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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 2 people following this article.
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Militarismo com neoliberalismo - tragédia no governo Bolsonaro.

10 de Novembro de 2018, 9:45, por Feed RSS do(a) News

Militarismo com neoliberalismo, tragédia para a economia.

por Pedro Rossi* publicado 24/10/2018 18h51, última modificação 24/10/2018 18h54.

Há uma nítida contradição entre o desejo do mercado financeiro e as promessas de Bolsonaro de fortalecer a segurança pública e as Forças Armadas.

A leitura do programa econômico do Bolsonaro aponta para dois eixos centrais e contraditórios. De um lado uma proposta de redução substancial do Estado, de outro, o militarismo. Essa combinação não deve atender às expectativas de ajuste fiscal, tampouco gerar emprego e crescimento econômico. Trata-se de um projeto de Estado máximo para a segurança e mínimo para os direitos sociais. Tudo para dar errado.

O militarismo é mensagem evidente no programa. São oito menções à palavra “guerra” e uma forte ênfase em um “Brasil livre do crime, da corrupção e de ideologias perversas”. Trata-se do que há de mais genuíno no projeto de Bolsonaro e teria tudo para ser prioridade em seu governo.

Diferentemente de Temer, que abraçou por inteiro a agenda do mercado financeiro, Bolsonaro teria um capital político a zelar e se lançaria em uma estratégia militarista com intuito de apresentar resultados aos seus apoiadores no campo da segurança publica e do combate à corrupção.

Para além dos custos humanos e sociais, esse militarismo tem um custo fiscal que vem do fortalecimento das carreiras ligadas à justiça e à segurança publica, investimentos em equipamentos, tecnologia e inteligência, e do aumento do encarceramento dada a dimensão da “guerra ao crime” e as propostas do seu programa de “redução da maioridade penal para 16 anos”, “acabar com a progressão de penas e as saídas temporárias” e a obsessão em “prender e deixar preso”.

 

O aumento de gastos públicos, para financiamento do encarceramento em massa e da guerra ao crime organizado, estaria em conflito permanente com a estratégia neoliberal. Sua viabilidade dependeria da revogação do teto de gastos ou de um forte corte de despesas nas áreas sociais, o que incluiria a desvinculação de recursos de saúde e educação e a exoneração de servidores públicos. Ambas as opções seriam custosas politicamente, seja pela desaprovação dos mercados financeiros seja por seus impactos sociais e políticos dadas as inevitáveis mobilizações contrárias.

A questão fiscal não se restringe ao teto de gastos. Do lado tributário, a reforma proposta geraria uma perda de arrecadação de 27 bilhões de reais por ano, considerando os cálculos de Sergio Gobetti. As pressões do lado do gasto com queda da arrecadação pressionariam o déficit fiscal e a dívida pública.

Nesse aspecto, o plano de usar as privatizações para abater a dívida dificilmente seria significativo dadas as resistências da ala nacionalista do militarismo, que levou o candidato a recuar quanto à privatização da Petrobras e Eletrobrás.

Mais uma vez, o projeto neoliberal entra em contradição com o militarismo e o mercado financeiro iria reagir toda vez que perceber que os ganhos com a venda do patrimônio publico não são assim tão significativos.  

Por fim, não há, no horizonte de um eventual governo Bolsonaro, nada que aponte para uma recuperação consistente do emprego e da atividade econômica.

O gasto público estaria travado e comprometido com o militarismo, o consumo não reagiria significativamente à redução de impostos que beneficia principalmente os mais ricos e os investimentos em infraestrutura dificilmente sairiam do papel sem espaço orçamentário, apoio do BNDES e a depender apenas da atração de capitais estrangeiros. Dessa forma, o crescimento dependeria muito de uma improvável melhora substantiva no cenário externo para estimular as exportações.

Como consequência, o militarismo com neoliberalismo em um contexto de restrições fiscais é um projeto econômico contraditório, pífio em termos de resultados econômicos e que promoveria um aumento substancial da desigualdade social, em especial quando medida no acesso à serviços públicos essenciais como saúde e educação. 

  • É professor do Instituto de Economia da Unicamp.

 

REPRODUZIDO DO SITE CARTA CAPITAL.

https://www.cartacapital.com.br/economia/militarismo-com-neoliberalismo-tragedia-para-a-economia



O coroamento do golpe de Estado de 2016

6 de Novembro de 2018, 13:23, por Feed RSS do(a) News

Por Umberto Martins, no site da CTB:

A vitória de Jair Bolsonaro em 28 de outubro foi o coroamento do golpe de Estado de 2016, que inaugurou no Brasil uma era de retrocessos para a democracia, a soberania, o desenvolvimento nacional e os direitos e conquistas da classe trabalhadora e do povo. Os golpistas instrumentalizaram a Lava Jato e a mídia burguesa para semear na sociedade o ódio de classes, a intolerância, a demonização do PT, abrindo com isto o caminho à ascensão da extrema direita.

Outro capítulo decisivo do golpe foi a prisão injusta do maior líder popular da nossa história, o ex-presidente Lula, que poderia vencer a corrida presidencial, mas teve a candidatura interditada e foi proibido até de responder entrevistas. Tudo isto foi determinante para a vitória de Bolsonaro.

Luta de classes

O caráter de classes da disputa transpareceu durante a campanha. O capitão de vocação fascista teve o apoio hegemônico do capital, seja este de origem nacional ou estrangeira, financeira ou industrial. Paulo Skaf, presidente da Fiesp - candidato fracassado ao governo paulista e pioneiro do golpe travestido de impeachment -, tomou posição ao lado do militar já no primeiro turno.

O engajamento dos empresários ficou visível no comportamento do mercado de capitais e no financiamento ilegal da campanha de fake news no Watsapp, que consumiu centenas de milhões de reais através do Caixa 2 empresarial, mas não se resumiu nisto. Muitos patrões também cometeram a infâmia de coagir seus empregados a votar contra Haddad com ameaças de demissões e argumentos chantagistas, o que faz lembrar o voto de cabresto da República Velha. O MPT registrou nada menos do que 200 aberrações do gênero, 80% na região Sul.

Bolsonaro promete radicalizar a agenda de restauração neoliberal aberta por Temer, orientada pelos interesses dos banqueiros, grandes capitalistas, latifundiários e, destacadamente, da Casa Branca, traduzidos no chamado Consenso de Washington. Em Miami ele não se envergonhou de expor o complexo de vira-lata que acomete alguns “patriotas” ao prestar continência à bandeira dos EUA e jurar lealdade ao presidente Donald Trump. Veremos uma flexão ainda mais à direita na política externa.

No plano econômico, acena com a radicalização da política fiscal imposta pelo governo golpista de Temer. Seu mais que provável ministro da Fazenda, o economista Paulo Gueses (instruído em Chicago), é um neoliberal radical, defensor do Estado mínimo. Em seu cardápio constam a reforma da Previdência, igual ou pior do que a proposta por Temer, privatizações do que nos resta de estatais, a preservação do congelamento dos investimentos públicos e déficit primário zero, o que significa maiores sacrifícios para a saúde, a educação e o funcionalismo.

Direito do Trabalho

O programa do novo presidente prevê a instituição de uma nova carteira de trabalho sem as garantias da CLT, cujas normas seriam definidas pela negociação individual entre patrão e empregado, sem a intermediação dos sindicatos. É um passo a mais na direção do fim do Direito do Trabalho, que aprofunda a reforma de Temer e a terceirização irrestrita.

No plano político os riscos são ainda maiores. Bolsonaro é um notório defensor da tortura e da ditadura, além de misógeno, preconceituoso e intolerante. Durante a campanha ele prometeu tipificar ações dos movimentos sociais, nomeadamente do MST e MTST, como “terroristas”, criminalizando e reprimindo com dureza as lutas sociais. Pregou o fim dos sindicatos e ameaçou os opositores que não capitularem à sua odiosa ideologia com a prisão ou o exílio.

Frente ampla

Embora no segundo turno, por orientação dos marqueteiros, ele tenha moderado o tom e procurado se apresentar como um bom moço, um pacato cidadão, democrata e patriota, não é prudente baixar a guarda e menosprezar as óbvias ameaças que representa à frágil democracia brasileira, já combalida pelo golpe de 2016, que atropelou direitos fundamentais como a presunção de inocência, deu vazão ao arbítrio de toga e reinstituiu a prisão política, mascarando-a com a insidiosa e falsa campanha de combate à corrupção.

