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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 2 people following this article.
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Rê Bordosa voltou sá pra avisar: #elenão

22 de Setembro de 2018, 10:19, por Feed RSS do(a) News

Rê bordosa, o retorno



Ciro alerta para risco de ditadura contido na ascensão de Bolsonaro

21 de Setembro de 2018, 12:46, por Feed RSS do(a) News

Em linha com o discurso de Ciro Gomes, a ascensão da retórica nazista é real, a ponto de o Brasil chegar à capa da revista britânica The Economist.

 

Por Redação – de São Paulo

 

O Brasil está diante da ameaça de cair num “fenômeno nazista e militarista”, disse nesta quinta-feira o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes. Ele voltou a afirmar que os eleitores votem por convicção no primeiro turno, deixando o chamado voto útil para a segunda rodada. Este seria o antídoto mais adequado para que Bolsonaro seja neutralizado antes mesmo de chegar à próxima etapa das eleições.

Bolsonaro é desnudado pela bíblia mundial do capitalismo, a revista britânica The EconomistBolsonaro é desnudado pela bíblia mundial do capitalismo, a revista britânica The Economist

— O povo brasileiro está em revolução, as pessoas estão mudando violentamente, estão procurando um caminho e eu entendo com o meu coração esse sentimento, porque é muita emoção, muita mudança de última hora… muita ‘fake news’ — disse Ciro a jornalistas após participar de uma reunião no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), na capital paulista.

Voto útil

Ainda segundo o ex-governador do Ceará, “as pessoas estão preocupadas, o Brasil está ameaçado de uma queda no precipício, um fenômeno nazista, militarista e extremista”.

— Mulheres estão sendo insultadas pelo mero fato de serem mulheres, meninos e meninas brigando de forma odienta, descambando para a violência, um candidato que emula a violência sofreu o que não pode acontecer, pela primeira vez na história moderna do Brasil — pontuou.

Para Ciro, nesse quadro, não é possível a pregação do voto útil já no primeiro turno.

— Voto útil é a negação da preferência do cidadão, o cidadão tem que votar em quem ele achar melhor e ficar em paz com a sua consciência — argumentou Ciro, lembrando ser possível evitar que o representante neofascista chegue ao segundo turno das eleições.

Datafolha

A possibilidade de apelos pelo voto útil cresceu depois que o Ibope divulgou pesquisa na terça-feira mostrando o candidato do PT, Fernando Haddad, isolado no segundo lugar, com 19 por cento das intenções de voto, enquanto Ciro tinha 11 por cento. O presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, liderava com 28 por cento.

Mas, nesta madrugada, o Datafolha divulgou levantamento mostrando Ciro e Haddad em empate técnico, embora o petista apareça numericamente à frente (16% a 13 por cento). Bolsonaro somou 28 por cento das intenções de voto também nesta pesquisa.

Apesar do quadro menos desfavorável na sondagem mais recente, Ciro voltou a colocar em dúvida os institutos de pesquisa.

— O que a gente precisa tirar de lição dessas pesquisas, que estão saindo praticamente todo dia, é que não é razoável que um cidadão amadurecido politicamente entregue sua decisão, sua preferência em relação à sorte da nação, da sua família, a institutos de pesquisa, nem porque eles podem ser desonestos, porque nesse país até deputado se compra, quanto mais instituto de pesquisa — afirmou o presidenciável.

The Economist

Em linha com o discurso do candidato pedetista, o risco de ascensão da retórica nazista é real, a ponto de o Brasil chegar à capa da bíblia internacional do capitalismo, a revista britânica The Economist desta semana. Com o título “Jair Bolsonaro, a mais recente ameaça da América Latina”, a publicação, uma das mais respeitadas em todo o mundo, especialmente quando o assunto é liberalismo econômico, afirma que o candidato do PSL seria um “presidente desastroso”.

A reportagem diz que Bolsonaro é o último de um grupo de populistas, que inclui de Donald Trump nos Estados Unidos, a Rodrigo Duterte nas Filipinas e uma coalizão de esquerda e direita com Matteo Salvini na Itália. “Bolsonaro seria uma adição particularmente desagradável ao clube. Se ele vencesse, poderia colocar em risco a própria sobrevivência da democracia no maior país da América Latina”, afirma o texto.

Para a revista, as eleições de outubro dão ao Brasil a chance de começar de novo. No entanto, se, como parece possível, a vitória for para Jair Bolsonaro, um populista de direita, o país corre o risco de piorar tudo. “Bolsonaro, cujo nome do meio é Messias, promete a salvação, mas na verdade ele é uma ameaça para o Brasil e para a América Latina”, resume o texto.



Deu no El País: “Haddad está no segundo turno, Bolsonaro ainda não”, diz estatístico de campanhas.

