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3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | 2 people following this article.
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Os obstáculos para a união entre Boeing e Embraer

10 de Janeiro de 2018, 19:17, por Feed RSS do(a) News

Sindicatos de metalúrgicos e de engenheiros de São José dos Campos vão lançar campanha contra parceria, mas especialistas afirmam que país só tem a ganhar se o negócio for fechado

Embraer boeing

Por Lino Rodrigues, no DefesaNet

Além das restrições decorrentes da ação de classe especial (golden share) do governo brasileiro, que tem poder de vetar o negócio, um eventual acordo entre a Boeing e a Embraer terá que enfrentar também a oposição dos trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras entidades de trabalhadores da região e o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo marcaram para próxima semana o início de uma campanha nacional contra qualquer tipo de transação que represente a transferência do controle acionário da empresa brasileira para a norte-americana.

Os sindicalistas consideram que a venda da principal empresa da região pode transformar São José dos Campos (SP), em uma espécie de Detroit brasileira, a cidade americana que pediu falência em 2013 depois da crise que atingiu a indústria automobilística.

A confirmação das negociações entre as duas fabricantes de aviões, em 21 de dezembro, pegou os trabalhadores de surpresa na véspera do tradicional período de paralisação da fábrica para as festas de Natal e final de ano. Nas unidades de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, e Gavião Peixoto, no interior paulista, que empregam mais de 25 mil trabalhadores, o clima desde o retorno ao trabalho, na quarta-feira passada, é de apreensão e preocupação com o futuro da empresa e dos empregos.

“A maioria dos funcionários vê com muita preocupação essa movimentação, porque a história das fusões tem mostrado que a empresa maior acaba destruindo a menor”, diz Herbert Claros da Silva, vice-presidente do sindicato, e mecânico ajustador da Embraer. Segundo ele, o sindicato já enviou carta ao governo federal cobrando uma posição contrária à venda da empresa à Boeing.

Na fábrica de São José dos Campos são produzidos os modelos da família 190, utilizados na aviação regional. O setor de montagem de jatos executivos ficou bem reduzido, desde que a produção dos jatos Phenom 100 e 300 foi transferida para uma nova unidade nos Estados Unidos.

Na área militar, alguns componentes ainda são produzidos em São José, mas a maior parte do trabalho dos aviões militares (os modelos Tucano e o cargueiro KC-390) é realizada pelos trabalhadores da unidade de Gavião Peixoto. No total, a Embraer emprega cerca de 18 mil pessoas nas duas fábricas e escritórios do país.

CONFLITO DE INTERESSES

Outro ponto que começa a surgir como um empecilho à negociação é a parceria da Embraer com a sueca Saab, que venceu a concorrência internacional para fornecer os caças do programa FX-2 do Brasil. Na época, a Boeing foi a grande derrotada na licitação, que acabou vencida pelos franceses.

Agora, uma parceria entre Embraer e Boeing pode gerar um conflito de interesses, já que americanos e franceses concorrem no mercado internacional. A questão foi colocada pelo ex-ministro da Defesa e das Relações Exterior, Celso Amorim: “A Suécia concordará em passar um segredo tecnológico para uma empresa que estará coligada a uma concorrente direta dela nesta área?”, questionou em artigo ao portal GGN.

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em regulação, Cleveland Prates, não vê problemas ou conflito entre franceses e americanos. Segundo ele, a Embraer e a Saab têm um contrato que prevê uma série de situações com exigências para a possível entrada de um sócio em uma das empresas. “Não vejo problema, até porque a Boeing já sabia que a Embraer tem o contrato com a Saab”, diz Prates.

Para o especialista, ex-integrante do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Embraer só tem a ganhar com o negócio. A empresa brasileira, diz ele, é muito mais uma desenvolvedora de tecnologia do que propriamente uma geradora de recursos para o país. “Cerca de 70% da venda de uma aeronave equivale a insumos importados, ou seja, a Embraer desenvolve tecnologia e monta, mas para fazer isso compra componentes do resto do mundo. Mais importante que o símbolo nacional é a geração de riqueza. E se a Boeing está vindo para o Brasil para gerar riqueza e desenvolver tecnologias junto com a Embraer, só temos a ganhar com isso.”

A Embraer em números

Faturamento em 2016:
» US$ 7,1 bi

Receita por unidade de negócio
» Aviação comercial 57%
» Aviação executiva 18%
» Defesa e segurança 15%

Participação no capital*
» BNDES 15%
» Brandes 10,1%
» Mondrian 10,1%
» BNDESPar 5,1%
» BlackRock 5%
» Outros 64,5%

*O governo brasileiro é dono de uma ação especial “golden share”, que lhe dá o direito de vetar qualquer negócio

Estrutura
» 18 mil funcionários
» 2 fábricas em São Paulo

Principais aviões Militares
» Super Tucano
» KC – 390

Jatos executivos
» Phenom 100 e 300
» Legacy 500

Aviação comercial
» E195
» E195 – E2


Kc 390

Governo Temer retoma esta semana conversas com Embraer sobre Boeing¹

O governo Temer retoma esta semana conversas com a Embraer sobre sua associação com a Boeing. Informações desencontradas sobre a empresa de aviação têm deixado os players do mercado em alerta. Segundo um deles, “hoje parece a época em que o governo falava muito sobre preço de gasolina, se ela ia baixar ou subir, sem dar importância aos reflexos no mercado de ações da Petrobrás”.