Impõe-se à classe trabalhadores, aos democratas, aos patriotas e seus representantes no Parlamento, nos governos e nos movimentos sociais, o caminho da resistência enérgica contra a nova onda de retrocessos anunciada no resultado final do pleito. Urge formar uma ampla frente democrática e popular em defesa da democracia, dos interesses sociais e da soberania nacional. O tempo não para e a luta continua. O futuro não pode pertencer ao fascismo.



Moro cometeu 11 violações a direitos de Lula

6 de Novembro de 2018, 13:23, por Feed RSS do(a) News

Da Rede Brasil Atual:

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) emitiu nota em que critica a decisão do juiz federal de primeira instância Sérgio Moro de aceitar o cargo de ministro da Justiça no governo do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Os juristas elencam 11 episódio que exemplificam a conduta “excepcionalmente ativista” por parte do magistrado, que foi criticado por especialistas brasileiros e estrangeiros.

“Em diversos episódios, restou evidente a violação do princípio do juiz natural no critério da imparcialidade que deve reger o justo processo em qualquer tradição jurídica. Um juiz deixa de ser independente quando cede a pressões decorrentes de outros Poderes do Estado, das partes ou, mais grave, a interesses alheios à estrita análise do processo, deixando não apenas as partes, como também toda a sociedade sem o resguardo dos critérios de justiça e do devido processo legal”, diz a nota.

Na quinta-feira (1º), em reunião na casa de Bolsonaro, no Rio de Janeiro, foi confirmada a indicação de Moro para o cargo. Na ocasião, o magistrado afirmou que aceitou o convite com a “perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado”.

Entre outras críticas (confira a seguir), a ABJD aponta as conversas entre o juiz e representantes de Bolsonaro ainda durante a campanha eleitoral.

“Moro não poderia, em acordo com as normas democráticas vigentes, praticar qualquer ato de envolvimento político com o governo eleito ou com qualquer outro enquanto fosse juiz. Ao fazê-lo viola frontal e acintosamente as normas que estruturam a atuação da magistratura, tornando tal violação ainda mais impactante ao anunciar que ainda não pretende se afastar formalmente da magistratura, em razão de férias vencidas”.

Confira a íntegra da nota:

*****

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), entidade que congrega os mais diversos segmentos de formação jurídica em defesa do Estado Democrático de Direito, vem a público, diante do aceite do juiz federal Sérgio Moro para integrar o Ministério da Justiça e da Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro, manifestar espanto e grave preocupação com este gesto eminentemente político e consequencial ao comportamento anômalo que o juiz vinha adotando na condução da operação Lava Jato.

A conduta excepcionalmente ativista adotada pelo juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba sempre foi objeto de críticas contundentes por parte da comunidade jurídica nacional e internacional, rendendo manifestações em artigos especializados e livros compostos por centenas de autores, a denunciar o uso indevido da lei em detrimento das garantias e liberdades fundamentais. Em diversos episódios, restou evidente a violação do princípio do juiz natural no critério da imparcialidade que deve reger o justo processo em qualquer tradição jurídica. Um juiz deixa de ser independente quando cede a pressões decorrentes de outros Poderes do Estado, das partes ou, mais grave, a interesses alheios à estrita análise do processo, deixando não apenas as partes, como também toda a sociedade sem o resguardo dos critérios de justiça e do devido processo legal.

Um juiz que traz para si a competência central da maior operação anticorrupção da história do Brasil não pode pretender atuar sozinho, à revelia dos demais Poderes e declarando extintas ou suspensas determinadas regras jurídicas para atender a quaisquer fins de apelo popular. Um juiz com tal concentração de poder deveria ser exemplo de máxima correição no uso de procedimentos jurídicos e tomada de decisões processuais, tanto pelos riscos às liberdades e direitos dos acusados como pelos efeitos nocivos de caráter econômico inexoravelmente provocados pela investigação de agentes e empresas.

No entanto, o que se viu nos últimos anos foi o oposto. O comportamento do juiz Sergio Moro, percebido com clareza até pela imprensa internacional ao noticiar um julgamento sem provas e a prisão política de Lula, foi a de um juiz acusador, perseguindo um réu específico em tempo recorde e sem respeitar o amplo direito de defesa e a presunção de inocência garantida na Constituição.

Recordem-se alguns episódios que denotam que o ativismo jurídico foi convertido em instrumento de violação de direitos civis e políticos, a condicionar o calendário eleitoral e o futuro democrático do país, culminando com a aceitação do magistrado ao cargo de Ministro da Justiça:

1. No início de 2016, momento de grave crise política, o juiz Sergio Moro utilizou uma decisão judicial para vazar a setores da imprensa uma conversa telefônica entre a então presidenta da República, Dilma Rousseff, e o ex-presidente Lula por ocasião do convite para assumir um ministério;

2. Em março de 2016, o juiz autorizou a condução coercitiva contra o Lula numa operação espetáculo, eivada de irregularidades e ilegalidades também contra familiares e amigos do ex-presidente;

3. Em 20 de setembro de 2016, às vésperas das eleições municipais, o juiz aceitou uma denúncia do Ministério Público contra Lula e iniciou a investigação do caso Triplex. O que se seguiu durante os meses seguintes foi um festival de violações ao devido processo legal, de provas ilícitas a violação de sigilo profissional dos advogados. Esses abusos foram denunciados ao Comitê Internacional de Direitos Humanos da ONU;

4. A sentença condenatória do caso Triplex, em julho de 2017, provocou revolta na comunidade jurídica, que reagiu com uma enxurrada de artigos contestando tecnicamente o veredito nos mais diversos aspectos e chamando a atenção para o comportamento acusatório e seletivo do magistrado;

5. A divulgação da sentença condenatória do caso foi feita um dia após a aprovação da reforma trabalhista no Senado Federal, quando então já se falava em pré-candidatura de Lula ao pleito de 2018;

6. O julgamento recursal pelo TRF4 em 27 de março de 2018, como se sabe, foi realizado em tempo inédito, em sessão transmitida ao vivo em rede nacional. Vencidos os prazos de embargos declaratórios, o Tribunal autorizou a execução provisória da pena, dando luz verde à possível prisão a ser decretada pelo juiz Sergio Moro, momento em que as ruas se acirraram ainda mais com a passagem das Caravanas do pré-candidato Lula pelo sul do país;

7. No dia 05 de abril, o STF julgou o pedido de habeas corpus em favor de Lula e, por estreita margem de seis votos a cinco, rejeitou o recurso pela liberdade com base na presunção de inocência. No próprio dia 05, contrariando todas as expectativas e precedentes, o juiz Sergio Moro determinou a prisão de Lula e estipulou que este deveria se apresentar à Polícia Federal até às 17h do dia seguinte. O mandado impetuoso é entendido pela comunidade jurídica, mesmo por quem não apoia o ex-presidente, como arbitrário e até mesmo ilegal;

8. Lula decidiu cumprir a ordem ilegal para evitar maiores arbitrariedades, pois já ecoava a ameaça de pedido de prisão preventiva por parte de Sergio Moro. No dia 07 de abril, Lula conseguiu evitar a difusão de uma prisão humilhante, saindo do sindicato nos braços do povo, imagem que correu o mundo como símbolo da injustiça judiciária;

9. No dia 08 de julho, houve um episódio que escancarou a parcialidade de Sergio Moro. O juiz, mesmo gozando de férias e num domingo, telefonou para Curitiba e, posteriormente, despachou no processo proibindo os agentes da Polícia Federal de cumprirem uma ordem de liberação em favor de Lula expedida pelo juiz de plantão no TRF4, o desembargador Rogério Favreto. Frise-se: mesmo sem ter qualquer competência sobre o processo, já em fase de execução, Sergio Moro desautorizou o cumprimento do alvará de soltura já expedido, frustrando a liberação, descumprindo ordem judicial, ignorando definitivamente a legalidade, o regime de competência e a hierarquia funcional;

10. Avançando para o processo na justiça eleitoral, já às vésperas das eleições presidenciais em primeiro turno e com o franco avanço do candidato Fernando Haddad, que substituiu Lula após o indeferimento da candidatura, o juiz Sergio Moro determinou a juntada aos autos da delação premiada do ex-ministro Antônio Palocci contra Lula, depoimento que havia sido descartado pelo MPF e que foi ressuscitado com ampla repercussão da mídia. Sabe-se agora, pelo vice-presidente eleito, General Mourão, que nesse tempo as conversas para que Moro viesse a compor um cargo político central no futuro governo já estavam em andamento;

11. Coroando a cronologia de ilegalidades e abusos de poder, frisa-se que Sergio Moro, ainda na condição de magistrado, atuou como se político fosse, aceitando o cargo de ministro da Justiça antes mesmo da posse do presidente eleito e, grave, tendo negociado o cargo durante o processo eleitoral, assumindo um dos lados da disputa, conforme narrado pelo general Hamilton Mourão. Tal movimentação pública e ostensiva do juiz confirma a ilegalidade de sua atuação político-partidária em favor de uma candidatura, o que se vincula ao ato de divulgação do áudio de Antonio Palocci para fins de prejudicar uma das candidaturas em disputa. O repúdio a essa conduta disfuncional motiva a ABJD a mover representação junto ao Conselho Nacional de Justiça – CNJ – com o fim de exigir do órgão o zelo pela isenção da magistratura, o respeito ao principio da imparcialidade e a garantia da legalidade dos atos de membros do Poder Judiciário.