21 de Setembro de 2018, 12:46, por Feed RSS do(a) News

O jornal El País entrevistou o estatístico Paulo Guimarães, que afirmou que o único candidato garantido no segundo turno é o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Para Guimarães, que acompanha a eleição por meio de grupos controle de eleitores, atuando em 13 Estados nesta eleição, a segunda vaga para o segundo turno está dividida entre Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e o capitão Jair Bolsonaro.

O estatístico é conhecido como o “guru” de campanhas por ajudar a eleger, entre outros casos considerados impossíveis, o hoje candidato ao Senado César Maia (DEM) à prefeitura do Rio de Janeiro em 1992.

Leia trechos da entrevista abaixo. Para acessar o conteúdo na íntegra clique aqui

O que é possível dizer neste momento sobre o desfecho do primeiro turno?

Resposta. O Haddad vai para o segundo turno. Era muito difícil o candidato do Lula não estar no segundo turno, e isso tem se confirmado pelas tendências. O Lula é um apoiador muito forte. Muita gente confundiu o apoio dele ao Haddad presidente com o apoio ao Haddad prefeito de São Paulo. Quem sabe do buraco da minha rua é o prefeito, o ex-prefeito, o candidato a prefeito. O presidente fica longe, distante. O governador está um pouco mais próximo, mas quem está muito próximo é um ex-prefeito, um prefeito atual.

Bolsonaro lidera as pesquisas desde o início da campanha e não para de crescer. Por que não está garantido?

R. O voto dele não é de competência, é de protesto, de ódio ao outro lado. A maior fidelização entre os candidatos é a do Bolsonaro, mas tem uma parte muito flutuante ali ainda, que está lá pelo ódio. Se o eleitor perceber que pode ganhar do PT sem o ódio, ele pode mudar. Mas, para isso, tem de aparecer um desses outros candidatos de centro com uma votação que dê esperança ao eleitor. E isso vai ser decidido nos últimos três dias. Se um desses de centro chegar [ao final da corrida eleitoral] com 15% e o Bolsonaro com 25%, é possível.

É possível prever um cenário assim mesmo diante do crescimento de Bolsonaro nas pesquisas?

R. As chances deles aumentam com o crescimento nas pesquisas, mas pode mudar muita coisa se o Bolsonaro não se mostrar competitivo contra o PT no segundo turno. Eu já vi [Celso] Russomanno a três dias da eleição com 11 pontos na frente de [José] Serra e Haddad [na eleição pela Prefeitura de São Paulo em 2012], e os dois passaram à frente. Se ninguém aglutinar, os votos vão para o Bolsonaro por conta do ódio ao PT. Se alguém do centro aparecer bem posicionado, vai atrair os votos úteis. Ainda é um pouco cedo para se pensar num quadro definitivo. Mas eu apostaria que o Haddad está no segundo turno, e a outra vaga tem de ser disputada por Ciro, Geraldo e Bolsonaro.

É de se esperar, então, que Bolsonaro perca algum do espaço ganhado nos últimos dias?

A Marina teve muito mais [intenção de voto] do que ele tem hoje, subiu 31 pontos e chegou a 37% [em 2014]. A esse ponto, o Aécio não estava sequer no debate. A comoção se dissipou e ela ficou com 21%, ele [o senador tucano] foi para o segundo turno. Ainda é cedo. Hoje se aposta muito mais no Bolsonaro porque ele está à frente. Mas nas últimas eleições das capitais, apenas três candidatos que saíram na frente ganharam, entre eles o ACM Neto (DEM) e o Marcelo Crivella (PRB). Todos os outros saíram muito de trás. O [prefeito de Porto Alegre, Nelson] Marquezan (PSDB) largou com 3,6%. Quem sai à frente tem o ônus de ser a maior mira de todo mundo, e também carrega os votos do eleitor desatento, que indica o voto nele porque é o candidato mais comentado. Quando ele começa a prestar atenção, percebe que não é isso que ele queria.

E Bolsonaro, não tem mais para onde crescer?

Tem, mas em função do ódio, não dele. A rejeição dele é muito alta há algum tempo. À medida que o Lula fica mais odiado, que outros candidatos dizem que vão dar indulto para ele, o eleitor decide votar no Bolsonaro. O jogo hoje é muito mais político do que temático —de melhorar saúde, educação, segurança. As mulheres não votam no Bolsonaro, mas as mulheres pobres tendem a decidir o voto mais tarde. O país é absurdamente machista. O marido vai dizer em quem elas devem votar, principalmente nas classes mais baixas, das mulheres mais agredidas. O voto da mulher tem convergido para o voto do homem historicamente.

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PF vai empurrar até o dia da eleição o inquérito da facada em Bolsonaro. Aí tem?

