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Cultura

30 de Agosto de 2016, 13:39 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.

A destruição, além do físico

3 de Setembro de 2018, 13:13, por Desconhecido


Raphael Kapa 

O incêndio que destruiu o Museu Nacional/UFRJ na noite de domingo, dia 2, levou consigo muito mais do que um prédio histórico que abrigou a família real.

Aliás, desde quando se transformou em Museu Nacional, a instituição fazia questão de se apresentar como um espaço de produção e exposição de ciência.

Quem visitasse esperando um trono real de D. João VI sairia desolado. Poucas referências à presença dos imperiais apareciam em seus corredores. Ainda assim, indiretamente os antigos moradores estavam presentes na exposição.

A cadeira real do antigo imperador do Brasil não estava ali, mas outro trono tinha destaque no acervo. Era do rei Adandozan, do reino de Daomé (atual Benin), na África, e que foi dado em 1811 para Dom João VI como uma prova da boa relação que o reino português – recém-fugido para o Brasil – queria manter com este povo.

Uma peça que contribuiu nas relações diplomáticas que consolidaram na trágica história escravista do país.

Muito perto deste trono também havia um manto real. Novamente, não era da família portuguesa. Era um presente, cheio de plumas, do rei Tamehameha II, das ilhas Sandwich (atual Havaí) ao imperador D. Pedro I.

A possível perda destes itens configura um vazio no entendimento de uma relação entre o Brasil e povos estrangeiros que até hoje não é tão exposta ao grande público. Em um museu com uma entrada de R$ 3, ela se tornava mais difundida.

As tão comentadas exposições de Grécia, Roma e Egito também tiveram seu surgimento atrelado às aquisições da família real. D. Pedro, por exemplo, comprava múmias de mercadores para sua coleção particular.

Seu filho, D. Pedro II, chegou a fazer expedições ao Egito para comprar mais. Dentre as adquiridas, existe uma cujo processo de mumificação é bastante raro: cada parte do corpo é enrolada de forma que se possa identificar dedos, braços e pernas.

Somente outras seis no mundo obedecem a essa lógica. Uma peça cuja preservação é de interesse mundial e que atravessou milhares de anos.

Já a imperatriz Teresa Cristina contribuiu com a exposição de Grécia e Roma ao ter expostos os vasos etruscos que tinha comprado. São peças que detalhavam hábitos cotidianos de povos da península de Itálica de uma época anterior ao nascimento de Jesus Cristo. Ao contrário do que muito foi escutado na cobertura do incêndio, o acervo do Museu Nacional transcende os seus 200 anos.

A exposição era muito mais do que as peças adquiridas pela família real. Aquele prédio também era uma instituição de produção de conhecimento. Estavam ali os fósseis de Luzia, a mais antiga moradora de nossas terras e que mudou a percepção sobre o deslocamento da humanidade da África até a América.

É também o museu que fez importantes descobertas paleontológicas e se transformou em um dos principais centros de estudo na América Latina. São dezenas de pesquisadores que perdem completamente suas pesquisas. O prédio, tombado como patrimônio público, poderá ser reerguido. Não será como antes, infelizmente.

Ainda assim, irrecuperáveis serão as peças e pesquisas que, porventura, forem destruídas. Surgirão lacunas na já tão complicada forma como narramos e lidamos com o nosso passado e um atraso cientifico que impedirá a produção de conhecimentos futuros. (Agência Brasil, foto de Tânia Rego/ABr)

Raphael Kapa é jornalista, historiador, doutorando em história pela UFF e trabalhou como instrutor na exposição do Museu Nacional por seis anos



O incêndio do Museu Nacional não foi um “acidente”. Ele faz parte de um Projeto (Por Diógenes Junior)

3 de Setembro de 2018, 13:13, por Desconhecido

Projeto

O incêndio foi ontem, mas a chama piloto estava acesa há tempos

O fogo que consumiu o Museu Nacional foi ateado ontem, mas a chama que desencadeou a tragédia estava ardendo faz tempo.

E reitero, não foi acidente.
É um projeto.

O antipetismo travestido de discurso moral contra a corrupção e o refrão demagógico da tesoura neoliberal, que sempre bate às portas em época eleitoral, o discurso “temos de cortar custos, reduzir o Estado” são os responsáveis pela tragédia que se abateu sobre o país e sua história na figura da destruição do Museu Nacional.