Moro não poderia, em acordo com as normas democráticas vigentes, praticar qualquer ato de envolvimento político com o governo eleito ou com qualquer outro enquanto fosse juiz. Ao fazê-lo viola frontal e acintosamente as normas que estruturam a atuação da magistratura, tornando tal violação ainda mais impactante ao anunciar que ainda não pretende se afastar formalmente da magistratura, em razão de férias vencidas.

O ativismo do juiz Sérgio Moro não abala apenas a segurança dos casos por ele julgados e a Lava Jato como um todo, mas transfere desconfiança a respeito da ética e da independência com que conduzirá também o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, um ministério ampliado e com poderes amplos, no momento em que o país passa por grave crise democrática, em que prevalecem as ameaças e a perseguição aos que defendem direitos humanos e uma sociedade mais justa.



Exposição lança revista internacional de arte no Brasil

6 de Novembro de 2018, 13:23, por Feed RSS do(a) News




Nesta quinta-feira, 8 de novembro, a partir das 15 horas, na Livraria Pontes, em Campinas, estará aberta ao público a mostra que lança no Brasil a revista internacional de arte Open Space. Pela primeira vez a publicação terá a participação de dois brasileiros: o artista plástico João Cunha, idealizador do evento, e o escritor Guilherme Zelig. A exposição é composta por 13 painéis com as obras dos dois brasileiros e da editora da Open Space, Dorota Czerner, publicadas na edição 21 da revista, lançada em junho deste ano em Nova York.

De acordo com João Cunha a ideia central da exposição é criar uma nova relação com o espaço e com a própria obra, ampliando dessa forma  o repertório  da leitura dos trabalhos publicados na revista. ”Nesta edição, participo com um conjunto de desenhos, instalações, fotogravura e assemblage/scanner, que sintetizam a ideia dos movimentos gerados em diferentes épocas: movimentos de arte, literatura, contracultura, feministas e políticos, entre outros”, afirma. 

O artista também incluiu na mostra dois painéis da exposição “Arte como Profissão”, que realizou há 40 anos (1978), no mesmo local e espaço da mostra atual, reforçando a importância da livraria na difusão da cultura.

Dorota Czerner expõe poemas ilustrados e interpretações que mesclam poesia e literatura sobre as obras de João Cunha. Guilherme Zelig participa com contos curtos que retratam nosso  cotidiano social.

João Cunha diz que a mostra é resultado de um trabalho conjunto com os editores da Open Space, Dorota Czerner e Russel Craig Richardson.

Segundo Dorota, que atua como editora da Open Space desde 2003, a publicação tem periodicidade anual e está aberta a todo tipo de produção artística. Áudios, vídeos e web-arte, que tem como suporte a internet, são divulgados por outra plataforma, a Open Space Web -Zine. A revista foi criada em 1999  por Benjamin Boretz e Mary Lee Roberts, dois compositores, educadores e ativistas sociais. Surgiu depois de pequenos impressos e "samizdats" focados especialmente em novidades da música, na Bard College,  em Annandale-on-Hudson  (Nova York).  

A conexão com o Brasil já acontece há algum tempo, diz Dorota. Prova disso é a amizade do poeta George Quasha, um dos primeiros editores da revista, com os irmãos  Haroldo e Augusto de Campos. Outros artistas dessa geração estavam diretamente em contato com o grupo Noigandres. Ela também destaca o conjunto musical The Caetano Veloso Project, do pesquisador acadêmico Chris Stover, que faz frequentes apresentações no país.

Dorota afirma ainda que que a diretoria de editores contribuintes está em constante expansão ao redor do mundo para identificar novos talentos em diferentes países. A expectativa de João Cunha é se tornar essa ponte no Brasil para incluir a participação de outros brasileiros na revista depois da mostra campineira.

Para ter acesso à versão completa da Open Space/21acesse www.the-open-space.org/issue--21/

Serviço

Abertura: 8 de novembro – 15 horas

Até 12 de dezembro

2ª a 6ª-feiras – 9 às 18 horas

Sábados – 9 às 13 horas

Livraria Pontes – Subsolo

Rua Dr. Quirino 1.223 – Centro, Campinas



A ascensão da extrema direita e a constatação do desmonte da democracia no Brasil

5 de Novembro de 2018, 7:54, por Feed RSS do(a) News

Essas práticas de corrupção sempre estiveram presentes nas altas cúpulas do poder. Ressalte-se que grande parte do poder judiciário, por vezes se omitiu ou abafou escândalos de corrupção.

 

Por Marilza de Melo Foucher – de Paris

 

A direita e a extrema direita no Brasil, uma das mais corrompidas do mundo, tornaram-se porta-vozes da ética, sem nunca terem praticado um gesto em favor dela na política brasileira.

Os representantes dos setores conservadores, no país; as classes médias tradicionalistas, sempre abusaram dos poderes públicos e aparelharam a máquina pública. Sempre acostumados a sonegar impostos, a fazer “maracutaias” com falsificações de notas fiscais, realizaram investimentos especulativos, depositando seus ganhos nos paraísos fiscais.

Apesar dos ataques sincronizados, o PT conseguiu eleger a maior bancada de parlamentares na Câmara

Essas práticas de corrupção sempre estiveram presentes nas altas cúpulas do poder. Outros protagonistas da falsa moralidade pública são os pastores evangélicos conservadores. Há décadas, jornalistas e promotores tentam provar que os bispos da Igreja Universal do Reino de Deus e igrejas pentecostais semelhantes, Assembleia de Deus entre outras, realizam lavagem de dinheiro e lavagem cerebral de seus adeptos.

Escândalos

Eles usam as doações de fiéis para financiar, de modo fraudulento, a compra de empresas e agigantar um conglomerado de comunicação que tem como principal finalidade ampliar a influência religiosa e política desse ramo evangélico no Brasil. Com anseios totalitários e teocráticos, eles decidiram se lançar na política e formaram um bloco de deputados e senadores da direita mais reacionária do Brasil.

Juntos com a classe hegemônica, eles assumiram um discurso moralista de combate à corrupção. Assinalo aqui todo meu respeito às antigas religiões protestantes do Brasil. Ressalte-se que grande parte do poder judiciário, por vezes se omitiu ou abafou escândalos de corrupção oriundos da elite conservadora detentora do poder econômico e bem representada no parlamento brasileiro.

Os corruptos da
direita e extrema direita
como portadores da ética

A esquerda ficou acuada, na defensiva, em vez de retomar a bandeira de luta que sempre foi sua: a ética na política e a batalha contra a corrupção. Logicamente, alguns membros do PT cometeram erros, não resistindo às facilidades deste mundo corrompido; todavia, esses foram punidos e presos, ao contrário de personalidades ligadas à direita.

A memória da história política brasileira sofre de amnésia… já esqueceu daqueles que estão encobertos pela lama da corrupção. Aqueles intocáveis que num passado recente, compraram votos para garantir reeleição, impediram todas as CPIs e não aceitaram a proposta de fazer a reforma política sobre o financiamento dos partidos.

Entretanto, mesmo sabendo que infelizmente a corrupção é endêmica no Brasil, está em todos os lugares e que não é exclusiva da classe política, a esquerda brasileira deixou a direita imoral e neoliberal se apropriar da agenda na luta contra a corrupção.

Congresso

Todos nós sabemos que a corrupção é um vício social, político e institucional que contamina as relações humanas. Ela deve ser considerada como um dos males mais devastadores da sociedade. Por isso, deve ser tratada em suas raízes e não instilando o ódio para que o poder político seja assimilado pelo povo como sinônimo de corrupção.

