Algumas pessoas se admiram quando vêem alguém desenhar; outras, chegam a dizer que é um dom recebido de Deus. Eu sempre imputei tal habilidade à minha força de vontade, uma vez que a desenvolvi a partir dos 11 anos de idade.
Tal força nasceu a partir de um MEDO meu. Na sala de aula, quando eu estudava na quinta série, vi um amigo desenhando facilmente o Incrível Hulk, o Homem Aranha e os Super-Amigos, por exemplo. A princípio, como o meu desejo de tornar-me desenhista era forte (pois eu queria desfrutar dos elogios que meu amigo de sala de aula desfrutava), passei a anunciar para os amigos da minha rua que eu era o autor de alguns desenhos que vendia, doados pelo meu amigo da escola.
Esse meu relativo sucesso durou pouco, até o belo dia em que tive medo que algum menino me pedisse pra fazer o desenho na frente dele. O frio na barriga que sentia só de pensar nisso foi o bastante para eu querer aprender a desenhar.
Tudo que eu sabia desenhar, até então, era o mesmo que a maioria das pessoas, ou seja, quando me pediam para desenhar um homem, eu fazia isso:
Então comecei do começo. Quando eu não sabia escrever a letra “a” ou o “b”, por exemplo, num dos cadernos de caligrafia que eu tinha, aprendi a escrever a partir de se cobrir a letra (a letra já vinha escrita no caderno, só que toda pontilhada; tudo que eu tinha que fazer era passar o lápis em cima dos pontinhos que formavam a letra, a fim de que ela ficasse bem visível). Depois de um certo tempo, de tanto repetir isso, passei a fazer o “a” sem precisar cobri-lo. Quando eu aprendi todo o alfabeto, e tentava juntar as letras formando as palavras, eu até que o conseguia, porém, saiam deformados, sem rumo: ora era a perninha do “a” que saia pra cima, parecendo a do “o”, ora era o contrário. De tanto usar a borracha, passei a fazê-lo correto e, em breve tempo, eu já escrevia o ditado da professora e, depois, redações.
O mesmo passei a fazer com os desenhos que meu amigo da escola me dava. Usando aquelas folhas transparentes que vinham nos cadernos de desenhos, aprendi a desenhar a partir de se cobrir os traços das figuras; tudo que eu tinha que fazer era passar o lápis em cima da folha transparente, seguindo os traços que se via em baixo. Depois de um certo tempo, de tanto repetir isso, passei a fazer o desenho sem precisar cobri-lo. Quando eu já sabia fazer o Hulk, por exemplo, em pé, frontal, e tentava dar movimentos para ele, eu até que o conseguia, porém, saí deformado: ora era um braço fino de mais, ora era um rosto sem expressão. De tanto usar a borracha, passei a fazê-lo correto e, em breve tempo, eu já desenhava o Homem Aranha, o Super-Homem... e, hoje, eu me arrisco a reproduzir Dalli, Botticelli, Ingres, conforme fotos que coloquei aqui do lado, neste blog - tudo que meus olhos conseguem ver e minha mente imaginar, eu coloco no papel.
Portanto, desenhar é que nem escrever, basta treinar, usar a borracha. Eu não nasci sabendo escrever, nem desenhando, as pessoas, as condições e meus medos, ensinaram-me a dominá-los. A dica é: querer, em primeiro lugar, independente de quaisquer emoções que o motive; segundo, treinar muito, usar a borracha. Não desistir diante dos primeiros fracassos. Ninguém nasce sabendo andar de bicicleta.
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Postado por Marcos "Maranhão" em 5 de julho de 2008, às 20:48h







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