Em 1989 o Brasil realizaria sua primeira eleição para presidente, após 25 anos de uma ditadura militar canalha que perseguiu, sequestrou, torturou, matou e desapareceu com os restos mortais de seus opositores, gente como eu e você, que estamos lutando atualmente contra a ditadura do judiciário, essa aberração que controla o país desde a abjeta “república de Curitiba”.

Em 1989 o candidato que tentava sequestrar os votos do campo popular, representado por Lula, era Fernando Collor.

Um candidato tosco, fabricado pela Rede Globo, organização criminosa que assalta o país desde os anos 60, apresentava em sua propaganda eleitoral a ideia de que o “Estado era um elefante”, que atrapalhava a vida das pessoas”.

Isso mesmo. O estado atrapalhava a vida das pessoas e era preciso diminuí-lo.

Um elefante aparecia numa cena em que uma família reunida à mesa fazia sua refeição, enquanto esse elefante tentava entrar naquela sala.

Vejam vocês, era 1989 e já se tentava sequestrar o emocional dos brasileiros com a ideia de “estado mínimo”.

Estado mínimo em um país à época com inflação mensal de dois dígitos, sem SUS, sem bolsa família, sem FIES, PROUNI, Minha Casa Minha Vida, nada.

Zero programas sociais, zero Estado.

Mas já se atentava contra o Estado usando da sabujice do discurso contra a corrupção em um Estado quase que inexistente, que vez ou outra jogava alguma migalha para a população.

Esse discurso colou, a população elegeu Collor e o restante da história todos conhecem.

O assalto que Fernando Collor fez às poupanças arruinou milhões de pessoas, levado inclusive muitas delas ao suicídio.

Em 2016 o discurso anti corrupção mais uma vez foi usado para golpear a democracia, e quando a democracia é golpeada o povo mais simples é o mais atingido.

A aprovação da PEC dos Gastos Públicos, que congela investimentos na Educação, Saúde e Segurança por vinte anos é resultado do golpe, talvez sua mais crueldade criação.

Abro aqui um parêntese: o discurso anti corrupção, que foi usado à exaustão para consolidar o golpe, só foi possível porque foi colado à imagem do PT, partido que governava o país à época.

A incompetência na área de Comunicação dos governos PTistas permitiu que Lula, o melhor presidente que o país já teve fosse odiado por parte da população que tanto ajudou.

Entidades sindicais controladas por petistas, por exemplo, que deveriam estar na defesa da democracia, deram as costas para a formação e politização de suas categorias, entregando seus departamentos de Comunicação e Imprensa na mão de agências de propaganda caça níqueis.

Estas agências, por sua vez, utilizaram pessoas sem a menor formação política, e até mesmo estagiários, para administrar sites e redes sociais responsáveis pela comunicação de milhares de filiados.

Desprezaram e menosprezaram, algumas por ignorância e outras por incompetência e arrogância o poder da comunicação através da redes sociais.

Com a Comunicação de organizações sindicais importantes entregues nas mãos de pessoas desprovidas de idealismo, a disputa corajosa das narrativas em todas as trincheiras jamais foi realizada.

O resultado é o mais absoluto fracasso em combater o anti petismo, que redundou no fascismo que estamos vivenciando atualmente.

Outro resultado dessa incompetência arrogante e covardia inconfessável foi a aprovação da Reforma Trabalhista, cujo principal argumento para conquistar a simpatia da população a seu favor foi a criminalização dos sindicatos e o fim do imposto sindical.

Por conta da incompetência de grande parte dos sindicatos em se comunicar, dialogar com suas bases e informar a população dos prejuízos que tal reforma resultaria, muitos deles deixaram de existir.

Simplesmente fecharam suas portas.

É com um nó no peito e o coração apertado que escrevo essa crítica, uma espécie de mea culpa.
Servi dois anos e meio na área de Comunicação dentro de um sindicato.

Passados vinte e nove anos, eis que mais uma vez a canalhice do discurso anti corrupção atrelado à propaganda do Estado mínimo novamente bate às portas.

Só que dessa vez o ardil para se vender a ideia não passa pela demagogia de se retratar um elefante numa sala de estar.

O discurso está intrinsecamente ligado à meritocracia.
Se você trabalhar bastante, não precisa de Estado nenhum que lhe ajude.
Sendo assim porque pagar impostos, se você trabalha muito e não precisa do Estado para nada?

