Alguém vê normalidade no que assistimos? Não! Nada está normal!
Eles turvaram nossos olhos e achamos normal um menino morrer na rua sem asfalto, na periferia da cidade grande. A família chora o moleque estirado no caixão. E o noticiário trata como normal.
Aliás, é normal a polícia matar!
Um jovem que não faz conta e não escreve seu nome vagueia com um sonho pelas mãos e não sabe onde é o seu lugar. Alguém diz que é do lado de fora. Parece normal! É normal pobre não gostar de estudar.
As portas dos hospitais estão tomadas de mulheres, negros e crianças, invariavelmente pobres, que clamam por um leito, por remédio ou ao menos um médico que atenda. Não tem saúde e é normal o povo da periferia sofrer e morrer sem atenção.
Há terra demais nas mãos de poucos e muita gente sem-terra. E quando os agricultores se juntam o latifúndio mata. É normal uma brutal concentração que vem desde o descobrimento do Brasil. É normal lavradores mendigando terra para plantar e para viver. É normal matar sem-terra!
Derrubam árvores, poluem o ar, destroem os rios e é normal, faz parte do progresso.
Organizam a economia para os ricos ganharem mais e para pagarem menos impostos e receberem benefícios do estado. Sempre foi assim. É normal!
São oito homens que possuem a riqueza de 3,6 bilhões de pessoas no mundo. É normal.
Racismo, homofobia, perseguição religiosa e discriminação assentam na paisagem e tudo vai parecendo normal.
Alguém tem que gritar: Normal o caralho!
Essa normalidade tem que explodir.
✅JOÃO PAULO CUNHA
