O oráculo de Raskólhnikov II, o herege
Raskól foi para o futuro. Escreve-me direto de sua máquina do tempo. Acompanhe:
“Aidnâlogniram, 15 de maio de 2011
Caríssimo:
Volto a escrever-te, desta feita, direto do futuro, mais precisamente da cidade de Aidnâlogniram (não me pergunte onde fica: é objeto de minhas investigações).
Depois que eu e Dra. 'S' saímos correndo do Vaticano, decidimos partir para o futuro – parecia mais seguro, dadas às circunstâncias de nos sentirmos seguidos onde quer que andássemos. Não escolhemos este local, apenas regulamos nossas máquinas para nos levar até nossa casa futura.
Estamos achando muito estranha a cidade. Os aidnâlogniramenses, em sua grande maioria, nos dão a impressão de que obedecem ordens; é como se fossem zumbis. Sentimos que um ou outro destes moradores parecem querer dizer algo, mas se o fizerem, serão castigados, presos... sei lá. Evitam-nos, sobretudo quando indagamos sobre política ou religião, por exemplo.
A propósito, ando preocupado com uma coisa – e este é o motivo central desta carta -: encontrei aqui um oráculo em meu nome. Isto mesmo. Um oráculo. Escrevo-te, neste exato momento, direto da fila dos consulentes (sou o trecentésimo, quadragésimo quarto) na frente do meu próprio templo. É mole?!
Pelo o que ouço, tem uma equipe de sacerdotes atendendo 24 horas ininterruptas. São eles que nos levam até a sala onde ouviremos a voz do profeta que está em contato direto com o deus. Desembolsei 50 mangos só pra chegar até ele. Caso o oráculo revele algo positivamente importante pra mim - como uma causa ganha na justiça, uma aprovação em concurso público, etc -, desembolsarei uma quantia bem maior. Quero ver quem são esses 'sacerdotes' e o tal 'profeta' que se diz conversar com o deus Raskólhnikov II, o herege. Desconfio que os conheço.
Ademais, estou um tanto preocupado e com certo medo, diga-se de passagem, afinal, se sou cultuado como deus popularíssimo aqui, então é porque morri. E, estranhamente, quando pergunto aos moradores quem é esta divindade, qual sua história, quando começam a me contar, fico surdo, não ouço nada. Acredito que tem a ver com essas aventuras que ando fazendo junto com Dra. 'S'. Ora, é só ver o meu epíteto (o herege).
Hummm! Quero descobrir como se deu tudo isso. E o mais importante: tentar evitar, aí no presente, que isso ocorra de fato no futuro – não quero ser deus, eu quero simplesmente ter uma casinha branca, um quintal e uma janela, pra ver o sol nascer, como cantava o Gilson naquela canção antiga. Pra isso, terei que, além de fazer algumas viagens presente-futuro, futuro-presente, contar com teus valiosos préstimos, se mo fizeres mais este obséquio.
Aguarde boas novas!
Raskólhnikov II”
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Postado por Marcos "Maranhão" em 20 de fevereiro de 2009, ás 21:31h






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