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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
Licenciado sob CC (by)

Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos.


Mídia omite suicídio de empresário e ultrapassa fronteira entre jornalismo e propaganda

7 de Julho de 2019, 10:05, por #BlogueDoSouza



Telejornais da mídia corporativa simplesmente omitiram ou relegaram à categoria de "fatos diversos" a notícia mais relevante da última quinta-feira. Uma notícia que à opinião pública avaliar o atual estágio de crise social e econômica: diante do ministro de Minas e Energia e do governador do Estado, um empresário se matou com um tiro na boca em Simpósio do setor em Sergipe. Ato extremo diante da insolvência da sua empresa diante das dívidas do fornecimento de gás natural. Com os terremotos semanais da Vaza Jato, a grande mídia cruzou as fronteiras que separam o jornalismo da propaganda – passou a omitir tudo que, ou esteja fora do script da guerra semiótica criptografada (a usina produtora de crises Bolsonaro/Mídia e geradora de notícias dissonantes), ou que contradiga a atual estratégia de enaltecimento moral do empreendedorismo na massa de desempregados e desalentados: a fé de que é possível a força de trabalho se transmutar em capital com “otimismo”, “determinação” e superação”.
Todos sabemos que as manipulações midiáticas não se limitam apenas ao viés (ou “frame”) pelo qual é mostrada uma notícia, ou pelas peripécias na ilha de edição ao pinçar aquilo que é mais conveniente ao script elaborado pelos dos aquários das redações.
Também, a manipulação ocorre naquilo que não é mostrado, colocado fora da pauta ou, no mínimo, fora da escalada pela qual começa todo telejornal. Tendemos a considerar aquilo que é mais importante pelo destaque que é dado ao telejornal. O que não for pautado, ou não existiu ou é considerado menos relevante.
A omissão, nos principais telejornais de rede da grande mídia, do suicídio do empresário de Sergipe no setor de cerâmica, Sadi Gitz, ocorrido nessa quinta-feira, é um desses casos para deixar uma pulga atrás da orelha. Jornal Nacional da Globo, SBT Brasil e Jornal da Record, Globo News e Record News simplesmente omitiram, ou deixaram em segundo plano como uma tragédia de ordem pessoal.
Gitz era dono da indústria de cerâmica Escurial, um dos líderes empresarias do Estado que enfrentava dificuldades e atualmente estava em recuperação judicial pelas dívidas resultantes pelo alto preço no fornecimento de Gás natural.
Qual a relevância desse fato? Ele participava na manhã de quinta do “Simpósio de Oportunidades – Novo Cenário do Gás Natural de Sergipe”. Diante do governador do Estado e do Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque. Antes dar um tiro na sua própria boca, chamou o governador de “mentiroso”.
Gitz teve o seu acordo de dívida negado pelo governador. Apesar de Sergipe ser o terceiro maior produtor de gás natural do Nordeste, os preços são elevados. A empresa questionava que a política de preços da Sergas (Sergipe Gás) era juridicamente ilegal. Gitz tinha decidido pelo fechamento da empresa, fundamental para o desenvolvimento e geração de empregos do polo industrial de Socorro.
Sadi Gitz (foto: Prefeitura de Aracaju)

O discurso pronto midiático  

Portanto, todos os elementos dessa notícia seriam publicamente relevantes.
Mas, as empresas jornalísticas têm um discurso pronto para justificar a não veiculação de notícias sobre suicídios – existiria um certo tipo de convenção profissional extraoficial de que suicídios não devem ser noticiados por dois motivos: (a) por ser um ato extremamente íntimo e pessoal; (b) a publicação massiva da notícia pode motivar pessoas predispostas a esse ato extremo. Aquilo que estudiosos chamam de “efeito copycat” ou de imitação.
Mas é claro que são argumentos oportunistas sacados do bolso do colete. Quantas vezes notícias suicídio de pessoas famosas do meio artístico e da indústria do entretenimento foram noticiadas sem o maior pudor ou constrangimento? Desde Kurt Cobain e o ator Robin Williams ou de brasileiros como a atriz Leila Lopes e o sensacionalismo sobre as diversas tentativas de suicídio do cantor Rafael Ilha.
Durante toda quinta-feira, a grande mídia concentrou fogo sobre a aprovação do texto da Reforma da Previdência na Câmara e, no dia seguinte, o otimismo do onipresente “mercado” (que nunca especificam que é o “especulativo financeiro”) pela aprovação e a ida do texto da Reforma para a Plenária.

Bora empreender!...

A questão é que, do outro lado da moeda dessa pauta da Reforma da Previdência, está a turbinagem do otimismo e o enaltecimento moral do empreendedorismo. “Bora empreender, Brasil!”, exortam peças publicitárias do banco Santander. Certamente, notícias de suicídios de empreendedores falidos pela política de preços de insumos não é nada bom para o discurso que diariamente está sendo empurrado goela abaixo dos brasileiros.
Um discurso que tenta mitigar a crise econômica crônica do desemprego e paralisia do setor produtivo e infraestrutura com a fé de que a força de trabalho (desempregada) pode, um dia, magicamente se transformar em capital. Claro, com as maquininhas de crédito/débito vendidas pelos bancos que, no futuro, irão faturar obscenamente com a privatização da Previdência.
Em postagem anterior víamos como os telejornais estão focados na elevação do astral dos brasileiros: de pessoas desempregadas ao relento vendendo café e bolos em frente às estações de metrô noticiados sob o viés da “variedade da gastronomia de rua”, cantando loas ao “empreendedorismo”, à moralização da meteorologia (o sol como “boa notícia”) e a transformação de eventos esportivos das periferias (Copa das Favelas em São Paulo, por exemplo) como metáforas da “superação”, “determinação” e “otimismo” – segundo o jornalismo corporativo, ingredientes necessários para que ocorra a magia da transmutação da força de trabalho em capital – clique aqui.
Guerra semiótica criptografara: um show que nunca termina

