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A Seletividade Midiática no Escândalo do Banco Master: Narrativas Desconexas e Estratégia Política golpista

Gennaio 27, 2026 15:28 , by Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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No turbulento cenário político brasileiro, o escândalo envolvendo o Banco Master, liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, tem se transformado em um verdadeiro campo minado de acusações, conexões e narrativas que parecem mais interessadas em pontuar gols ideológicos do que em esclarecer fatos. Vorcaro, preso pela Polícia Federal em novembro de 2025 sob suspeita de fraudes bilionárias, pirâmides financeiras e lavagem de dinheiro, construiu uma rede de influência que abrange tanto a esquerda quanto a direita política.

No entanto, partes da grande mídia – como Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, assim como como o ICL e algumas outras mídias ditas “alternativas”, parecem ter unificado esforços para direcionar os holofotes quase exclusivamente para figuras ligadas ao governo Lula, criando uma narrativa que conecta pontos desconexos para atingir o Presidente Lula diretamente. Tomemos o caso do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski como exemplo.

Reportagens recentes revelam que o escritório de advocacia dirigido por sua esposa e filho prestou serviços de consultoria ao Banco Master, recebendo pagamentos que totalizaram milhões de reais. Esses contratos teriam sido firmados antes de Lewandowski assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), mas prosseguiram até agosto de 2025 conforme contrato estabelecido.

A mídia tem enfatizado que esses pagamentos ocorreram “enquanto ele era ministro”, insinuando um conflito de interesses ou algo pior, mesmo sem evidências diretas de irregularidades por parte de Lewandowski.

Essa abordagem ecoa a lógica aplicada anteriormente à esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, cujo contrato com o banco também gerou manchetes sensacionalistas, mas que rapidamente sumiram das pautas assim que o foco se deslocou.

Essa seletividade não para por aí. Uma reunião ocorrida em dezembro de 2024 entre o presidente Lula, Vorcaro e o diretor do Banco Central Gabriel Galípolo – articulada pelo ex-ministro Guido Mantega, que recebia honorários do Master – tem sido explorada como se fosse uma prova cabal de interferência presidencial em assuntos regulatórios.

Fontes próximas ao Planalto afirmam que Lula rechaçou qualquer discussão sobre bancos, reiterando que o tema é de competência exclusiva do Banco Central. No entanto, a narrativa midiática transforma esse encontro em um elo suspeito com o “golpe do Master”, ignorando o contexto de que Vorcaro cultivava relações ecumênicas em Brasília, incluindo com opositores do governo.

Da mesma forma, tentativas de ligar o ministro do STF Dias Toffoli ao escândalo – via relações familiares distantes com sócios do banco ou supostas viagens em jatinhos – ganharam tração inicial, mas foram abandonadas quando se percebeu que Toffoli, apesar de suas decisões controversas como impor sigilo ao inquérito e transferi-lo para o STF, está distante do círculo lulista atual.

Hoje, o foco recai sobre Lewandowski precisamente por sua proximidade com Lula, pintando-o como o “vilão da vez” em uma operação que visa desgastar o governo. Como bem observado pelo analista Arnobio Rocha, “o alvo é Lula!”, e essa estratégia midiática parece calculada para amplificar qualquer conexão remota, enquanto minimiza ou ignora ligações com figuras da extrema-direita.

De fato, uma análise mais equilibrada revela que o Banco Master não discriminava ideologias em suas redes de influência. Nomes como Roberto Campos Neto (presidente do Banco Central), Ciro Nogueira (ex-ministro de Bolsonaro), Antônio Rueda (advogado ligado a círculos conservadores), Davi Alcolumbre (presidente do Senado), Cláudio Castro (governador do RJ), Tarcísio de Freitas (governador de SP), Nicolas Ferreira (deputado federal) e André Valadão (pastor evangélico) aparecem em relatos como beneficiários ou associados ao banco, seja por patrocínios, consultorias ou eventos.

Esses indivíduos, muitos alinhados à oposição bolsonarista, recebem pouca ou nenhuma atenção nas manchetes principais. Por quê?

Seria porque não servem à narrativa de um suposto “governo Lula corrupto”, ou porque o escândalo, em sua essência, expõe uma promiscuidade sistêmica entre o setor financeiro e a elite política brasileira, independentemente de partido?

Essa discrepância, mostra questões graves sobre o papel da mídia em uma democracia. Nada diferente das coberturas cinematográficas de cada ação da Criminosa Lava Jato

Enquanto veículos tradicionais unem forças para “unificar os ataques” ao Planalto – como diz Arnóbio Rocha –, o debate público sofre com a polarização interna no campo progressista, onde críticas ao governo se misturam a defesas apaixonadas, enfraquecendo a capacidade de resposta coletiva.

Em vez de fomentar investigações imparciais, essa cobertura seletiva alimenta teorias da conspiração e erode a confiança nas instituições. No fim das contas, o escândalo do Banco Master não é apenas sobre um rombo de R$ 12 bilhões ou fraudes no sistema financeiro; é um espelho da fragilidade institucional brasileira.

Para além das narrativas desconexas – como ligar reuniões rotineiras ou relações familiares antigas a um “golpe” orquestrado –, precisamos de transparência total. Que a Polícia Federal, o STF e o Banco Central prossigam com rigor, sem interferências, e que a mídia assuma sua responsabilidade de reportar todos os lados, não apenas os que vendem mais cliques ou atendem a agendas partidárias.

Do contrário, o verdadeiro “crime” será o enfraquecimento da democracia em nome de uma guerra ideológica sem fim.


Source: https://luizmuller.com/2026/01/27/a-seletividade-midiatica-no-escandalo-do-banco-master-narrativas-desconexas-e-estrategia-politica-golpista/

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