Com base em novos dados e nas juras de “parceria ilimitada” entre Xi e Putin pouco antes da invasão da Ucrânia, secretário de Estado Blinken mostra-se apreensivo com eventual fornecimento chinês de material militar.
Por Redação, com DW – de Washington
O secretário de Estado americano, Antony Blinken, criticou no domingo a possibilidade de a China fornecer armas e munição à Rússia.

– Até ao momento, empresas chinesas (…) forneceram apoio não letal à Rússia para uso na Ucrânia. Agora estamos preocupados com a informação de que estão considerando fornecer apoio letal – comentou, numa entrevista à emissora CBS News, sublinhando que a situação poderá ter “sérias consequências”.
Ele relatou que no sábado, à margem da Conferência de Segurança de Munique, se reuniu com o representante máximo da diplomacia chinesa, Wang Yi, e transmitiu-lhe a “profunda preocupação” dos Estados Unidos com a ocorrência desse tipo de transação.
Justificando as suspeitas de Washington, Blinken discorreu: “Apenas semanas antes da agressão (militar russa em solo ucraniano), você lembrará que o presidente Xi (Jinping, da China) e o presidente (russo Vladimir) Putin tiveram um encontro em que falaram de parceria sem limites. E estamos apreensivos que, entre essa falta de limites, esteja o apoio chinês para a Rússia na guerra.”
Sob a sombra do balão espião
Pequim nega que Moscou tenha solicitado o fornecimento de material militar e reitera sua posição de neutralidade ne guerra na Ucrânia, com recorrentes apelos à paz.
No entanto, Washington já sancionou uma empresa chinesa por fornecer imagens de satélite da Ucrânia ao grupo mercenário russo Wagner, que contribui com milhares de combatentes para a invasão russa da Ucrânia. O chefe da diplomacia americana ressaltou que “obviamente na China não há distinção entre empresas privadas e o Estado”.
Caso ocorra, acrescentou Blinken, essa entrega de armas causará “problemas sérios” para o relacionamento dos EUA com a China, já seriamente abalado desde que um “balão espião” de procedência chinesa foi detectado e derrubado pela Força Aérea americana.
Localizado no fim de janeiro no espaço aéreo americano, o objeto foi abatido sobre as águas do Atlântico em 4 de fevereiro. Dias antes, sobrevoara diversas áreas dos Estados Unidos, como o estado de Montana (noroeste), onde se localiza um dos três campos de silos de mísseis nucleares do país. Pequim alega que o balão teria atravessado acidentalmente o território dos EUA.
O secretário de Estado americano manifestou ainda receio de que a China ajude a Rússia a escapar das sanções econômicas ocidentais, uma vez que o comércio bilateral entre os dois países continua a aumentar e Pequim continua a comprar petróleo, gás e carvão de Moscou.