ENTREVISTA COM RASKÓLHNIKOV II
A partir de hoje, disponibilizarei neste blog entrevistas com Raskólhnikov II (clique aqui para saber quem é Raskólhnikov II). Estas entrevistas podem aparecer como títulos de postagens ou como reflexões nossas sobre determinados temas, no final das postagens, sempre que assim for necessário.
Nesta que se segue, principiamos a falar de blogs, política, faixas, militância partidária...
Acompanhe:
MARCOS “MARANHÃO” - Meu caro Raskólhnikov II, diga-me: por que te afastaste realmente do blog que mantinhas?
RASKÓLHNIKOV II – Eu não hesitaria em to dizer, se esta entrevista não fosse para o ar conforme combinamos. Colocar-te-ia em risco, certamente, minhas suspeitas - coisa que jamais eu me perdoaria -, caso eu as arrolasse uma por uma. Ademais, nem eu próprio tenho certezas, apenas desconfio. E como ainda não estou demente (tenho planos para o futuro), é bom que continue assim.
MARCOS “MARANHÃO” - Tu não precisas declinar nomes: generalize.
RASKÓLHNIKOV II – Definitivamente, isso não é coisa para agora. Observes que os próximos três meses serão importantíssimos no grande jogo político. Sabemos que o que está para acontecer será crucial para 2010. As cartadas só estão começando; o melhor fica pro final. Eu percebi o “recado” que me foi dado. Sei até onde posso ir. Digamos que faz parte do jogo. Devo agradecer pelo aviso light que me deram; poderia ser pior. Ademais, nobre “Maranhão”, não vês que sou fichinha? O que eu poderia saber assim de tão grave que poria em risco peixes graúdos? Eu simplesmente conjecturei, como qualquer um poderia fazer, tendo as informações que são de conhecimento público. Mesmo que eu ficasse sabendo de alguma coisa extra-oficialmente, sem provas concretas, não haveria como eu dar nomes, a não ser que eu agisse levianamente, como outros andaram fazendo e tiveram que ser interpelados judicialmente.
MARCOS “MARANHÃO” - Mas tu poderias continuar escrevendo de forma mais light...
RASKÓLHNIKOV II – Sem dúvidas. Mas preferi assim. Se eu não podia fazer o que pretendia, da forma como estava indo até o momento do aviso, então decidi que era melhor parar.
MARCOS “MARANHÃO” - Sinto que o teu receio poderia findar-se, caso encontrasses proteção. Estou certo?
RASKÓLHNIKOV II - Enganas-te completamente. Eu desconfio até da minha própria sombra.
MARCOS “MARANHÃO” - É a idade. Também tô nessa fase (He! he! he! he!).
RASKÓLHNIKOV II - Agora te dou razão [expressão de riso]. Mas, e quanto a tu? O que falas do teu blog, Jano, o lanterneiro – que, por sinal, já o li e reli várias vezes? Qual o teu intento com ele?
MARCOS “MARANHÃO” - Resolvi fazer um blog porque muita gente só me conhecia/conhece só de ouvir falar, nunca conversaram comigo pessoalmente para saber minha história. Pensei mais em usá-lo como um diário mesmo, tentando me aproximar o máximo possível da verdade dos fatos que minha mente assimila. Sei que certas verdades não devem ser ditas, outras não precisam ser ditas, mas algumas têm de ser ditas, conforme Wilhelm Busch escreveu. E é nessa linha que tento manter meu blog. Minha intensão é chamar a atenção, lógico, mas eu não vou morrer se não o conseguir da forma como às vezes pretendo. Se for o suficiente para arranjar a futura mãe de meus filhos, já é o bastante.
RASKÓLHNIKOV II - Por que não o abres para comentários?
MARCOS “MARANHÃO” - Já o fiz uma vez. Acho que não estava preparado para ouvir críticas, muito menos para a falta de audiência. Assim que o criei, fiz vários “mosquitinhos” contendo o endereço do blog, e saí distribuindo para algumas dezenas de amigos. Como quase ninguém deixou pelo menos um recadinho – não sei se pelo tom das postagens que poderiam prenunciar alguns tipos de verdades, ou por puro esquecimento (muitos não têm tempo sequer de almoçar, o que dirá de ler diários dos outros?) -, decidi que seria melhor não abrir para comentários. Talvez repense isso um dia. Não sei.
RASKÓLHNIKOV II - Já houve alguma postagem que te arrependeste de colocar?
MARCOS “MARANHÃO” - Sim. Umas duas. Mas não as excluí. Prefiro fazer outra tentando remediar a situação. Geralmente isso acontece num momento complicado, quase sempre quando, mesmo depois de vários dias de reflexão, sinto-me abandonado, traído, esquecido por amigos. Mas é bom que assim seja: mostra que não sou dono das verdades, sou humano, erro.
RASKÓLHNIKOV II - Talvez há quem veja no teu blog intenções claras de te candidatares a vereador...