O que aconteceu com os membros do PT em 2005/2006 deveria ter servido de alerta para que os partidos de esquerda assumissem uma vasta campanha de educação política sobre o exercício do poder diante de uma máquina administrativa altamente corroída por séculos de corrupção. O renomado ‘mensalão’ foi o nome dado ao escândalo de corrupção política mediante compra de votos de parlamentares no Congresso brasileiro.

Essa prática sempre existiu na política brasileira, entretanto, se esperava que ela fosse abolida pelos governos e base aliada do PT. Para uma grande parte de membros do PT o mensalão só foi denunciado porque atingia o líder máximo da esquerda, José Dirceu, que era o chefe da Casa Civil do governo Lula. Entretanto, para a maioria petista, nada justificaria que o partido que sempre abraçou a bandeira da ética na política tivesse se deixado levar pelo deslumbramento do poder corrompido.

Corrupção

O governo petista e seus aliados de esquerda não souberam aproveitar o momento para realizar uma campanha educativa no sentido de desenvolver uma consciência ética nos cidadãos brasileiros, tão urgente e necessária. Sabemos que a corrupção no serviço público viola um dos princípios mais básicos da ética na política.

Por se tratar do PT, que abraçou de corpo e alma um modo novo de fazer política, o envolvimento de alguns de seus quadros com a corrupção despertou de forma mais intensa uma repulsa da sociedade.

O papel preponderante
da grande mídia na criação
do antipetismo

A chamada grande imprensa brasileira, que de grande não tem nada, tendo em vista sua parcialidade, sempre detestou o cidadão Lula, e o presidente Lula. Ela aproveitou dessa brecha para desenvolver o ódio contra o PT. Não se conhece na história republicana mundial um presidente que tenha sido tão desrespeitado quanto Lula. Nunca se viu tanto racismo, discriminação e ódio na boca de certos políticos e jornalistas.

Tentaram, por todos os meios, impedir que Lula chegasse ao poder. Lula persistiu, foi eleito e reeleito para o desespero deles. Desde então, a mídia tradicional no Brasil passou a praticar uma oposição permanente ao governo, sem nenhuma visão crítica. Foram incapazes de reconhecer que o governo conseguiu desenvolver um bom trabalho de inclusão social, diminuindo consideravelmente as desigualdades no território brasileiro.

O único objetivo era destruir o partido dos trabalhadores, criado por Lula, e colar na história política que ele era o principal responsável pela corrupção brasileira. As fake-news começaram neste período!

Miséria

A grande mídia brasileira principalmente a rede Globo de televisão, onipresente em todos o território nacional e na América Latina, sempre criticou o PT e toda a esquerda brasileira. Ela tudo fez para que Lula não fosse reeleito. Durante os dois mandatos de Lula ela investiu todos os meios possíveis e imagináveis para destruir o partido dos trabalhadores.

Todavia, o governo Lula continuou na sua luta para tirar o Brasil da miséria e manteve sua política de desenvolvimento com inclusão social e deu reconhecimento às minorias invisíveis e discriminadas.

Infelizmente, os políticos e o poder executivo não entenderam que não bastava somente a ampliação dos direitos das minorias e melhoria de condições de vida dos mais pobres. A corrupção não poderia somente ser resolvida a partir da criação de instrumentos institucionais, como fizeram os governos de Lula e Dilma.

Justiça

Para atacar o vírus da corrupção, teriam que reformar o sistema político. A constituição de 1988 dava embasamentos para realizar o plebiscito sobre a reforma política, todavia faltou ousadia. O grande líder da esquerda brasileira, hábil negociador, preferiu não sacudir os esteios de fundação da Casa Grande e continuou acreditando que o Brasil não estava preparado para uma luta de classe.

Lula sempre persistiu na ideia que ele iria reconciliar o Brasil e governar para todos.

Vale ressaltar que o presidente Lula em nenhuma ocasião interveio na justiça brasileira. Desde 2003 o governo Lula reforçou o combate à corrupção criando a Controladoria-Geral da União (CGU), reforçou a estruturação da Polícia Federal, promoveu a autonomia do Ministério Público, entre outras medidas.

Esses instrumentos não foram suficientes para demonstrar que o governo não compactuava com a corrupção, o estrago já estava feito! O Partido dos Trabalhadores pagou pelos seus erros, todos os casos de corrupção durante o governo Lula foram apurados, ao contrário dos casos de corrupção de todos os partidos políticos que foram abafados e não investigados até agora.

Com relação ao poder judiciário, será durante os governos petistas que ele amplia seus poderes, competências e privilégios, mantendo, além do mais, os que detinha antes da redemocratização de 1988.

A evolução do antipetismo

Em novembro de 2006, eu escrevi um artigo que se intitulava: Guerra contra a corrupção ou guerra contra o PT?

“Se tomarmos um pouco de distância ideológica, hoje assistimos um verdadeiro massacre contra o PT enquanto partido e contra o Governo Lula. As acusações disparam sem tempo de réplica para os acusados, guerra é guerra! E nessa guerra o PT aparece já derrotado”.

Dez anos depois o PT volta ao epicentro das acusações! Desta vez, não serão casos isolados de corrupção, trata-se de uma estratégia muito mais elaborada de conquista do poder, onde o combate à corrupção é apenas um pretexto para acusar os governos petistas, como os únicos culpados pela corrupção no Brasil.

A Operação Lava Jato, deflagrada em março de 2014, vai culminar na maior investigação contra a corrupção já realizada no Brasil, envolvendo empresas privadas, estatais e políticos. Essa operação contou com o apoio do governo Dilma Rousseff. Como passar do tempo, a Lava-Jato terá seus métodos questionados, principalmente pela parcialidade do juiz Sergio Moro.

Direita conservadora

Apesar da operação atingir parlamentares de mais de uma dezena de partidos (MDB, PT, PSDB, PSB, SD, PT, DEM, PR, PPS, PSD, PTC e PCdoB), o alvo de suas investigações irá se concentrar no Partido dos Trabalhadores. O ativismo político mediático de Sergio Moro, dos procuradores e juízes vai influenciar no rumo da política nacional. Ela vai acirrar o antipetismo iniciado em 2006.

No Brasil, infelizmente, a extrema direita não teria hoje essa projeção sem o apoio da grande mídia conservadora brasileira, de grande parte do judiciário e de partidos políticos da direita conservadora. Conjuntamente, essas forças se organizaram para confiscar a democracia em nome da luta contra a corrupção. As operações da Lava-Jato foram realizadas de olho no impacto das pesquisas de opinião, onde o ódio coletivo era destilado em uma caçada implacável ao Lula e ao PT.

Os escândalos de corrupção, somados à deterioração da economia mundial e aos desacertos na condução política do governo Dilma vão servir de adubo para estruturar uma vasta campanha de antipetismo. Vimos como as classes médias passaram a ser a tropa de choque da direita, pois foi a categoria social que mais sentiu o impacto da crise no segundo governo de Dilma.

Os governos de esquerda serão culpados pela crise econômica. A mídia conservadora brasileira batia constantemente na mesma tecla: os governos petistas quebraram o Brasil! Desta vez, ela vai ter um efeito devastador! A presidenta Dilma Rousseff vai ser alvo de uma vasta e permanente campanha de desestabilização. Reeleita com mais de 54 milhões de votos, sua eleição foi considerada pela oposição e pela mídia como uma derrota. A oposição vai contestar sua legitimidade.

Acordo nacional

A demissão de Dilma foi um imbróglio político e jurídico maquiavélico, e abriu um período de instabilidade política no Brasil. A direita, a extrema direita e seus aliados, as mídias tradicionais, o mundo dos negócios, juízes conservadores, a bancada evangélica, as classes hegemônicas vão se reorganizar para impedir a continuidade de um projeto político de desenvolvimento com inclusão social e com soberania nacional.

Um grande acordo nacional vai levar ao poder o vice-presidente que traiu todos os compromissos assumidos com o partido dos trabalhadores. O novo Presidente vai desmantelar todos os programas de inclusão social relacionados a direitos humanos, moradia, educação, saúde e trabalho. Esses programas de inclusão social haviam moldado a reputação de Lula e Dilma na cena internacional.

