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Cultura

30 de Agosto de 2016, 13:39 , por Blogoosfero - | No one following this article yet.

Música estranha? Não, música do século XXI

28 de Setembro de 2018, 13:48, por Desconhecido


Apostando no lema “o ABSTRAI ensemble faz música do século XXI para quem vive no século XXI!”, o grupo carioca de música de câmara lança seu primeiro CD, “Experiência”, com direção do saxofonista, professor e pesquisador Pedro Bittencourt. 

Gravado entre julho de 2017 e junho de 2018 n’A Casa Estudio (Rio de Janeiro), o CD traz com exclusividade obras recentes dos compositores brasileiros Roberto Victorio, Rodrigo Lima, Michelle Agnes, Pauxy Gentil-Nunes, além do português João Pedro Oliveira, do grego Phivos Angelos-Kollias e do francês Didier Marc Garin. Dedicadas ao ABSTRAI ensemble, as peças foram gravadas pela primeira vez pelo grupo. O CD é uma produção independente do ABSTRAI ensemble, disponibilizada em CD físico e nas principais plataformas digitais pelo selo A Casa Estúdio. 

O show de lançamento será nesta sexta-feira, 28 de setembro, às 20 horas, na Sala Cecília Meirelles, no Rio (Rua da Lapa, 47 - Lapa).

O grupo é conhecido por se dedicar ao repertório dos séculos XX e XXI, principalmente em colaborações com compositores vivos (brasileiros e estrangeiros). Além de peças musicais instrumentais e vocais, o grupo utiliza regularmente nos seus concertos e diversas atividades as últimas tecnologias digitais (eletroacústica e música mista). O grupo se dedica também a atividades pedagógicas como oficinas, master-classes, encontros de interpretação musical/composição, além de concertos comentados, contribuindo pela formação de público de música de concerto no Brasil.

O ABSTRAI ensemble tem se apresentado nos principais festivais e salas de concerto brasileiras, além de ter feito uma turnê pelo México. Participou do 55º Festival Villa Lobos (RJ) em 2017, da VI Semana Internacional de Música de Câmara em 2017 na Cidade das Artes (RJ), das Bienais de Música Contemporânea Brasileira em 2013 e 2015 (RJ), do Festival Música Estranha na histórica Sala do Conservatório (SP), da série Partituras do Sesc Pompéia (SP), do Festival de Inverno de Ouro Preto (MG), do Festival de Música de Londrina (PN), do Panorama da Música Contemporânea Brasileira (RJ), do Festival Internacional de Música de Câmara (RJ) das temporadas do CCBB (RJ), da Sala Cecília Meirelles (RJ), do Espaço Guiomar Novaes (RJ), da Cidade das Artes (RJ), do Parque Lage (RJ) e do Instituto Cervantes (RJ). Realizou concertos e participou de programas de rádio no México em 2014 com apoio do Ibermúsicas.

Também apresentou o seu repertório e suas propostas musicais em programas nacionais de TV, como o programa “Partituras” e o “Estúdio Móvel”, ambos da TV Brasil (EBC). O ABSTRAI ensemble pode ser visto como um instrumento não só de difusão de cultura, mas também da sua produção, contribuindo pela diversidade musical.

Serviço

28/9/2018 - sexta-feira - ABSTRAI ensemble lança o CD “Experiência”
Horário: 20 horas
Local: Sala Cecília Meirelles
Endereço:  Rua da Lapa, 47 - Lapa, Rio de Janeiro
Ingressos: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia-entrada)
Faixa etária: Livre
Telefone:  (21) 2332-9223

Faixas do disco

1. Experiência (2011 rev. 2018) 12:49
Phivos-Angelos Kollias (Grécia, 1982)
voz, flauta (ut, baixo), sax (soprano, barítono), piano, percussão, sons eletrônicos e a percepção ativa
2. Vento Noroeste (2012 rev. 2015)  7:25
Michelle Agnes Magalhães (Brasil, 1979)
violino, cello, clarone
3. Sopro de câmara (2009) 7:54
Rodrigo Lima (Brasil, 1976 - )
flauta, sax alto e clarone
4. Da Caccia X (2016) 6:39
Didier Marc Garin (França, 1963)
viola e sax alto    
5. Trio (2012) 13:09
Pauxy Gentil-Nunes (Brasil, 1963)
sax (soprano, tenor), guitarra e percussão
6. Quatro mundos II (2008) 5:55
Roberto Victorio (Brasil, 1959)
voz, flauta em sol, piano
7. Angel Rock (2011) 10:44
João Pedro Oliveira (Portugal, 1959)
sax barítono, marimba e sons eletrônicos

