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Comunicação

28 de Fevereiro de 2014, 13:43 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.

Globolha, também conhecido como Valor Econômico, agora é só da Globo

13 de Setembro de 2016, 15:34, por Blogoosfero

Globolha

A famíglia Marinho, dona de O Globo, comprou nesta terça-feira, 13/09, a participação de 50% da famíglia Frias, dona da Folha de São Paulo, na empresa Valor Econômico S.A., responsável pela edição do diário Valor Econômico, também conhecido como Globolha.

Desta forma, o periódico econômico passa a ser de propriedade exclusiva da famíglia carioca.

O fechamento da negociação, cujo valor não foi divulgado, está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada:

"Os Grupos Folha e Globo, sócios na empresa Valor Econômico S.A., responsáveis pela edição do jornal 'Valor Econômico', informam que negociaram a venda integral da participação do Grupo Folha na referida empresa ao Grupo Globo. O fechamento da negociação está sujeito à aprovação do Cade, na forma da legislação pertinente."



O jornalismo econômico, uma ficção produzida pelos bancos

12 de Setembro de 2016, 0:00, por carlos motta


O jornalismo econômico ganhou destaque e, de certa forma, se profissionalizou no fim dos anos 80 do século passado. 


O Estadão, por exemplo, até então publicava as notícias econômicas depois da seção de turfe.


A claudicante situação da economia do país, a insegurança da classe média em relação ao que fazer com as suas ralas economias, as patéticas e frustradas tentativas dos governos em achar uma situação mágica que resolvesse de vez os problemas, editando inúmeros "pacotes", tudo isso levou os jornalões a engordar suas editorias econômicas, lançar produtos e contratar muitos profissionais que se especializaram na área.


Naquela época, as fontes de informação ainda eram variadas. 


Os empresários, por exemplo, exerciam um forte lobby: as reuniões de conjuntura da Fiesp, às segundas-feiras, mereciam cobertura obrigatória.


Com o passar dos anos, porém, o setor financeiro se expandiu de forma avassaladora e uma de suas primeiras providências para se consolidar como o mais importante e influente do país foi conquistar a imprensa para as suas demandas.


Bancos, corretoras, consultorias, economistas autônomos, todos eles passaram a difundir, com extrema competência, informações sobre as virtudes do "mercado", a importância da bolsa de valores, a maravilha dos diversos produtos bancários, e, no lado oposto, sobre a extemporaneidade das teses com viés social-democrata, e, mais recentemente, sobre como as medidas dos governos Lula e Dilma eram prejudiciais ao país.


Nos anos em que trabalhei no "Valor Econômico" pude observar mais atentamente a força e a influência do setor financeiro na linha editorial do jornal.


Bancos, corretoras e consultorias ofereciam, com uma regularidade impressionantes, sugestões de pauta e até mesmo "estudos" para publicação exclusiva, repercussões imediatas de medidas governamentais, além de ter, à disposição dos repórteres, 24 horas por dia, sete dias por semana, "especialistas" para comentar qualquer assunto da área econômica.


Ficou extremamente fácil trabalhar na área: o repórter recebia, via e-mail, um "paper" sobre um tema qualquer, cheio de números e gráficos para dar a ele um ar científico, com exclusividade. Uma conversa de alguns minutos com o autor do "estudo" completava a matéria.


A influência do setor financeiro no "Valor" era tão grande que, certa ocasião, numa reunião de pauta, a diretora de redação pediu que também se ouvisse, na cobertura em geral, empresários e membros da Academia.


Não foram poucas vezes em que, numa mesma página do jornal, o mesmo "especialista", ligado ao setor financeiro, aparecesse com seus achismos em duas ou três matérias sobre assuntos diferentes.


O lançamento do "Valor Pro", serviço de informações online para o mercado financeiro, há alguns anos, marcou definitivamente a entrega do noticiário do jornal aos interesses dos banqueiros.


O "Valor", porém, não foi o único jornal a cair nos braços do setor não produtivo nacional. 


