Joinville, 13 de abril de 2008.
Amigo Marcos:
Não é novidade pra ti que meus infortúnios por estas terras daqui, amiúde, marcam as vezes que mais te escrevo, como bem já o deduziste à esta altura. Exceto quanto à minha percepção no tocante ao aumento das jogadas (rasteiras, até) políticas dos homens que tratam destas coisas de administrar rumos de povos – porque é ano eleitoral -, o resto vou levando.
Para ser mais preciso, e não haver dúvidas quanto ao meu intento de tornar-me o mais transparente possível, o que quero dizer com “jogadas rasteiras” depreende-se do que se segue:
Criei uma página na internet há algum tempo, motivado mais pela especulação acerca do que ocorre nos bastidores das coisas que movem nossas vidas (o que pensam, como agem, quais os planos, o que subjaz nas mentes dos homens que de fato têm o poder de manipular as massas). E brinquei um pouco, dizendo pra mim mesmo, que me tornaria uma espécie de detetive particular sem assinatura dos “Zés-ninguéns” e “manés” da vida.
Pois, lá pelas tantas, quando eu quase fui a fundo em algumas possíveis jogadas obscuras dos caras da mufunfa - apenas dei sinal de que poderia chegar lá -, eis que me cortaram, embora de leve, mas o fizeram (e olha que nem pude publicar mais da metade das minhas investigações, avisado que fui por umas pontas de razões que me sobrevieram; em outros termos, era medo mesmo, afinal, sabemos como funciona o negócio).
Acredito que veio de fora o aviso, não sem intervenção dos manda-chuvas daqui, a quem eu poderia aduzir indiretamente, como de fato eu havia dado sinal que andaria por estas praias.
Em todo o caso, serviu pra eu ter algumas certezas: nas políticas, as jogadas sempre foram, é e serão em todos os campos, de várias formas. Funcionaria como quando precisávamos agir pelo instinto na seleção natural das espécies, onde a sobrevivência das variedades mais adaptáveis era garantida com o sacrifício das menos aptas, que terminavam desaparecendo. A diferença é que agora disfarçamos os métodos através da evolução de características mais adaptativas, mais complexas, presentes em todas instituições que criamos, entre elas, as das administrações.
Por isso, passei a adotar o apelido de Raskólhnikov II, uma alusão ao protagonista de Fiodor Dostoieviski em Crime e Castigo. Meu crime: tentar dar umas “machadadas” nas velhas formas de domínio na mão de poucos. Meu castigo: passar uma temporada fora da net, fazendo “serviços forçados” nos “campos de concentração siberianos” (minha mente), tentando adaptar-me em outras páginas virtuais. E pensar que tanto cá, como lá, eu também terminei por contar o que fizera depois de perseguido pelos “Porfíris Pietróvitchs” da vida.
Meus respeitos ao senhor Isidro Júnior e sua pequena Sabrina.
Teu sincero amigo,
Filipe, o Raskólhnikov II
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Postado por Marcos "Maranhão" em 13 de abril de 2008, às 19:32h






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