Ficha técnica

ABSTRAI ensemble
Saxes -  Pedro Bittencourt (1, 3, 4, 5, 7)
Voz - Doriana Mendes (1, 6)
Flautas - Pauxy Gentil-Nunes (1, 6) e Andrea Ernest Dias (3)
Clarineta e clarone - Batista Jr. (2, 3)
Regência e guitarra - Fabio Adour (1, 5)
Violino e viola – Mariana Salles (2, 4)
Violoncelo – Marcus Ribeiro (2)
Piano – Marina Spoladore (1, 6)
Percussão – Daniel Serale (1, 5) e Zeca Lacerda (7)


ABSTRAI ensemble

Saxes e direção — Pedro Bittencourt
Voz – Doriana Mendes
Flautas- Pauxy Gentil-Nunes, Andrea Ernest Dias
Clarineta, clarone – Batista Jr.
Guitarra, violão, regência – Fabio Adour
Violino e viola – Mariana Salles
Violoncelo – Marcus Ribeiro
Piano – Marina Spoladore
Percussão – Zeca Lacerda
Eletrônica – Pauxy Gentil



Exposição Virtual Millôr Fernandes

21 de Setembro de 2018, 12:48, por Desconhecido

Desenhista, tradutor, frasista, dramaturgo, apresentador, poeta, fabulista, humorista e carioca do Leme, da gema. Quem escreve um texto Millôr, geralmente começa assim. E não tem outro jeito porque ele não era apenas um, eram vários.

Conheço a obra do Millôr, originalmente Milton Viola Fernandes, desde pequenininho, quando o meu pai chegou em casa com um exemplar da revista Senhor – uma revista para adultos – e a esqueceu em cima da escrivaninha do seu escritório. Isso no início dos anos 1960, eu menino de calças curtas. Bati os olhos naquele desenho e nunca mais sai do pé dele. Do Millôr.

Pode parecer chavão, mas, “como Millôr não há e nunca houve outro igual”. Era cartunista, humorista, tudo aqui que disse lá acima, mas, nunca soube de alguém como ele em português ou em outra língua qualquer. Nunca soube de alguém que traduzia Shakespeare e, ao mesmo tempo, pensava coisas do tipo “Entre o riso e a lágrima quase sempre há apenas o nariz”.

Sempre acompanhei Millôr através das revistas, dos jornais, dos livros, das exposições, das traduções, da obra gráfica, das raras rodas-vivas em que aparecia na televisão. A última vez que o vi, foi na calçada da Visconde de Pirajá, em Ipanema, saindo da livraria Letras & Expressões com uma revista Economist debaixo do braço.

Pouco depois, caiu doente e, algum tempo depois nos deixou. Desde então, fico aqui pensando com os meus botões, a falta que ele nos faz.

Alberto Villas

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Trecho do livro Mil Tons, o meu Millôr, Alberto Villas, editora e-galáxia. Lá no alto da página 14, em verde, Millôr escreveu o seguinte:


“Bata em sua mulher hoje mesmo – amanhã ela pode estar no poder”.

Não acreditei no que estava vendo, no que estava lendo. Sim, li todo o Millôr daquelas duas páginas, a 14 e a 15. O “haicai” era, mais uma vez, cheio de inspiração:

“O espelho da mudança

Envaidece


A vizinhança”.

Parei num “Livre-Pensar é só pensar”, que dizia o seguinte:

“Mistério Metafísico: Por que será que todas as pessoas de bom senso pensam exatamente como nós?”

Deixei a Veja aberta ali em cima da escrivaninha, puxei minha máquina de escrever portátil Hermes Baby creme, com teclado adaptado para o português do Brasil, coloquei um papel de seda verde e comecei a escrever uma carta para a redação.


Fiz um verdadeiro tratado sobre o feminismo. Sabia que estava me
expondo, pensando bem, desnecessariamente. Contei que lavava a roupa, enxaguava e passava. Arrumava a casa, lavava a louça, trocava a fralda da minha filha, esterilizava os brinquedinhos dos meus filhos, dividia todos os trabalhos da casa com a minha companheira.