A guerra contra a corrupção, pautada na grande mídia e conectada com a direita neoliberal e extrema direita, foi organizada dentro de uma estratégia política que tinha como alvo o Partido dos Trabalhadores e sua figura emblemática: Lula. Todos os meios de comunicação de massa no Brasil se tornaram parciais. Depois de tramarem o impedimento de Dilma Rousseff, tornaram-se propagandistas da prisão de Lula.

O ex-presidente estava na cabeça de todas as pesquisas e havia enormes chances de passar no primeiro turno. Repentinamente, os piores corruptos e corruptores do Brasil se tornaram moralistas, muitos se tornaram delatores e apontaram seus dedos para o único responsável por toda a perversidade da corrupção brasileira: Lula era o chefe de quadrilha que assaltou a nação brasileira.

A Globo durante anos envenenou o ambiente político, onde a mentira em torno a Lula e sua família circulava como uma verdade absoluta e buscava atingir os telespectadores para desfazer a imagem positiva dos governos de Lula em prol do bem-estar do povo brasileiro.

O resultado dessa histeria punitiva de Sergio Moro apoiado pelo Supremo Tribunal, pelos setores conservadores e midiáticos abriu um caminho para um clima de confrontação e ódio e uma escalada de violência nunca vista no Brasil. Ao atacar somente um partido político e seu líder maior, um espaço foi criado para os falsos paladinos da moralidade e a extrema direita  moralista que diz seguir o caminho da verdade e defender os valores como a família, a religião, a disciplina, a autoridade e a ética.

Bolsonaro assumiu a postura do candidato antissistema, mesmo sendo deputado por 28 anos, tendo passado tempo em partidos que depois foram acusados de corrupção.

Luta continua

A Rede Globo e a imprensa conservadora são indiretamente responsáveis pela ascensão da extrema direita no Brasil e a vitória de Bolsonaro. Hoje, certamente, devem estar arrependidos de ter colaborado para a emergência do monstro fascista. Eles hoje são as primeiras vitimas da falta de liberdade de expressão e mais adiante serão vítimas também de censura. Sentirão saudades dos governos Petistas!

Ressalvo que tudo que denunciamos desde o inicio do golpe contra a presidente Dilma e a imparcialidade do Juiz Sergio Moro se confirma: Ele, Sergio Moro, acaba de ser nomeado Ministro da Justiça.

O Partido dos Trabalhadores apesar de todas as artilharias voltadas contra si, conseguiu eleger a maior bancada no congresso nacional e, em alianças, elegeu 11 governadores. Sem dúvida nenhuma, conseguiram realizar uma bela campanha e trazer de volta toda a esquerda brasileira para a batalha contra o fascismo.

A luta continua! E dos erros do passado, as trajetórias politicas ganham novos caminhos.

Marilza de Melo Foucher é economista, jornalista e correspondente do Correio do Brasil, em Paris.



Opção pela ultradireita é fenômeno ainda em crescimento no Brasil

5 de Novembro de 2018, 7:54, por Feed RSS do(a) News

Um olhar mais distante, apurado e despido de paixões, no entanto, revela que havia, desde 2014, o pulsar de uma aversão extremada à corrupção e às bandeiras progressistas.

 

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro

 

O volume de mensagens com notícias falsas nas redes sociais, durante a campanha eleitoral encerrada há uma semana na vitória do candidato neofascista, Jair Bolsonaro (PSL), chegou a ser apontado por analistas políticos ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, ao longo dos últimos meses, um dos principais motivos para o sucesso do discurso radical de direita. O ódio disseminado contra a esquerda e os partidos que a integram teria sido decisivo para criar o ambiente propício ao crescimento da doutrina pela barbárie, ora em curso.

L Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou em seu portal ter aberto procedimento para investigar a disseminação de notícias falsas na Internet. Não funcionou

Um olhar mais distante, apurado e despido de paixões, no entanto, revela que havia, desde 2014, o pulsar de uma aversão extremada à corrupção e às bandeiras progressistas. Principalmente, junto às camadas da sociedade com rendimentos acima dos 10 salários mínimos, segundo constatam pesquisas de opinião. Em especial, nos dois maiores centros urbanos do país. Rio de Janeiro e São Paulo, motores da opinião pública turbinados com a concentração da mídia, funcionaram feito ‘caixas de ressonância’ para o que fora apenas um sussurro em 2010, na primeira eleição da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Bolinha de papel

Encerrada a Era Lula, em pleno emprego e posição inédita de liderança do país no cenário internacional, ainda assim o ‘poste’ número um precisou de dois turnos para superar o tucano José Serra. Por pouco não pereceu sob a pecha de ‘matadora de criancinhas’, em uma campanha sórdida detectada e denunciada, em primeira mão, aqui no CdB.

Embora o prestígio do ex-presidente não encontrasse parâmetros, o fato é que Dilma era o tal Plano B, na época, após anos de implacável perseguição midiática e jurídica aos quadros do partido. Ainda que jamais colocada à prova do escrutínio popular, a ministra mais proeminente do Planalto tinha o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Era o que bastava, imaginaram os dirigentes do PT de então. O critério se manteve inalterado, até hoje.

No fundo, ainda feito um zumbido que aumentava na surdina e começava a ser notado, a experiência da dissipação do ódio religioso e das notícias falsas se mostrava eficaz. O episódio da bolinha de papel transformada em pedra assassina no noticiário da mídia conservadora pode ser considerado um marco histórico da prática capaz de mudar os destinos de uma nação, na década seguinte.

Novo vírus

A farsa, orquestrada pela máquina de propaganda tucana de então, apenas engatinhava. Duas eleições depois, ganhou o brilhantismo de um atentado a faca que ainda deixa embasbacados os mais astutos observadores da cena política nacional. Desta feita, apesar da camisa limpa, o agressor é preso e confessa o crime. Ocorre uma cirurgia real, em um hospital de verdade, e a narrativa ganha forma e conteúdo.

Em 2010, o publicitário Rui Rodrigues, sócio na agência transnacional de publicidade e propaganda MPM e Ben Self, o estrategista que esteve à frente da campanha digital de Barack Obama, dominavam — de lado a lado — a planície do deserto fértil de maldades para a guerra híbrida que se desenvolveria, oito anos depois. O estrategista de ultradireita Steve Bannon, assessor informal do presidente eleito, Jair Bolsonaro, para questões digitais, ainda trabalhava nas sombras. Assumiria, contudo, papel decisivo no pleito deste ano.

Mas, desde o primeiro governo da presidenta deposta, estava lançada a plataforma para o vírus carregado com os valores fascistas. O ódio aos pobres, aos movimentos e programas sociais; a subserviência ao capitalismo norte-americano e às suas diretrizes; o pacote completo, eleito sete dias atrás, estava carregado no vetor que se dissipou, ao longo dos últimos oito anos, por toda a sociedade brasileira.

Fenômeno

Feito ataque ao formigueiro, o que se percebe após a primeira semana dos próximos anos, sabe-se lá quantos mais, é a polvorosa nas trincheiras da resistência. A natureza odeia o vácuo, já constatava Aristóteles. E, na ânsia de preencher o imenso espaço vazio deixado pela derrota de Fernando Haddad, ‘poste’ número dois na escala do lulismo, atropelam-se os fatos que causaram a hecatombe eleitoral recém-efetivada nas urnas.

No lugar de perceber que o Brasil foi apenas mais um dos países a perecer na pandemia causada pela infecção neofascista, encapsulada e distribuída de forma eficiente pelas redes sociais norte-americanas, imensos setores da esquerda preferem buscar uma explicação mais simples. Fazem contas esquisitas sobre o colégio eleitoral. Escolhem um possível aliado para bode expiatório; acreditam em teorias conspiratórias ou, simplesmente, desiludem-se, prostrados diante dos novos tempos.

O fenômeno que gerou ‘o mito’, no entanto, parece o mesmo que colocou os neofascistas de volta ao governo da Itália; na Áustria, no Chile; na Argentina e em países periféricos, a exemplo da Indonésia; Bolívia e Honduras. Por pouco não leva na França, apesar da guinada à direita com Emmanuel Macron.

Novas moscas

O roer das unhas e ranger dos dentes após a decepção são próprios do ser humano, portanto, compreensíveis. Mas, há um método no avanço da maldade e, se não for rapidamente neutralizado, representa um risco sem fronteiras para o sonho de um mundo mais justo e igualitário, para todos os seres humanos. A tarefa parece medonha, embora mais simples do que aparenta ser.