Agora, o filme se repete. Ninguém sabe como o negócio será montado e integrantes do governo já informam que “não autorizam a venda do controle da Embraer”.

Embraer contrata Citi e Goldman como assessores em conversas com Boeing

A fabricante de aeronaves Embraer contratou os bancos de investimento Citi e Goldman Sachs, deixando players locais de lado, para assessorá-la em suas conversas com a americana Boeing. As companhias estão negociando uma eventual parceria, mas o modelo do negócio ainda não foi revelado.

A questão da segurança nacional é um dos nós que precisará ser desatado para que o negócio possa seguir em frente, caso envolva a área militar da companhia brasileira.

Outro fator que torna a negociação mais complexa é o poder de veto da União, que detém, desde a privatização da Embraer, uma ação especial da empresa, chamada de golden share. Do lado jurídico, o contratado pela brasileira foi Paulo Aragão, do escritório BMA Advogados. Procurados, Embraer, Citi, Goldman Sachs e BMA não comentaram.

Trabalhadores pedem reunião com ministro sobre Embraer²

A diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, base dos funcionários da Embraer, pedirá uma audiência com o ministro da Defesa, Raul Jungmann, para tratar das negociações entre a fabricante brasileira de aviões e a Boeing.

O sindicato considera que Jungmann tem uma posição equivocada sobre uma possível combinação de negócios entre as empresas, envolvendo também a divisão de Defesa, além da de jatos comerciais.

"Uma possível venda da Embraer fere uma série de interesses, principalmente se for incluída a área de Defesa no negócio", diz o diretor do sindicato, Herbert Claros.

Segundo Jungmann, o governo brasileiro poderá apoiar uma parceria mais ampla entre a Boeing e a Embraer, envolvendo projetos das Forças Armadas, além dos jatos comerciais, desde que haja cláusulas que preservem o sigilo. O Brasil, disse o ministro, só não abre mão do controle da companhia, o que implicaria "flexibilizar a soberania nacional".

O sindicato é contrário à associação entre a Embraer e a Boeing e teme fechamento de postos de trabalho caso isso aconteça. A diretoria do sindicato também aguarda uma reunião com a direção da Embraer para discutir o negócio. Os sindicalistas cobram transparência da empresa nas negociações com a Boeing.

¹com Estadão Coluna Do Broadcast e Sônia Racy  e ²Época Negócios



Sem Embraer, Brasil perderá capacidade tecnológica, diz economista sul coreano

10 de Janeiro de 2018, 19:17, por Feed RSS do(a) News

O economista sul-coreano Ha-Joon Chang, que há décadas vive em Cambridge e dá aulas na celebrada universidade local, avaliou, em entrevista a O Estado de S. Paulo, que a venda da Embraer para a Boeing não é bom negócio para o Brasil. Segundo ele, caso a negociação que está em curso se concretize, o país perderá capacidade tecnológica.

Saratov airlines embraer 190

"Acho que se deveria tentar manter [o controle da empresa]. A Boeing vai tornar a Embraer uma segunda marca, para coisas simples, levar as tecnologias importantes [da Embraer] para os Estados Unidos”, disse.

A Boeing e a Embraer anunciaram, no dia 21 de dezembro, que estão discutindo uma fusão de seus negócios, o que levantou críticas, inclusive, de que isso poderia acarretar danos à soberania nacional. O governo brasileiro tem poder de vetar o negócio, uma vez que, ao privatizar a companhia, passou a deter ações especiais, chamadas de Golden Share, que lhe conferem certos privilégios e prerrogativas.

De acordo com Chang, se perder o controle da Embraer, o Brasil perderá a “habilidade de gerar sua própria tecnologia”. Para ele, empresas nacionais continuam sendo importantes. “Quando uma empresa alemã compra uma americana, os alemães ficam com a gerência e passam a fazer os trabalhos de desenvolvimento mais importantes na Alemanha. É por isso que compram, para controlar”.

Na sua avaliação, não é que nunca se deva vender companhias líderes para estrangeiras, pois algumas vezes é necessário. Mas é preciso ter cuidado. Ele ressaltou que, no caso específico da fabricante de aeronaves, a Embraer é a única companhia que compete com Boeing e Airbus, apesar de ser menor. “Se for vendida, é muito importante garantir que o Brasil mantenha a capacidade tecnológica”, alertou.

