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Brasil: A cultura do ódio precisa acabar

19 de Março de 2015, 5:41 , por Emerson Sachio Saito - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Não é de hoje, mas pelos acontecimentos mais recentes que acontecem no nosso país, que constato que temos em nós e talvez até na humanidade uma tendência cultural ao ódio. Já vi dezenas de vídeos na internet que mostram como é a reação e convivência de crianças de pouca idade, que dificulmente demonstram atitudes egoístas ...

Não é de hoje, mas pelos acontecimentos mais recentes que acontecem no nosso país, que constato que temos em nós e talvez até na humanidade uma tendência cultural ao ódio.

Já vi dezenas de vídeos na internet que mostram como é a reação e convivência de crianças de pouca idade, que dificulmente demonstram atitudes egoístas ou odiosas. O que talvez prove que não é de nossa natureza, mas algo aprendemos com o meio em que vivemos, ou seja é uma cultura.

Por isso vejo essa cultura do ódio em nosso país. Somos conhecidos em boa parte do mundo como cordiais e o país do futebol. Bom vamos começar falando de futebol então. É mais que conhecido que uma boa parte da população brasileira gosta de futebol e alguns de nós são apaixonados por seus times. Mas também é sabido por nós que é justamente no fubetol que o ódio tem prevalecido à paixão. Como é comum vermos nos noticiários que torcedores de times rivais entram em conflito sem qualquer motivo aparente. Ninguém se conhece mas se odeia. As vezes é pior, já se conheciam mas por causa do resultado de um jogo ou um campeonato, perdem a amizade. Isso há um tempo atrás, infelizmente não vivi esse tempo, dizem que não era assim e que as torcidas além de se respeitarem cultivavam amizade. Antes o que era "tiração de sarro" hoje chega em muitos casos à ofensa pessoal e violência física.

Na religião também está começando a ficar assim no Brasil, se a pessoa não é da daquela crença (cristão, judeu, mulçumano, candomblé, etc) ou até mesmo da daquela corrente (católico, evangélico, moderado, xiita, etc) é passível de ódio por parte do outro. Também já fomos mais tolerantes com isso.

Por fim chegamos à política, começamos com esquerda X direita, vamos para partido X partido e até candidato X candidato. O debate que antes eram de idéias e propostas é um ring de acusações. Não que não devem haver denúncias, mas isso não deve ser o motivo para incitar o ódio.

O que pode ser visto em imagens e vídeos das manifestações, e sem entrar em mérito de qual tinha mais ou menos, sempre aparecem as mais evidentes declarações ou incitações ao ódio.  O que era para ser pedidos de mudanças e melhorias, virou rixa. Como se cada um na sua bolha, não é afetado pelo atitude do outro.

O tal mundo virtual tem piorado tudo, hoje em dia as pessoas escrevem em suas redes sociais como se estivessem cantando no banheiro, como se não houvessem pessoas lendo aquilo que poderiam se incomodar ou se ofender. Bom, tem casos em que cantar no banheiro também incomoda algum vizinho. Mas no virtual as pessoas não se limitam em nada. Agridem, ofendem de forma totalmente gratuíta. Já ouvi e li dizerem que o virutal é como a bebida para alguns, pois libera aquilo que está "escondido" nas pessoas. Não sei se é isso, talvez seja a necessidade por seguir uma onda, se sentir incluído em algum grupo.

O que agrava a situação, é que o que era antes atitude dos seguidores (tanto no futebol, religião e politica) está sendo tomado por seus líderes. Antes eram os primeiros que recomendavam o não enfrentamento, hoje alguns são os que incentivam.

Meu receio é que esse ódio "virtual" todo passe para o mundo "real", que vá para as ruas. No futebol já está se tornando comum.

Se continuarmos assim, vamos chegar ao ponto de não nos suportaremos mais uns aos outros. Pois em algum ponto teremos uma opinião diferente do outro.

Esse ódio tem se tornado genérico, pois se não torce pelo mesmo time, não segue a mesma religião ou não vota nos mesmos candidatos é suficiente para ser odiado.

Não imagino um mundo perfeito, pois sempre haverão aqueles que são mesmo totalmente incompatíveis, mas não é preciso se odiar tanto. Precisamos de um pouco mais de tolerância. Teremos nossas rivalidades, e algumas vezes as inimizades por motivos claros.

Não é questão de saber perder ou ganhar, pois invariavelmente ou em pouquissimas situações há perderes ou ganhadores. No fubetol quem ganha ou perde é o time não torcedor. Na política quem ganha ou perde são os políticos não os eleitores. Na religião você não é melhor ou pior que o outro, só tem uma consciência diferente do que chamamos de mundo espiritual. E se misturamos tudo então, fica pior ainda.

Estamos desfazendo amizades, estamos dividindo familias.

Temos que torcer, buscar nossos direito, temos que protestar contra ou a favor. Mas temos que relembrar que precisamos nos tolerar. Acabar com um time, acabar com uma religião, ou acabar com um partido ou político, não irá melhorar nosso mundo em nada. Não é começo nem o fim de coisa alguma. E acabar com tudo também não é solução.

Há problemas no futebol, há problemas nas religiões, há problemas na política, principalmente. O que podemos fazer juntos, além nos matarmos, que irá mudar isso?

Precisamos, como diz o ditado, separar o joio do trigo. É muito fácil jogar a caixa fora do que tentar achar achar a maça podre, principalmente quando a caixa é grande.

 


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