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Rodrigo Vianna

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Pinheirinho luta pela construção das casas

22 de Janeiro de 2014, 10:22 , por Desconhecido - 0sem comentários ainda | No one following this article yet.
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Do Escrevinhador

Dois mil soldados do Batalhão de Choque, com carros blindados e helicópteros, fizeram dois anos atrás a operação policial para expulsar 1.800 famílias de trabalhadores da comunidade de Pinheirinho, em um domingo em 22 de janeiro de 2012, em São José dos Campos (97 km de SP).

Antônio Donizete Ferreira, advogado das famílias do Pinheirinho e liderança do movimento por moradia, concedeu uma entrevista, publicada na página do PSTU, sobre a conquista de um terreno e a luta pela construção das casas no local.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Andamento dos processos

“Vários processos ainda correm na Justiça, tanto criminal, para punição dos responsáveis, como cíveis. Os criminais pedem a condenação do governador, do comandante da polícia, da guarda municipal e do prefeito da época. Na esfera cível, pede a reparação dos danos tanto morais, quanto materiais. Ou seja, do sofrimento que essas pessoas passaram, do constrangimento, da violência e da perda de tudo. Dos móveis, da casa construída a duras penas, da caixinha de recordação que ainda repousa sobre os escombros… O coronel que comandou a tropa se aposentou um mês depois. O prefeito, do PSDB, perdeu a eleição. Existe também uma representação no CNJ e uma denuncia na OEA, que ainda seguem”.

Vida das famílias

“As famílias ainda sofrem muito, morando muito mal, pois o aluguel social de 500 reais é muito pouco. Os aluguéis são bem mais caros. A esperança ainda continua, mas a vida mudou muito. Ali no Pinheirinho a solidariedade era muito grande, era uma comunidade organizada. Hoje isto não existe mais. Principalmente para as crianças e adolescentes, a vida mudou muito. Tiveram que mudar de escolas, de amigos, muitos ainda não suportam ouvir barulho de helicópteros. Ficou o trauma”.

Mobilizações

“As famílias ainda se reúnem, duas vezes por mês, mas com muita dificuldade, pois moram espalhados pela cidade. As mobilizações são menores e mais espaçadas, mas continuam, como aconteceu no ano passado, quando entramos e saímos do antigo terreno, numa ocupação simbólica.”

Conquista do terreno

“O terreno está praticamente certo, mas efetivamente até agora nenhum tijolo foi assentado. Como no Pinheirinho também, estava tudo muito a favor de legalizar a ocupação, e acabou acontecendo o despejo. Como diz o ditado, “quem já se queimou com leite quente vê uma vaca e chora”. Continuamos mobilizados.”

Lições da resistência

“A luta do Pinheirinho, a resistência, questionando o monopólio da violência por parte do Estado, levou à mudança de postura em vários movimentos. Passou a se ter a visão da resistência como legítima. Pode parecer presunçoso, mas creio até que teve reflexo nas mobilizações de junho e julho. Quando a polícia bateu, houve reação da sociedade. O movimento cresce. Até ali, isso não acontecia. O mesmo se passou com os rolezinhos. Pensamos que o povo tem direito a se defender.”


Fonte: http://www.rodrigovianna.com.br/geral/depois-de-dois-anos-pinheirinho-luta-pela-construcao-das-casas.html

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