A usina de crises criptografadas

A omissão da trágica noticia de Sergipe de tamanha relevância (para um líder de elite empresarial, branco, chegar a esse ato extremo, imagina quantos outros anônimos excluídos e vulneráveis estão, consciente ou inconscientemente, dando cabo da própria vida) é mais uma evidência de que a atual guerra semiótica é bem diversa do que aquela que a esquerda estava acostumada a enfrentar.
Supostamente a Globo vive uma guerra particular com Bolsonaro, com suas diversas ameaças à poderosa emissora. Tudo faz parte de uma estratégia diversionista de propaganda por dissonância e até psicologia reversa.
Por exemplo, o quadro “Isso a Globo não mostra” do Fantástico (o próprio título é uma meta ironia de todos críticos históricos da emissora) repercute as bizarrices retóricas dos membros do governo como fosse uma declaração de guerra – na qual os próprios blogs “de esquerda” caem facilmente, repercutindo como fosse evidência de “crise política” da poderosa Globo contra Bolsonaro. Um grande simulacro, como se a Globo hackeasse a si própria...
“O governo Bolsonaro é uma usina de crises”, afirmou certa vez o presidente da Câmara Rodrigo Maia, que supostamente viveria às turras com o Governo. E, de repente (por disparos como esse), é alçado a condição de racionalidade pela mídia seja corporativa e progressista, num governo de limítrofes e de bobagens diárias.
 Filhos do Bolsonaro tretando no twitter com generais, generais sendo demitidos do governo, Olavo de Carvalho medindo forças com militares e xingando políticos da própria base aliada, a “carta-bomba” de Paulo Portinho compartilhada por Bolsonaro nas redes sociais (clique aqui), Rodrigo Maia ironizando o clã Bolsonaro, o ministro da educação na sua guerra particular contra universidades públicas até chegar ao flagra de tráfico de drogas internacional do militar da aeronáutica pego com 39 quilos de cocaína em avião presidencial na Espanha – cujo “frame” da grande mídia é “militar transportando droga”.
Vaza  Jato: tudo aquilo que é tóxico para a guerra criptografada de Bolsonaro

Aquilo que está fora do script

Tudo isso faz parte de uma guerra semiótica de geração contínua de dissonâncias, guerra criptografada. Podemos achar até arriscada e irresponsável. Mas eles sabem que as ruas estão vazias e as esquerdas desarticuladas e, por isso, têm espaço para essas, por assim dizer, “licenças poéticas”.
TV Globo repercute tudo... menos aquilo que não faz parte do script dessa guerra criptografada: a desconstrução da imagem de super-herói do ministro da Justiça Sérgio Moro por Glenn Greenwald e o site Intercept, e o rompante suicida de um líder empresarial falido.
Essas são também dissonâncias, mas externas ao jogo proposto pelo Governo Bolsonaro, jogado pela grande mídia e ingenuamente (?) pela própria esquerda. Uma, veio da externalidade um jornalista norte-americano. E a outra, de alguém quis pular fora de toda essa loucura e fugir para a externalidade do outro mundo.
Noam Chomsky
Baseando-se nas observações do linguista Noam Chomsky, a estratégia semiótica de Bolsonaro é análoga a de Donald Trump nos EUA: todo dia o Governo alimenta a pauta da mídia com um estímulo ou uma mentira para se manter sob os holofotes e ser o centro das atenções – clique aqui.
Enquanto isso, o “flanco selvagem” do Governo e Congresso (equipe econômica e bancadas temáticas – Bala, Bíblia, Boi etc.) tocam as medidas neoliberais de interesse da banca financeira, cuja privatização da Previdência é a faceta mais visível.
Se no plano da retórica e propaganda Bolsonaro governa para o seu núcleo duro fundamentalista de extrema direita (arregimentar as milícias digitais e reais e elevar o moral dos 30% da opinião pública visceralmente anti-PT)), em última instância esse governo só chegou e permanece no poder pelas expectativas dos bancos e especulação financeira.
O episódio de omissão de um episódio impactante e relevante como o suicídio do empresário Sadi Gitz, só comprova o prognóstico desse humilde blogueiro em postagem anterior: com o impacto das revelações do site Intercept, chegou o momento da última cruzada da grande mídia na defesa dos seus interesses rentistas: a transformação explícita do jornalismo em propaganda política.
Primeiro pela torcida descarada pela reforma da Previdência da parte de repórteres setoristas e analistas políticos ao vivo nas coberturas do Congresso. E, segundo, pela simples omissão de notícias relevantes para a opinião pública.  - Cinema Secreto: Cinegnose
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Pepe Escobar: Lula e Assange são os dois grandes presos políticos internacionais

6 de Julho de 2019, 8:29, por #BlogueDoSouza


247 - O jornalista Pepe Escobar considera que “Lula e Assange são os grandes presos políticos do século 21” e salienta “não existir a menor dúvida” das arbitrariedades envolvidas nos processos que culminaram em suas prisões políticas. “Assange porque desafiou o império de cabeça, e Lula porque, enquanto era presidente, o império não podia fazer nada contra ele”, elucida o jornalista em análise à TV 247

Ao avaliar o encontro do G20, ele relata que Bolsonaro estava completamente descolado no fórum e explica o que realmente aconteceu com a bilateral fracassada entre China e Brasil. “Bolsonaro abandonou a reunião justificando o atraso dos chineses, é normal em todas essas cúpulas ocorrerem atrasos, mas, por parte dos chineses, eles não tinham nenhum interesse em chegar na hora”, elucida.

