Para socióloga americana, médico brasileiro teme concorrência com cubano
22 de Setembro de 2013, 19:41 - sem comentários aindaEstudiosa da diplomacia médica cubana, a socióloga norte-americana Julie Feinsilver, formada pela Universidade de Yale, é uma exceção em seu país. Admiradora da medicina praticada no país governado pelos irmãos Raúl e Fidel Castro, ela lançou em 1993 o livro "Healing the Masses" ("Curando as massas", em tradução livre), no qual abordava o modelo implantado na ilha.
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| "Healing the Masses", livro no qual a socióloga explica o modelo de medicina cubano; a obra é inédita no Brasil |
"Acho condenável os médicos brasileiros assediarem os cubanos, que foram para o seu país ajudar os mais pobres entre os pobres", disse Feinsilver em entrevista, por e-mail, ao UOL. "Houve protestos por parte de algumas sociedades médicas por causa de um medo infundado: a concorrência."
No Brasil, o salário de um médico cubano que participa do programa Mais Médicos será de R$ 10.000, ou cerca de US$ 4.000. No entanto, 85% desse valor vai para o governo cubano. Cuba sempre faz esse tipo de acordo?
Julie Feinsilver - Sim, o governo oferece educação gratuita e muito mais para os médicos, e atua como um headhunter encontrando os postos de trabalho e gerenciando a contratação. Em um país capitalista, os profissionais pagariam impostos por todos os serviços e necessidades sociais básicas fornecidas, além de uma taxa para o headhunter. Não é razoável que o governo cubano negocie um acordo que seja bom para ele e para os médicos?
Em relação à porcentagem real de dinheiro no contrato com os médicos cubanos, não sei se 85% é a parte do governo. Falo baseada no caso típico em que o governo recebe a parte do leão. Um amigo me informou que o Brasil tem uma lei de transparência que torna pública a informação dos salários (Lei Complementar 131, também conhecida como Lei da Transparência, sancionada em 2009 e que obriga a União, os Estados e municípios com menos de 50 mil habitantes a divulgarem seus gastos na web), o que eu acho uma excelente ideia. Infelizmente, isso não é comum na maioria dos lugares e, em alguns casos, pela própria lei, essa informação fica "escondida", ou seja, não é fácil de ser encontrada.
Sabe qual é o salário médio que os médicos recebem em Cuba e em outros países?
Feinsilver - Não há uma média. Salários dependem do acordo feito entre governo e o país interessado. No entanto, os salários em Cuba são muito baixos porque toda a educação e cuidados de saúde são gratuitos e o restante é altamente subsidiado. Isso não quer dizer que tudo seja maravilhoso em Cuba. Não é, mas os custos beiram o insignificante para necessidades muito básicas. Você não pode comparar preços, salários e custos em Cuba aos de qualquer outro lugar. Toda economia de lá é diferente da dos países capitalistas.
Como o governo cubano repassa o dinheiro para os médicos? É possível monitorar se eles estão repassando os valores corretamente?
Feinsilver - Seus salários são pagos para suas famílias em Cuba com bônus por estarem no exterior, e o adicional é pago a eles no país onde estão, mas eu tenho sérias dúvidas de que isso possa ser monitorado. O governo brasileiro ou empresas brasileiras permitem que estranhos monitorem como pagam seu próprio pessoal? Eu duvido. Então, por que esperar que os cubanos façam isso?
Aqui no Brasil, os médicos cubanos vão trabalhar nas regiões mais pobres e remotas, onde os profissionais brasileiros não querem ir por falta de estrutura no local. Essa diferença foi vista no Brasil, por opositores ao programa federal Mais Médicos, como uma forma de exploração de médicos cubanos. Você concorda com essa afirmação?
Feinsilver – Não. Cubanos têm uma ideologia muito diferente da dos brasileiros. Eles se voluntariam para ir a áreas remotas e carentes em outros países e consideram um dever servir no exterior e ajudar os necessitados. Ganham muito mais dinheiro e obtêm vantagens fazendo isso, apesar de parecer um ganho muito baixo para os brasileiros. Claro que também estão altamente motivados pelo dinheiro extra e benefícios que receberão prestando serviço internacional.
Queria salientar que sua formação ideológica, desde a infância, é muito diferente da de pessoas de países capitalistas. No entanto, isso não significa que eles não estão interessados em ganhar muito mais dinheiro, principalmente porque nas recentes reformas econômicas (os cubanos gostam de chamar de "atualização de sua economia"), os médicos ficaram em desvantagem se comparados às pessoas que trabalham no turismo, área na qual gorjetas e ganhos em moedas fortes são comuns.
Missões no exterior ajudam a nivelar as condições de igualdade para eles, mas com grande sacrifício pessoal, pois deixam o seu país e os seus entes queridos para viver em condições ainda mais modestas e, por vezes, muito pior em outros países onde servem os pobres. Motivação ideológica dos médicos (saúde é um direito humano básico para todos) fornece uma justificativa importante para esse sacrifício, assim como o dinheiro que ganham.
As principais entidades médicas brasileiras são contra a vinda de médicos estrangeiros, especialmente os cubanos, por serem a maioria, pois não vão fazer a mesma avaliação exigida aos que estudam fora para exercer a medicina no Brasil. Concorda com esse argumento?
Feinsilver – Não, médicos cubanos vão trabalhar em áreas carentes, onde a população tem necessidades básicas de saúde e pode ser mais do que adequadamente tratada por eles. A formação e o treinamento dos cubanos são diferentes das dos brasileiros (e de profissionais de outros países) porque junto com a medicina curativa, estudam e enfatizam a atenção primária, a prevenção de doenças e epidemias e a promoção da saúde. Eles avaliam o paciente como um ser vivo bio-psico-social e trabalham em um ambiente específico que também deve ser avaliado para melhorar a saúde da população.
