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Luiz Muller Blog

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Cara típica do evangélico brasileiro é feminina e negra, aponta Datafolha

13 de Janeiro de 2020, 10:16 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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Da Folha de São Paulo

De Edir Macedo a Silas Malafaia,  os rostos mais conhecidos do movimento evangélico podem até ser  masculinos, e o mais comum é encontrar um pregador homem nos cultos.Já nas filas para pedir bênção e entregar o dízimo são as mulheres que prevalecem neste que é o segundo maior bloco religioso do Brasil, com 31% da população.Elas respondem por 58% desse naco religioso, seis pontos acima da  parcela feminina do país (52%), segundo pesquisa Datafolha feita nos  dias 5 e 6 de dezembro do ano passado, com 2.948 entrevistados em  176 municípios de todo o país. A margem de erro é de dois pontos  percentuais, para mais ou para menos.Entre as congregações neopentecostais, aba evangélica que contempla igrejas como a Universal do Reino de Deus e a Renascer em Cristo, a participação do mulherio chega a 69%.A ala feminina nos templos evangélicos fica ainda mais evidente se  comparada com o catolicismo —ainda a maior crença nacional, embora em  processo contínuo de retração (preferência de 90% nos anos 1980 e 50%  hoje).Entre adeptos dessa fé, mulheres são 51%, e homens, 49%. Compatível,  portanto, com a representação dos dois gêneros na sociedade. O universo evangélico é mais negro do que o católico. Somados, os que  se declaram pretos ou pardos são 59% no primeiro grupo e 55% no  segundo. Já os brancos, no catolicismo, são 36%, contra 30% do outro  grande front cristão.A porção de jovens crentes, como o grupo se autodenomina, é de 19% e  pareia com a média nacional, 18%. Já os católicos nessa faixa etária (16  a 24 anos) são mais escassos, 13%.Quanto mais velho for, maior a chance de preferir o papa a um pastor:  25% da turma com 60 anos ou mais segue a linha do Vaticano, e 16%, a  evangélica.As rendas familiares não diferem tanto assim entre um filão religioso  e outro. Quase metade dos dois blocos ganha até dois salários mínimos, e  2% de cada um deles dizem viver com mais de 10 salários mínimos.É no Norte que essa onda evangélica vem desaguando com mais força.  Empatado com o Centro-Oeste como área menos povoada do país, com 8% dos  brasileiros cada uma, a região tem a maior proporção de fiéis (39%). O  Nordeste tem a menor (27%).A diarista Paula Melo, 23, agrega vários traços do típico crente  brasileiro. Saindo do culto de sábado de uma Assembleia de Deus em  Belém, essa paraense parda, que cobra R$ 100 por oito horas “passando  roupa de patroa”, mostra orgulhosa sua roupa. Usa um vestido longo de estampa florida, “coisa fina”, presente de  uma mulher que a contrata para desamarrotar robes de seda e vestidos de  festa. Filha de católicos, Paula e as duas irmãs migraram todas para  igrejas evangélicas. “Se você não é do mundão [gosta de beber] e é jovem, é o melhor lugar  para conhecer um abençoado”, diz, valendo-se de uma gíria para  possíveis pretendentes. Não é só o dinamismo da pregação, que Paula acha mais divertida do  que a missa que seus pais a levavam quando criança, que a atrai. Quando o  orçamento aperta, é do pastor que recebe uma cesta básica para ter o  que dar de comer para o filho bebê, diz.Alcançar não só capitais, mas também áreas mais isoladas do Norte,  cujo acesso de barco pode demorar dias, virou um trunfo dos evangélicos  na região.Um vídeo exibido num culto de novembro na chamada Igreja Mãe (a  pioneira no Brasil) da Assembleia de Deus exemplifica bem essa relação. Um garoto com regata onde se lê “live to surf” (viver para surfar)  fala em como é bom servir a Jesus após ser batizado no rio de uma  comunidade ribeirinha. A produção mostra, em seguida, um bebê com os braços para cima, numa  posição que lembra a de uma oração. Todos os entrevistados agradecem  pelo que os missionários lhes levaram: comida, atendimento médico e até  casas novas.O pastor Honório Pinto comemora: com a ação filantrópica, “mais de  90% dos moradores daquela comunidade nós ganhamos para Jesus”.Mesmo formando a maioria dos evangélicos, “boa parte das mulheres e  dos negros mantém opiniões divergentes das que predominam nas igrejas”,  aponta Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha. “São os segmentos mais  críticos ao governo Bolsonaro, que tem apoio explícito dos bispos. Para  muitos evangélicos, especialmente os mais pobres, a realidade violenta e  carente das periferias se sobrepõe às possíveis orientações políticas  dos cultos.”Nessa batalha por corações e mentes, não é de se espantar que  evangélicos locais venham levando a melhor sobre católicos.  “Historicamente, o Norte dispõe de pequena presença do clero católico,  problema crônico da Igreja que se estende, em menor grau, para outras  regiões”, diz o sociólogo Ricardo Mariano, professor da USP que estuda o  nicho religioso.Não à toa, o Sínodo da Amazônia,  realizado no Vaticano em 2019, discutiu a ordenação de homens casados  (incluindo indígenas) como padres e de mulheres como diaconisas em  regiões isoladas, lembra Mariano. É preciso gente para dar conta do  recado, e a Igreja Católica está falhando nisso.”Como fronteira agrícola, mineral e migratória, a região constitui  terreno fértil para a prédica pentecostal, é o berço das Assembleias de  Deus, alvo de missionários que atuam entre povos ribeirinhos e aldeias  indígenas e da ação de diversas igrejas que aproveitaram a difusão dos  meios de comunicação e das redes sociais para incrementar seu ativismo  religioso.”Foi na capital paraense, em 1911, que a primeira das Assembleias  nasceu, fruto do esforço de dois missionários suecos —que estavam nos  EUA quando um membro da igreja deles teria recebido uma revelação divina  de que deveriam pregar no Pará. Não faziam ideia de onde raios ficava isso. Descobriram em livros e  viajaram de Nova York até Belém na terceira classe do navio Saint  Clement, em 1910.No ano seguinte, plantariam as raízes da Assembleia de Deus, hoje a  maior das congregações evangélicas do Brasil. Na época, conforme relatos  de missionários à época, encararam a fúria de uma sociedade quase 100%  católica.Os primeiros batismos eram feitos em segredo, perto da meia-noite.  Até o dia em que anunciaram um evento público à beira do rio. “Vieram várias centenas de homens e pensavam que, com violência,  poderiam impedir o ato sagrado. O líder veio à frente carregando uma  cruz. Os poucos crentes que estavam reunidos compreenderam o perigo e  temeram que sangue fosse derramado”, rememora o diário “Entre Crentes  Pentecostais e Santos Abandonados na América do Sul”, do sueco A.P.  Franklin. Ao ver o líder do protesto sacar um punhal, Gunnar Vingren  (1879-1933), um dos fundadores da Assembleia brasileira, teria dito:  “Faço somente o que Jesus quer!”. E continuou a batizar paraenses, aos  gritos de “miseráveis, comidas de tigres, matem!”. Mais de um século depois, o pastor Samuel Câmara, atual líder desse  primeiro templo assembleiano, afirma que parte do êxito evangélico no  Norte tem origem social, claro, mas também divina. “Deus sempre olha  para aqueles mais desfavorecidos, isolados. Esse tipo de gente é mais  sensível às coisas de Deus.”Antes de ir embora, a diarista Paula tira de uma bolsinha de pano  rosa R$ 30 para o dízimo. “O que mais tenho é amigo gastando o dobro  disso em cachaça, cerveja. Sou mais Jesus.”

