Raskólhnikov II no ano 1.211 a.C.
“Arredores de Jericó, Canaã, 05 de dezembro de 1.211 a.C.
Estimado 'Maranhão':
Em mais uma aventura minha de volta ao passado para investigar uns assuntos que há tempos me incomodam, aportei nesta importante cidade cananéia chamada Jericó (aí em 2009 d.C. esta é uma cidade que está sob os cuidados da Autoridade Nacional Palestina, depois de passar quase três décadas -1967 a 1994 - sob controle de Israel, como tu sabes).
Sob o disfarce de pastor de cabras (a Dra. 'S' me acompanha – nesse momento conversa com alguns artesãos num acampamento distante uns 100 metros do nosso), há dois dias ando em meio a este povo que tem muito o que nos contar a respeito de suas crenças.
Entre outras histórias, falam que estão indo tomar a cidade de Jericó porque aquelas terras ali próximas lhe são de direito, prometidas pelo seu único deus, Yahweh, que lhes escolheu como povo eleito dentre todos no mundo. No momento, lamentam a morte (ocorrida no ano passado) de seu líder, Moisés, o escolhido do deus para falar ao povo.
Pelo que eu pude apurar ontem, quando me apresentei a uns parentes de sacerdotes, Moisés nasceu no Egito e teria sido criado por uma princesa, sua mãe adotiva. Boa parte de sua educação teria se dado no palácio do faraó Amen-hotep IV, que passou a se chamar Akhenaton (significa 'espírito atuante de Aton', deus solar).
O motivo dessa mudança na nomenclatura do faraó teria sido porque ele fez uma importante reforma religiosa no seu reinado, qual seja, ao invés do povo adorar vários deuses ao mesmo tempo, instituiu que a adoração seria de um único deus (Aton). Isso causou ciumes e interesses políticos nos sacerdotes de outras crenças, o que provavelmente fez com que Akhenaton fosse assassinado e substituído por um governante que trouxe de volta as coisas como eram antes.
Diz-se-ia que Moisés aprendeu com Akhenaton o monoteísmo. E daí foi um pulo para começar a pregar a crença num só deus junto àquele povo israelita que, até então, era politeísta; povo este que, diga-se de passagem, já estava sendo escravizado pelos novos governantes egípcios.
Assim é que Moisés teria negociado com o novo faraó (dizendo que o povo de Israel iria infestar o Egito com a idéia de crença num só deus) e conseguido a libertação deles, conduzindo-os até Canaã (a terra que emanaria leite e mel), depois de ter aberto o mar com seu cajado para que pudessem passar – eis uma gravura feita por um dos sacerdotes no momento da travessia:
Durante os 40 anos em que migraram do Egito até aqui, foi-lhes explicado pelo próprio Moisés que o deus todo poderoso, único, teria criado o mundo e todas as coisas que há nele; fizera o primeiro homem, a quem deu o nome de Adão, e da sua costela dera vida à Eva, sua esposa; também haveria um homem chamado Noé, descendente dos primeiros humanos, cuja família Yahweh escolhera como única fiel a si, mandando-o construir uma arca, entrar junto com sua família, e colocar lá dentro um par de cada animal, pois mandaria um dilúvio.
Ah! Grande parte dos liderados dizem que, para não caírem nas tentações de voltarem a adorar os antigos deuses, ou praticarem atos pecaminosos, foi-lhes entregue por Moisés as tábuas contendo as leis escritas pelo dedo de Yahweh.
Depois eu te falo mais. Agora vou ter que esconder minha máquina do tempo, na qual te escrevo (é do tamanho de um celular), pois está chegando gente.
Nos falamos em outro século, hein?!
Raskólhnikov II"
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Postado por Marcos "Maranhão" em 5 de janeiro de 2009, às 12:01h






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