É esse o eixo principal do ideário neoliberal. A meritocracia egoísta, que não enxerga a necessidade do outro, apenas a própria.
Se você tem um plano de saúde e seu filho estuda numa escola particular, porque pagar impostos para viabilizar o SUS?
Porque não privatizar o ensino público?

O neoliberalismo, que vê as pessoas como coisas e não como pessoas, o neoliberalismo de prancheta na mão e estatísticas na ponta da língua vê a população apenas números.

As candidaturas de amoedo, alckmin, meireles, bolsoasno e marina representam o neoliberalismo.

Seu compromisso é com o rentismo, não com o bem estar coletivo.
No neoliberalismo a função do Estado é dar lucro, não prestar serviços à população.

A mão que ateou fogo no Museu Nacional se chama neoliberalismo.

O pensamento neoliberal tem como objetivo saquear o Estado, mas travestido de boas intenções.
“Uma boa gestão” diz o neoliberal. ”
“Sem corrupção”, acrescenta.

A destruição do Museu Nacional está diretamente ligada a esse discurso de Estado mínimo.

No ideário neoliberal de Estado mínimo, museus são luxo.
Um peso.
Apenas custo.
Não investimento necessário, mas sim gasto, desnecessário.

Para os defensores do Estado mínimo museu que merece investimento é o Louvre, em Paris, por exemplo.
Ou os shoppings centers em Miami porque vamos combinar, neoliberal gosta mesmo é de consumo, não de Cultura.

Ao povo restam as cinzas do Museu Nacional, que se somam às paredes de um país que já começam a ruir.

Um pais que antes do golpe era destaque internacional como nação emergente, e hoje também internacionalmente reconhecido, só que na melancólica condição de pária mundial.

Somos destaques nos noticiários internacionais por conta do fogo que consumiu o mais importante Museu da América Latina.

E esse fogo teve sua chama acesa bem antes de ontem.

O incêndio foi ontem, mas a chama piloto estava acesa há tempos.
Feito o rescaldo, cabe a cada um de nós continuar a lutar.

Não há outra alternativa para nós.

Ou combatemos o incêndio, ou seremos todos nós incinerados, destruídos pela chama neoliberal, que mata o país com o fogo do ódio em nome do deus mercado, holocausto para o Estado mínimo.

Diógenes Júnior



'O dano é irreparável', diz diretor do Museu Nacional

3 de Setembro de 2018, 10:47, por Desconhecido


O diretor de Preservação do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, João Carlos Nara, afirmou que o incêndio causa um “dano irreparável” ao acervo e à pesquisa nacional. Ele acompanhou o trabalho dos bombeiros no local e disse que “pouco restará”, após o controle das chamas. Nara disse: "infelizmente a reserva técnica, que esperávamos que seria preservada, também foi atingida. Teremos de esperar o fim do trabalho dos bombeiros para verificar realmente a dimensão de tudo”

Da Agência Brasil - O diretor de Preservação do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, João Carlos Nara, afirmou à Agência Brasil que o incêndio causa um “dano irreparável” ao acervo e às pesquisa nacionais. Ele acompanha de perto o trabalho dos bombeiros no local e disse que “pouco restará”, após o controle das chamas.

“Infelizmente a reserva técnica, que esperávamos que seria preservada, também foi atingida. Teremos de esperar o fim do trabalho dos bombeiros para verificar realmente a dimensão de tudo”, afirmou o arquiteto e historiador.

De acordo com João Carlos Nara, a equipe de administração do Museu Nacional aguardava o fim do período eleitoral para iniciar as obras de preservação da infraestrutura do prédio.

“É tudo muito antigo. O sistema de água e o material, tudo tem muitos anos. Havia uma trinca nas laterais. Isso é ameaça constante”, disse o diretor.

Inconformado com o incêndio, João Carlos Nara lamentou que os investimentos sejam destinados a outras causas no país. “Gastam milhões em outros projetos”, reagiu.

Investimentos

Em junho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinou contrato de financiamento no valor de R$ 21,7 milhões para apoio à restauração e requalificação do Museu Nacional. Os recursos compõem a terceira fase do Plano de Investimento para a revitalização do Museu Nacional, num total de R$ 28,5 milhões.