Comentário do Blogueiro:

Notem na matéria uma forma de arregimentação social que deveria ser repensada pela esquerda: Aquilo que a Classe Trabalhadora organizou antes dos Sindicatos existirem, as associações e sociedades de auxilio mútuo e Socorro material e econômico são evidentes aí, mas no caso dos Evangélicos, o “pastor consegue dinheiro quando falta, dá a casa própria em ações “de solidariedade” entre irmãos, que na verdade são financiados pelo Estado, etc…Sem falar que entre os irmãos,conseguem emprego para quem não o tem mais acessível no restante da sociedade.

O que cabe a esquerda, é construir um Programa capaz de dar conta daquilo que é terreno e material, para que a Igreja volte a seu papel e seja tirado pelos seus próprios do campo da política.

As primeiras formas de organização foram as sociedades de auxílio-mútuo e de socorro, que objetivavam auxiliar materialmente os operários em períodos mais difíceis. Em seguida, são criadas as Uniões Operárias, que com o advento da indústria passam a se organizar de acordo com seus diferentes ramos de atividade. Surgia assim o movimento sindical no Brasil.

Não se trata de voltar ao passado, mas de entender que todas as conquistas de décadas já foram destruídas com as Reformas Trabalhista e Previdenciária, e outras ainda o serão. Por isto é necessário aprender com o passado e reescrever o programa pautado pela Revolução Tecnológica que já vivemos e a que ainda vamos viver.


Fonte: https://luizmuller.com/2020/01/13/cara-tipica-do-evangelico-brasileiro-e-feminina-e-negra-aponta-datafolha/

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