21 de Setembro de 2018, 12:46, por Feed RSS do(a) News

A pedido da Polícia Federal, a Justiça concedeu no fim da tarde desta quinta-feira a prorrogação por mais 15 dias do inquérito que investiga a facada em Jair Bolsonaro, candidato à Presidência da República pelo PSL. Isso significa que o resultado das investigações sairá no dia 05 de outubro, uma sexta-feira, antevéspera das eleições, marcadas para o dia 7 de outubro.

Segundo reportagem do G1, de acordo com o delegado Regional de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais, Rodrigo Morais, perícias ainda estão sendo feitas no material que foi apreendido em posse do agressor confesso Adélio Bispo de Oliveira – um notebook, quatro aparelhos celulares e documentos, além de computadores.

É inevitável associar esse pedido de adiamento a dois fatos históricos e trágicos: o suposto ataque ao jornalista Carlos Lacerda na rua Tonelero, no Rio de Janeiro, que culminou no suicídio de Getúlio Vargas em abril de 1954, e a cobertura da mídia dada ao sequestro do empresário Abílio Diniz, às vésperas da eleição presidencial de 1989 – segundo a qual teria sido encontrado material de propaganda política do PT com os sequestradores.

O agressor de Bolsonaro, Adelio Bispo de Oliveira, foi indiciado pela PF pelo crime de “atentado pessoal por inconformismo político” com base no artigo 20 da Lei de Segurança Nacional.

Bolsonaro está internado desde o dia 7 de setembro. Nesta quinta-feira (20) ele estava com febre de 37,7 °C e foi submetido a uma drenagem após exame de tomografia indicar a presença de líquido ao lado do intestino, segundo boletim médico do Hospital Israelita Albert Einstein.

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Exposição Virtual Millôr Fernandes

21 de Setembro de 2018, 12:46, por Feed RSS do(a) News

Desenhista, tradutor, frasista, dramaturgo, apresentador, poeta, fabulista, humorista e carioca do Leme, da gema. Quem escreve um texto Millôr, geralmente começa assim. E não tem outro jeito porque ele não era apenas um, eram vários.

Conheço a obra do Millôr, originalmente Milton Viola Fernandes, desde pequenininho, quando o meu pai chegou em casa com um exemplar da revista Senhor – uma revista para adultos – e a esqueceu em cima da escrivaninha do seu escritório. Isso no início dos anos 1960, eu menino de calças curtas. Bati os olhos naquele desenho e nunca mais sai do pé dele. Do Millôr.

Pode parecer chavão, mas, “como Millôr não há e nunca houve outro igual”. Era cartunista, humorista, tudo aqui que disse lá acima, mas, nunca soube de alguém como ele em português ou em outra língua qualquer. Nunca soube de alguém que traduzia Shakespeare e, ao mesmo tempo, pensava coisas do tipo “Entre o riso e a lágrima quase sempre há apenas o nariz”.

Sempre acompanhei Millôr através das revistas, dos jornais, dos livros, das exposições, das traduções, da obra gráfica, das raras rodas-vivas em que aparecia na televisão. A última vez que o vi, foi na calçada da Visconde de Pirajá, em Ipanema, saindo da livraria Letras & Expressões com uma revista Economist debaixo do braço.

Pouco depois, caiu doente e, algum tempo depois nos deixou. Desde então, fico aqui pensando com os meus botões, a falta que ele nos faz.

Alberto Villas

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Trecho do livro Mil Tons, o meu Millôr, Alberto Villas, editora e-galáxia. Lá no alto da página 14, em verde, Millôr escreveu o seguinte:


“Bata em sua mulher hoje mesmo – amanhã ela pode estar no poder”.

Não acreditei no que estava vendo, no que estava lendo. Sim, li todo o Millôr daquelas duas páginas, a 14 e a 15. O “haicai” era, mais uma vez, cheio de inspiração:

“O espelho da mudança

Envaidece


A vizinhança”.

Parei num “Livre-Pensar é só pensar”, que dizia o seguinte:

“Mistério Metafísico: Por que será que todas as pessoas de bom senso pensam exatamente como nós?”

Deixei a Veja aberta ali em cima da escrivaninha, puxei minha máquina de escrever portátil Hermes Baby creme, com teclado adaptado para o português do Brasil, coloquei um papel de seda verde e comecei a escrever uma carta para a redação.


Fiz um verdadeiro tratado sobre o feminismo. Sabia que estava me
expondo, pensando bem, desnecessariamente. Contei que lavava a roupa, enxaguava e passava. Arrumava a casa, lavava a louça, trocava a fralda da minha filha, esterilizava os brinquedinhos dos meus filhos, dividia todos os trabalhos da casa com a minha companheira.

Comecei a carta falando do voto feminino, falei de Beth Friedman, do segundo sexo de Simone de Beauvoir, dos sutiãs queimados nas praças públicas e, finalmente, cheguei ao ponto.

