MINHA PREOCUPAÇÃO COM RASKÓLHNIKOV II
Estou deveras preocupado com Raskólhnikov II. Apresenta-se estranho ultimamente; não anda falando coisa com coisa. Agorá está com a idéia fixa de que encontrou uma fórmula química que lhe permite viajar no tempo, seja para o passado ou o futuro.
Segundo sua explicação, tudo aconteceu por acaso, quando voltou recentemente a Joinville, preocupado que estava devido às enchentes em Santa Catarina. Diz que ficou com medo das águas atingirem o laboratório de física onde desenvolve pesquisas juntamente com a Dra. “S”, sua ex do tempo de faculdade.
Estas pesquisas, que estavam em fase de conclusão, visavam a datação de um pequeno pedaço de couro (um pergaminho) contendo alguns possíveis escritos em siríaco, hebráico e aramáico antigos. Segundo um livreiro de um sebo da periferia de Jerusalém, onde a Dra. “S” havia estado recentemente, e com quem havia obtido o referido objeto suspeito de ser oriundo dos achados arqueológicos de 1946, tratava-se de um fragmento dos famosos Manuscritos do Mar Morto.
Para saber se o pedaço de couro era de fato uma relíquia arqueológica, a Dra. “S”, junto com Raskól, haviam desenvolvido uma fórmula contendo “Polônio 14” e “Éter 33”, no qual planejavam embeber uma pequena amostra do objeto a ser pesquisado e submetê-lo à espectometria de aceleração de massa, método para datação do pergaminho.
Quando Raskól foi chamado às pressas para auxiliar na remoção dos objetos do laboratório, no momento em que ajudava a Dra. “S” a colocar o espectômetro de massa (a máquina cujo processo de aceleração já havia iniciado) em cima de uma mesa - uma vez que a água da enchente já ultrapassava 10cm do chão -, eis que meu amigo escorrega e ambos deixam cair no chão a referida máquina que, rachada, exaliu uma fumaça que foi inspirada por ambos.
Desde então, Raskólhnikov II diz ter tido umas visões (e anda escrevendo sobre isso) acerca do passado e futuro. Conclui dizendo que, junto com sua ex, inventaram a máquina do tempo.
Eu, todavia, atribuo isso – e o tenho recomendado um neurologista – a um pequeno acidente de trânsito que ele sofreu recentemente. Raskólhnikov II andava de bicicleta pela avenida Colombo (sentido avenida Tuiuti-Pedro Taques). Quando chegou na P. Taques, vendo que o sinal havia fechado e os carros que vinham no mesmo sentido dele pararam na faixa, resolveu virar à esquerda (como de praxe) e passar pela faixa pedalando, a fim de esperar o sinal do outro lado fechar para os carros, enquanto aguardaria no canteiro central da Colombo. No instante em que ele virou, foi atropelado por outro ciclista que vinha atrás de si e pretendia seguir em frente furando o semáforo. Ambos caíram ainda na faixa de pedestre. Raskól ralou um pouquinho o braço e a perna esquerdos, o outro nada sofreu. Os dois concluíram que estavam errados. Pegaram as bicicletas e foram embora. Desde esse dia é que ele vem com essas histórias comigo de viagem no tempo. Pra mim ele bateu a cabeça quando caiu.
Em via das dúvidas, vou continuar conversando com ele aqui no blog normalmente, e disse-lhe que o blog estará sempre aberto para suas postagens, venham de onde vierem, do passado, do presente ou do futuro.
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Postado por Marcos "Maranhão" em 25 de dezembro de 2008, às 14:21h






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