Acordo Mercosul e União Européia

O Mercosul e União Europeia fecharam acordo comercial na última sexta-feira (28). Negociado desde 1999, portanto há 20 anos.

O acordo é considerado como um dos maiores já assinados para o livre comércio entre os dois blocos. A negociação envolve os 28 países da UE e as quatro nações que fazem parte do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai).

Pepe revela que franceses e italianos se posicionaram contra o acordo, “pois eles estão apavorados com a ideia de que a agricultura brasileira e argentina os destruam”. “O que não é verdade, os nichos da agricultura estão protegidos pelo acordo”, diz ele.

No entanto, Pepe ressalta que os europeus não estão se importando com a desindustrialização que tal acordo pode gerar na América Latina. “Será o abre-te Sésamo para a exportação de produtos industrializados”.

O jornalista acredita “que o tratado terá problemas para ser aprovado em vários parlamentos europeus”. Assista a íntegra da análise


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Maia defende divulgação da Vaza Jato: “Constituição respalda”

6 de Julho de 2019, 8:00, por #BlogueDoSouza


O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), saiu em defesa da divulgação dos diálogos que mostram o conluio entre o ex-juiz Sérgio moro e procuradores da operação Lava Jato.

"Quando é para beneficiar um lado, é bacana, mas quando é para beneficiar o outro lado, aí não pode? Um vazamento de um documento sigiloso que foi entregue por um agente público a um jornalista é pior do que um hacker vazar uma informação?", disse Maia em entrevista à rádio Jovem Pan.

Maia lembrou o trabalho do Wikileaks, que divulga informações de fontes anônimas e que em 2010 publicou grandes quantidades de documentos confidenciais do governo dos Estados Unidos.

"Todo mundo divulgou o Wikileaks e, naquela época, ninguém viu problema. É claro que é crime, mas o jornalista que divulgou a informação não está errado. Está mais do que claro, com respaldo da Constituição Federal, que não é crime", disse ele.  - 247
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Veja aponta novos crimes de Moro contra Lula

5 de Julho de 2019, 7:59, por #BlogueDoSouza



A reportagem de capa da revista Veja que começa a circular nesta sexta-feira confirma que o ex-juiz Sergio Moro cometeu crimes na condução da Lava Jato com o objetivo de prender o ex-presidente Lula e, por consequência, fraudar as eleições presidenciais de 2018

A edição desta revista Veja que começa a circular nesta sexta-feira (5) traz uma reportagem especial assinada por Glenn Greenwald, Edoardo Ghirotto, Fernando Molica, Leandro Resende e Roberta Paduan que confirma o que foi dito pelo deputado Glauber Braga, nesta semana, na Câmara dos Deputados. O ex-juiz Sergio Moro, hoje ministro da Justiça, foi um "juiz ladrão". Confira, abaixo, a íntegra da reportagem, disponibilizada por Veja de forma aberta a todos os leitores:

As manifestações do último dia 30 tiveram como principal objetivo a defesa de Sergio Moro. Em Brasília, um enorme boneco de Super-Homem com o seu rosto foi inflado na frente do Congresso. Símbolo da Lava-Jato, que representa um marco na história da luta anticorrupção no país, o ex-juiz vem sofrendo sérios arranhões na imagem desde que os diálogos entre ele e membros da força-tarefa vieram a público revelando bastidores da operação. As conversas ocorridas no ambiente de um sistema de comunicação privada (o Telegram) e divulgadas pelo site The Intercept Brasil mostraram que, no papel de magistrado, Moro deixou de lado a imparcialidade e atuou ao lado da acusação. As revelações enfraqueceram a imagem de correção absoluta do atual ministro de Jair Bolsonaro e podem até anular sentenças.

No material que o Intercept diz ter recebido de uma fonte anônima, há quase 1 milhão de mensagens, totalizando um arquivo com mais de 30 000 páginas. Só uma pequena parte havia sido divulgada até agora — e ela foi suficiente para causar uma enorme polêmica. Em parceria com o site, VEJA realizou o mais completo mergulho já feito nesse conteúdo. Foram analisadas pela reportagem 649 551 mensagens. Palavra por palavra, as comunicações examinadas pela equipe são verdadeiras e a apuração mostra que o caso é ainda mais grave. Moro cometeu, sim, irregularidades. Fora dos autos (e dentro do Telegram), o atual ministro pediu à acusação que incluísse provas nos processos que chegariam depois às suas mãos, mandou acelerar ou retardar operações e fez pressão para que determinadas delações não andassem. Além disso, revelam os diálogos, comportou-se como chefe do Ministério Público Federal, posição incompatível com a neutralidade exigida de um magistrado. Na privacidade dos chats, Moro revisou peças dos procuradores e até dava bronca neles. “O juiz deve aplicar a lei porque na terra quem manda é a lei. A justiça só existe no céu”, diz Eros Grau, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, falando em tese sobre o papel de um magistrado. “Quando o juiz perde a imparcialidade, deixa de ser juiz.”