Antes de falar em uma ‘frente ampla pela democracia’, como teria sido uma ação inteligente antes das eleições, no entanto, seria recomendável que os mais diferentes matizes do pensamento humanista nacional refletissem sobre a necessidade de integrar um centro de discussão mais amplo, capaz de abranger a nova realidade da Comunicação Social, no país.

Sem um debate franco sobre a resistência dos meios de comunicação independentes, progressistas e libertários torna-se ainda mais alto o risco de acreditar que a Globo era ‘nossa’, como se chegou a ventilar por todos os governos petistas. Isso justificou a sangria dos cofres públicos para o conglomerado central no cartel da mídia conservadora e a perseguição burra à mídia alternativa. Ou mesmo, agora, ficar com pena da Folha de S. Paulo, de um golpismo atávico, por estar afastada do butim publicitário a ser repartido, no ano que vem, para as novas moscas.

Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.



O saneamento básico à beira do abismo da privatização

3 de Novembro de 2018, 20:08, por Feed RSS do(a) News

 

"Entidades se posicionam contra a MP 844/2018 que, além de violar Direitos fundamentais para a saúde e a cidadania do povo brasieiro, presente nos artigos 6°, 196° e 225° da Constituição Federal, torna Direito em Mercadoria.

Não à MP 844/2018! Saneamento é direito, não mercadoria!"

 

O saneamento básico é um dos fatores determinantes da saúde. A ausência de serviços públicos e de soluções individuais, ou a precariedade no acesso ao saneamento básico podem ser responsáveis por epidemias e danos à saúde pública, inclusive por alarmantes índices de mortalidade infantil. Enfermidades como diarreia, dengue, zika, chikungunya, cólera, hepatite A, febre tifoide, leptospirose, dentre inúmeras outras, podem ser prevenidas com a disponibilidade de serviços e soluções adequadas de abastecimento de água, de esgotamento sanitário, do manejo dos resíduos sólidos, e/ou das águas das chuvas, aos domicílios urbanos e rurais.

Dados do Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab), e de seus relatórios anuais de avalição, demonstram que os investimentos no setor oriundos do orçamento geral da União (OGU), que na década de 90 foram limitados chegando no máximo a R$ 2 bilhões em 1997, ano de maiores investimentos no período. Nos anos 2000, alcançaram o ápice de R$ 4,5 bilhões em 2009. Na atual década, o ano com mais investimentos foi 2014, com 6,9 bilhões de reais, certamente um volume de investimentos como nunca houve antes na história do Brasil.
Apesar dos volumes vultuosos de investimentos, o Plansab apontou a necessidade de se investir R$ 508 bilhões para se alcançar as metas definidas de 2014 a 2033. Infelizmente, nos últimos anos os investimentos estão decrescendo e afastando o país da possibilidade de reduzir a imensa desigualdade social observada no acesso ao saneamento básico.

Ampliar o acesso ao saneamento básico significa levar mais dignidade e qualidade de vida a crianças, mulheres, negras, negros e pobres que vivem no sertão e em favelas. Crianças e mulheres normalmente são as responsáveis por levar água para consumo e higiene até suas casas, nos lugares onde não tem abastecimento público ou solução individual, seja em áreas rurais ou nos morros, quebradas e favelas das cidades grandes. Os negros e pobres são os que concentram a maior parte do déficit de atendimento. São direitos humanos e essenciais que são violados e negligenciados diariamente na vida de milhões de brasileiros.

Hoje, o que está dado com a MP 844, que será votada pelo Congresso Nacional entre os dias 06 e 08/11/18, é submeter o setor aos interesses de empresas privadas e do mercado financeiro, entregando a elas a prestação de serviços nas grandes e médias cidades, vistas como lucrativas e como as detentoras de um amplo mercado consumidor. O que não ocorre com os municípios pequenos e com as áreas rurais. Hoje, existem muitos municípios que têm acesso a serviços prestados por companhias estaduais que só conseguem atendê-los graças à arrecadação feita em municípios com melhores condições econômicas e financeiras. Dado que o saneamento básico é um direito imprescindível é fundamental que exista a possibilidade de uma gestão solidária entre municípios e estados brasileiros, e também que os próprios municípios possam optar pela prestação direta desse serviço, por meio de prestadores públicos municipais. Ambas as possibilidades estão ameaçadas pela MP 844.

No Brasil e nos cinco continentes do planeta, existem experiências de privatização que demonstram ser um caminho nefasto para a universalização. Diversos casos no Brasil, na América Latina e ao redor do mundo, demonstraram que as grandes corporações da privatização da água e do saneamento têm como prioridade os altos índices de lucro, o que gera aumento das tarifas, a piora da qualidade dos serviços ofertados e o não cumprimento de contratos.

De acordo com um mapeamento feito por onze organizações majoritariamente europeias, da virada do milênio para cá foram registrados 267 casos de "remunicipalização", ou reestatização, de sistemas de água e esgoto. No ano 2000, de acordo com o estudo, só se conheciam três casos. Cidades como Berlim/Alemanha, Paris/França, Budapeste/Hungria, Bamako/Mali, Buenos Aires/Argentina, Maputo/Moçambique e La Paz/Bolívia são algumas delas.

No Brasil, alguns casos emblemáticos como os municípios de Manaus e Cuiabá, e o estado de Tocantins são amostras do desastre da prestação dos serviços de água e esgotamento sanitário por empresas privadas. Os municípios continuam com altos déficits de atendimento da população e, em Tocantins, chegou-se ao absurdo da empresa devolver para o estado dezenas de municípios que eram deficitários economicamente, por terem poucos habitantes, em grande parte de baixa renda. O que fez com que o estado voltasse a criar outra empresa para esses municípios, enquanto os maiores continuaram com os serviços privatizados.

A MP 844 define ainda que as estações de tratamento de água e de esgotos sejam dispensadas de licenciamento ambiental, o que poderá se tornar um grande risco ao meio ambiente, aos mananciais de água e às próprias comunidades.

Nos dias 29 e 30/10/18 a MP passou por comissões e audiência pública no Congresso Nacional, sem cumprir os ritos e prazos legais, pois o governo Temer quer impor a sua aprovação. É preciso denunciar e mobilizar a população contra a votação que irá ocorrer entre os dias 06 e 08/11/18, pois o povo brasileiro será o principal prejudicado sócio, ambiental e economicamente, terá que amargar sem atendimento ou com atendimento de qualidade ruim e ainda pagar caro pelas tarifas.

Não à MP 844/2018! Saneamento é direito, não mercadoria!

 

Assinam:

FAMA em Movimento DF (Fórum Alternativo Mundial da Água - Comitê DF)

CONAM (Confederação Nacional das Associações de Moradores)

APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)

UNALGBT (União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)

UBM/DF(União Brasileira de Mulheres)
Fórum de Mulheres do Mercosul

ABES/DF (Associação Brasileira de Enganharia Sanitária e Ambiental/DF)
Banquinha pela Democracia

SERPAJUS (Serviço de Paz Justiça e Não violência)

AME (Ação de Mulheres pela Equidade)

Articulação Brasileira de Jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ArtJovem LGBT

União Nacional dos Estudantes- UNE

MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

 



Ignorância ameaça futuro da Amazônia

1 de Novembro de 2018, 11:01, por Feed RSS do(a) News

Por Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, no site Tutaméia:

“Tirar a floresta para colocar uma ou duas cabeças de gado por hectare é coisa de uma estupidez e de uma ignorância tão grandes que justifica quando se diz que a barbárie vem aí. É um domínio da ignorância em função de um lucro rápido: desmatar, colocar o boi e tirar aqueles 200 reais 300 reais um boi. É espantoso! Se esse é o futuro que nos reservam, vão se dar mal. Serão corridos pela própria história, que é às vezes lenta, mas implacável”.

Palavras de Ennio Candotti, 76, diretor do Museu da Amazônia, em entrevista ao Tutameia (acompanhe no vídeo). Ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, ele fala da enorme riqueza da região. Cita o caso da bergenina, uma molécula especial existente na casa de uma árvore, que vale 100 dólares a miligrama.

