MEUS PIORES ERROS
(como pintor de faixas)
Apesar de não ser um profissional competente no que se refere ao domínio das teorias lingüístico-literárias – minha formação acadêmica é na área de História -, considero-me o suficientemente interessado em aprender a escrever minha língua o mais próximo possível do correto, sob pena de perder clientes.
Todavia, confesso que já cometi alguns erros grosseiros nestes quase dez anos em que vivo de desenhar e pintar letras e figuras em faixas de tecidos. Geralmente, quando o é percebido antes da faixa ser exposta, quase sempre eu conserto um erro de português, por exemplo, passando uma demão de tinta branca em cima das letras ou palavras grafadas erroneamente, corrigindo-as em seguida. Às vezes eu refaço toda a faixa.
Alguns exemplos que me vêm à memória:
* Já escrevi “Voçê” com “ç”;
* Coloquei “z” no lugar do “s” em Paralisação;
* Engoli o “H” de Hemocentro;
* Arrocho virou “Arroxo” com “x”;
* Etc.
Às vezes, acontece de eu confiar na minha pretensa sabedoria – preguiça de consultar o dicionário -, mesmo tendo no papel a escrita correta que o cliente me entregou (foi o caso do “Emocentro” sem o “h” no começo da palavra, ocorrido por volta de 2001); ou, ainda, quando o cliente me passa por telefone o que quer que eu escreva na faixa (caso do “Arroxo” com “x”, erro acontecido em 2003, suponho; e do “Paralização” com “z” de 2005, caso eu não esteja enganado na data).
OUTROS TIPOS DE ERROS QUE COMETI
Já escrevi aqui sobre estranhos comportamentos de uns ex-clientes meus (e tenho nos meus arquivos até a foto de um sujeito cujo caso nem merece ser exposto neste blog, ocorrido no começo desses meus trabalhos de pinturas). Em todos as ocasiões, eu sempre atribuo o ocorrido, em primeiro lugar, a mim próprio, ao meu erro, inclusive nos casos de pessoas conhecidas há muito tempo e “amigas” que simplesmente não me pagaram o que deviam.
Agora quero fazer referência a dois casos em particular que não têm a ver com erros gramaticais, com pessoas que resolveram não me pagar ou com aquelas que pegaram minha faixa sem eu perceber. Eles também envolvem meus erros com os quais tenho aprendido muito.
O primeiro caso aconteceu em 2006. Uma senhora me ligou pedindo uma faixa. Fiz-lhe a visita para orçamento, tomei as medida corretas e a levei meu trabalho no dia seguinte. Abri a faixa e ela ficou maravilhada com o resultado. O problema começou quando ela pediu-me para fixar a faixa no alto da porta do seu estabelecimento. Normalmente eu só produzo os desenhos de letras no tecido que estico em dois pedaços de madeiras. O uso que a pessoa faz do objeto que a vendo não me diz respeito. Todavia, às vezes eu abro uma exceção e, após uma solicitação, eu termino por colocar a faixa para a pessoa, sobretudo quando partem de senhoras indefesas. Pois eis que esta cliente queria porque queria que eu colocasse a dita cuja numa parede sem local para sustentação do objeto. Pra ela, eu tinha que arranjar tudo. No fim das contas, como não havia furadeira, nem buchas (prego ela não queria), veio com a história pra cima de mim de que não queria mais a faixa de dois metros que eu fiz. E não ia pagar pelo serviço. Minha fúria foi tão grande que quase não controlei-me, e deixei escapar: “A senhora é uma pão-duro!”, retendo outras palavras que não ficaria bem eu falar, apesar dos adjetivos nada honrosos que recebi dela. Fui embora e deixei consigo a faixa não fixada, não sem antes esclarecer que, na propaganda que fiz no cartão que a entreguei antes do contrato do serviço, estava claro que minha profissão era pintor de faixas, não fixador.
O segundo caso aconteceu recentemente, há menos de um mês. Fiz a visita ao cliente, combinei tudo certinho. Perguntei que tamanho ele queria e acabou por me dizer que eram três metros, do tamanho da porta, igual ao que seu antigo pintor sempre fazia. Fechado. Fui até a porta, medi rapidinho com as passadas (uma passada minha tem um metro, mais ou menos) e despedi-me. Voltei com o serviço no dia seguinte. Conforme o combinado, eu colocaria a faixa, afinal, era baixinho o local, precisava-se apenas de uma cadeira para alcançar os parafusos onde se amarra a faixa. Coloquei um lado e, tudo muito bem, tudo muito bom, quando fui esticar o outro lado... quem disse que cabia? A faixa tinha três metros, de acordo como combinamos, mas a porta dela media 2,65 metros. Não havia como deixar esticada a faixa. Ainda tentei enrolar as pontas onde haviam sobras em branco, sem letras, mas não adiantou. Tive que fazer outra. Ao cabo disso, depois que eu trouxe a faixa com o tamanho certo, eu disse para o cliente: “O que aconteceu aqui serviu pra duas coisas: primeiro, você ficou sabendo que seu antigo fornecedor de faixas lhe extorquia alguns reais quando cobrava 2,65 metros de faixas dizendo que eram 3; segundo, serviu para eu aprender que não é bom mais eu esquecer minha trena”.
O mais importante de todos esses meus erros é que fico cada vez mais convencido de que eles são etapas importantes para o meu aprendizado no aperfeiçoamento dos trabalhos que realizo, cujo intento é tão-somente satisfazer meus clientes.
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Postado por Marcos "Maranhão" em 24 de junho de 2008, às 22:07h






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