Não seria um escândalo se um magistrado atuasse nas sombras alertando um advogado de que uma prova importante para a defesa de seu cliente havia ficado de fora dos autos? Pois isso aconteceu na Lava-Jato, só que em favor da acusação. Uma conversa de 28 de abril de 2016 mostra que Moro orientou os procuradores a tornar mais robusta uma peça. No diálogo, Deltan Dalla­gnol, chefe da força-tarefa em Curitiba, avisa à procuradora Laura Tessler que Moro o havia alertado sobre a falta de uma informação na denúncia de um réu — Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobras para a construção de plataformas de petróleo, e um dos principais operadores de propina no esquema de corrupção da Petrobras. Skornicki tornou-se delator na Lava-­Jato e confessou que pagou propinas a vários funcionários da estatal, entre eles Eduardo Musa, mencionado por Dalla­gnol na conversa. “Laura no caso do Zwi, Moro disse que tem um depósito em favor do Musa e se for por lapso que não foi incluído ele disse que vai receber amanhã e da tempo. Só é bom avisar ele”, diz. (VEJA manteve os diálogos originais com eventuais erros de digitação e ortografia.) “Ih, vou ver”, responde a procuradora. No dia seguinte, o MPF incluiu um comprovante de depósito de 80 000 dólares feito por Skornicki a Musa. Moro aceita a denúncia minutos depois do aditamento e, na sua decisão, menciona o documento que havia pedido. Ou seja: ele claramente ajudou um dos lados do processo a fortalecer sua posição.

Em sua defesa após o estouro do escândalo das mensagens, o ministro vem repetindo que atendia tanto os encarregados da acusação quanto os da defesa no dia a dia e tinha conversas com eles, nenhuma delas imprópria, na sua visão. De fato, está na rotina de um juiz receber as partes envolvidas no processo, mas de maneira oficial, sempre com registro, e não por meio de um sistema privado de comunicação. A posição do ex-juiz fica ainda mais difícil de defender diante dos dados analisados pela parceria VEJA/The Intercept. Não eram conversas protocolares entre juiz e Ministério Público. Do conjunto, o que se depreende, além de uma intimidade excessiva entre a magistratura e a acusação, é uma evidente parceria na defesa de uma causa. Os exemplos mais robustos vêm das conversas entre Moro e Dalla­gnol. Em 2 de fevereiro de 2016, por exemplo, o juiz escreve a ele: “A odebrecht peticionou com aquela questao. Vou abrir prazo de tres dias para vcs se manifestarem”. Dalla­gnol agradece o aviso. Moro se refere ao questionamento da Odebrecht à Justiça da Suíça a respeito do compartilhamento de dados, incluindo extratos bancários, da empresa naquele país. Grosso modo, a empreiteira tentou impedir que o Ministério Público suíço enviasse dados à força-tarefa.

Preocupado com a história, Moro pede notícias a Dalla­gnol no dia 3. “Quando sera a manifestação do mpf?”, pergunta. “Estou redigindo, mas quero fazer bem feita, para já subsidiar os HCs que virão. Imagino que amanhã, no fim da tarde”, responde o procurador. No dia seguinte, Dalla­gnol informa a Moro que a peça estava quase pronta, mas dependia ainda da revisão de colegas. “Protocolamos amanha, salvo se for importante que seja hoje. Posso mandar, se preferir, versão atual por aqui, para facilitar preparo de decisão”, escreve. Moro tranquiliza Dalla­gnol: “Pode ser amanha”. No dia 5, prazo final, por volta das 15 horas, Dalla­gnol manda pelo Telegram ao juiz a peça “quase pronta”. A situação é completamente irregular. Em vez de se comunicarem de forma transparente pelos autos, juiz e procurador usam o Telegram. Como se não bastasse, o chefe da força-­tarefa ainda envia a Moro uma versão inacabada do trabalho para que o juiz possa adiantar a sentença.

Dentro da relação estabelecida pela dupla, chama atenção também o momento em que Dalla­gnol dá dicas ao “chefe” sobre argumentos para garantir uma prisão. Isso aconteceu em 17 de dezembro de 2015, quando Moro informa que precisa de manifestação do MPF no pedido de revogação da prisão preventiva de José Carlos Bumlai, pecuarista e amigo de Lula. “Ate amanhã meio dia”, escreve. Dalla­gnol garante que a ação será feita e acrescenta: “Seguem algumas decisões boas para mencionar quando precisar prender alguém…”. À luz do direito, é tão constrangedor quanto se Cristiano Zanin Martins fosse flagrado passando a Moro argumentos para embasar um habeas­-corpus a favor de Lula.

Mesmo entre parceiros com bastante afinidade há momentos de tensão (e que precisam ser resolvidos com uma conversa ao vivo). Em um deles, ocorrido em um chat de 17 de novembro de 2015, Moro dá um puxão de orelha em Dalla­gnol. O juiz reclama de que está difícil entender os motivos pelos quais o MPF recorreu da sentença aplicada aos delatores Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, Pedro José Barusco Filho, Mário Frederico Mendonça Góes e Júlio Gerin de Almeida Camargo. Dalla­gnol tenta se justificar, sem sucesso. “O mp está recorrendo da fundamentação, sem qualquer efeeito pratico”, critica o juiz. “Na minha opinião estao provocando confusão.” Para Moro, o efeito prático do recurso apresentado pelo MPF será “jogar para as calendas a existência execução das penas dos colaboradores”, ou seja, postergará o início do cumprimento da pena aplicada aos delatores citados. Mais uma vez, tudo fora dos autos. Dalla­gnol, resignado, pede um encontro com Moro para a manhã do dia seguinte: “25m seriam suficiente (sic)”.