Millôr, o meu Millôr, não poderia escrever uma coisa dessas, nem por brincadeira. Levei a sério aquela história.

Terminei a carta, coloquei dentro de um envelope e, naquela tarde mesmo, fui até o correio da Rue du Borrego e despachei minha ira, todo o meu veneno, dentro de um envelope vermelho e azul escrito par avion.

Em dezembro, o meu protesto foi publicado na revista Veja, em quatro linhas na página de cartas dos leitores: 

Millôr Fernandes publicou, em Veja número 567, o seguinte: “Bata em sua mulher hoje mesmo – amanhã ela pode estar no poder. Gostaria de saber onde está a graça”. Alberto Villas, Paris, França.

Millôr, em cinco tiradas.
A fotografia é a mentira verdadeira.

O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas

Há males que vem pra pior

A invenção do Alka-Seltzer foi uma tempestade em copo d’água

A fotografia é a mentira verdadeira

Se os animais falassem não seria conosco que iam bater papo

Serviço:

Millôr: obra gráfica

Curadoria: Cássio Loredano, Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires

Abertura: 18 de setembro, 18h

Visitação: de 19 de setembro a 27 de janeiro

Galeria 1

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424

São Paulo

Tel.: 11 2842-9120

imspaulista@ims.com.br

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O fracasso do golpe no país surreal

21 de Setembro de 2018, 12:46, por Feed RSS do(a) News

Por Pedro Tierra, no site Carta Maior:

“A Revolução que acalentamos na juventude, faltou.

A vida, não. A vida não falta.

E não há nada mais revolucionário que a vida...” (1994) [*]


Será vão o esforço intelectual, mesmo das cabeças mais brilhantes, empenhadas em utilizar as categorias cartesianas para decifrar o Brasil. Aqui nos trópicos, nem mesmo o surrealismo – como advertia Alejo Carpentier na Introdução Manifesto ao “El reino de este mundo” – seria capaz de dar conta dos paradoxos da esfinge...

Contados dois anos, desde a deposição da presidente eleita, Dilma Rousseff, de desmoralizar e isolar o Partido dos Trabalhadores, numa vitória arrasadora em toda linha, nas ruas e nas instituições, as forças sociais e políticas que desferiram o golpe de estado, em 2016, chegam às vésperas das primeiras eleições presidenciais pós-golpe numa situação singular: desabou a “Ponte para o futuro” prometida no momento do triunfo da conspiração. O país foi conduzido, em marcha batida – para que não se desse às forças populares fôlego suficiente para respirar e reagir ao assalto aos direitos conquistados no período anterior – à entrega dos recursos naturais, à liquidação das políticas de inclusão social, à destruição do projeto de crescimento soberano e com distribuição de renda.

O golpe fracassou. Para impor ao país os objetivos da agenda neoliberal, os golpistas chegam às eleições de 2018 que eram sonhadas como o selo que haveria de conferir a sonhada legitimidade, carregando nos ombros alguns fardos pesados: a) um fracasso econômico insofismável. O país foi conduzido à recessão e a sucessivas quedas nas atividades industriais, comerciais e de serviços. Só os bancos, como não podia deixar de ser, seguem imunes às crises; b) um fracasso social, traduzido nas altas taxas de desemprego, na precarização das relações de trabalho, na liquidação das políticas de inclusão como o “Minha Casa Minha Vida” e o “Bolsa Família” que devolvem o país ao mapa da fome e c) um fracasso político que levou à gigantesca rejeição popular ao governo, ao ponto de não contar com um único candidato na corrida presidencial que se disponha a defende-lo, mesmo os mais comprometidos com ele, como Alckmin e Meirelles.

O personagem que encarna o golpe – o usurpador Michel Temer – se converteu num fantasma abominável, a quem ninguém mais dirige, senão para execrá-lo. De quem todos fogem, mesmo seus sócios mais íntimos, porque sua imagem diante da população contamina a credibilidade de qualquer pretensão.

Hoje, os dois líderes que representam as forças políticas de maior relevância, estão formalmente fora da disputa. Um na prisão. O outro no hospital. Ambos representados nesse momento por seus vices. O primeiro por um advogado, economista. O outro, por um general. Peculiaridades da esfinge tropical... 2018 revela, ao Brasil que ainda deseja entender o que se passa, que o Brasil não resolveu o impasse entre a cultura autoritária, racista, misógina e politicamente colonizada e a cultura democrática, inclusiva e defensora da soberania. Em outros termos: o impasse entre a Casa Grande e a Senzala. Entre seguir cumprindo a condenação de ser colônia ou manter de pé o projeto de se tornar um dia uma nação.