Vale lembrar que, apesar de o governo Michel temer ter dito que não abrirá mão do controle da companhia, no dia 19 de julho de 2017, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, consultou o Tribunal de Contas da União sobre a possibilidade de abrir mão da “golden share” da Embraer, da Vale e do IRB.

O economista coreano também externou uma visão crítica a respeito do acordo de livre comércio que o Mercosul negocia com a União Europeia. “Se o Brasil assinar um acordo assim com a Europa, vai aumentar a dependência do País de commodities. Provavelmente, no curto prazo, poderá se beneficiar exportando mais soja. No longo prazo, você coloca o País na direção errada”, afirmou.

Chang avaliou medidas de incentivo à indústria implementadas no Brasil. Segundo ele, o problema não é o protecionismo em si, mas o fato de que não foram cobradas contrapartidas das empresas beneficiadas. “Várias coisas precisam ser feitas para a proteção funcionar. Só proteger não é suficiente”, analisou.

Segundo ele, um dos problemas do Brasil foi não adotar medidas para garantir que a proteção estava aumentando a produtividade. “É preciso ter certeza de que ela [a empresa] não abusa da proteção, com punições, por exemplo, se ela não atingir a meta. Levam-se décadas para que essas empresas cresçam”, citou.

“Na Coreia, se as indústrias protegidas não melhoravam a performance, a proteção era retirada. Outro problema no Brasil são as políticas macroeconômicas, como de juros altos e câmbio valorizado. Quando se tem uma taxa de juros de 10%, quem vai pegar crédito para expandir seu negócio?”, questionou.

Para o coreano, a política econômica não ajudou os investimentos, o que levou o BNDES a fazer empréstimos especiais. Chang falou ainda sobre a estratégia do atual governo brasileiro, liberal, que restringiu os empréstimos do banco de fomento e realizou a reforma trabalhista.

“Basicamente, governos liberais enfraquecem os direitos dos trabalhadores para reduzir os custos trabalhistas. Na Alemanha, trabalhadores recebem US$ 40 por hora porque a tecnologia justifica esse salário. No curto prazo, relaxar a regulamentação trabalhista pode ter impacto positivo para as corporações. No longo prazo, você não vai conseguir competir com empresas da Alemanha. O que determina o sucesso é a tecnologia e a produtividade, não o custo com salário”, enfatizou.

Chang é autor do famoso livro Chutando a Escada, que aborda como os países ricos enriqueceram de fato. Nele, defende que eles só ascenderam porque adotaram medidas protecionistas, que agora tentam bloquear para os emergentes.

Do Portal Vermelho



Correio do Brasil: Chegamos à maioridade e seguimos em frente

1 de Janeiro de 2018, 0:35, por Feed RSS do(a) News

Parece que foi ontem. Há 18 anos, aos 40, perguntei-me o que fazer por meu país, dali adiante. Fundei o Correio do Brasil.

 

Por Gilberto de Souza – do Rio de Janeiro

 

Foi necessário, à época, tanta coragem quanto agora para seguir em frente com um diário vespertino, independente e avesso aos cultos à personalidade que dominam a mídia brasileira. Apesar das indicações e convites ao longo destas quase duas décadas, o CdB jamais aceitou quaisquer espécies de prêmios de Jornalismo ou comendas equivalentes, vindos daqueles que têm como principal objetivo apenas a degradação e a pilhagem da terra onde nasci. Onde nasceram minha filha, meu neto.

O Correio do Brasil completa sua maioridade agora, em 2018

O Correio do Brasil completa sua maioridade agora, em 2018

Somos avessos à hipocrisia. Dispensamos o reconhecimento de um sistema corrompido por interesses inconfessáveis e o denunciamos, a cada oportunidade. Para isso, é preciso coragem e determinação; valores que sempre ditaram a trajetória do Correio do Brasil. A única crítica, o único aplauso que respeitamos é o dos nossos leitores; os assinantes que garantem, por uma módica quantia mensal, a existência de uma bandeira hasteada contra a iniquidade.

Cerco total

No Brasil, vigora um cerco perverso à mídia independente. Um conjunto de leis e normas servem de base a um cartel midiático; formado por oito, nove poderosas famílias que detêm o controle acionário de cerca de 80% dos meios de comunicação, no país. Eles temem, no entanto, a diversidade e a independência de veículos capazes de seguir adiante, com o único compromisso de informar – de maneira objetiva e mais isenta possível – sobre a realidade brasileira.

Ao Correio do Brasil, este cerco pode ser comparado a outros em curso, no mundo, a exemplo do que os Estados Unidos fazem com a ilha de Cuba. Na História, encontra paralelo na batalha por Leningrado. Sabemos, portanto, que apenas a determinação e o heroísmo dos nossos repórteres, redatores, colunistas, correspondentes e editores, a exemplo dos homens e mulheres que resistem ao jugo dos impérios, garantem-nos mais uma edição, sempre ao final da tarde. Um passo adiante, na conquista de um novo dia.

