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Um espetáculo musical para lembrar que é preciso resistir

14 de Novembro de 2017, 15:38 , por segundo clichê - | No one following this article yet.
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Carlos Motta


Houve um tempo em que as artes em geral, e a música popular, em particular, tinham um olhar social, voltado para a denúncia das mazelas do mundo. A denominação "arte engajada" abarcou muitas obras-primas, criadas sob circunstâncias adversas - censura, autoritarismo, ditadura, povos sufocados pela falta de liberdade, pela miséria, injustiça e desigualdade. Várias delas conseguiram permanecer atuais, não só pelas suas qualidades, mas pelo fato de que, trágica ironia, a realidade que buscavam retratar e superar voltou a percebida, no Brasil e em vários outros países, cada dia com mais intensidade.

O jornalista, cantor e compositor Julinho Bittencourt teve a sua educação musical no período final da ditadura, entre 1976 e 1980, e, quando garoto, se apaixonou pelas canções de protesto, ouvia muito Mercedes Sosa, Chico Buarque, Geraldo Vandré, Violeta Parra, Victor Jara, "enfim, aquelas canções que levantavam multidões".

Nos anos 80 do século passado, lembra, essas músicas passaram a ser tratadas como "cafonas" e "chatas" pelo pessoal do rock nacional, "foi uma coisa que caiu de moda, podemos dizer assim". Recentemente, porém, diz, "com o avanço da direita, o golpe contra a Dilma, essas pautas moralistas, enfim, com esse cenário horrível que o país e o mundo também passaram a viver, elas voltaram a fazer sentido e eu comecei a perceber que as pessoas retomaram o interesse por essas canções e as pediam nas nossas apresentações."

Ele conta que estava em Brasília, "no olho do furacão, com aquela tensão toda, e veio a ideia de um espetáculo, uma coisa onde um ator explicasse a origem, o período histórico, a banda tocasse aquelas músicas, e as legendas fossem exibidas no telão, com fotos referentes".

E aí nasceu o espetáculo “Música de Resistência – As Canções de Protesto do Século XX”, que Julinho Bittencourt e Banda apresentam, nesta sexta-feira, 17 de novembro, às 21 horas, no Teatro do Sesc de Santos (Rua Conselheiro Ribas, 136, Aparecida, tel: 3278 9800), com ingressos a R$ 17,00 (inteira), R$ 8,50 (meia) e R$ 5,00 (comerciário). A direção do espetáculo é de Platão Capurro Filho e a narração de Sander Nilton. 

Julinho explica que as canções do show são as que, de alguma forma, tiveram relações com as grandes transformações do século passado - são as chamadas músicas de protesto, compreendidas entre a Guerra Civil Espanhola, que teve início em 1936, até a ditadura militar brasileira, nas décadas de 70 e 80, passando por vários conflitos de países do Ocidente, como a França, Itália, África do Sul, Jamaica, Argentina, Chile e Brasil.

A concepção do espetáculo, roteiro e textos são do próprio Julinho Bittencourt, e entre as canções que serão apresentadas estão “Bella, Ciao” (anônimo), “The Partisans”, de Anna Marly e Hy Zaret; “Gracias a la Vida”, de Violeta Parra; “Los Hermanos”, de Atahualpa Yupanqui; “The Luck of the Irish”, de John Lennon; “Redemption Songs”, de Bob Marley; “Apesar de Você”, de Chico Buarque; e “Caminhando”, de Geraldo Vandré, entre outras.

Julinho (violão e voz), Fernando Rebello (violão e voz), Luiz Cláudio de Santos (contrabaixo e voz), e Michel Pereira (percussão) formam a banda, de velhos amigos que tocam juntos há tempos. Todas as canções terão legendas e imagens correspondentes projetadas no fundo do palco. A programação visual é do artista multimídia Bruno Santana.

"O Sesc topou ser o palco da estreia do espetáculo", informa Julinho. "Conversei com a Alexandra Linda e ela gostou da ideia, levou para a gerência, foi aprovada e aí tudo rolou. Vamos, depois do show, sair por aí, se tudo der certo", diz.

 “Música de Resistência – As Canções de Protesto do Século XX” tem tudo para dar certo. Afinal, agora, mais que nunca, é preciso resistir.


Fonte: http://segundocliche.blogspot.com/2017/11/um-show-musical-para-lembrar-que-e.html

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