O cenário destas eleições presidenciais de 2018, nos remete a uma tela de Debret: um dos contendores se encontra atado ao pelourinho, os demais, com os braços livres empunham o chicote e fustigam. Assim funciona a democracia nesses trópicos... As elites brasileiras – leia-se, o capital financeiro, os oligopólios dos meios de comunicação, os donos do agronegócio – ainda não entenderam, por subestima-lo sistematicamente, que a cada vez que impõem uma derrota a Lula, pela força do aparato do Estado sob seu controle, como ocorre agora ao negar-lhe o direito à candidatura, ele dá a volta por cima e se apresenta mais forte na batalha seguinte. Há quem formule a crítica de que Lula não deveria “desistir da candidatura”. Deveria ir até o fim. A resposta de Lula é, desde a prisão onde se encontra, lançar a candidatura de Fernando Haddad e demonstrar a capacidade das esquerdas para se renovar e imprimir um novo vigor na disputa.

A prisão arbitrária imposta pelo aparato judicial brasileiro permitiu a Lula recuperar sua estatura única como líder popular do país. E recuperou a imagem do Partido dos Trabalhadores para as lutas sociais e eleitorais do próximo período. O PT alcança, hoje, a preferência partidária de 25% da população brasileira. Os partidos comprometidos com o golpe, todos, não alcançam 5%.

De dentro do hospital, o capitão envia sua mensagem – a única que é capaz de enviar – de apologia da violência fascista como forma de resolver os conflitos da sociedade e atrair para si os votos da direita atônita que perdeu para ele a “embocadura do discurso”. Trata de assegurar a hegemonia política que conquistou sobre a massa dos setores sociais que foram para as ruas respaldar os condutores do golpe de 2016.

As declarações do ex-presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, na última semana explicitando uma autocrítica sobre os descaminhos do partido que, segundo ele, se afastou do respeito à democracia, ao não reconhecer a derrota de 2014; ao embarcar na aventura do golpe em 2016; e por fim, ao integrar-se ao governo Temer, consumou uma trajetória de equívocos. Palavras que soaram como um dobre de finados sobre a campanha dos tucanos.

Atestam, as declarações do Senador, que o discurso da direita foi capturado pela extrema-direita encarnada pelo capitão. A direita bem pensante rendeu-se a um discurso tosco e simplificador. O bolsonarismo se apresenta como uma espécie de integralismo da idade da pedra, nutrido pela maré conservadora mundial contemporânea. Aqui mora precisamente o perigo: o capitão simbolicamente vertebrou o discurso fascista com uma parcela significativa da base popular. Eis aí o rosto da fera que espreita a democracia brasileira: um fascismo popular numa sociedade conflagrada.

A peculiar democracia brasileira, depois de relativizar a vigência da Constituição de 1988, vem nos oferecendo um cardápio variado de cenas exemplares. A mais vistosa é o “pelourinho eletrônico” montado na praça maior de Pindorama: o Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. Por ela desfilam todos os candidatos que a emissora convoca. Ali são submetidos ao açoite público, com o lustroso casal de âncoras executando o suplício, como executavam os antigos feitores.

Elevado a técnica jornalística, o interrogatório reproduz a lógica do que se punha em prática nas salas acústicas da Rua Tutoia ou da Barão de Mesquita: a tese chega pronta. O interrogado tem todo o direito de confirmar ou desmentir. Desde que se atenha ao texto previamente preparado...

No “pelourinho eletrônico” os postulantes ao mais importante cargo da república são supliciados ante os olhos incrédulos ou indignados dos expectadores por um poder que se atribui uma tutela sobre a sociedade, que a sociedade não lhe delegou. Inverte-se assim, nessa democracia tropical, a ordem dos fatores. Uma empresa que atua como concessão do poder público, de acordo com a Constituição, assume o papel de concedente: opera sem qualquer inibição para impor o nome que mais lhe convém. Pretende, assim, assegurar as condições para seguir governando o governo...

A movimentação dos números apresentados pelos levantamentos de opinião desses últimos dias apontam para uma decisão dramática – mais uma vez – entre o Petismo representado por Fernando Haddad com forte impulso ascendente e o Anti-Petismo, agora sob a liderança fascista do ex-capitão, já que a “direita civil” perdeu substância como porta-voz do projeto neoliberal para o país.

Para as esquerdas está posto o desafio de unificar-se e buscar ampliar sua capacidade de atrair os setores populares dispostos a votar na candidatura de Fernando Haddad ancorada e apoiada por Lula. Para a “direita civil” resta a escolha de respaldar abertamente o fascismo ou retomar o caminho de defesa da democracia do qual se afastou ao questionar os resultados das urnas de 2014.

* Pedro Tierra (Hamilton Pereira) é poeta, ex- Presidente da Fundação Perseu Abramo.

Nota

* Versos do Poema “Os Filhos da Paixão“



Haddad e o antipetismo. Antipetismo?

