A gravidade da situação expõe a vulnerabilidade da infraestrutura urbana e rural baiana. Em cidades como Vitória da Conquista e Guanambi, onde a expansão urbana avançou sem planejamento adequado, moradores convivem com o risco de enxurradas que transformam ruas em rios e casas em armadilhas. A previsão de chuvas intensas não é apenas um fenômeno climático, mas um retrato da falta de investimento em drenagem e prevenção. O alerta vermelho, que indica acumulado de chuva perigoso, escancara a ausência de políticas públicas capazes de proteger comunidades inteiras.
Enquanto autoridades pedem que a população evite áreas de risco, a realidade é que milhares de famílias não têm alternativa. Em Itamaraju e Eunápolis, por exemplo, bairros inteiros estão em encostas frágeis e margens de rios que já transbordaram em anos anteriores. A repetição do drama mostra que o problema não é a chuva, mas a negligência histórica. O Inmet alerta para volumes de até 60 milímetros por hora, o que pode provocar desastres em minutos, deixando claro que o perigo é imediato e exige resposta urgente.
A população, por sua vez, reage com solidariedade e organização comunitária. Em Caetité e Luís Eduardo Magalhães, grupos de moradores já montam pontos de apoio improvisados para receber famílias desalojadas. A luta cotidiana contra a força da natureza se soma à resistência contra a indiferença estatal. O que deveria ser apenas um alerta meteorológico transformou-se em denúncia social, a tempestade não é só climática, é política.