Parece pouco, se comparado aos jornais conservadores, mas trata-se de uma tarefa heróica chegar à edição de número 6.550. Tem sido uma jornada épica conduzir até aqui – e adiante – a linha do tempo de um país assolado por golpes de Estado, crises econômicas, sequestros de direitos, de pessoas, de sonhos. O que nos move é essa incessante busca pela verdade e a pureza dos fatos, assim como eles são; sem meias-palavras ou maquiagens tão comuns na mídia nacional. Esta, conheço de perto.

Imprensa nativa

O compromisso inalienável de levar a realidade aos nossos leitores, o que consideramos nada além da obrigação de todos aqui no jornal, é outro ponto que distingue o CdB na imprensa brasileira. Ao longo destas quase duas décadas, abominamos as ‘fake news’ que, traduzidas em bom português, querem dizer ‘notícias mentirosas’; sejam aquelas que beneficiam a esquerda, ou a direita. Aqui, o leitor sabe que pode confiar no que está escrito.

Trabalhei nas principais redações dos diários brasileiros. Fundei o Correio do Brasil exatamente por conhecer a realidade da imprensa nativa e no que ela se transformou, para atender às demandas do ‘mercado’; este ente fantasmagórico que esmaga nações inteiras, apenas para o deleite daquele 1% de seres humanos que, juntos, detêm a riqueza e a dignidade dos 99% restantes. Ao longo destes 18 anos e em outros 18 mais, enquanto respirar, nunca o CdB sairá em defesa do opressor; mas sempre cerrará fileiras com os oprimidos, os injustiçados. Ao lado daqueles que não têm voz, ou vez, neste deserto desumano em que querem transformar o Brasil.

Ora, dirá a concorrência, esta não é uma editora, uma empresa, mas um sacerdócio; uma organização sem fins lucrativos. É neste ponto que, neste 18º ano de existência, provamos ser possível levar adiante a construção de um diário de notícias que vive do prestígio e da confiança de seu público. Não é qualquer anúncio, por exemplo, que aceitamos veicular nas páginas de nossas edições, impressa e digital. Fazer Jornalismo custa caro, mas esse preço jamais será maior do que a nossa consciência.

Sigamos adiante, então, por mais um ano. Agora, na maioridade.

Gilberto de Souza é jornalista e editor-chefe do Correio do Brasil.

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Estamos em 2018 e ainda não entendemos por que 2013 foi possível!

31 de Dezembro de 2017, 20:09, por Feed RSS do(a) News

É lugar comum nas análises atuais dizer que a desgraça pela qual passa o Brasil é culpa das manifestações de 2013. Não há dúvidas que as mesmas tiveram um papel nisso tudo e parte delas contaram inclusive com financiamento interno e externo do grande capital. Porém, é preciso analisar o que tornou, ao longo de décadas, possível que 2013 tivesse lugar da forma como aconteceu.

Pedro ladeira 2 600x365 Manifestantes em frente ao Congresso Nacional em Brasília, em 2013. (Foto: Pedro Ladeira)

No artigo Ciberguerra potencializa guerra informacional analisamos o roteiro usado nas chamadas revoluções coloridas ou primaveras disso ou daquilo que aconteceram no planeta desde o início da década de 2010.

Obviamente as condições que permitiram a aplicação do roteiro variaram de acordo com o momento histórico de cada país, mas regra geral, estas condições foram sendo criadas ao longo das últimas 3 décadas com maior ou menor intensidade segundo o momento histórico e o estágio de desenvolvimento político, econômico e social vivido por cada um deles. Não se trata aqui de debater qualitativamente o desenvolvimento de cada país, mas entender que os países se desenvolvem em ritmos diferentes.

Mas como o objetivo deste artigo é tentar entender como as manifestações de 2013 foram possíveis no Brasil precisamos olhar o que aconteceu em nosso país e no mundo nas últimas 3 décadas.

O processo que levou a derrota do projeto de governo petista de inclusão social e redução da pobreza não teve início em 2014, nem em 2013, nem 2010 e muito menos em 2002.

Por paradoxal que possa parecer, este processo teve início em meados de 1980, quando o movimento sindical e o PT viviam um momento de ascendência. Crescíam vertiginosamente, com uma proposta popular e socialista quando o mundo soviético a rejeitava ferozmente.