19 de Setembro de 2018, 21:56, por Feed RSS do(a) News

Em primeiro lugar, é bom que se registre que, com  todo o tal do antipetismo, Lula liderava as intenções de voto (chegou a 39%) e, nas projeções de segundo turno, ganhava de todo mundo, inclusive de Bolsonaro.

 

Por Chico Junior – do Rio de Janeiro

 

Digamos que o candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, consiga mesmo ir para o segundo turno, conforme estão apontando as mais recentes pesquisas de opinião. E que o seu adversário seja mesmo Jair Bolsonaro.

Haddad está, virtualmente, no segundo turno das eleições, segundo corretora de valoresHaddad está, virtualmente, no segundo turno das eleições, segundo corretora de valores

A questão que se coloca, e que deixa os eleitores de Haddad preocupados, é: o chamado antipetismo, o voto anti PT, será capaz de derrotá-lo.

Em primeiro lugar, é bom que se registre que, com  todo o tal do antipetismo, Lula liderava as intenções de voto (chegou a 39%) e, nas projeções de segundo turno, ganhava de todo mundo, inclusive de Bolsonaro.

Centro

Em segundo lugar, a eleição do segundo turno se caracterizará pelo embate das forças democráticas, progressistas, representadas por Haddad, contra as forças antidemocráticas, conservadoras, representadas por Bolsonaro.

É claro que o voto antipetista existe e certamente irá para Bolsonaro, mas resta saber se será suficiente para dar a vitória ao capitão.

Outra questão importante é que, após o primeiro turno, e estando no segundo, Haddad vai ter que, obrigatoriamente, caminhar para o centro, caso queira conseguir as indispensáveis e fundamentais alianças que o ajudarão a derrotar Bolsonaro. Conseguir o apoio de PDT de Ciro, da Rede de Marina, do PSB e até do PSDB de Alckmin será muito importante. O PT já dá sinais que a estratégia de adotar um tom mais moderado na campanha poderá começar já neste primeiro turno.

Radical

Em suma, além do voto popular, o PT tem que conseguir apoio político.

E o PT sabe como fazer isso. Afinal, é um partido bem estruturado em nível nacional, tem uma militância ativa, governou o país por quatro vezes seguidas e certamente formará uma base parlamentar que o credenciará a fazer as alianças necessárias.

Para Bolsonaro, conseguir esse leque de alianças será bem mais difícil. Pertence a um partido pequeno (PSL), desestruturado, e tem um discurso capenga quando se trata de questões estruturais para a governança e desenvolvimento do país. Isso sem contar o discurso radical de extrema-direita.

Páreo duro

Ele, Bolsonaro, sabe que vai ser difícil vencer o adversário, seja lá quem for, tanto que já anda dizendo que, se não vencer é porque houve fraude, levantando desconfianças em relação à votação eletrônica, mas esquecendo-se que foi eleito diversas vezes em votação eletrônica.

Nas projeções de segundo turno (de acordo com a última pesquisa do Ibope), o páreo está duro entre Haddad e Bolsonaro. Mas, apesar do antipetismo, Haddad tem 40% das intenções de voto, mesmo índice de Bolsonaro.

Mas, é aquela história, segundo turno é outra eleição e entram em cena fatores que não agiam no primeiro turno.

Aguardemos as próximas pesquisas.

Chico Júnior é jornalista.



Alckmin bate em Bolsonaro, que bate em Ciro, que bate em Alckmin

19 de Setembro de 2018, 21:56, por Feed RSS do(a) News

O fato de permanecer estagnado nas pesquisas tem levado o presidenciável Ciro Gomes (PDT) a destacar que o candidato do PSDB ao Planalto, Geraldo Alckmin, não consegue subir no conceito do eleitor; apesar de “ter vendido a alma para ter o maior de tempo de TV”.

 

Por Redação – de São Paulo

 

O presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, disse que o PT já está no segundo turno da eleição presidencial. Agora, o que precisa ser decidido é quem enfrentará o candidato petista, Fernando Haddad. A mudança na estratégia de campanha leva o tucano a buscar os votos do principal concorrente à direita: Jair Bolsonaro (PSL).

Ciro Gomes e Geraldo Alckmin tendem a se enfrentar, diretamente, até as eleições de outubro, na tentativa de derrubar Bolsonaro

Este por sua vez, tem desconversado quanto aos ataques do candidato pedetista, Ciro Gomes, evitando um confronto direto. Ciro tem repetido que o candidato a vice, na chapa do PSL, general Hamilton Mourão, não passaria de “um jumento de carga”. Mas o foco do ex-governador cearense, no entanto, concentra-se na caça ao tucano.

O fato de Alckmin permanecer estagnado nas pesquisas tem levado o presidenciável Ciro Gomes a destacar, ainda, que ele não consegue subir no conceito do eleitor; apesar de “ter vendido a alma para ter o maior de tempo de TV”.