Peças fundamentais na Lava-­Jato, as delações exigem também que o juiz se comporte de forma imparcial e somente após as negociações, conduzidas pelo MPF, pois ao fim do processo caberá a ele decidir se aceita ou não a oferta. Nesse capítulo, Moro cruzou igualmente a linha, a exemplo do caso do ex-deputado Eduardo Cunha. Na noite de 12 de junho de 2017, Ronaldo Queiroz, procurador da força-tarefa da Lava-Jato na PGR, cria um grupo no Telegram com Dalla­gnol para avisar que foi procurado pelo advogado de Cunha para iniciar uma negociação de delação premiada. Queiroz afirma que as revelações poderiam ser de interesse dos procuradores de Curitiba, Rio de Janeiro e Natal, onde corriam ações relacionadas ao político. Após membros do Rio de Janeiro serem incluídos no grupo, Queiroz posta uma mensagem que dá uma ideia de sua visão de mundo sobre a quantidade de honestos na Justiça e na política (uma visão de mundo compartilhada por muitos de seus colegas da Lava-Jato). Queiroz afirma esperar que Cunha entregue no Rio de Janeiro, pelo menos, um terço do Ministério Público estadual, 95% dos juízes do Tribunal da Justiça, 99% do Tribunal de Contas e 100% da Assem­bleia Legislativa.

No dia 5 de julho, durante o período da tarde, os procuradores concordam em marcar uma reunião com o advogado Délio Lins e Silva Júnior para a terça-­feira seguinte (11 de julho). Naquele mesmo dia, às 23h11, em uma conversa privada, Moro questiona Dalla­gnol sobre rumores de uma delação de Cunha. “Espero que não procedam”, diz. Dalla­gnol afirma que tudo não passa de rumores. Ele confirma ao juiz que está programado apenas um encontro com o advogado para que os procuradores tomem conhecimento dos anexos. “Acontecerá na próxima terça. estaremos presentes e acompanharemos tudo. Sempre que quiser, vou te colocando a par”, afirma. Moro, então, reitera seu posicionamento. “Agradeço se me manter (sic) informado. Sou contra, como sabe.” Detalhe: isso sem saber o conteúdo.

Como a proposta de delação atingia políticos com foro privilegiado, a palavra final para assinar um acordo de delação com Cunha passou para a PGR. A homologação competia ao ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava­-Jato no STF. O ex-deputado corria na época para fechar um acordo antes de o doleiro Lúcio Bolonha Funaro assinar os termos de sua delação. Os procuradores envolvidos nas negociações diziam que a dupla falava sobre os mesmos temas, o que tornaria desnecessária a aprovação das duas colaborações. No dia 28 de julho, já com os anexos de Cunha em mãos, Ronaldo Queiroz diz que a ideia é analisá-­los em conjunto com os colegas para tomar uma decisão sobre aceitar ou rejeitar a delação. Em 30 de julho, Queiroz diz que o material é fraco. No dia seguinte, uma mensagem do procurador Orlando SP, provavelmente Orlando Martello Júnior, traz o posicionamento de Curitiba — o mesmo de Moro: “Achamos que o acordo deve ser negado de imediato”.

O papel de líder da Lava-Jato em Curitiba é exercido em diversas oportunidades pelo ex-juiz. Em mais de uma ocasião, Moro aparece nos chats do Telegram interferindo na agenda dos procuradores da força-tarefa, outra atitude que gera a suspeição de qualquer magistrado. Em 7 de julho de 2015, por exemplo, um membro da força-tarefa, que a reportagem de VEJA identificou ser o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, escreve o seguinte: “Igor. O Russo (Moro) sugeriu a operação do professor para a semana do dia 20”. Igor (o delegado da Polícia Federal Igor Romário) responde: “Opa… beleza… Vou começar a me organizar”. De acordo com a apuração da revista, o “professor” era o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, da Eletronuclear. Ele acabou sendo preso no dia 28. Em outro episódio, Moro não apenas sugere uma data para a operação como também já fala em receber a denúncia. O caso em questão aparece em um diálogo ocorrido em 13 de outubro de 2015. Nele, o procurador Paulo Galvão, o PG, alerta Roberson Pozzobon, seu colega da força-­tarefa, sobre uma orientação do juiz. “Estava lembrando aqui que uma operação tem que sair no máximo até por volta de 13/11, em razão do recesso e do pedido do russo (Moro) para que a denúncia não saia na última semana”, escreve PG. “Após isso, vai ficar muito apertado para denunciar.” Pozzobon concorda com PG e acrescenta: “uma grande operação por volta desta data seria o ideal. Ainda é próximo da proclamação da república. rsrs”.

A partir de um levantamento das operações ocorridas em novembro e das denúncias oferecidas em dezembro de 2015, chega-se à conclusão de que o diálogo trata da Operação Passe Livre, que prendeu José Carlos Bumlai. Ele atuou como laranja do PT, intermediando um empréstimo de 12 milhões de reais do Banco Schahin ao partido em 2004. O pedido de Moro comentado na conversa entre PG e Pozzobon acabou cumprido à risca. Bumlai foi preso em 24 de novembro e denunciado em 14 de dezembro — na última semana antes do recesso da Justiça Federal do Paraná. No dia seguinte, Moro recebeu a denúncia, a tempo de impedir que os crimes prescrevessem no fim de 2015.

Dentro de uma visão simplista, a estratégia parece um golpe de mestre do juiz para não deixar um bandido escapar da Justiça. Mas o argumento de que os fins justificam os meios não pode prosperar numa sociedade desenvolvida. Tal postura de Moro viola o devido processo legal, pondo em risco o estado de direito. “Nesse caso, a sociedade pode aplaudir o juiz, por acreditar que ele está tentando ser justo. Mas ele está infringindo as leis do processo, que o impedem de imiscuir-se em uma das partes e colaborar com ela, e é uma das garantias para que todos sejam julgados da mesma forma”, afirma um juiz, que pediu para não ser identificado. “Imagine que todos os magistrados atuem da mesma forma, infringindo uma regra aqui e outra ali para alcançar seus objetivos. Um pode se aliar à defesa para soltar um criminoso; outro pode se aliar à acusação para perseguir um inimigo e, aí, o céu é o limite”, conclui.

