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Didático: Uma foto que mostra o que é a “uberização” do trabalho

4 de Outubro de 2019, 14:20 , por Luíz Müller Blog - | No one following this article yet.
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Tá achando que motorista do Uber é “empresário” ou o guri de bicicleta leva comida nas costas é “empreendedor”? A foto mostra o que significa o uso das tecnologias para aumentar a exploração sobre o povo.

Fotografia urbana de Buenos Aires, sob o governo neoliberal de Mauricio Macri. Desemprego de 20% da mão de obra ativa, PIB minguante. Sub-ocupação, miséria disseminada e horizontal.

Ou alguém acha mesmo que esta mulher, cuja foto captei facebook do amigo Cristovão Feil é “empreendora”? Segue o comentário dele:

O caos e para além do caos.

Na foto, um instantâneo que flagra a uberização do trabalho, ou seja, a incessante busca do capital por incentivar (via novas tecnologias) que a mais-valia relativa passe a se constituir em mais-valia absoluta, também conhecido como aumento da produtividade do trabalho assalariado.

Para tanto, é necessário derrubar direitos e conquistas dos próprios assalariados.

A moça da fotografia, mãe e trabalhadora, hoje é chamada cinicamente de “empreendedora”, alguém que se vira como pode, sem direito a nenhuma garantia social ou previdenciária, e tendo que andar com o filho na forma precaríssima de seu instrumento de trabalho.

A barbárie já habita o nosso meio.

O extremo da exploração esta aí. O Estado “mínimo” neo liberal não oferece nem creche e nem escolas infantis. E com as novas tecnologias, o neo liberalismo resolveu apostar na desregulamentação do mundo do trabalho, jogando os trabalhadores a disputarem entre si enquanto os donos do Capital Financeiro e das tecnologias investem na exploração absoluta, jamais vista desde a origem do capitalismo.

A mulher tendo que trabalhar num trabalho precário, sem direito nenhum e tendo que carregar sua criança, por que nem isto mais se lhe oferece o Estado. Enquanto isto aumenta o lucro dos Bancos e de empresas sem nenhum grande “ativo”(bens físicos com valor).

É a escravidão moderna…e consentida, por que ideologicamente estas pessoas exploradas não se identificam como trabalhadoras, mas como supostas “empresarias”, que dependendo do seu próprio esforço, poderiam chegar a ser “milionárias”. Como?

Esta gurizada que anda de bicicleta nas ruas, pedalando 15 horas por dia pra ganhar pouco mais de R$ 1.000,00 em média, como mostram pesquisas, detonam suas cartilagens e corpos, expostos a esforços físicos a céu aberto, sob sol ou chuva. E nenhum direito. Enquanto isto os donos dos aplicativos para os quais trabalham, saltam do padrão de “milionários” para “bilionários”.

A foto publicada pelo Cristóvão é simbólica. A TRABALHADORA super explorada, sozinha, sem consciência de Classe e sem Classe a lhe oferecer consciência. Hora de reorganizar a Classe trabalhadora, que já não é mais a antiga Classe de trabalhadores industriais, mas a de trabalhadores prestadores de serviço e trabalhadores no comércio e até a volta da produção artesanal, mas amplamente dependente de aplicativos e das redes.

Hora de mostrar aos que vivem do trabalho, que é possível e necessário a organização coletiva do próprio trabalho que executam , para que possam avançar.

Leia também os artigos a seguir sobre o tema:

12h por dia, 7 dias por semana, R$ 936: como é pedalar fazendo entregas por aplicativo. Trabalho ou escravidão “moderna”?

“Uberização” do trabalho e os limites de se trabalhar comandado por um algoritmo

Trabalhadores de aplicativos começam a se aproximar do sindicalismo

IBGE: Aumenta o número de Empregos informais e precários


Fonte: https://luizmuller.com/2019/10/04/didatico-uma-foto-que-mostra-o-que-e-a-uberizacao-do-trabalho/

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