Pesquisas

A declaração de Ciro foi uma referência a última pesquisa Ibope, divulgada na véspera, onde ele aparece com 11% das intenções de voto e Alckmin caiu de 9% para 7%. A liderança continua, por enquanto, com Jair Bolsonaro (PSL). O representante fascista oscilou dentro da margem de erro, de 26% para 28%. Fernando Haddad (PT), por sua vez, que cresceu de 8% para 19% e deve ir para o segundo turno. Já Marina Silva (Rede) caiu de 9% para 6%.

— Alckmin vendeu a alma para ter o maior tempo de TV, na aliança com o Centrão, mas está pagando um preço amargo, pois não decolou nas pesquisas e continua a aparecer com um dígito nas intenções de voto — disse Gomes, em entrevista nesta quarta-feira, a jornalistas.

Ciro disse, que não cede às pesquisas eleitorais e que elas são um retrato do momento. Segundo o trabalhista, os rumos da sua campanha continuarão sendo feitos com “trabalho” e serenidade”. “Sou experiente”, disse.

Intolerância

Ao lado de Alckmin, no entanto, o presidente do PPS, Roberto Freire, disse à agência inglesa de notícias Reuters que a campanha de Alckmin terá a preocupação de demonstrar não apenas os riscos para o Brasil da eleição do candidato do PSL, Jair Bolsonaro. Mas também do eventual retorno do PT ao governo federal. Ataques a Bolsonaro também serão retomados, disse.

Freire disse que o tucano procurou passar segurança em relação ao momento atual da campanha e afirmou que vai incorporar essas mudanças sugeridas na campanha, com o intuito de demonstrar que é ruim para o país uma vitória petista.

Na véspera, em entrevista coletiva, o presidenciável tucano chegou a dizer que a ida de Bolsonaro ao segundo turno é o passaporte para a volta do PT ao poder. Sem muito sucesso, no entanto, Alckmin procurou apresentar semelhanças entre os dois adversários.

Mais cedo, aliados de Alckmin comentaram ser necessárias mudanças rápidas na comunicação do tucano com o eleitor a fim de tentar uma reação disputa ao Planalto.

Horário eleitoral

O tucano tem aparecido nas sondagens de primeiro turno longe de Bolsonaro e perdendo terreno em relação a Haddad, mesmo dispondo do maior arco de alianças partidárias, o que lhe garante maciça presença no horário eleitoral e nas inserções veiculadas no rádio e na TV.

Segundo o presidente do PPS, a avaliação geral dos presentes ao encontro é que a campanha de Alckmin foi prejudicada pelo atentado à faca contra Bolsonaro ocorrido no último dia 6.

No início da campanha na TV, disse Freire, o candidato do PSL começou a ter uma perda de apoio, mas após ser esfaqueado conseguiu paralisar essa perda inicial e posteriormente ainda ganhar pontos nas pesquisas de intenção de voto — atualmente ele lidera com folga as sondagens para o primeiro turno.

Segundo turno

O presidente do PPS disse que o atentado a Bolsonaro fez com que todas as campanhas passassem por uma paralisia de suas estratégias e houve ainda o que chamou de “pantomina” do PT na substituição da candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, barrado pela Lei da Ficha Limpa, por Fernando Haddad.

Apesar do cenário desfavorável, Freire afirmou que a avaliação do encontro é que ainda há tempo para Alckmin chegar ao segundo turno.

“Tudo isso tem que ser relativizado, ainda faltam dias decisivos. O eleitorado ainda não definiu ou consolidou os votos”, disse.

Marina

Assim como Alckmin em entrevista coletiva na véspera, Freire citou o fato de que, a essa altura da campanha de 2014, Marina aparecia em pesquisas em segundo lugar, mas ficou fora do segundo turno, sendo ultrapassada pelo tucano Aécio Neves, que concorreu contra a petista Dilma Rousseff.

— Não se pode dizer que em 18 de setembro de 2018 a eleição esteja decidida — disse o dirigente do PPS, ao ressalvar também que ninguém está querendo dizer que o quadro atual não se pode consolidar.



Bolsonaro e Mourão conspiram contra as urnas

19 de Setembro de 2018, 21:56, por Feed RSS do(a) News

Editorial do site Vermelho:

Na democracia, o povo é a fonte da soberania. Ele encarna o direito do voto como caminho mais legítimo para um sistema político verdadeiramente representativo e democrático. Afrontá-lo é uma atitude incivilizada, um desprezo ao pacto que gerou a Constituição da República. Mesmo golpeada nesse período em que forças retrógadas assaltaram o poder, ela é a batuta que rege as eleições deste ano. Foi o que fez Jair Bolsonaro, em mais um de seus arroubos autoritários.

De acordo o candidato do PSL, haveria um complô para derrotá-lo, mais provavelmente no segundo turno, que estaria sendo armado para fraudar as urnas eletrônicas. “O PT descobriu o caminho para o poder: o voto eletrônico", esbravejou Bolsonaro.