No Brasil e no Mundo daquela época acontecem alguns movimentos importantes que podem indicar porque chegamos ao que chegamos:

  • O trabalho como conceito moral, como valor social, é sistematicamente desqualificado, criando a ideia de quem trabalha é otário;
  • A Igreja Católica da Teologia da Libertação é dizimada pelo anti-comunista papa polonês (Józef Wojtyła) e seu buldog alemão (Natzinger);
  • A Teologia da Prosperidade (dos neopentecostais) cresce e leva os católicos a pregar a renovação carismática e uma guinada à direita;
  • O movimento sindical tira o pé do acelerador e começa a deixar o trabalho de base de lado em nome de uma possível eleição de Lula, processo que fica cada vez mais forte depois da quase vitória em 1989;
  • O neoliberalismo ganha força no mundo todo (inclusive na URSS), cuja derrubada do Muro de Berlim foi o símbolo maior;
  • A esquerda mundial entra numa crise de criatividade sem precedentes;
  • A socialdemocracia europeia rende-se ao neoliberalismo e, por vezes, é mais radical em sua implantação que os próprios direitistas;
  • A esquerda que sempre teve um papel importante no imaginário das pessoas e forte influência na área cultural, perde o espaço para a direita;
  • Direitos Humanos e o Humanismo são ridicularizados. O deus mercado e o lucro fácil tomam contam de corações e mentes das mais distintas classes sociais;
  • A utopia cede espaço ao pragmatismo, que na prática se traduz em vantagens pessoais de curto prazo colocadas acima dos objetivos históricos coletivos de longo prazo;
  • O fim do modelo soviético fortalece o dogma ideológico difundido pelos capitalistas de que não há alternativas ao capitalismo e que, portanto, a saída que nos resta é melhorar a situação econômica dos mais pobres e, com isso, garantir seu apoio aos programas de governos progressistas;
  • Passa-se a tolir todo e qualquer debate que possa levar a um crítica ao capitalismo e desqualifica-se àqueles que lembram que a Luta de Classes não terminou com o fim da URSS.

Por outro lado, os problemas e as mazelas no Brasil eram e são tão profundos que até mesmo pequenas reformas e alguns programas sociais teriam um efeito enorme sobre toda a sociedade, conforme pudemos notar nos anos de governos petistas. Isso gerou a atual onda de fúria e ódio da CasaGrande que culminou no impedimento de Dilma em 2016 e nos ferozes ataques, que ocorrem desde a instauração do governo golpista e cleptocrata de Michel Temer e seus tucanos, aos direitos sociais e trabalhistas duramente conquistado ao longo de décadas de lutas de brasileiros e brasileiras.

É claro que em 13 anos de governos petistas não se conseguiria substituir toda uma estrutura socio-político-econômica cuidadosamente montada em 502 anos de domínio pleno da Casagrande. Esta tarefa se tornou ainda mais difícil ao deixarmos de fazer trabalho de conscientização e organização de base, coisas, aliás, que fizemos muito bem no final dos anos 1970, começo dos anos 1980.

Contudo, um dos maiores erros cometidos por parte da esquerda foi acreditar que a tomada do poder político (ganhar o governo) facilitaria o processo de transformação econômica. A história já demonstrou que aqueles que conquistam o poder político, sem ter o poder econômico, acabam transformados em servos do último e, nos casos onde não se submetem aos pesados interesses econômicos, são expulsos do poder político por movimentos mais atrasados e piores para os Trabalhadores, piores até que os derrotados pela esquerda no período anterior.

Para evitar este desastre socio-político é preciso que existam na sociedade forças extremamente organizadas a partir da base e preparadas para fazer com que a economia funcione, capaz de gerar riquezas, segundo novas condições. Em outras palavras é preciso construir poder econômico, tendo os Trabalhadores não só a frente deste processo, mas sujeito dos mesmos. (Escrevemos este parágrafo em 2007, publicado na apresentação do livro Concepção Anarquista de Sindicalismo de autoria de Neno Vasco, o anarco-sindicalista português que traduziu para a língua pátria os versos de A Internacional.)

Eis aqui uma das chaves para entender porque 2013 foi possível. Além de não se ter investido na formação de poder econômico próprio, controlado pelos trabalhadores e apontando para uma nova forma de organização política, social e econômica, não conseguimos fazer frente ao massivo ataque ideológico direitista de endeusamento do mercado e das liberdades para o capital porque deixou-se de fazer trabalho de base e estar junto com o povo, ouvindo-o e construindo coletivamente com ele as soluções possíveis, assim como lançando as bases para a construção da alternativa desejada e compartilhada por todos.

Então, 2013, foi possível não só pela organização da direita, mas também pela desorganização e desmobilização da esquerda, da qual, uma parte, se contentou com os programas de governo que podia implantar a partir dos palácios do governo e, outra parte, se meteu num radicalismo acadêmico distante do povo.

Certamente, poderíamos nos comunicar melhor com o povo e não deixar que seu imaginário fosse conquistado pelos fundamentalistas de mercado e seu braço neopentecostal. Resta saber se teremos capacidade para avaliar todo este processo, fazer autocrítica, aprender com os próprios erros, reconquistar o imaginário das pessoas e avançar.

Ficar na análise fácil de que tudo é culpa das manifestações de 2013, certamente não nos ajudará a entender nada.



Feliz Ano Novo!

31 de Dezembro de 2017, 13:31, por Feed RSS do(a) News

Feliz 2019

Por que 2018 será de muita luta e garra!