Comecei a carta falando do voto feminino, falei de Beth Friedman, do segundo sexo de Simone de Beauvoir, dos sutiãs queimados nas praças públicas e, finalmente, cheguei ao ponto.

Millôr, o meu Millôr, não poderia escrever uma coisa dessas, nem por brincadeira. Levei a sério aquela história.

Terminei a carta, coloquei dentro de um envelope e, naquela tarde mesmo, fui até o correio da Rue du Borrego e despachei minha ira, todo o meu veneno, dentro de um envelope vermelho e azul escrito par avion.

Em dezembro, o meu protesto foi publicado na revista Veja, em quatro linhas na página de cartas dos leitores: 

Millôr Fernandes publicou, em Veja número 567, o seguinte: “Bata em sua mulher hoje mesmo – amanhã ela pode estar no poder. Gostaria de saber onde está a graça”. Alberto Villas, Paris, França.

Millôr, em cinco tiradas.
A fotografia é a mentira verdadeira.

O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas

Há males que vem pra pior

A invenção do Alka-Seltzer foi uma tempestade em copo d’água

A fotografia é a mentira verdadeira

Se os animais falassem não seria conosco que iam bater papo

Serviço:

Millôr: obra gráfica

Curadoria: Cássio Loredano, Julia Kovensky e Paulo Roberto Pires

Abertura: 18 de setembro, 18h

Visitação: de 19 de setembro a 27 de janeiro

Galeria 1

IMS Paulista

Avenida Paulista, 2424

São Paulo

Tel.: 11 2842-9120

imspaulista@ims.com.br

O post Exposição Virtual Millôr Fernandes apareceu primeiro em Nocaute.



Polícia reprime manifestação de apoio ao Museu Nacional

3 de Setembro de 2018, 13:59, por Desconhecido

Imagens aéreas mostraram policiais lançando bombas de gás e usando cassetetes para afastar algumas dezenas de pessoas que tentavam entrar pelos portões do local, que foi isolado pela polícia

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

Policiais usaram bombas de gás para afastar dezenfas de pessoas que se reuniram no entorno do Museu Nacional nesta segunda-feira para manifestar apoio à instituição após um incêndio devastador da noite de domingo que atingiu o emblemático prédio na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Policiais em frente ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro

Imagens aéreas transmitidas ao vivo pela emissora GloboNews mostraram policiais lançando bombas de gás e usando cassetetes para afastar algumas dezenas de pessoas que tentavam entrar pelos portões do local, que foi isolado pela polícia.

Após o incêndio de domingo, a fachada amarela do Museu Nacional, que já serviu como Palácio Imperial, permanecia de pé na manhã desta segunda-feira, mas suas grandes janelas revelavam corredores queimados e vigas de madeira carbonizadas em um interior sem teto.

De vez em quando, bombeiros saíam do prédio com um vaso ou pintura que conseguiram resgatar após o incêndio de domingo, cuja causa ainda não foi determinada por autoridades.

Pesquisadores, estudantes e outros funcionários do museu, onde 20 milhões de itens foram provavelmente destruídos, se reuniam em pequenos grupos do lado de fora do prédio se consolando e limpando lágrimas.

O vice-diretor do museu, Luiz Duarte, disse à emissora GloboNews que a instituição vinha sendo negligenciada por sucessivos governos federais e que o financiamento de R$ 21,6 milhões anunciado em junho incluía, ironicamente, um plano para instalar equipamentos modernos de proteção contra incêndios.

O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Roberto Robadey, disse a repórteres nesta segunda-feira que os dois hidrantes localizados do lado de fora do prédio estavam secos. Isso forçou bombeiros a utilizarem água de um lago próximo para abastecer os caminhões, mas as chamas consumiram o prédio rápido demais.

– Em um mundo ideal, nós teríamos muitas coisas que não temos aqui: sprinkler dentro da edificação – disse Robaday, acrescentando que o Corpo de Bombeiros irá avaliar sua resposta ao incêndio e tomar medidas se necessário. “Ontem foi um dos dias mais tristes da minha carreira”.

Renato Rodriguez Cabral, professor de geologia e paleontologia do Museu Nacional, disse que o declínio do museu não aconteceu de um dia para o outro.