Há, nessas declarações, mensagens subliminares. Com esse assaque à democracia, o candidato da extrema direita, fascista, incita seus seguidores à exasperação, apostando no limite da tensão criada por sua tática da radicalização, ao mesmo tempo em que lança uma espécie de ordem unida para a amarração dos votos que ele julga conquistáveis. Seu medo da decisão soberana do eleitorado é explícito. Afinal, não é do seu feitio manifestar apreço à democracia.

A afronta de Bolsonaro também semeia golpismo ao insinuar que ele não acatará a decisão das urnas. Suas palavras são como sementes de insubordinação às regras do jogo democrático, uma confissão de que eleições só têm serventia se for para decidir a seu favor. Soma-se a essa ameaça os vitupérios do general Hamilton Mourão, o candidato a vice-presidente de Bolsonaro, pregando que um autogolpe pode ser deflagrado em situação hipotética de “anarquia”. Nos dois casos há uma confessa intenção de não respeitar as regras eleitorais vigentes e a democracia.

Um aspecto de alta relevância nesse festival de insensatez é o uso do “petismo” como motivo para as ameaças. Bolsonaro e Mourão sabem que no jogo limpo, dentro das regras constitucionais, será muito difícil deter a grande aceitação, conquistada em apenas uma semana, da chapa Fernando Haddad-Manuela d’Ávila. Ao contrário das intenções de votos da extrema direita, impulsionadas pela exasperação radicalizada e sustentadas na retórica do terrorismo ideológico, a densidade eleitoral destas candidaturas está lastreada em um programa de governo cujos efeitos benéficos para largas camadas da população são visíveis a olho nu.

Esse recurso de afrontar a democracia tem precedente. Nas eleições de 2014 o PSDB, partido do candidato da direita Aécio Neves, sob a alegação de "desconfianças" propagadas nas redes sociais que “colocam em dúvida desde o processo de votação até a totalização" da contagem nas eleições presidenciais, pediu à Justiça Eleitoral uma auditoria no resultado do segundo turno que deu vitória à presidenta Dilma Rousseff. O tapetão não deu em nada — a não ser no reconhecimento do ex-presidente tucano Tasso Jereissati de que a iniciativa foi um erro e no atestado de lisura na apuração pela presidente do TSE Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rosa Weber.

Segundo a ministra, em 22 anos de utilização de urnas eletrônicas não há nenhum caso de fraude comprovada. “As pessoas são livres para expressar a sua opinião, mas quando essa opinião é desconectada com a realidade, nós temos que buscar os dados da realidade", opinou. Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), também criticou o devaneio de Bolsonaro, dizendo que ele "sempre foi eleito" por meio desse equipamento. “Tem gente que acredita em Saci Pererê", agulhou.

Essa ofensiva da chapa da extrema direita não pode ser subestimada. Não é algo irrelevante e meramente conjuntural. É parte da essência de uma proposta eleitoral antidemocrática, uma pregação aberta de insubordinação às urnas que levanta suspeitas infundadas, sem nenhum respaldo em evidências. Ao mesmo tempo, busca insuflar o golpismo para induzi-lo a entrar no terreno da conspiração contra a vontade do povo. Merece firme repúdio de todas as forças política e ideológicas comprometidas com a democracia.



MARACANÃ: A mina de ouro que ninguém consegue administrar

17 de Setembro de 2018, 21:11, por Feed RSS do(a) News

 

Estádio do maracanã from mountain

Fonte: Wikipedia

Maior e mais tradicional palco do futebol brasileiro, o Maracanã é um desafio na área de gestão esportiva. Mesmo recebendo os principais jogos do futebol brasileiro, sede da final da Copa do Mundo de 2014 e uma das principais arenas da olimpíada Rio 2016, ninguém consegue administrá-lo.

O estádio chegou a ficar fechado com a falta de iniciativa privada e pública para operá-lo. Há muito empurra-empurra de responsabilidade. Mas o problema é jurídico. Na semana passada, a Justiça cancelou a concessão. A decisão foi do juiz Marcello Alvarenga Leite, da 9ª Vara da Fazenda Pública.

A medida foi determinada em acolhimento a ação do Ministério Público fluminense. A alegação, coerente diga-se, é de que o Estádio Mário Filho foi erguido e reformado por recursos públicos. Só com a reforma para o Mundial 2014 foram consumidos R$1,2 bi. O “parceiro” privado entrou apenas na hora de administrar a obra pronta.

Em uma PPP, o ente privado financia o custo inicial da obra, tendo direito depois a operar o equipamento e a contraprestações do Poder Público. Foi assim que ocorreu nas arenas Fonte Nova  (em Salvador-BA), das Dunas (em Natal-RN).