O objetivo é aplicar os recursos na recuperação física do prédio histórico; a recuperação de acervos — de modo a garantir mais segurança às coleções e otimizar o trabalho dos pesquisadores —; a recuperação de espaços expositivos — estimulando maior atração de público e promoção de políticas educacionais vinculadas a seus acervos —; a revitalização do entorno do museu; e o fortalecimento da instituição gestora.

História

O Museu Nacional é a instituição científica mais antiga do Brasil. É um dos museus de ciência de referência no mundo. Foi fundado em 1818.

Inicialmente instalado no Campo de Santana, o Museu foi posteriormente transferido para o Palácio de São Cristóvão, monumento tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e situado na Quinta da Boa Vista, um dos mais importantes parques urbanos do Rio. Antes de abrigar o Museu Nacional, o Palácio de São Cristóvão foi residência das famílias real portuguesa e imperial brasileira.


Do Brasil 247

#BlogueDoSouza - Democratização da Comunicação, Reformas de Base e Direitos Humanos.



Antes Luzia aguentou 12 mil anos, mas não suportou 2 anos de governo golpista

3 de Setembro de 2018, 10:44, por Desconhecido
Luzia

Luzia é a mulher mais antiiga da América Latina

A Classe dominante não vê necessidade de memória da cultura e da história do Brasil. Foram o golpe por isto. Para eles, o Museu Nacional é só um prédio a mais a ser transformado em condomínio de luxo ou shoping. Recursos para a cultura há, mas vão todos para os grandes shows nacionais e internacionais financiados por uma distorcida lei de “incentivo a cultura”. Os pequenos e os que resgatam cultura ou a preservam, para estes não há recursos, ou eles são muito pequenos. Em 2018 só 58 mil reais em manutenção para um museu deste porte. Assim é o Brasil. A memória é queimada assim, no mais, para que todos vejam via televisão. E pela fase em que estamos, do fascismo redivivo disputando eleições, não será surpresa se daqui a pouco não tivermos fogueiras de livros em praças públicas.

 



Bombom, do "Vamos a La Playa", volta ao palco, 33 anos depois

1 de Agosto de 2018, 19:25, por Desconhecido




Na quinta-feira, 9 de agosto, às 20 horas, a rádio Educativa FM de Piracicaba vai gravar, na unidade do Sesc da cidade, uma edição especial do programa “Resgate 105”, que é exibido há 12 anos na emissora: os convidados são os ex-integrantes do grupo Bombom, uma das "boy bands" brasileiras mais famosas da década de 1980, que tocarão músicas próprias e de artistas da época e falarão sobre os anos em que fizeram sucesso. O programa vai ao ar no dia 25, sábado, às 14 horas.

Os integrantes da banda que se reencontrarão no palco do Sesc Piracicaba são hoje senhores na faixa dos 50 anos que nunca perderam o gosto pela música - e pela carreira musical. 
 
Sandro Haick se tornou um dos principais músicos do país, multi-instrumentista que produziu inúmeros artistas e gravou vários discos, tendo, durante vários anos, acompanhado Dominguinhos por suas andanças. Atualmente, trabalha intensamente no seu estúdio, toca no grupo Os Incríveis, com seu pai Netinho, desenvolve o curso online “O segredo da música", com quase mil alunos, e ministra oficinas e workshops por todo o Brasil.
 
Fernando Seifarth, conhecido como Dino no Bombom, formou-se em Direito no Largo de São Francisco e ingressou na magistratura paulista, sendo atualmente juiz da Vara da Família em Piracicaba. Passou a ter a música como hobby e fez uma verdadeira imersão no jazz cigano, gênero criado pelo belga Django Reinhardt. Fundou o grupo “Hot Club de Piracicaba” em 2008, com o qual gravou três CDs e produz o Festival de Jazz Manouche de Piracicaba desde 2013.
 
Marcelo Papini seguiu a carreira solo como cantor e compositor e foi um dos fundadores do grupo Vexame com a atriz Marisa Orth.

Paulo Roberto Rozani trabalha na Izzo, fabricante de instrumentos musicais, e mantém contato com os artistas brasileiros, tocando eventualmente contrabaixo em jam sessions. 