Todos os outros, ao menos em sua seção econômica, estão, indisfarçavelmente, a favor dos banqueiros, defendendo compulsivamente medidas para aumentar ainda mais seus gordíssimos lucros e ampliar sua arrasadora influência na vida política e social da nação.


(Carlos Motta)



Os jornalistas e o irresistível charme do jabá

10 de Setembro de 2016, 0:00, por carlos motta


Jabá e jornalismo andam juntos desde quando os dinossauros mandavam neste planeta.


Jabá, para quem não sabe, é aquele presente "despretensioso" que as empresas mandam para os amigos da imprensa - às vezes é uma bobagem, uma lembrancinha; às vezes custa mais que o salário do mês...


As empresas tentam, ou pelo menos, dizem tentar, estabelecer limites para a aceitação dos jabás, mas isso nunca deu certo - o jabá sempre se provou irresistível.


Destrinchar todas as nuances do jabá exigiria um esforço hercúleo, que não disponho.


Mas é um tema fascinante e sobre o qual, tenho certeza, alguém ainda fará longas e detalhadas dissertações.


Quanto a mim, confesso, já aceitei vários jabás: canetas, agendas, bobagens desse tipo.


Outros, como um par de tênis vermelho com o logo Ferrari estampado, e uma camiseta de polo Lacoste, dei de presente para os contínuos da redação.


Antes desses, aconteceu comigo um outro caso, bem mais explícito sobre as relações entre imprensa e sociedade. 


Foi num jornal em que trabalhei em Campinas. Havia acabado de ser contratado para tocar a minúscula redação, a pessoa que fazia a "coluna social" estava de férias, e lé fui eu, com a ajuda do fotógrafo, fechar a dita cuja. Edição publicada, numa tarde modorrenta de segunda-feira surge na redação, à minha procura, um office boy, com um envelope na mão:


- A dona .... pediu para entregar isso para o senhor e agradecer pela nota que saiu na coluna social.


Abri o envelope: era um maço de dinheiro, que devolvi ao rapaz, explicando, educadamente, que devolvesse o "presente" com a explicação, para a autora da generosa oferta, de que o jornal não cobrava para publicar notícias.


Não sei se o dinheiro foi devolvido ou não. Preferi fazer de conta que o caso estava encerrado.


O poder do jabá é contagiante.


Ao ponto de arrastar dezenas de profissionais para aqueles entediantes almoços de fim de ano que as associações de classe ofereciam, principalmente quando se sabe que quem se dispusesse a comer o indefectível "filé à jornalista" (mignon, legumes na manteiga e arroz branco) ganhava como compensação pela inevitável azia que o acepipe provocava, um "gadget" eletrônico.


Certa tarde, ao chegar à minha mesa, noto que estava praticamente sozinho na editoria. Estranho, penso. E pergunto ao único repórter presente:


- Mas onde está todo mundo?


- No almoço da Eletros [a associação nacional de fabricantes de produtos eletrônicos]...


Uma hora, uma hora e meia depois, o bando adentrava a redação, numa algazarra que não deixava nenhuma dúvida de que o jabá, mais uma vez, tinha exercido toda a sua mágica.


Há, ainda, um outro tipo de jabá, em que os papéis se invertem: é o jornalista que procura a empresa em busca de um "favor".


Um exemplo real: a repórter bateu o carro, que iria ficar mais de um mês na oficina. A solução para o seu problema? Pedir para uma montadora emprestar um veículo, providência tomada por meio de um mero telefonema à assessoria de imprensa da empresa.


Nos últimos anos em que trabalhei em redação a oferta de jabás havia diminuído drasticamente. 


Um mistério.


O jabá talvez tivesse esgotado o seu poder de cooptação, por ter se tornado extremamente corriqueiro.


Ou talvez as empresas tenham percebido que os jornalistas haviam se rebaixado tanto, ética e moralmente, que nem jabá mais mereciam.


