papel central no meu governo, porque, em primeiro lugar, não posso admitir que, em 2020, sejamos uma cidade que não inclui digitalmente as pessoas. O agendamento eletrônico das consultas foi implementado nesse governo. Como podemos estar tão atrasados na administração pública? A Procempa tem um papel central nisso. Mas tem também um papel importante na dinamização dos negócios na cidade, assim como as nossas startups, que avançaram no último período com o Pacto Alegre. Não tem sentido prescindirmos de uma empresa de porte médio, como a Procempa, que é fundamental para a gente garantir Porto Alegre como a capital da inovação. Basta voltar ao exemplo dos 1 mil pontos de acesso wifi gratuitos, que a Procempa já tem. Temos internet fechada nas escolas, mas não colocamos uma antena de rádio (na escola) para o sinal ser ampliado (para a comunidade).

JC – Falando nas companhias públicas, como ficará a Carris?

Manuela – Primeiro, defendo a Carris pública, pelo papel que ela tem no sistema de transporte. Não tenho nenhum ranço com a ideia de que as PPPs sejam necessárias. A maior prova disso é que, aos 23 anos, votei favoravelmente ao projeto (que regrou as PPPs em Porto Alegre). Mas a Carris é balizadora do nosso transporte. A gente está vivendo uma crise, quem assumiu as linhas que chegam aos bairros pobres (nesse período)? Foi a Carris, nossa empresa pública. A última gestão mostrou que, se bem administrada, se não entregue para os amigos, a Carris é superavitária. Aliás, a gestão de uma mulher gantantiu isso (a ex-diretora-presidente Helen Machado.

JC – E quanto ao Dmae, que historicamente é superavitário?

Manuela – Em outubro, a prefeitura conseguiu junto à Caixa Econômica Federal um financiamento de mais de R$ 200 milhões para construir a Estação de Tratamento de Água (ETA) Ponta do Arado. Essa obra, que resolverá a falta de água naquela região da cidade, será feita com investimento próprio do DMAE e da Caixa, que é um banco federal, portanto tem um papel no desenvolvimento nacional. O mundo inteiro está tornando público novamente o direito à água. As pessoas gostam muito de ir a Paris, tirar fotos na Torre Eiffel, e eu entendo isso. Mas é bom saber que Paris está reestatizando sua água, porque (a terceirização) deu errado. Eu não copio nada que deu errado em lugar nenhum do mundo, não vou copiar o mau exemplo de Paris, por exemplo. As pessoas estão sem água. No estado do Rio Grande do Sul, 11 mil casas não possuem banheiro. O que precisamos é melhorar a gestão (do Dmae). Porto Alegre perdeu mais de R$ 100 milhões para as obras de macro engrenagem por causa da má gestão. Então, o problema não é as autarquias serem públicas, é elas serem mal geridas. Na minha gestão, elas serão públicas, bem administradas e imprescindíveis para Porto Alegre enfrentar a crise atual.

JC – Uma das suas propostas é adiar o aumento do IPTU comercial programado para 2021. Pode detalhar essa proposta?

Manuela – Precisamos impedir o fechamento de negócios em 2021. Se eu quero resgatar e garantir trabalho e renda para o nosso povo, eu não tenho tempo a perder. Os 30 dias da transição (de 30 de novembro a 31 de dezembro) são valiosos. Por isso, para mim, foi algo muito importante o prefeito Marchezan dizer que assumia o compromisso de enviar para a Câmara ainda durante a transição projetos do prefeito-eleito. Todo mundo que paga IPTU sabe que o boleto é emitido em dezembro. Então, para que o aumento (previsto na revisão da planta do IPTU) não seja implementado em 2021, preciso encaminhar o projeto de suspensão ainda em 2020. Por isso, teria que ser enviado durante a transição.

JC – E quando voltaria a pagar esse aumentos suspenso?

Manuela – Estou falando (em suspender) só em 2021. Não sei como será em 2022. Hoje, o que sei é que, em 2021, já precisa ser diferente. O que o meu adversário diz é: “eu não sou o prefeito agora, não vou enviar nada para a Câmara; só quando assumir a prefeitura, vou enviar (um projeto de cancelamento dos reajustes)”. Se ele só pretende enviar o projeto sobre o IPTU em janeiro de 2021, ele está falando de uma mudança para 2022. Mas como é que vai ser em 2021? Isso é definido agora, nessa reta final deste ano. Então o nosso plano é: a gente vai suspender o reajuste de 2021 e vai jogá-lo para o final de 2025. Esse é o plano de quem quer ser prefeita e sabe que tem que assumir já dando condições para a turma voltar a investir, amenizando as dificuldades. Por isso (a suspensão do aumento do IPTU) deve estar valendo a partir de 1º de janeiro.

JC – Qual a estratégia para evitar a segunda onda de Covid-19 e como funcionará o comércio?

Manuela – Em uma das notícias falsas do primeiro turno, diziam que eu ia fechar tudo; e meu adversário, abrir tudo. Vou ser a prefeita que trabalhará para não fechar. Isso significa ter a gestão própria da vacina, o que, no Brasil, lamentavelmente implica em enfrentar o presidente. Torço muito para que o SUS (Sistema Único de Saúde) faça a gestão da vacinação. Mas veja a que ponto chegamos: estão chegando as vacinas da China (em São Paulo) e elas estão sendo escoltadas, porque a turma do presidente Bolsonaro quer quebra-las. Sou Manuela do diálogo, que garante e garantiu projetos aprovados, mas não tenho medo de levantar minha voz em favor de Porto Alegre e de quem quer manter o seu negócio aberto. Então, a gestão própria da vacina é necessária.

JC – A vacinação deve ser obrigatória?

Manuela – Esse é um debate falso, que infelizmente o Brasil tem feito. Não existe vacina obrigatória. Mas pode ter certeza que vai ter fila de pessoas querendo se vacinar, porque elas querem viver a sua vida. Vou negociar a vacina com quem tiver que negociar. Se vai ser chinesa, russa, belga, de Oxford… não tenho preferência, tenho pressa. Pressa de que as crianças voltem à escola, de que as pessoas possam circular livremente.

Perfil

Manuela Pinto Vieira d’Ávila, 39 anos, é natural de Porto Alegre. Formada em Jornalismo pela Pucrs, deu os primeiros passos na política pelo movimento estudantil. Em 2001, filiou-se ao PCdoB e, em 2004, aos 23 anos, fez história ao ser eleita a vereadora mais jovem da Capital, com 9.498 votos. Em 2006, elegeu-se a deputada federal mais votada do Brasil, com 271.939 votos. Concorreu pela primeira vez à prefeitura em 2008, ficando em terceiro lugar. Em 2010, com quase meio milhão de votos, foi eleita, pela segunda vez, a deputada federal mais votada. Em 2011, foi escolhida pela presidente Dilma Rousseff (PT) para ser a sua vice-líder no Congresso Nacional. É mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e estudou Políticas de Proteção à Mulher, na Espanha. Em 2012, concorreu novamente à prefeitura da Capital, perdendo para o eleito José Fortunarti (na época, PDT). Em 2014, desistiu de concorrer a um terceiro mandato na Câmara dos Deputados, optando por se candidatar a deputada estadual, cargo ao qual se elegeu. Em 2018, foi candidata a vice na chapa de Fernando Haddad (PT) ao Planalto. Agora, disputa a prefeitura pela terceira vez.


Fonte: https://luizmuller.com/2020/11/24/tecnologia-manuela-davila-afirma-que-havera-internet-publica-e-gratuita-para-todos-os-porto-alegrenses/

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