– Isso não é de hoje. É uma tragédia anunciada desde 1892 quando o museu veio para cá – disse Cabral enquanto abraçava alunos e colegas de trabalho. “Sucessivos governos republicanos nunca deram dinheiro, nunca investiram em infraestrutura”.

Cabral disse que o prédio recebeu novas fiações há 15 anos, mas que claramente não havia um plano suficiente para proteger o museu de um incêndio, acrescentando: “Os bombeiros praticamente assistiram ao incêndio”.

– Para a história e ciência brasileiras, isso é uma tragédia completa – disse. “Não tem como recuperar o que perdemos”.

Menos recursos

O museu, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ao Ministério da Educação, foi fundado em 1818. Seu acervo contava com diversas coleções importantes, incluindo artefatos egípcios e o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil.

De 2013 para cá os recursos destinados ao local caíram significativamente, embora tenham oscilado ano a ano, segundo levantamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados.

De janeiro a agosto de 2018, foram pagos apenas R$ 98.115 à instituição, sendo R$ 46.235 via UFRJ, para funcionamento do museu, e outros R$ 51.880 pelo Ministério da Cultura, para concessão de bolsas de estudo. No total, a cifra corresponde a 15 %  da verba de 2017.

De acordo com o levantamento da Câmara, o total de recursos recebido pelo museu foi de R$ 979.952 em 2013 e de R$ 941.064 em 2014, com forte recuo em 2015, quando passou a R$ 638.267. Em 2016 houve alguma recuperação, para R$ 841.167, valor que novamente voltou a cair no ano passado, para R$ 643.568 pagos.

A destruição do prédio, onde imperadores já viveram, foi uma perda “incalculável para o Brasil”, disse o presidente de facto, Michel Temer em publicação no Twitter. “Foram perdidos 200 anos de trabalho, pesquisa e conhecimento”.

O Palácio do Planalto não respondeu de imediato a pedidos por comentário sobre as alegações de negligência.



A destruição, além do físico

3 de Setembro de 2018, 13:13, por Desconhecido


Raphael Kapa 

O incêndio que destruiu o Museu Nacional/UFRJ na noite de domingo, dia 2, levou consigo muito mais do que um prédio histórico que abrigou a família real.

Aliás, desde quando se transformou em Museu Nacional, a instituição fazia questão de se apresentar como um espaço de produção e exposição de ciência.

Quem visitasse esperando um trono real de D. João VI sairia desolado. Poucas referências à presença dos imperiais apareciam em seus corredores. Ainda assim, indiretamente os antigos moradores estavam presentes na exposição.

A cadeira real do antigo imperador do Brasil não estava ali, mas outro trono tinha destaque no acervo. Era do rei Adandozan, do reino de Daomé (atual Benin), na África, e que foi dado em 1811 para Dom João VI como uma prova da boa relação que o reino português – recém-fugido para o Brasil – queria manter com este povo.

Uma peça que contribuiu nas relações diplomáticas que consolidaram na trágica história escravista do país.

Muito perto deste trono também havia um manto real. Novamente, não era da família portuguesa. Era um presente, cheio de plumas, do rei Tamehameha II, das ilhas Sandwich (atual Havaí) ao imperador D. Pedro I.

A possível perda destes itens configura um vazio no entendimento de uma relação entre o Brasil e povos estrangeiros que até hoje não é tão exposta ao grande público. Em um museu com uma entrada de R$ 3, ela se tornava mais difundida.

As tão comentadas exposições de Grécia, Roma e Egito também tiveram seu surgimento atrelado às aquisições da família real. D. Pedro, por exemplo, comprava múmias de mercadores para sua coleção particular.

Seu filho, D. Pedro II, chegou a fazer expedições ao Egito para comprar mais. Dentre as adquiridas, existe uma cujo processo de mumificação é bastante raro: cada parte do corpo é enrolada de forma que se possa identificar dedos, braços e pernas.

Somente outras seis no mundo obedecem a essa lógica. Uma peça cuja preservação é de interesse mundial e que atravessou milhares de anos.

Já a imperatriz Teresa Cristina contribuiu com a exposição de Grécia e Roma ao ter expostos os vasos etruscos que tinha comprado. São peças que detalhavam hábitos cotidianos de povos da península de Itálica de uma época anterior ao nascimento de Jesus Cristo. Ao contrário do que muito foi escutado na cobertura do incêndio, o acervo do Museu Nacional transcende os seus 200 anos.