Uma das obsessões de Moro envolvia manter os casos da Lava-Jato em seu poder em Curitiba, a exemplo dos processos de Lula do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. Nesse esforço, o magistrado mentiu a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) ou, na hipótese mais benigna, ocultou dele uma prova importante, conforme mostra um dos diálogos. A conversa em questão se refere ao caso de Flávio David Barra, preso em 28 de julho de 2015, quando presidia a AG Energia, do grupo Andrade Gutierrez. Sua detenção ocorreu na Operação Radioatividade, relacionada a pagamentos de propina feitos por empreiteiras, entre elas a Andrade Gutierrez, a Othon Luiz Pinheiro da Silva, da Eletronuclear, responsável pela construção da usina nuclear Angra 3. Em 25 de agosto, a defesa de Barra pede ao ministro do STF Teori Zavascki a suspensão do processo tocado pela 13ª Vara de Curitiba, alegando que Moro não tinha competência para julgar o caso por haver indício de envolvimento de parlamentares, entre eles o então senador Edison Lobão (MDB-MA).

Diante da reclamação, Zavascki cobra explicações de Moro, que diz não saber nada sobre o envolvimento de parlamentares. Mesmo assim, com base nas informações da defesa, o ministro do STF suspende em 2 de outubro as investigações, o que força o então juiz a remeter o caso de Curitiba para Brasília três dias depois. Seu comportamento perante Zavascki foi impróprio, como evidencia um diálogo registrado no Telegram dezoito dias depois entre o procurador Athayde Ribeiro Costa e a delegada Erika Marena, da Polícia Federal. Costa diz precisar com urgência de uma “planilha/agenda” apreendida com Barra que descreve pagamentos a diversos políticos. Marena responde que, por orientação de “russo” (Moro), não tinha tido pressa em “eprocar” a planilha (tradução: protocolar o documento no sistema eletrônico da Justiça). “Acabei esquecendo de eprocar”, disse. “Vou fazer isso logo”, completa.

Na pior das hipóteses, Moro já sabia da existência da planilha quando foi inquirido por Zavascki e mentiu ao ministro. Em um segundo possível cenário, igualmente comprometedor, Moro teria tomado conhecimento da planilha depois da inquirição de Zavascki e pediu à delegada para “não ter pressa” em protocolar o documento. Tudo indica que a manobra tinha como objetivo manter o caso em Curitiba. “Um juiz não pode ocultar provas, e, se o diálogo tiver a autenticidade comprovada, estamos diante de uma conduta bastante problemática”, afirma o advogado Gustavo Badaró, professor de processo penal da USP, que analisou a pedido de VEJA o episódio. Na primeira leva de mensagens divulgadas pelo Intercept no mês passado, Moro já aparecia reclamando de um delegado da PF que havia incluído rápido demais todos os elementos da investigação no sistema eletrônico, o que obrigaria o juiz a enviar parte do processo ao STF.

A relação entre Moro e Dalla­gnol era tão próxima que abre espaço para que eles comemorem nas conversas o sucesso de algumas etapas da Lava­-Jato, como se fossem companheiros de trabalho festejando metas alcançadas. Em 14 de dezembro de 2016, Dallagnol escreve ao parceiro para contar que a denúncia de Lula seria protocolada em breve, enquanto a de Sérgio Cabral já seria registrada no dia seguinte (o que de fato ocorreu). Moro responde com um emoticon de felicidade, ao lado da frase: “ um bom dia afinal”. A proximidade rendeu ainda lances curiosos. Em 9 de julho de 2015, Dallagnol saúda o colega: “bem vindo ao telegram!!”. Cinco meses depois, dá dicas ao juiz de como usar o programa no desktop, enviando no chat um link para o download. “Se puder me mandar no e-mail, agradeço. O tico e o teco da informática aqui não são muito espertos”, responde Moro. Em março de 2017, Dallagnol escreve ao juiz para tirar uma dúvida: ele assina o primeiro nome com ou sem acento? O motivo é que o procurador estava revisando um livro sobre Moro. “Não uso normalmente o acento”, responde o juiz. Em julho de 2018, Dallagnol atua como assessor de imprensa, perguntando a Eduardo El Hage, um colega do Ministério Público Federal no Rio, detalhes de um pedido de participação de Moro em um programa do canal fechado HBO: “Eles contataram o Moro aqui e ele queria ter o contexto e informações que possam ser úteis pra ele decidir se atende”. Em um dos períodos mais tensos da operação, o que se seguiu à ação do juiz que torna público o famoso trecho do grampo telefônico em que Dilma Rousseff envia o “Bessias” para entregar a Lula o termo de posse em seu ministério, Dallagnol combina em um dos chats com procuradores uma nota de apoio a Moro e repassa ao grupo uma sugestão do próprio juiz para o texto. Na mesma época, Moro também recebe um afago e conselho de um interlocutor no Telegram (tudo indica, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima). “O movimento seria nas sombras, como você mesmo disse”, escreve, referindo-se ao convite de Dilma para Lula. “O seu capital junto à população vai proteger durante um tempo. As coisas se transformam muito rápido.”

