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Crise do Estado e estado da crise (Por Adão Villaverde)

12 de Julho de 2019, 11:02 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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“Num país com períodos democráticos tênues, os movimentos de junho de 2013, aproveitaram  impasses e abriram as comportas”

Por Adão Villaverde, professor, engenheiro, ex-presidente da AL/RS e ex-secretário de Estado 

Fabrizio Motta / Agencia RBSHá sinais alvissareiros, em bases à construção de consensos e identidades comuns, capazes de recompor e reparar o Estado Democrático e ter um projeto de Nação soberanaFabrizio Motta / Agencia RBS

A crise de representação vem do colapso do modelo de Estado moderno e é, portanto, estrutural. Dela também derivam os limites das experiências nacionais.

De outro lado, a incapacidade de concebermos um projeto de desenvolvimento para o país, desde o final do século passado, somado a ela, produziu instabilidades e incompreensões, que afetaram as poucas inciativas que houve. Exemplo mais próximo é o da “era Lula“, que ficou nos marcos da inclusão, que não é menor para nossa desigualdade, mas que foi amplificado também porque não foram realizadas as reformas estruturantes, fundamentais para o financiamento das necessárias políticas públicas.

E num país com períodos democráticos tênues, os movimentos de junho de 2013 aproveitaram estes impasses e abriram as comportas. Naturalizando a quebra do “pacto pela redemocratização”, costurado a duras penas no final do ciclo autoritário, pelas “Diretas Já” e a Constituinte de 88, conforme recente entrevista do ex-ministro Jobim.

E na onda regressiva o patrimonialismo e a corrupção, que são problemas sim do país, passaram a ser enfrentados da pior maneira. De um lado, a quebra do Estado democrático de direito constitucional, de outro, a quase eliminação política da esquerda democrática e dos setores liberais progressistas. Para o mergulho numa experiência já fracassada, que aprofunda o estado da crise.

Que conflita até em temas consensuais, como pesquisa e educação, aquilo que Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos, França, Coreia, Israel e muitos outros realizaram e os catapultou para posição de vanguarda mundial na sociedade do conhecimento.

Mas há sinais alvissareiros, em bases à construção de consensos e identidades comuns, capazes de recompor e reparar o Estado democrático e ter um projeto de nação soberana. Que não necessite renunciar posições, mas respeitar o pluralismo e a diversidade.

E as divergências, não sejam tratadas como um problema, podendo tornar-se sim, quando não se sabe enfrentá-las.


Fonte: https://luizmuller.com/2019/07/12/crise-do-estado-e-estado-da-crise-por-adao-villaverde/

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