RASKÓL PREOCUPADO COM O
CONCÍLIO DE NICÉIA
“Nicomédia, Império Romano do Oriente, 25 de julho de 328
Olá, Marcos!
Que Apolo o proteja!
Estou em Nicomédia, hoje ainda capital do Império – é conhecida aí em 2009 como Izmit, na Turquia.
Converso com Flávio, primo do bispo Eusébio de Nicomédia. Dra. 'S' está ajudando Sophia, esposa do Flávio, no preparo de uma refeição (pelo cheiro parece que vamos ter carneiro assado com pão). Apresentamos-nos como seguidores de Arius, vindo de Alexandria. Escrevo-lhe enquanto dei um pulo no WC.
O que Flávio me conta é preocupante. Diz que acabou de ter uma longa conversa com o bispo Eusébio quando o visitou no exílio (Eusébio foi um dos bispos presentes no Concílio de Nicéia, convocado pelo imperador Constantino I, o mesmo que, há 15 anos, com o Édito de Milão, começou a oficializar o cristianismo. Nesse concílio discutiu-se, entre outras coisas, se Jesus deveria ser encarado como divino ou simplesmente como um homem comum).
Nesta conversa, Eusébio lamenta como penou em Nicéia ao defender a humanização de Jesus – somente ele e mais outro bispo votaram a favor dessa idéia, os outros 300 foram contra –, daí o motivo de ele ser excomungado e exilado juntamente com o colega. Diz que só não sofreu mais no exílio porque é meio aparentado de Constantino. Teme pelos seguidores de outras crenças que, apesar de estarem 'igualados' com os cristãos, começam a ser perseguidos, taxados de heréticos, como os crentes de Mitra, só pra citar um exemplo.
Bom. Flávio também está preocupado porque é devoto do arianismo, tal como o primo, e está com medo porque os cristãos também já foram muito perseguidos, e agora estão sob a tutela do Estado.
Deixa eu voltar para o jantar com meu anfitrião, já me demorei demais por aqui.
Tchau!
Raskólhnikov II”
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Postado por Marcos "Maranhão" em 16 de janeiro de 2009, às 7:16h






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