MARCOS “MARANHÃO” - Já tive esse sonho, não nego, até abril de 1997. Essa data foi crucial para o abandono da idéia. Foi bom porque passei a me interessar mais pelo tema, tanto, que decidi estudar História. Acho que eu poderia fazer mais pela minha cidade lecionando a matéria na qual me formei: eis no que penso em me candidatar.
RASKÓLHNIKOV II - Parece que há algo forte, um acontecimento marcante que influenciou tal decisão. Queres falar sobre isso?
MARCOS “MARANHÃO” - Talvez em outra oportunidade.
RASKÓLHNIKOV II - Entendo. Tu achas que o fato de ter um blog linkado no Blog do Rigon, e pelo perfil a que se dispõe, conforme já falaste acima, influenciou numa relativa diminuição de pedidos de faixas de alguns clientes da área política, por exemplo, que antes eram fiéis compradores de tuas pinturas, e que, ou deixaram definitivamente de o fazer, ou racionaram substancialmente os pedidos, de acordo com minhas suspeitas no preâmbulo de nossa conversa, antes de gravarmos?
MARCOS “MARANHÃO” - Não! De forma alguma. Eu atribuo esse refluxo nos meus negócios à conjuntura sociopolítica nacional, presente na maioria dos movimentos sociais. Far-se-á mais greves, mais passeatas, mais movimentos de reivindicação de algo a partir de conjunturas altamente repressivas. Tome-se o caso dos anos da segunda metade dos anos 1960, quando o Regime Militar consolidava-se no país: os movimentos sociais foram pra rua; ou, no meu caso, mais recentemente, quando iniciei os trabalhos de pintar faixas, no final dos anos 1990 e nos primeiros desse milênio: os movimentos sociais saíram em massa pedindo mudanças. Além do mais, as pessoas que dirigem as entidades mudam, são vencidas em eleições internas, e as novas diretorias nem sempre estão em sintonia com o meu trabalho, ou porque não me conhecem, ou porque simplesmente não coadunam com minha ideologia. Outrossim, é perfeitamente natural que as pessoas cansem do meu estilo de pintura, achem o preço alto de mais, ou, simplesmente, passem a utilizar outros meios de chamar a atenção, como, por exemplo, confeccionar cartazes, cartolinas, muitas vezes mais em conta, etc. Repito, é uma fase.
RASKÓLHNIKOV II - Acreditas que pode melhorar os negócios agora com o período eleitoral?
MARCOS “MARANHÃO” - Tenho algumas promessas. Mas devo reconhecer que a proibição de pintura de muros me pegou de surpresa.
RASKÓLHNIKOV II - Tu foste filiado ao PT durante onze anos. Depois saiu. Chegou até a fazer umas críticas no teu blog, hoje é simpatizante... como se deu esse processo?
MARCOS “MARANHÃO” - Esse é um ponto importante. Meu caro Raskól, se me permites chamá-lo assim, esse tempo em que fiquei filiado (de 1994 a 2005) foi um período muito importante na minha vida. Embora não ocupando cargos, sempre procurei ser um militante razoavelmente dedicado, sobretudo durante as eleições, inclusive nesta atual fase de simpatizante. Ao contrário do que algumas pessoas possam imaginar, minha desfiliação do Partido dos Trabalhadores não ocorreu por causa do “Mensalão”. O documento que tenho nos meus arquivos, assinado pela direção do partido atestando minha desfiliação, data de 7 de abril de 2005, portanto, um mês antes de uma fita de vídeo ser divulgada na tevê mostrando Maurício Marinho recebendo propina no chamado Escândalo dos Correios, que mais tarde desencadearia o “Mensalão”. O motivo da minha saída foi porque, após João Ivo perder a eleição para Silvio II, senti que alguns amigos, quer do partido, quer da base oficial e extra-oficial de apoio na eleição perdida, iriam se esfacelar. Logo, por motivos profissionais, vendo que pessoas importantes de sindicatos, movimentos estudantis, etc, migrariam para outros partidos, tratei de me desfiliar a fim de perder menos clientes que poderiam não gostar de mandar fazer faixas comigo pelo fato de eu estar filiado àqueles no qual iriam “bater”. Depois do escândalo do “Mensalão”, ensaiei umas críticas aqui, e, na eleição de 2006, onde ajudei na campanha principalmente porque começaram a discriminar nordestinos, por exemplo, comecei a me interessar mais por política e começar a ver o que estava em jogo no nosso país. Já recebi vários convites de retorno àquela agremiação partidária e só não voltei porque ainda dependo exclusivamente das faixas. Quem sabe quando eu começar a dar aulas nas escolas pública?
RASKÓLHNIKOV II – Agora, vamos falar das eleições 2008 em Maringá, da imprensa, da blogosfera, dos Partidos, dos candidatos...
MARCOS “MARANHÃO” - Relaxa! Melhor deixar o clima esquentar. O que me dizes?
RASKÓLHNIKOV II - Mmm! huuum!
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Postado por Marcos "Maranhão" em 10 de julho de 2008, às 15:11h






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