As falácias de Moro. Baixe aqui o pdf gratuitamente

30 de Dezembro de 2017, 21:39, por Feed RSS do(a) News

Disponibilizamos aqui para livre download o livro Falácias de Moro - Análise Lógica da Sentença Condenatória de Luiz Inácio Lula da Silva - Processo n.o 5046512-94.2016.4.04.7000, de Euclides Mance.

Capa falacias de moro

É só clicar no link ou na foto acima para baixar o pdf livre e gratuitamente sem precisar gerar tráfego para as multinacionais norteamericanas.



Esquerda da Ciranda ou a volta dos que nunca foram

30 de Dezembro de 2017, 14:27, por Feed RSS do(a) News

Ali no Leblon/Ipanema ou nos Jardins sempre surgem umas figuras que reforçam um estereótipo de uma esquerda que não sabe o que é a luta de classes. 

Por Arnóbio Rocha

 
Alguns leram orelhas e citações do Kapital, decoram trechos de Lênin e se identificam com a rebeldia antiburocacia de Trotsky. É o máximo de radicalismo que se permitem.
 
A maioria se orienta pelo medo de desagradar a Globo ou a Folha de São Paulo, incapazes de enfrentar uma conjuntura adversa, preferem as críticas moralistas para não criar problemas com a mídia e classe média. 
 
Gabeira no passado, que se apresentava como o gênio do sequestro do embaixador e ao mesmo tempo a "voz da consciência" da autocrítica, uma síntese em si mesmo. 
 
Agora temos Freixo, a maior liderança do Psol que teve como feito espetacular de ir ao 2° turno do RJ, ao mesmo tempo recusou apoio militante de Lula em seu palanque, uma concessão direta à Globo e ao seu público classe média. Claro que tomou uma porrada do  bispo reaça nos setores mais pobres da cidade, não por mero acaso.
 
Freixo se revela também uma espécie de Gabeira, bem piorado (ainda resta respeito pelo que fez na ditadura). Pois Bem, o articulado deputado das reuniões na casa de Paula Lavínia, se apresenta como o "criador" de Boulos Presidente (um delírio). Um colosso. 
 
Óbvio que figuras populares surgem na luta, no enfrentamento, dos de baixo, como um Freixo da vida se mostra o criador? Figuras como Lula, bem mais que Boulos por sua origem de classe, não são criação de um vaidoso qualquer, mas frutos da luta de classes.
 
Vou repetir e, podem me cobrar, em pouco tempo teremos a confirmação de um tipo comum na esquerda:
 
O  traidor esclarecido.


Sob controle da Boeing, destino da Embraer é o da FNM

25 de Dezembro de 2017, 11:11, por Feed RSS do(a) News

Pobre do povo que prefere debater a celulite de uma cantora pop a defender a soberania do país e sua maior empresa aeronáutica, resultante de mais de 70 anos de investimentos públicos em tecnologia!

Azul brasil2

Ao contrário do que pensa a maioria das pessoas, a Embraer não foi a primeira incursão de grande envergadura no campo aeronáutico, feita pelo Brasil.

Por Luiz Carlos Lima*

Em 1942 o governo do presidente Getúlio Vargas, sob a inspiração do então coronel Guedes Muniz, criou a Fabrica Nacional de Motores – FNM (FeNeMê) em Xerém, distrito de Duque de Caxias no Rio de Janeiro. A idéia era produzir motores de aviação para viabilizar a nascente indústria aeronáutica que era obrigada a importar os motores e com a guerra prolongada tornara-se artigo raro e caro.

A aliança entre Vargas e Roosevelt permitiu a viabilização da fábrica, juntamente com a Companhia Siderúrgica Nacional em troca da instalação de uma base em Natal, no Rio Grande do Norte.

Os primeiros motores produzidos pela FNM foram uma versão dos motores radiais Curtiss-Wright R-975 e equiparam um avião Vultee em 1946. É importante lembrar que o Brasil contava à época com a fábrica de aviões em Lagoa Santa, Minas Gerais onde foram montados os T 6, a Fábrica do Galeão, no Rio de Janeiro, que produziu os bombardeios bimotores Fock-Wulf B 52 e uma industria privada, a Companhia Aeronáutica Paulista, que produziu os famosos Paulistinhas. Portanto, produzir motores era essencial para a capacidade do país se defender e garantir sua soberania, especialmente num cenário internacional como da segunda guerra mundial.

Findo o conflito, nosso aliado tem grande sobra de material de guerra inclusive motores de aviação. Por outro lado, Getúlio Vargas já havia caído e com ele sua política nacionalista. O novo governo do presidente Eurico Gaspar Dutra, de inspiração liberal eleito em 1946, optou por abandonar o esforço em dominar a produção de motores de aviação e comprar a preços módicos o estoque norte-americano.

Morreu aí a FNM produtora de motores de aeronaves. Hoje os aviões produzidos no Brasil importam seus motores de fábricas inglesas ou norte-americanas.