“A Amazônia está sendo ameaçada pela ignorância, pela nossa dificuldade em contar para todos o valor da botânica, das arvores, os insetos, das toxinas, dos venenos, o valor de uma planta que sabe reconhecer o seu invasor e prepara uma molécula ou um produto que possa lhe permitir combate-lo –e ainda comunicar essa solução a uma vizinha. São questões que estão sendo esclarecidas. Há timidez dos cientistas em contar que essas plantas são seres fantásticos e não sabemos a linguagem com que se comunicam”, diz. E segue:

“ O valor da floresta não é reconhecido. Pouco se sabe sobre o fato de que uma árvore regenera seus galhos. Árvores são livros que devemos aprender a ler. A Amazônia é a grande biblioteca da nação. Devemos aprender a ler. E está sendo queimada. Como as bibliotecas famosas foram queimadas no passado, pode acontecer [de ser queimada], pela ignorância de tiranos passageiros que são lembrados hoje pela destruição que fizeram”, diz.

Para Candotti, as ameaças do capitão eleito provocam resistência. “Que venham ameaçar a floresta! Aí vamos contar com as árvores em movimento como naquela história do Tolkien em que as próprias árvore se movem e participam da resistência. Isso passará das páginas de um grande escritor para a realidade. As árvores vão se mover mesmo estando paradas. Vamos ver quem vai mais longe”.

Não é o capitão; são os interesses externos

Candotti diz não acreditar em “vocações autoritárias” para o país. Para ele, a vitória do capitão precisa ser entendida nos seus bastidores. “É alguma coisa que tem por trás disso, interesses, articulações muito mais profundas, que têm razões internacionais. Questões como os BRICS. Essa articulação é um fato político de primeira grandeza que justifica intervenções semelhantes àquelas de justificaram a intervenção norte-americana no golpe no Brasil em 1964. Razões internacionais há de sobra. O petróleo, o pré-sal e a Embraer são hoje determinantes no tabuleiro político internacional. Há grandes interesses em preservar os imensos lucros do capital financeiro. Os bancos ganharam mais do que todo o orçamento de educação do país. Não é o capitão. São interesses de grande porte internacional. Vamos cobrar, vamos resistir”, declara ao Tutaméia.

Para o físico, o que aconteceu na eleição “foi uma vacinação”: “Os que votaram no capitão começarão a criar anticorpos ao ver o que vai acontecer”. E segue: “Quando se começar a ver o sangue correr – no sentido do sangue das veias da nação, espero que não seja o dos militantes –, as pessoas aos poucos se darão conta de que aquilo que tinha sido conquistado com a democracia poderá vir a ser perdido. Não acredito que esteja perdido, que passem. Venham para a universidade! Vamos ver quem vai conseguir continuar a defender uma universidade livre e capaz de pensar!”

Barricadas em construção

Perguntamos a Candotti se ele achava que o capitão seria uma ameaça à Constituição. “A Constituição é uma ameaça a ele. Ele sabe que todos estão atentos às pequenas impropriedades que ele vier a cometer contra a Constituição”.

Candotti fala do futuro da ciência, rememora a luta contra a ditadura e relata intimidações que sofreu, por parte de fiscais do TRE, na semana passada, quando participava de debate sobre democracia na UFAM. Aos que tentaram dispersar a assembleia promovida pelos estudantes apresentou um simples argumento: sem democracia, eles não teriam nem trabalho, pois não haveria eleições. Acabaram indo embora.

“Não precisamos temer. Sabemos sobreviver a pão e água muito mais do que os nossos adversários –que, espero, não virem nossos inimigos. Mas, se forem inimigos, saberemos construir nossas barricadas. Teremos anos em que os jovens poderão saborear o gosto da resistência, afirma. E conclama:
“Permaneçam alertas e permaneçam mobilizados. Não desarmem aquelas barraquinhas que foram montadas com tanta inventividade nessas últimas semanas, onde se convidava indecisos para discutir política. Precisamos explicar a todos o por quê da nossa enorme desconfiança em relação às políticas propostas pelo capitão”.



Paulo Guedes e a social-democracia

1 de Novembro de 2018, 11:00, por Feed RSS do(a) News

Por Tarso Genro, no site Sul-21:

Tocqueville (1805-1859) seguidas vezes expressou aversão ao socialismo, arguindo que “a democracia quer a igualdade na liberdade e o socialismo quer a igualdade na extorsão e na servidão”. Morto aos 54 anos, o autor de “A democracia na América” – escrito no Século 19 – não chegou a acompanhar nenhuma experiência socialista “real”, com as suas perversões burocráticas e totalitárias, nem os monstros gerados no ventre dos capitalismos em crise, como o nazi-fascismo. Nem tomou contato sequer longínquo com as experiências social-democratas que fluíram no Século 20. Socialismo e democracia, segundo Tocqueville não eram compatíveis.

A leniência com que a grande imprensa retratou as posições violentas do Presidente eleito, para que ele e Haddad fossem vistos como representantes de posições polarizadas e extremas, foi apoiada em diversas manifestações vindas do mercado. Neste mesmo processo, porta-vozes informais das agências financeiras privadas mostravam as suas simpatias pelo “programa” de Bolsonaro (que jamais fora apresentado), confortados pela omissão do Ministério Público e do Poder Judiciário – como instituições – quanto ao seu criminoso discurso de ódio. Tudo apontava para a narrativa que agora se desvela, quando emerge a fala de um Tocqueville reciclado, já não mais para proteger a democracia do socialismo, mas para casar o neoliberalismo com o fascismo.

O Brasil vai “enterrar” modelo econômico social-democrata, diz Paulo Guedes, porque ele “corrompeu a política, subiu os impostos (e) nos endividamos numa bola de neve”. Como não é ignorância histórica do novo mago neoliberal, pois todas as pessoas medianamente informadas sabem que países social-democratas são os que tem os melhores controles sobre a dívida pública, que o Brasil não conseguiu – até hoje – promover um modelo social-democrata, e sabem ainda que a corrupção é um “mal” em todos os regimes do mundo, mas tem níveis extremamente baixos nas social-democracias, – como não é ignorância do mago – repito, é possível chegar a conclusão que o sr. Paulo Guedes quer dizer é que a democracia não é compatível com a social-democracia. Kautsky, Bernstein, Willy Brandt, Olaf Palm, até Lyndon Johnson e Felipe Gonzales ficariam perplexos! Suíça, Dinamarca, Noruega, Suécia, Costa Rica, rapidamente mudariam as suas instituições de proteção social! O Sr. Paulo Guedes avisou.

Creio que até o vencedores das eleições no Brasil, com as suas respectivas gradações de atenção, sabem que estamos nos movendo num momento tenso e dramático em nosso país. E que estes remédios brutais de eliminação dos adversários, de assassinatos em massa, de promoção do ódio – pregados em algum momento pelo candidato vitorioso – não podem prosperar, sem que campeie a violência em todos os poros do organismo social. E mais: que em qualquer nação em qualquer regime que escolheu estes caminhos – nos quais a democracia é sufocada pela intolerância e pelas armas – perdeu toda a nação, perdeu todo o povo, perderam as crianças. Perdemos o futuro. Ninguém vai se deixar imolar sem luta!

Partir do pressuposto que a social-democracia é incompatível com a democracia, como diz o sr. Paulo Guedes, é dizer que as experiências social-democratas do mundo, que trouxeram as melhores condições de convívio humano no capitalismo não valeram nada. Dizer que a social-democracia deve ser arquivada e defender que ela não deve ser aplicada num determinado país – e vencer no contencioso político – é parte da democracia. Suprimir, todavia, esta possibilidade social-democrata somando ódio e ameaças de morte, para o desterro político da ideia social-democrata, como fez o Presidente eleito durante toda a campanha, não é política: é crime. E bem mais grave do que uma pedalada fiscal.

* Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.



Saga bolsonarista e os desafios da oposição

1 de Novembro de 2018, 11:00, por Feed RSS do(a) News

Por Roberto Amaral, em seu blog:

O resultado do pleito do dia 28 último não deve ser estudado como um episódio em si, autônomo, fato isolado.

Estamos diante de fenômeno mais extenso e mais profundo do que sugerem as aparências, e suas raízes, sabidamente, nos remetem às jornadas de 2013, esfinge ainda não decifrada por analistas e políticos e que, por isso mesmo, vem devorando governos, partidos e lideranças. Entre muitas de suas artes está a de promover erupções que seguidamente surpreendem os cientistas, seja pela sua extensão, seja pela sua profundidade, semelhando a movimentação de placas tectônicas imprevistas pelos melhores sismógrafos.

O fato objetivo é que estamos em meio a um processo político-social em andamento e sobre o qual não temos controle; dele podemos indicar suas raízes, mas muito nos falta para conhecermos seus desdobramentos. Acostumados a explicar o passado, os cientistas sociais estancam quando se trata do processo histórico contemporâneo.
Por enquanto, o reconhecimento se limita a identificar um processo que emergiu – ou seja, fez-se notar – nas manifestações de 2013. Com essa afirmação quero reforçar a ideia de que algo, invisível e silencioso como o cupim que devora a madeira, de há muito já se operava no interior do processo social.

