EU ACREDITO NA EDUCAÇÃO
O que acabei de expor nas nas últimas matérias do meu blog é somente a amostra de uma experiência em pouquíssimo espaço de tempo, com turmas de quintas séries de uma escola, no último bimestre do ano letivo; e outra de um CEEBJA. Não posso generalizar, apesar de alguns colegas me dizerem que não é muito diferente nas outras instituições de ensino. Para que eu possa traçar um perfil completo sobre a realidade da educação no lugar onde moro, será preciso mais experiência.
Todavia, isso não me impede de, nessa primeira visão, arriscar algumas questões:
Será possível, em breve espaço de tempo, termos mais crianças de 5ª série mais preocupadas em estudar do que em fazerem bagunças? Que recado a “bagunça” tenta dar? Acaso não estão apenas manifestando os seus protestos pelo mesmíssimo “feijão-com-arroz” de sempre, os mesmos gizes, as mesmas lousas, os mesmos métodos, os mesmos professores, as mesmas escolas...? Do que as crianças mais gostam? Quais as mídias que mais as influenciam? Inserir programas nos computadores e celulares com conteúdos que elas precisam aprender seria tão caro assim? Colocar mais dessas máquinas nas escolas não seria um investimento? As revisões (no sentido de melhorar a programação educativa e proibir outras sabidamente de má influências para o público menor de idade) das concessões públicas dadas aos donos de canais de tevês abertas não poderiam ser autorizadas mediante um plebiscito? Não seria um investimento no futuro da Nação construir mais escolas (para que se diminua o número de alunos em salas), contratar mais professores e funcionários, pagando-lhes melhores salários? A quem interessa que a educação permaneça como está?
Os alunos com quem convivi nos últimos dois meses, em especial aqueles que “bagunçavam”, não pediram pra nascer, muito menos pra serem mal educados. Seus atos são apenas o reflexo do que o meio lhos ensina. Se os pais não lhes dão disciplina, é porque também foram vítimas quer de quem os criou, quer do meio social. As crianças com vários níveis de aprendizagem, embora estando na mesma série, só precisam de acompanhamentos especias, que, infelizmente, nem todos os mestres ou a instituição possuem. Sabendo disso, por qual motivo eu os reprovaria? Comigo (sobretudo porque os peguei já no final de ano, substituindo uma professora que vinha com outro ritmo) só ficaram reprovados aqueles alunos que desistiram, ou que já estavam reprovados desde o 3º bimestre: avaliei-os não apenas pelas tarefas realizadas em sala de aula, mais principalmente por compreender suas realidades socioculturais.
Fiquei tentado a falar de mais coisas que percebi, aprofundar outras que toquei só de leve, levantar questões e propor soluções. Por ora vou anotando algumas coisas (clique aqui, pra ler o que escrevi há pouco tempo). Se os deuses permitirem, espero aproveitar mais oportunidades na arte de aprender a ser educador e tentar ajudar essa instituição a falhar menos.
Eu acredito na educação.
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Postado por Marcos "Maranhão" em 21 de dezembro de 2008, às 20:51H






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