Mas as primorosas instalações da FNM em Duque de Caxias não foram fechadas. Guedes Muniz iniciou a produção de bens de consumo, máquinas agrícolas e finalmente caminhões. Primeiro fez uma associação com a Isotta Fraschini e posteriormente com a Alfa Romeo para a produção de caminhões pesados no Brasil.

Aos poucos se tornou uma marca reconhecida em todos os cantos do país com caminhões adaptados às condições brasileiras e dominaram nossas estradas nas décadas de 1950 à 1970.

Além dos caminhões pesados, a fábrica produzia ônibus e em 1960 lançou um automóvel sedã bastante avançado, o FNM 2000 JK em homenagem ao presidente Juscelino Kubitschek. Era uma autêntica marca nacional – apelidada pelo povo de FeNeMê.

Apesar do fracasso inicial com a produção de motores aeronáuticos, por decisão governamental alinhada aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos, a FNM firmou-se como um símbolo da industrialização brasileira concebida no ciclo Vargas – com forte ação do Estado: Petrobras, Companhia Siderúrgica Nacional, FNM e Vale do Rio Doce.

Veio o golpe militar de 1964 e colocou uma pá de cal na marca brasileira de automóveis, caminhões e ônibus. Em 1968, em negociação secreta, o governo de Costa e Silva transferiu o controle da FNM para a italiana Alfa Romeo – até então parceira tecnológica da empresa. A marca desapareceu em uma década.

Nunca mais o Brasil conseguiu consolidar uma marca própria competitiva no ramo automobilístico, apesar do esforço de gente como João Gurgel, Agrale e das fábricas de esportivos e utilitários. Hoje o mercado brasileiro é dividido entre multinacionais de várias origens – norte americanas, suecas, alemãs, japonesas, francesas, coreanas, francesas, chinesas....

O Brasil detém uma das três grandes indústrias de aviões do ocidente, até agora, fruto de uma visão cuja origem é a velha política nacionalista de Getúlio Vargas, implantada com o Brigadeiro Montenegro criado do CTA e ITA que permitiu a constituição do grupo de trabalho que resultou na produção do Bandeirante e da Embraer.

Se vingar esse negócio teremos mais uma FNM.

Luiz Carlos de Lima é Professor, ex-secretário de educação de São José dos Campos



Direita produz caos para impor sua política

22 de Dezembro de 2017, 21:46, por Feed RSS do(a) News

Por Reginaldo Moraes, no site Brasil Debate:

Faz alguns anos, a escritora canadense Naomi Klein publicou um livro de grande interesse para entendermos o tempo em que vivemos. Chama-se A Doutrina do Choque. O livro mostra em detalhes várias situações em que um mesmo modo de operar foi utilizado por forças reacionárias para impor “ajustes” que os cidadãos rejeitariam em condições normais. O modo de operar é aproveitar ou criar um clima de choque.

Ela diz que esse é o “método preferencial para promover os objetivos das corporações: aproveitar os momentos de trauma coletivo e implementar uma engenharia social e econômica radical.”

Ela compara essa técnica – utilizada para forçar multidões, comunidades, países inteiros – com a técnica de submissão aplicada aos prisioneiros, torturados para fornecer informação aos “serviços de segurança”. São técnicas desenvolvidas durante décadas por equipes de “pesquisadores da tortura”, ligados a organizações criminosas de estado, como a CIA americana e a polícia secreta israelense.

É muito útil para nós, neste momento, ouvirmos a palavra de Klein:

A tortura, ou “interrogatório coercitivo” no linguajar da CIA, é um conjunto de técnicas destinadas a colocar os prisioneiros em estado de profunda desorientação e choque, de modo a obrigá-los a fazer concessões contra a própria vontade. A lógica que norteia os procedimentos foi elaborada em dois manuais da CIA que se tornaram públicos na década de 1990. Neles, está explicado que o melhor modo de quebrar as “resistências” é promover rupturas violentas entre o prisioneiro e a sua habilidade para compreender o mundo à sua volta. (36) Em primeiro lugar, privando-o de qualquer tipo de contato (utilizando capuz, tapa-ouvidos, algemas, total isolamento), e depois bombardeando seu corpo com estímulos exagerados (luz estroboscópica, música estridente, pancadas, eletrochoque). O objetivo desse estágio “suave” é provocar uma espécie de furacão dentro da mente: prisioneiros ficam tão regredidos e assustados que perdem a capacidade de pensar racionalmente e proteger os próprios interesses. É nesse estado de choque que a maioria dá aos interrogadores aquilo que estão querendo – informação, confissão, renúncia a crenças anteriores.
E ela esclarece: aquilo que funciona com esse indivíduo preso funciona também quando aplicado a coletivos, a grandes comunidades, como se elas também estivessem aprisionadas e submetidas a tratamento de interrogatório forçado:

Como o preso aterrorizado que entrega os nomes de seus companheiros e renuncia à própria fé, as sociedades em estado de choque frequentemente desistem de coisas que em outras situações teriam defendido com toda a força.