A exposição era muito mais do que as peças adquiridas pela família real. Aquele prédio também era uma instituição de produção de conhecimento. Estavam ali os fósseis de Luzia, a mais antiga moradora de nossas terras e que mudou a percepção sobre o deslocamento da humanidade da África até a América.

É também o museu que fez importantes descobertas paleontológicas e se transformou em um dos principais centros de estudo na América Latina. São dezenas de pesquisadores que perdem completamente suas pesquisas. O prédio, tombado como patrimônio público, poderá ser reerguido. Não será como antes, infelizmente.

Ainda assim, irrecuperáveis serão as peças e pesquisas que, porventura, forem destruídas. Surgirão lacunas na já tão complicada forma como narramos e lidamos com o nosso passado e um atraso cientifico que impedirá a produção de conhecimentos futuros. (Agência Brasil, foto de Tânia Rego/ABr)

Raphael Kapa é jornalista, historiador, doutorando em história pela UFF e trabalhou como instrutor na exposição do Museu Nacional por seis anos



O incêndio do Museu Nacional não foi um “acidente”. Ele faz parte de um Projeto (Por Diógenes Junior)

3 de Setembro de 2018, 13:13, por Desconhecido

Projeto

O incêndio foi ontem, mas a chama piloto estava acesa há tempos

O fogo que consumiu o Museu Nacional foi ateado ontem, mas a chama que desencadeou a tragédia estava ardendo faz tempo.

E reitero, não foi acidente.
É um projeto.

O antipetismo travestido de discurso moral contra a corrupção e o refrão demagógico da tesoura neoliberal, que sempre bate às portas em época eleitoral, o discurso “temos de cortar custos, reduzir o Estado” são os responsáveis pela tragédia que se abateu sobre o país e sua história na figura da destruição do Museu Nacional.

Em 1989 o Brasil realizaria sua primeira eleição para presidente, após 25 anos de uma ditadura militar canalha que perseguiu, sequestrou, torturou, matou e desapareceu com os restos mortais de seus opositores, gente como eu e você, que estamos lutando atualmente contra a ditadura do judiciário, essa aberração que controla o país desde a abjeta “república de Curitiba”.

Em 1989 o candidato que tentava sequestrar os votos do campo popular, representado por Lula, era Fernando Collor.

Um candidato tosco, fabricado pela Rede Globo, organização criminosa que assalta o país desde os anos 60, apresentava em sua propaganda eleitoral a ideia de que o “Estado era um elefante”, que atrapalhava a vida das pessoas”.

Isso mesmo. O estado atrapalhava a vida das pessoas e era preciso diminuí-lo.

Um elefante aparecia numa cena em que uma família reunida à mesa fazia sua refeição, enquanto esse elefante tentava entrar naquela sala.

Vejam vocês, era 1989 e já se tentava sequestrar o emocional dos brasileiros com a ideia de “estado mínimo”.

Estado mínimo em um país à época com inflação mensal de dois dígitos, sem SUS, sem bolsa família, sem FIES, PROUNI, Minha Casa Minha Vida, nada.

Zero programas sociais, zero Estado.

Mas já se atentava contra o Estado usando da sabujice do discurso contra a corrupção em um Estado quase que inexistente, que vez ou outra jogava alguma migalha para a população.

Esse discurso colou, a população elegeu Collor e o restante da história todos conhecem.

O assalto que Fernando Collor fez às poupanças arruinou milhões de pessoas, levado inclusive muitas delas ao suicídio.

Em 2016 o discurso anti corrupção mais uma vez foi usado para golpear a democracia, e quando a democracia é golpeada o povo mais simples é o mais atingido.

A aprovação da PEC dos Gastos Públicos, que congela investimentos na Educação, Saúde e Segurança por vinte anos é resultado do golpe, talvez sua mais crueldade criação.

Abro aqui um parêntese: o discurso anti corrupção, que foi usado à exaustão para consolidar o golpe, só foi possível porque foi colado à imagem do PT, partido que governava o país à época.

A incompetência na área de Comunicação dos governos PTistas permitiu que Lula, o melhor presidente que o país já teve fosse odiado por parte da população que tanto ajudou.