A história do Bombom se confunde com a de seu maior sucesso. No ano de 1983, “Vamos a la Playa”, composição de S. Righi e C. Labionda, havia estourado na Europa. A CBS, uma das principais gravadoras da época no país, queria lançar a música no Brasil, com uma versão em português. A empresa também estava interessada em formar uma “boy band” à semelhança do famoso grupo de Porto Rico “Menudos”, que estava em bastante evidência.

Enquanto isso ocorria, o músico Luiz Franco Thomaz, o Netinho, ex-baterista do grupo “Os incríveis “, estava impressionado com o talento de seu jovem filho Sandro que, com apenas 12 anos de idade, já se revelava um excelente baterista. Netinho decidiu então que chegara o momento de Sandro integrar um grupo musical. E começou a garimpar outros jovens talentos.

Marcelo Papini, com 17 anos à época, foi apresentado a Netinho pelo publicitário Sidney Biondani, para ser o vocalista e guitarrista, e Fernando Seifarth, o “Dino”, com 15 anos, pelo músico Joel Soares, para ocupar a posição de baixista. Foi então formado o trio Sandro, Marcelo e Dino, que começou a ensaiar no escritório de Netinho na Rua 23 de Maio, em São Paulo. As primeiras músicas foram “Eu sou Boy” (Magazine), Bem-Te-Vi (Renato Terra) e ET (composição de Sandro).


Alguns encontros depois, surgiu a ideia de se convidar um quarto integrante, e Paulo Roberto Rozani se juntou ao grupo.
 

A banda foi batizada como “Bombom”, nome escolhido por Netinho e Sidney Biondani. Sempre que indagados a respeito da origem do nome, os músicos respondiam: bom duas vezes e gostoso.

A partir daí, as coisas começaram a acontecer muito rapidamente para os garotos. Netinho reservou um horário no estúdio da TV Gazeta e ali o grupo gravou o seu primeiro demo, com a música “ Belo Plug-Ug”, de Wyllie, Netinho e Gilberto Santamaria. Com ela, a banda participou de alguns programas no SBT e na Gazeta, o primeiro deles no "Almoço com as Estrelas", apresentado pelo casal Aírton e Lolita Rodrigues.

Em seguida, Netinho organizou uma turnê pelo Paraná com seu projeto pessoal “Amor e Caridade”, e o Bombom fez os shows de abertura. Grandes palcos, programas de rádio e TV, notícias em jornais, equipamentos de primeira, viagem pelas estradas com um ônibus próprio: a excursão empolgou os jovens músicos.

Na volta a São Paulo, Netinho recebeu o contato da CBS e o convite para o Bombom integrar os quadros da empresa e gravar um compacto simples - é bom lembrar que o CD ainda não existia. O compacto simples era um disco de vinil menor, que geralmente continha somente duas músicas, uma de cada lado.


Os garotos foram para o recém-construído estúdio Transamérica, que se situava ao lado da rádio com o mesmo nome, na Rua Pio XI, em São Paulo. Lá, com o convidado Nico Rezende nos teclados, tocaram e cantaram a versão brasileira de  “Vamos a la Playa”,  escrita por Kamargus, com produção de Luis Carlos Maluly. O registro foi feito pelo técnico de gravação Roberto Marques. Para o lado B do compacto, foi regravada a música “Belo Plug-Ug”.
 
Carlos Freitas, irmão de Dino, que veio a se tornar engenheiro de masterização da Classic Master, foi acompanhar as gravações e logo passou a trabalhar no estúdio como assistente, chegando até a seu gerente em poucos anos.
 
Produzir a capa do compacto, de Sidney Biondani, com fotos de Williams Biondani e Roberto Donaire, foi outra experiência nova e exaustiva para o grupo: fotos profissionais, roupas, maquiagem, tudo era novidade para a banda. 
 
O compacto foi lançado no fim de 1983 e se transformou num grande sucesso de vendas. Netinho passou a ser o empresário e produtor da banda, que gravou seu primeiro videoclipe em praias do Rio de Janeiro.
 

A partir daí o Bombom começou o trabalho de divulgação de “Vamos a la Playa” e passou a participar de todos os programas de auditório da época, nas várias emissoras de televisão: Chacrinha, Bolinha, Raul Gil, Qual é a Música (Silvio Santos), Barros de Alencar, Bozo, Dácio Campos, J. Silvestre, Serginho Leite, Xuxa e Viva a Noite (Gugu Liberato), entre outros.


