A Secretária de Assistência Social de Porto Alegre expressa a que leva a cultura do individualismo que vivemos na sociedade brasileira e no mundo. Nádia é PM e foi eleita Vereadora na cidade. Aí o Tucano Marchezan a chamou para ocupar a pasta da Assistência Social. O Jornal Zero Hora até tentou dourar a pilula dando outra manchete a matéria. Mas o fato é que a “Comandante Nádia” expressa o que muita gente que votou no Bolsonaro, e quem não votou também, pensa: cachorro de estimação vale mais que um ser humano, desprovido de bens é claro. Por que os que tem bens, mesmo que adquiridos com financiamento de 25 anos pra pagar, se acham gente e os que não tem, não seriam gente, ou pior, teriam menos direitos que os bichos de estimação. Magri, Ministro de Collor, ficou conhecido pela expressão “cachorro também é gente” com a qual justificou o transporte de seus cães em carro oficial, semanalmente ao veterinário. A Comandante Nádia foi mais longe e sentenciou ”
“…É um lugar público e as pessoas não podem levar seus filhos, seus pets. Não têm condições de caminhar nem em uma calçada, porque uma pessoa se acha no direito de morar na rua. “
Além de exalar estes conceitos nada cristãos, a Secretária também mostrou completo desconhecimento sobre os Moradores de Rua de Porto Alegre e principalmente aos pobres, que são em muito maior quantidade do que os moradores de rua. Para ela, trata-se de oferecer comida de graça para moradores de rua. Se for um pouco mais longe, daqui a pouco defenderá o que defende Dória em São Paulo, de distribuir ração aos pobres.
Da Política Nacional para Moradores de Rua, que deu dignidade e reconhecimento para esta gente que por necessidade ou por opção vive nas ruas, regredimos a um tempo onde nem mais como seres humanos são reconhecidos.
Já os pobres não moradores de rua, frequentadores do Restaurante Popular que fechou, a própria Zero Hora constata, poderão parar também na rua, por que pagavam R$ 1,00 pela refeição subsidiada que agora perderam, já que as refeições gratuitas serão distribuídas exclusivamente a moradores de rua e não a toda a população pobre que frequentava o Restaurante Popular.
Até aqui a opinião deste blogueiro. A seguir publico a íntegra da matéria da Zero Hora com as declarações da Secretária Comandante Nádia:
“Não vamos admitir uma praça que esteja cheia de morador de rua”, diz Comandante Nádia
Secretária de Desenvolvimento Social e Esporte de Porto Alegre destacou que prefeitura tenta auxiliar esse público vulnerável com uma série de programas sociais, mas enfrenta resistência
Chefe da pasta participou de coletiva neste sábadoRobinson Estrásulas / Agencia RBS
A secretária de Desenvolvimento Social e Esporte de Porto Alegre, Comandante Nádia, afirmou, em entrevista coletiva neste sábado (11), que “morador de rua não tem o direito de ter cadeira, cama, mesa, banho, tudo na rua”. A declaração foi dada após a secretária ser questionada sobre qual seria a postura do Executivo em relação a moradores de rua que pretendem frequentar o Restaurante Popular sem ingressar em programas assistenciais do poder público.
— Morar na rua significa com a sua roupa e a sua mochila — acrescentou.
A chefe da pasta chamou atenção para programas da prefeitura, como o que auxilia moradores de rua que pretendem retornar ao município de origem e o aluguel social. A secretária destacou que o governo não vai aceitar integrantes desse grupo vulnerável que não querem ajuda habitando lugares de circulação pública:
— Nós não vamos admitir uma cidade, uma praça que esteja cheia de morador de rua. É um lugar público e as pessoas não podem levar seus filhos, seus pets. Não têm condições de caminhar nem em uma calçada, porque uma pessoa se acha no direito de morar na rua.
A secretária disse que existe orçamento para auxiliar essas pessoas, mas que parte do público alvo não quer participar dos programas.
— Eu tenho R$ 1,8 milhão para investir em morador de rua que quer entrar no Mais Dignidade. Nós estamos oferecendo a oportunidade. Nós precisamos que essa pessoa também queira ou se adapte ao novo olhar de não assistencialismo barato, mas sim um assistencialismo que promova a independência das pessoas.
A secretária participou de coletiva onde foi apresentada uma alternativa temporária, mas somente para moradores de rua, ao fechamento do Restaurante Popular, efetivado na última quinta-feira (9). Para quem vive na rua, será montada uma estrutura no Ginásio Tesourinha, no bairro Menino Deus. Dentro de uma carreta com 18 metros de extensão, estacionada próximo do prédio, serão produzidas as refeições.