As conversas entre membros do Ministério Público Federal assumem várias vezes o tom de arquibancada, com os membros da força-tarefa vibrando e torcendo a cada lance da batalha contra os inimigos. Em 13 de julho de 2015, Dallagnol sai exultante de um encontro com o ministro Edson Fachin e comenta com os colegas de MPF: “Caros, conversei 45 m com o Fachin. Aha uhu o Fachin é nosso”. A preocupação da força-tarefa com a comunicação para a opinião pública era constante. Em 7 de maio de 2016, Moro comenta com Dalla­gnol que havia sido procurado pelo apresentador Fausto Silva. Segundo o relato do juiz, o apresentador o cumprimentou pelo trabalho na Lava-Jato, mas deu um conselho: “Ele disse que vcs nas entrevistas ou nas coletivas precisam usar uma linguagem mais simples. Para todo mundo entender. Para o povão. Disse que transmitiria o recado. Conselho de quem está a (sic) 28/anos na TV. Pensem nisso”. Procurado por VEJA, Fausto Silva confirmou o encontro e o teor da conversa entre ele e Moro.

Curiosidades dos bastidores à parte, o que vai definir mesmo o destino de Moro à luz das revelações dos chats são os trechos nos quais fica evidente seu papel duplo de juiz e assistente de acusação. A Lava-Jato foi assumidamente inspirada na Mani Pulite, a Mãos Limpas da Itália, que desbaratou um gigantesco esquema de corrupção na década de 90, resultando em 2 993 mandados de prisão nos dois primeiros anos de operação. No caso do sistema de Justiça do país europeu há a figura do magistrado que trabalha no Ministério Público — mas ele não atua nos julgamentos. A melhor explicação para o comportamento irregular do atual ministro é que ele tenha se inspirado nessa figura para pautar suas ações na Lava-Jato. “O Moro confundiu totalmente os papéis”, afirma o jurista Wálter Fanganiello Maiero­vitch. “O magistrado que investiga nunca é o que julga, nem na Itália nem em nenhuma outra democracia do planeta.”

No Brasil, o papel duplo do juiz viola o artigo 254 do Código de Processo Penal, que proíbe que o magistrado aconselhe uma das partes ou tenha interesse em favor da acusação ou da defesa. Essa atuação pode, de fato, provocar a revisão de atos de Moro. No caso da condenação de Lula, por exemplo, o STF adiou a discussão para agosto. Será uma decisão complexa e delicada para a Suprema Corte. Ali, mesmo que alguns ministros já tenham criticado excessos da Lava-Jato, é difícil qualquer prognóstico. Um dado, porém, é certo. Fiscalizar o que Moro fez enquanto juiz não significa pôr em risco os avanços contra a corrupção no Brasil, como sugerem as manifestações recentes nas ruas das cidades do país. A sociedade brasileira não vai abrir mão do processo que resultou, pela primeira vez na história, na prisão de políticos e empresários poderosos.

Embora as conversas mostrem que Moro cometeu infrações, os crimes punidos ao longo da Lava-Jato gozam de vasta coleção de provas materiais e orais. A maioria esmagadora das sentenças, aliás, acabou confirmada em outras instâncias da Justiça. Graças ao esforço dos procuradores de Curitiba, descobriu-se também o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, desenvolvido exclusivamente para administrar o pagamento de propinas efetuado pela empresa no Brasil e no exterior. O resultado prático e sua importância são incontestes. Diversos políticos que se locupletaram nos últimos anos ainda estão presos. Entre eles, Lula, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha… O próprio Lula, mesmo que a suspeição de Moro seja confirmada, pode permanecer preso. Ele já foi condenado em primeira instância pelo sítio em Atibaia, sentença proferida pela juíza Gabriela Hardt, e o caso aguarda apenas a decisão do TRF4 (provavelmente favorável à sua condenação). Portanto, não se trata aqui de uma defesa do Lula Livre nem de estar contra a Lava-Jato. Mas, sim, do direito inexorável que todos os cidadãos têm de um julgamento justo.

Na terça 2, Moro (que, por sinal, não faz mais parte da Lava-Jato) ficou sete horas no Congresso respondendo a parlamentares sobre o caso. Repetiu o que tem dito nas últimas semanas: os diálogos divulgados foram fruto de um roubo, podem ter sido editados e, mesmo verdadeiros, não apontam nenhum tipo de desvio. A cada nova revelação, fica mais difícil sustentar esse discurso. Na sentença em que condenou Lula, o ex­-juiz anotou que “não importa quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”. A frase cabe agora perfeitamente em sua situação atual. Levado ao Ministério da Justiça para funcionar como uma espécie de esteio moral da gestão Bolsonaro, ele ainda goza de grande popularidade, mas hoje depende do apoio do presidente para se manter no cargo. Independentemente do seu destino, o caso dos diálogos vazados representa uma oportunidade para que o país discuta os excessos da Justiça e o fortalecimento dos direitos do cidadão. Um país onde as instituições funcionam não precisa de nenhum Super-Homem.

Nota da redação: procurados por VEJA, Deltan Dalla­gnol e Sergio Moro não quiseram receber a reportagem. Ambos gostariam que os arquivos fossem enviados a eles de forma virtual, mas, alegando compromissos de agenda, recusaram-se a recebê-­los pessoalmente, uma condição estabelecida por VEJA. Mesmo sem saber o conteúdo das mensagens, a assessoria do Ministério da Justiça enviou a seguinte nota: “A revista Veja se recusou a enviar previamente as informações publicadas na reportagem, não sendo possível manifestação a respeito do assunto tratado. Mesmo assim, cabe ressaltar que o ministro da Justiça e Segurança Pública não reconhece a autenticidade de supostas mensagens obtidas por meios criminosos, que podem ter sido adulteradas total ou parcialmente e que configuram violação da privacidade de agentes da lei com o objetivo de anular condenações criminais e impedir novas investigações. Reitera-­se que o ministro sempre pautou sua atuação pela legalidade”.