O impeachment de 2016, não obstante sua contundência, não significou nem o ponto de partida nem o termo desse processo iniciado lá atrás, senão o marco identificador do golpe de Estado que chega até nós. Do mesmo modo, a posse do capitão não encerrará esse ciclo, embora possa significar, dentro dele, a prometida interrupção da experiência democrática, ao menos como a conhecemos hoje.

A irrupção de julho de 2013, que teria tido como espoleta a reação estudantil ao aumento de 20 centavos nos preços das passagens de ônibus da cidade de São Paulo, pode contabilizar, a seu crédito – num desdobramento que chega até nós e ultrapassará os dias de hoje – o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a instalação do regime de golpe de Estado continuado com a posse e sustentação do governo Temer. Segue-se, ainda cobrando exegese, o avanço do pensamento e da ação da extrema-direita que culmina com a eleição para a presidência da República de um irrelevante quadro do baixo clero da Câmara dos Deputados, após campanha cujos motes lembram a retórica do nazifascismo. E, no seu rasto, ademais de uma maioria congressual, a eleição, entre outros, de todos os governadores de Estado, de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, algo como 80% da economia nacional, 90% de sua base industrial e evidentemente de seu proletariado, a grande maioria de sua população urbana, os centros mais significativos de ensino, pesquisa, ciência e produção tecnológica.

É o quadro deste momento.

O avanço político e eleitoral da extrema-direita traz à luz do dia uma imagem até aqui desconhecida de nossa sociedade, a da intolerância, insuspeitada em país cujo povo (dizia-se) cultivava o atributo da cordialidade, mas que jamais pudera esconder um autoritarismo larvar.

A propósito, nossos cientistas convergem na qualificação do ‘bolsonarismo’ como uma expressão de totalitarismo, a primeira a apresentar-se nesses termos como proposta política e de governo, entre nós, e a única a obter a consagração eleitoral, sempre negada ao integralismo de Plínio Salgado, seu parente mais próximo. De outra parte, os integralistas brasileiros estavam enfileirados em torno de um partido e de uma doutrina, e de uma organização paramilitar que os animou, até, a intentar o putsch de 1938, quando, no assalto ao Palácio Guanabara, pretendiam depor o presidente Getúlio Vargas. O bolsonarismo carece de uma doutrina (pelo menos segundo os cânones da academia) e pode dispensar a organização e a via paramilitar, pois sua base organizativa fundamental está nos quartéis.

Os cientistas sociais não encontram um corpus doutrinário no bolsonarismo, seja pelas limitações de seu líder e de seus oficiais assistentes, seja por não anunciar um programa com começo, meio e fim. Na campanha, limitou-se à verbalização, tão-só, de uma série de slogans e meras palavras de ordem, muitas negadas para serem em seguida revitalizadas, outras contraditórias e conflitivas entre si, todas reacionárias.

Discute-se, bizantinamente, se estamos em face de uma ameaça fascista, ou neofascista ou de um projeto simplesmente totalitário, o que para o povo não faz a menor diferença. Da mesma forma a definição de ditadura, que, para efetivar-se, não carece, mais, nem de tanques nas ruas, nem de fraturas constitucionais, pois o regime de força moderno pode manipular com os mecanismos da democracia clássica e sua legislação, variando simplesmente sua interpretação entregue às confiáveis mãos dos operadores do processo judicial, procuradores, juízes e ministros, todos amigos do rei.

Ora, a formalidade jurídica não tem alma.

Aliás, ‘na forma da lei’ Dilma Rousseff foi cassada e Lula impedido de assumir a chefia da Casa Civil, processado, julgado, condenado, encarcerado e teve seu pedido de habeas corpus negado pelo STF.

Repito: tudo na forma da lei.

O poder judiciário, desde os juízes de piso como Moro e outros, até o STF, passando pelo TSE, tem dado lições frequentes de como aplicar o Direito segundo os interesses dos donos do poder. E Moro, ao que tudo indica, será premiado pelos serviços prestados.

A probabilidade de um ditadura, ensina a História contemporânea, independe de um golpe de Estado clássico, de iniciativa militar ou dependente de sua intervenção na ordem constitucional, rompendo-a. Assim, um novo 1964 (no seu significado repressivo e antissocial) dispensa, hoje, a ruptura constitucional, e desta vez, a primeira em nossa História republicana, um governo anunciadamente autoritário, defensor da ditadura e da repressão aos direitos civis, assume o poder estribado na manifestação da maioria absoluta do eleitorado, o que o torna inumeráveis vezes mais perigoso e letal do que seus antecessores militares stricto sensu.

É preciso estudar e compreender o processo político em que vivemos, sem o que será inútil qualquer tentativa de construir uma estratégia política, seja de avanço, seja de mera resistência. É preciso prepararmo-nos para o embate ideológico, que o lulismo no governo recusou.

Pouco avançaremos, porém, enquanto não tivermos clareza sobre o significado do fenômeno que hoje chamamos de bolsonarismo.

As esquerdas precisam refletir sobre seu fracasso político após mais de 12 anos de governo federal e dezenas de anos de hegemonia dos movimentos sindical e social. As esquerdas não se recuperarão sem a coragem da autocrítica.

Mas, enquanto isso, é preciso agir.

Se o governo por instalar-se não se enquadra nas classificações dos manuais de Ciência Política disponíveis no mercado, o fato objetivo é que seu líder e a coorte que o acolita já anunciaram a decisão de reprimir, por “terroristas”, os movimentos sociais, como o MST, o MTST. Faz parte do receituário do novo governo a repressão aos movimentos sociais em geral e ao movimento sindical em particular, e a repressão à liberdade de ensino e produção do pensamento acadêmico.

Registre-se, aliás, que os campi das universidades já estão sendo invadidos pelo aparato policial-judiciário, anunciando os anos de terror que estão por vir.

Mas a ditadura mais franca poderá tornar-se necessária, e neste projeto o governo parece apostar, pois seu porta-voz, o futuro primeiro-ministro Paulo Guedes, também conhecido como “Posto Ipiranga”, já anuncia as pilastras do governo do capitão: 1) Reforma da Previdência; 2) Controle dos gastos públicos; 3) Reforma do Estado (que pressupõe uma Constituinte) e 4) Prioridade para o pagamento do déficit público primário orçado pelo BC, dados de setembro último, em 59,321 bilhões de reais.

Como controle dos gastos públicos leia-se redução dos investimentos, comprometendo ainda mais a geração de empregos em país com quase 14 milhões de desempregados. A opção, como prioridade, do pagamento do déficit público significa que não sobrarão recursos nem para os investimentos que ativam a economia, nem para os programas sociais.

E ainda não é tudo, pois anuncia-se um projeto de privatizações criminoso, antinacional, que, de um lado, comprometerá o desenvolvimento nacional e aumentará o desemprego, e, de outro, vendendo nossas empresas de forma afoita e na bacia das almas, deixará longe a privataria do governo FHC.

Tudo o que um conselho de Estado Maior poderia pensar para apressar o conflito social.

O novo governo já começa a operar – dizem os jornais que o capitão cobrou do ainda inquilino do Jaburu a aprovação da reforma da previdência ainda esta ano, agora segundo os ditames de sua equipe.

A resistência deve responder de imediato.

As forças progressistas que não souberam organizar a frente eleitoral do primeiro turno (em face principalmente do hegemonismo do PT), e muito menos construí-la no segundo turno (por força de amuos e ressentimentos que indicam a pobreza histórica da média de nossas lideranças) precisam de engenho e arte, e muita humildade, para pôr de pé a Frente democrática e ampla, popular e partidária, de combate e resistência ao avanço da extrema direita.

Essa Frente, porém, não pode cingir-se às forças chamadas de progressistas e de centro-esquerda, pois precisa abrigar todos aqueles que se sintam no dever de opor-se ao governo Bolsonaro. Mas não será nem Frente e muito menos democrática aquela que restringir partidos ou personalidades, ou, pelo extremo, que se vincule a um projeto eleitoral, ou seja, não poderá suportar nem vetos nem cartas marcadas.

E não há o que esperar, porque, como sempre, o tempo urge; a saga bolsonarista já começou e com ela também começa sua oposição.