As comunidades da Grande Cruzeiro e da Glória não estão dispostas a aceitar mais um capítulo de abandono da educação nas periferias promovido pelo Governo Leite, com remanejamento, extinção de turmas, transferências e até fechamento de Escolas. .
O fechamento forçado da Escola Presidente Costa e Silva, e a persistente falta de oferta de Ensino Médio na Escola Oscar Pereira não são meros ajustes administrativos. São medidas que aumentam distâncias perigosas, custos de transporte inacessíveis e riscos à segurança de crianças e adolescentes, empurrando muitos para a evasão escolar.
Mas a resposta veio forte e organizada. O Movimento Articulação Comunitária pela Educação nas Regiões Cruzeiro e Glória levou seu manifesto diretamente à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Esse documento, que denuncia o impacto real nas famílias e exige escola perto de casa, ampliação do Ensino Médio e prioridade para os prédios da antiga Escola Alberto Bins (fechada em 2018) e da Oscar Pereira, ganhou visibilidade e apoio parlamentar.
A luta das comunidades periféricas chegou onde as decisões são tomadas, provando que a voz do povo organizado pode romper o silêncio dos gabinetes.
Destacam-se, nessa articulação, as lideranças comunitárias que carregam essa bandeira diariamente. Michael e Silvana, junto com outras lideranças incansáveis do movimento, são os pilares dessa resistência.
Michael, com sua habilidade de mapear as demandas das vilas, documentar casos de impacto e mobilizar os moradores, transforma a indignação em argumentos sólidos.
Silvana, por sua vez, une as mães, os pais e as famílias em ações coletivas, mantendo viva a memória das lutas passadas — como a ocupação e o uso comunitário do prédio da Alberto Bins — e garantindo que ninguém fique de fora.
São essas lideranças que conhecem cada rua, cada dificuldade financeira e cada risco no trajeto escolar. Elas não pedem favores: exigem o cumprimento do direito constitucional à educação de qualidade, acessível e segura.
O deputado estadual Halley Lino (PT) se posicionou como um aliado essencial nessa causa. Em sua intervenção na Assembleia — registrada em vídeo que circula nas redes —, ele não se limitou a criticar as políticas do Governo Eduardo Leite.
Halley expôs o absurdo de remanejar alunos para distâncias maiores em regiões vulneráveis, questionou a falta de diálogo com as comunidades e apontou caminhos concretos: revisão imediata das decisões de fechamento, garantia de passe livre universal para transporte, reutilização inteligente de prédios existentes (como os da Alberto Bins e Oscar Pereira) e expansão real do Ensino Médio nas periferias.
Sua fala reforça que a educação não pode ser tratada como custo a ser cortado, mas como investimento essencial para a cidadania e o futuro do estado.Essa combinação — comunidades mobilizadas + parlamentar comprometido — é o que move mudanças reais.
O Governo Leite precisa responder: dialogar diretamente com Michael, Silvana e o Movimento Articulação Comunitária, apresentar um plano claro de ampliação (e não de redução) da oferta educacional na Grande Cruzeiro e Glória, e priorizar a segurança e o acesso das famílias trabalhadoras.
Investir em educação no Ensino Médio, especialmente nas vilas mais vulneráveis, não é despesa. É dar asas à cidadania e força à democracia, como afirma o próprio manifesto do movimento. As comunidades da Cruzeiro e da Glória já mostraram que não vão calar. Agora, cabe ao poder público ouvir e agir.