Colaboraram Leandro Demori, Victor Pougy, Nonato Viegas e Bruna de Lar

Com informações do 247

#BlogueDoSouza - Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos.



Globo e Moro iniciaram uma guerra civil no Brasil

4 de Julho de 2019, 7:49, por #BlogueDoSouza


A Lava-Jato foi uma farsa criada nos EUA para criminalizar a esquerda, prender Lula, quebrar a economia nacional e levar a eleição de um presidente entreguista e de extrema-direita. Trabalharam nessa operação, além dos EUA, parte substancial do Judiciário brasileiro e a Rede Globo, diz o historiador Carlos d'Incao

Não há mais o que se debater sobre os vazamentos da Lava-Jato. Aquilo que começou em 2014 como rumor, tornou-se suspeita em 2015, mudou para convicção em 2016, virou lógica dedutiva em 2017, evoluiu para o bom-senso em 2018 até, enfim, se concretizar em provas materiais e irrefutáveis em 2019.

A Lava-Jato foi uma farsa criada nos EUA para criminalizar a esquerda, prender Lula, quebrar a economia nacional e levar a eleição de um presidente entreguista e de extrema-direita. Trabalharam nessa operação, além dos EUA, parte substancial do Judiciário brasileiro e a Rede Globo.

A partir da revelação da verdade, encontramos o que está em jogo no Brasil sob o ponto de vista conceitual: a República, a Democracia e a Constituição.

Quem defende a Lava-Jato não quer a existência de instituições republicanas, refutam a democracia e querem rasgar a Constituição. Quem defende a anulação desse processo farsesco e a apuração das responsabilidades civis e criminais até as últimas consequências são os republicanos, os democratas e os constitucionalistas.

Sérgio Moro quis ser a estrela desse espetáculo nefasto e ao ser acuado com a verdade resolveu dobrar a aposta. Não fez isso sozinho. Ao lado dele está a Rede Globo, a irmã siamesa da manipulação das massas, do entreguismo e da ditadura militar.

Moro age, como pessoa física, defendendo os seus próprios interesses políticos que resultam justamente na destruição da democracia. A Rede Globo age, como pessoa jurídica, a favor dos interesses do mercado que quer - a qualquer custo - aprovar a Reforma da Previdência.

Sob os escombros de tudo o que ocorreu desde 2013 encontramos um país que não conseguirá nunca mais se reconciliar. Os apoiadores do atual governo possuem um ódio visceral de todos aqueles que defendem a República, a Democracia e a Constituição. A recíproca é verdadeira aos opositores de Moro, Bolsonaro et caterva. O país que estava em ebulição evoluiu, a partir da Vaza-Jato, em uma nação em estado de guerra civil.

Os últimos dois degraus a este estágio decisivo em nossa História coube ao Moro e sua arrogância e a Globo em sua soberba em continuar a desprezar a verdade, ainda que escancarada em suas portas.

Em épocas de guerra civil as vias institucionais servem apenas ao lado que está vencendo a guerra. E quem está vencendo nesse momento - não tenhamos dúvidas - é a extrema-direita. Por essa razão é que assistimos o STF se auto negar como instituição, o Congresso e o Senado acelerar a Reforma da Previdência e um presidente que se basta assistindo jogo da seleção e debatendo sobre a possível mudança da tomada de três pinos.

O tempo sempre joga a favor de quem está ganhando. Haveria outra razão de o STF, em pleno escândalo dos vazamentos, adiar o mérito da suspeição de Moro no processo contra Lula, para depois do recesso? Do outro lado, outros processos contra Lula vão de vento em popa... inclusive o infame processo do Sítio de Atibaia...

Esqueçam. A extrema-direita está no comando e ela não vai deixar Lula ficar livre. Resta a Lula apenas a esperança de ser libertado. E aqui temos uma questão semântica importante. Ficar livre significa ter a proeza de sair vitorioso em um processo judicial moroso e viciado. Ser libertado significa justamente romper o processo judicial pela força e nas ruas.

A grande problemática dessa guerra civil é que não temos setores autóctones que poderão vir a se tornar beneficiados pela vitória da direita, ou seja, a direita vence e o Brasil acaba.

A defesa do Brasil e de sua soberania está em jogo, isso sempre soubemos. Porém, a falta de clareza das lideranças políticas progressistas e sua torpe esperança de que “caso sejamos comportados os donos do poder nos permitirão voltar a governar” envenenam a luta política e pode levar o país e os movimentos sociais a um processo de profunda crise de esperança e

A morte da esperança e da perspectiva é a ante-sala da vitória da direita. Urge a necessidade da radical defesa do Estado de Direito e da denúncia forte e beligerante contra a direita e os seus entreguistas. A esquerda não pode mais gritar em falsete no parlamento. A voz tem que ser forte o suficiente para levantar as ruas.

O tempo é de guerra. Saber disso é fundamental. Devemos lembrar, inclusive daqueles que souberam do seu significado. E não precisamos de tanto. São Tomás de Aquino afirmou em suas "Confissões” que “em uma fortaleza assediada, qualquer dissidência é traição”. E a traição hoje é não partir para a guerra, pelo Brasil, pela República, pela Democracia e pela Constituição.

Carlos D'Incão no 247
#BlogueDoSouza - Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos.



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