A doutrina do choque imita esse processo de forma meticulosa, procurando atingir numa escala maciça o que a tortura faz individualmente nas celas de interrogatório.

Em 1996, um documento da defesa americana já resumia essa técnica, utilizada em invasões, sabotagens e processos através dos quais o governo americano, diretamente ou através de forças manipuladas, tentava impor suas metas a outros países:

“Domínio significa a capacidade de afetar e dominar a vontade do adversário, tanto física como psicologicamente. Domínio físico inclui a capacidade de destruir, desarmar, perturbar, neutralizar e tornar impotente. Dominação psicológica, a capacidade de destruir, derrotar e castrar a vontade de um adversário para resistir; ou convencer o adversário a aceitar nossos termos e objetivos sem usar a força. O alvo é a vontade do adversário, sua percepção e compreensão. O principal mecanismo para se atingir este domínio é impor condições suficientes de “Choque e pavor” sobre o adversário para convencer ou obrigar a aceitar nossos objetivos estratégicos e objetivos militares. Devem ser empregadas a mentira, confusão, informação falsa e desinformação, talvez em quantidades maciças.” [Shock and Awe – Achieving Rapid Dominance – do Defense Group Inc. for The National Defense University]
Atenção, leitor. Até agora falamos mais de “aproveitar a crise” para impor políticas que, em tempos normais, seriam recusadas. Mas no exemplo do prisioneiro, não se trata apenas de aproveitar a crise, mas de produzir a crise. Também na vida política se faz assim.

Vamos lembrar o que dizia um famoso guru neoliberal Milton Friedman, amigo e conselheiro de Pinochet e dos militares argentinos:

“Somente uma crise – real ou percebida como real – produz mudança de fato. Quanto essa crise ocorre, as ações dependem de ideias que estão disponíveis no momento. Acredito que essa é a nossa função básica: desenvolver alternativas para as políticas existentes, manter essas alternativas prontas e disponíveis até que aquilo que antes parecia politicamente impossível se torna politicamente inevitável”. (Milton Friedman – Prefácio à edição 1982 de Capitalism and Freedom, University of Chicago Press)
O que aconteceu no Chile, laboratório de Friedman, não foi um “aproveitamento” da crise. Foi a produção deliberada de uma crise, por meio de sabotagem ampla, geral e irrestrita. Se quiser alguns detalhes veja essa estória: http://brasildebate.com.br/chile-brasil-e-as-reformas-a-prova-de-mudancas-politicas/.

No Chile, como no Brasil, na Venezuela, no Egito, na Ucrânia… em muitos lugares do mundo, as grandes corporações e o governo americano produziram a crise, sabotaram o país para criar o ambiente que desarvorou a resistência e impôs as reformas que eles pretendiam.

Do outro lado, o desafio da resistência é perceber como evitar a produção da crise encomendada, como enfrentar as armadilhas dos torturadores, que possuem armas, recursos, mídia, aparatos de estado. Mas esse tema – como enfrentar os torturadores – é assunto para outro artigo. Voltaremos a ele.



Entregar a EMBRAER à BOEING é mais um golpe no futuro do Brasil como Nação Soberana

22 de Dezembro de 2017, 10:35, por Feed RSS do(a) News

POR FERNANDO BRITO no TIJOLAÇO

embraer

A Embraer, nas asas da Panair, vai-se como a Petrobras

Os jornais dizem que Boeing cuida de comprar a Embraer.

Olho gordo e cofre gordo, para isso, jamais faltaram.

Dizem também os jornais que Michel Temer é contra a transferência da empresa, embora aceite negociar parte dela.

Usaria, para vetar a venda, a Golden Share, ação especial que dá o direito do governo a vetar a transferência de seu controle acionário.

Alguém precisa informa a Michel Temer que, em nome de seu governo, Henrique Meirelles enviou ao Tribunal de Contas um pedido para vender esta tal Golden Share, tanto na Embraer quanto na Vale, como se publicou aqui tempos atrás.

Os militares, por ódio político, destruíram a Panair, uma empresa de aviação nacional que fazia frente, ao menos aqui, ás gigantes americanas que  desejavam o monopólio dos voos internacionais.

Agora, vendendo a Embraer, destruirão todo o conhecimento nacional que a fez ser um player mundial nos segmentos de aviões comerciais de médio porte e no mercado de jatos executivos. E que é, com os Supertucanos, com o KC-390 e com as possibilidades que traz o contrato dos caças Grippen, em matéria de transferência de tecnologia, a capacidade de exercer o mesmo papel na aviação militar.

É provável que não saia a venda integral da Embraer mas que ela comece a ser entregue aos pedaços, tal como estão fazendo com a Petrobras.

O Brasil, para esta gente, não é feito para voar, mas para rastejar.