A celebração da Epifania transcende o evento histórico para revelar uma dinâmica fundamental da condição humana: a busca. Os Magos, movidos não por uma fé instituída, mas pela inquietação da razão e pelo anseio do mistério (simbolizados na ciência da astrologia e na coragem da travessia), personificam a aspiração universal por sentido. Sua jornada longínqua até um recém-nascido numa periferia obscura do império subverte todas as lógicas de poder e sabedoria convencionais.
A verdadeira epifania, portanto, não está apenas na manifestação do divino à humanidade, mas na revelação de que o Divino se encontra precisamente onde a arrogância do saber estabelecido não pensaria em procurar:
na fragilidade, na simplicidade e na acolhida ao estrangeiro.
A adoração dos Magos afirma que o encontro com o transcendente é sempre um ato de humilde deslocamento, uma peregrinação que exige deixar para trás os mapas conhecidos para seguir a luz incerta de um presságio.
A verdadeira jornada dos Reis Magos não foi atravessar desertos, mas atravessar a si mesmos, trocando as certezas de suas ciências pela humildade de adorar um mistério envolto em panos.
Sérgio de Oliveira