Para ir gravar no Chacrinha, o grupo viajava pela Varig na “ponte aérea Rio-São Paulo”, nos lendários aviões Electra. No fundo da aeronave, havia uma espécie de sala, onde frequentemente a banda se encontrava com artistas de novelas.
 
Já os músicos famosos na época eram contatados pelos garotos nos programas de TV. Foi neles que eles conheceram os colegas do Magazine, Paralamas do Sucesso, Metrô, Rádio-Táxi, Dr. Silvana e Cia, Grafitte, Ultraje a Rigor, Blitz... “Tive o privilégio de conhecer pessoalmente o pessoal do 14 BIS, de quem eu era grande fã", diz Fernando Seifarth. "Me lembro de que pedi ao Claudio Venturini me mostrar como ele fazia o solo de As 4 Estações de Vega, do álbum A idade da Luz."
 
Vários programas de TV foram marcantes para os garotos, alguns deles inusitados, como o de Raul Gil, gravado na Ilha Porchat, com o grupo As Patotinhas, que se passava no fundo do mar. Também nesse programa a banda saiu-se vitoriosa de uma competição com outros grupos. “Ganhamos quatro skates Bandeirantes”, recorda Fernando.
 

No programa “Qual é a Música”, a banda competiu com Marco Camargo, Ovelha e Angra. Perdeu dessa terceira. Afinal, eram jovens, sem experiência de tocar em bailes, e não tinham tanto conhecimento de nomes e letras de canções de vários estilos e épocas. “No programa do Barros de Alencar, perdemos uma competição para nossas amigas do grupo Patotinhas, que conheciam bastante a música brasileira", diz Fernando. "Os programas eram incríveis, não havia roteiro e as competições eram francas e reais, e no fim das contas nos divertíamos e ríamos muito quando posteriormente os assistíamos.” 

O Bombom também participou de uma temporada de alguns dias de shows no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, promovidos pela Rede Globo e apresentado por César Filho, junto com Magazine, Fabio Junior, Eduardo Dusek e Eletric Boogies.

Outro evento marcante foi a “descida do Papai Noel” no estádio do Morumbi, lotado por mais de 100 mil pessoas. Vários artistas se apresentaram. “Bem no momento da nossa performance, apareceu aquela mensagem 'interrompemos a transmissão por problemas técnicos...' Mas, enfim, pude conhecer o vestiário do São Paulo Futebol Clube”, lembra Fernando.

O grupo fez turnês em várias cidades nos Estados de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Mato Grosso, São Paulo e Paraná. No interior de São Paulo, participou de shows organizados por Raul Gil e Gugu Liberato. Na capital, tocou em danceterias famosas na época, como a Rádio Club. No Paraná, em Santa Helena, a banda participou, em janeiro de 1985, de um festival de rock, o “Oeste Rock show”, às margens do lago Itaipu, com os grupos Rádio Táxi, Grafitte, Absyntho e Metrô, entre outros.
 
Em razão do grande sucesso de “Vamos a la Playa”, o Bombom chegou a ser protagonista de uma campanha publicitária da pasta de dentes Kolynos Gel, produzida pela agência TVC, com exibição do comercial nos cinemas e na TVC.
 
Na mesma época, a CBS solicitou a gravação de um Long Play (LP), que foi produzido por Luis Carlos Maluly, com músicas autorais do grupo e versões brasileiras de canções que eram sucesso na Europa. As músicas foram arranjadas por Lincoln Olivetti, que tocou todos os teclados, e o disco teve a participação do guitarrista Robson Jorge. O grupo emplacou um novo sucesso na rádio, a música “Parque dos Sonhos”. "Fada", composição de Léo Jaime, cantada por Sandro Haick, também mereceu destaque na mídia. A capa do LP outro destaque, foi feita por Sidney Biondani. As duas músicas ganharam videoclipes.
 
Os quatro integrantes do grupo não se limitavam a cantar - eram músicos e tocaram seus instrumentos na gravação. O vocalista principal era Marcelo Papini, mas os outros integrantes faziam os backing vocals. 
 

No fim de 1984, a banda gravou um novo single, “Mexe Baby”, que foi parte da coletânea “Rock Wave” da CBS, com artistas como RPM, Rádio-Táxi, Sempre-Livre, Metrô e Léo Jaime, entre outros. Durante 1985, o grupo fez shows por todo o país e programas de TV, até que veio a se dissolver no fim do ano.



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