Entidades sindicais controladas por petistas, por exemplo, que deveriam estar na defesa da democracia, deram as costas para a formação e politização de suas categorias, entregando seus departamentos de Comunicação e Imprensa na mão de agências de propaganda caça níqueis.

Estas agências, por sua vez, utilizaram pessoas sem a menor formação política, e até mesmo estagiários, para administrar sites e redes sociais responsáveis pela comunicação de milhares de filiados.

Desprezaram e menosprezaram, algumas por ignorância e outras por incompetência e arrogância o poder da comunicação através da redes sociais.

Com a Comunicação de organizações sindicais importantes entregues nas mãos de pessoas desprovidas de idealismo, a disputa corajosa das narrativas em todas as trincheiras jamais foi realizada.

O resultado é o mais absoluto fracasso em combater o anti petismo, que redundou no fascismo que estamos vivenciando atualmente.

Outro resultado dessa incompetência arrogante e covardia inconfessável foi a aprovação da Reforma Trabalhista, cujo principal argumento para conquistar a simpatia da população a seu favor foi a criminalização dos sindicatos e o fim do imposto sindical.

Por conta da incompetência de grande parte dos sindicatos em se comunicar, dialogar com suas bases e informar a população dos prejuízos que tal reforma resultaria, muitos deles deixaram de existir.

Simplesmente fecharam suas portas.

É com um nó no peito e o coração apertado que escrevo essa crítica, uma espécie de mea culpa.
Servi dois anos e meio na área de Comunicação dentro de um sindicato.

Passados vinte e nove anos, eis que mais uma vez a canalhice do discurso anti corrupção atrelado à propaganda do Estado mínimo novamente bate às portas.

Só que dessa vez o ardil para se vender a ideia não passa pela demagogia de se retratar um elefante numa sala de estar.

O discurso está intrinsecamente ligado à meritocracia.
Se você trabalhar bastante, não precisa de Estado nenhum que lhe ajude.
Sendo assim porque pagar impostos, se você trabalha muito e não precisa do Estado para nada?

É esse o eixo principal do ideário neoliberal. A meritocracia egoísta, que não enxerga a necessidade do outro, apenas a própria.
Se você tem um plano de saúde e seu filho estuda numa escola particular, porque pagar impostos para viabilizar o SUS?
Porque não privatizar o ensino público?

O neoliberalismo, que vê as pessoas como coisas e não como pessoas, o neoliberalismo de prancheta na mão e estatísticas na ponta da língua vê a população apenas números.

As candidaturas de amoedo, alckmin, meireles, bolsoasno e marina representam o neoliberalismo.

Seu compromisso é com o rentismo, não com o bem estar coletivo.
No neoliberalismo a função do Estado é dar lucro, não prestar serviços à população.

A mão que ateou fogo no Museu Nacional se chama neoliberalismo.

O pensamento neoliberal tem como objetivo saquear o Estado, mas travestido de boas intenções.
“Uma boa gestão” diz o neoliberal. ”
“Sem corrupção”, acrescenta.

A destruição do Museu Nacional está diretamente ligada a esse discurso de Estado mínimo.

No ideário neoliberal de Estado mínimo, museus são luxo.
Um peso.
Apenas custo.
Não investimento necessário, mas sim gasto, desnecessário.

Para os defensores do Estado mínimo museu que merece investimento é o Louvre, em Paris, por exemplo.
Ou os shoppings centers em Miami porque vamos combinar, neoliberal gosta mesmo é de consumo, não de Cultura.

Ao povo restam as cinzas do Museu Nacional, que se somam às paredes de um país que já começam a ruir.

Um pais que antes do golpe era destaque internacional como nação emergente, e hoje também internacionalmente reconhecido, só que na melancólica condição de pária mundial.

Somos destaques nos noticiários internacionais por conta do fogo que consumiu o mais importante Museu da América Latina.

E esse fogo teve sua chama acesa bem antes de ontem.

O incêndio foi ontem, mas a chama piloto estava acesa há tempos.
Feito o rescaldo, cabe a cada um de nós continuar a lutar.

Não há outra alternativa para nós.

Ou combatemos o incêndio, ou seremos todos nós incinerados, destruídos pela chama neoliberal, que mata o país com o fogo do ódio em nome do deus mercado, holocausto para o Estado mínimo.

Diógenes Júnior



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