(Carlos Motta)



O dia em que Gorbachev fez propaganda da Folha no Estadão

7 de Setembro de 2016, 0:00, por carlos motta


Algum tempo depois de ter destruído a União Soviética, Mikhail Gorbachev passou a viver, entre outras coisas, de palestras, seguindo o exemplo de vários colegas ocidentais. Corria o mundo a divulgar seu feito, temperando a conversa com alguns conselhos e observações sobre política internacional, que os ouvintes fingiam acreditar ser sérios, para esquecer logo em seguida.


Tantas viagens acabaram trazendo-o ao Brasil, mais precisamente a São Paulo. Num intervalo do interminável oba-oba com que os nativos o presentearam, o líder aposentado foi parar no Estadão para ver como é que funcionava um dos principais baluartes da recém-florida democracia liberal que aqui se instalava.


Quando surgiu na redação, dezenas de curiosos, de contínuos a jornalistas de todos os calibres, o cercaram. Gorbachev parou diante de uma mesa, sorriu o sorriso dos predestinados, sentou-se na cadeira vaga e pegou um dos jornais que ali se achavam amontoados. Ao abrí-lo, o espoucar de flashes parecia fogos de artifício.


E não deu nem tempo de avisá-lo que havia escolhido o jornal errado: Gorbachev posava para a imortalidade do Estadão passando os olhos numa Folha de S. Paulo! 


A balbúrdia daquele momento foi tamanha que ninguém ligou para a gafe. O fato é que Gorbachev se despedia sob uma calorosa salva de palmas e um princípio de confusão, quando uma veterana integrante daquela equipe de bravos jornalistas agarrou a cadeira que o ex-líder havia usado e determinou, entre categórica e histérica:


- É minha, é minha! Ninguém mais vai sentar nela!


Por causa do tumulto não deu para ver se ela levou o troféu para casa ou simplesmente o incorporou à mobília de sua mesa de trabalho. (Carlos Motta)



Lula, vidraças e banqueiros. Ou o jornalismo sem caráter

7 de Setembro de 2016, 0:00, por carlos motta


E eis que me lembro de três historinhas que estavam guardadas entre as minhas cada vez mais raras "pequenas células cinzentas", como gosta de dizer o célebre inspetor Poirot, passadas na redação do falecido Estadão - jornal no qual trabalhei 18 anos, em duas oportunidades.


Não sei bem porque elas surgiram na memória, assim de repente, mas tenho a impressão de que se conectam com o que o a imprensa se transformou nos dias de hoje.


Ou seja: a canalhice, a sabujice, o puxa-saquismo descarado, a hipocrisia, o carreirismo, enfim, todas as essas que definem o mau caráter, não são exclusividades destes tempos sombrios.


Divirtam-se.


Lula lá


Muito tempo atrás, em plena campanha eleitoral para a presidência, com as atenções do país divididas entre Collor e Lula, o diretor de redação do finado Estadão interrompeu a reunião de pauta para dar um recado curto e grosso:


- Nossa cobertura está muito pró-Lula. Vamos acabar com isso.


Dito e feito, claro.


Hoje, se não dá mais ordens a editores, ele se contenta em exercer o rentável ofício de difamador dos petistas em geral e de Lula em particular.


Venceu na vida.


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Vidraças


Piada que ouvi, certa vez, há séculos, numa reunião de pauta do Estadão, contada pelo editor-chefe (Lula havia acabado de assumir a Presidência):


- Sabe o que a Benedita da Silva disse para a dona Marisa na visita que fez a ela e ao Lula no Palácio do Planalto? "Nossa, Marisa, quanta vidraça tem aqui para você limpar!"


Meu acesso de tosse nervosa foi completamente abafado pelo riso dos colegas.


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Os banqueiros também amam


No tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, ou quando o Estadão ainda era um jornal, conversando com um repórter da área financeira, escutei dele a seguinte pérola:


- Mas você precisa ver o lado do banqueiro!


Nem preciso dizer que o rapaz teve um carreira muito bem sucedida. 


(Carlos Motta)



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