Médicos cubanos foram perseguidos em outros países?
Feinsilver – Não! Eu acho condenável os médicos brasileiros assediarem os cubanos, que foram para o seu país ajudar os mais pobres entre os pobres. Eles [brasileiros] podem protestar para o seu governo, mas o tratamento que deram aos médicos cubanos foi antiprofissional e desumano. Houve protestos por parte de algumas sociedades médicas por causa de um medo infundado: a concorrência. Porém, os médicos locais se recusam a trabalhar onde os cubanos estão dispostos a ir: as áreas remotas e os bairros pobres.
O que motivou a senhora a estudar a medicina cubana?
Feinsilver – Vi as desigualdades dentro e entre os países enquanto pegava carona ao redor da América do Sul e Europa, muitos anos atrás. Isso me levou a estudar o que, na época, era um experimento social fascinante. E a saúde universal grátis era uma parte importante dessa experiência. O fato de um país pobre e em desenvolvimento decidir ajudar outros países prestando serviços de saúde gratuitos aos pacientes foi muito impressionante e esse é o tipo de ajuda externa que muitas nações mais desenvolvidas poderiam proporcionar.
O que atrai sua atenção na medicina cubana?
Feinsilver - A vontade e a capacidade de compartilhar seus conhecimentos e habilidades, da atenção primária à evolução do desenvolvimento da biotecnologia (de vacinas e tratamentos) e transplantes de órgãos sofisticados, entre outros, a populações carentes de outros países. Além de fornecer gratuitamente educação médica para dezenas de milhares de estudantes pobres do mundo em desenvolvimento desde 1961, apesar de ter perdido metade de seus próprios médicos à emigração logo após a revolução (1959).
Como foi sua experiência como consultora na Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz)? (A socióloga morou um período no Brasil em 1996.)
Feinsilver – Foi maravilhosa, porém, eu só fiz uma breve consultoria, muitos anos atrás. Os executivos e cientistas que conheci eram altamente qualificados, muito bem educados, trabalhadores, pessoas dedicadas, além de serem interessantes e agradáveis para se trabalhar em grupo. Eu ficaria feliz em fazer outra consultoria se surgisse uma oportunidade.
Lembra-se do que viu aqui e de como era a saúde quando nos visitou?
Feinsilver - Lembro-me muito do Brasil, pois quando fui consultora da Fiocruz não foi a única vez que eu estive aí. Na verdade, eu peguei carona por todo o país, inclusive para Manaus, muitos anos antes e até assisti a algumas conferências. Também já passei férias aí.
No que diz respeito à saúde, lembro-me de muitas áreas com necessidades de melhoria e de médicos de classe mundial no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eu não posso falar sobre todas as cidades, mas tenho certeza de que muitas tenham igualmente bons médicos... se você puder pagar por eles.
Fonte: Blog do Saraiva
Meninas Tristes
19 de Setembro de 2013, 9:51 - sem comentários aindaMinhas redes sociais se encheram nos últimos dias com o relato da morte da menina de 8 anos que morreu em sua noite de núpcias com o marido, 32 anos mais velho que ela. Abstive-me de compartilhar. O que eu diria? Que é um absurdo, como corretamente enfatizaram os meus amigos? É claro que é. Repetir isso, infelizmente, não torna o caso mais assimilável ou o explica ou o impede. Não temos de denunciar? Claro que temos. Estou sempre fazendo isso. Mas dessa vez, como de outras, a dor calou fundo. Tão fundo que minha única atitude possível foi esperar que a dor assentasse para poder pensar sobre ela.
Quando um fato como esse vem à público nossa indignação o define, porém, o define nos nossos termos, dando pouco espaço às idiossincrasias do outro. Não, não apelarei à relatividade cultural como instrumento de compreensão e acomodação de nossa genuína raiva por um episódio assim. Sim, claro, é outra cultura, mas isso não nos isenta de forma alguma. Não nos livra da ocorrência de inúmeros casos semelhantes. Não nos faz mais santos, não nos coloca numa redoma ética de proteção à infância. Não faz da nossa sociedade um espaço de pleno respeito às mulheres, aos seus corpos, às suas vontades. Nosso quintal é tão sujo quanto o do vizinho.
Gostaria de pensar a notícia em mais de um nível.
Primeiro, relativizando o horror que ela causa com casos acontecidos aqui no Brasil. Nesta mesma semana, várias redes sociais compartilharam o pedido de se ajudar numa vaquinha para reconstituir o corpo de uma menina que foi estuprada aos 10 anos. Ficou famoso o caso da menina de 9 anos, que engravidou violentada pelo padastro e cujo aborto foi amplamente noticiado porque a equipe médica e a mãe foram excomungados. Eu poderia citar as meninas vendidas em todos os cantos desse país, as que se prostituem nos sinais, as que são entregues em casas de tolerância do norte ao sul, as que fazem qualquer coisa em troca de comida. Eu poderia juntar mil notícias do Brasil e mais um milhão do mundo inteiro com casos semelhantes. Essas meninas são menos vítimas porque não morreram? São menos vítimas porque não tiveram seus corpos dilacerados? São menos vítimas porque, como aparece numa decisão do STJ, meninas de 12 anos que se prostituem não podem ser estupradas, pois já não têm pureza. A não ser claro, que morram ou tenham terríveis sequelas físicas.
Meu argumento é que o caso da menina do Iêmen não é isolado. Pelo contrário. E mais, o Brasil assiste e fecha os olhos para casos desse tipo todos os dias. Ah, mas nós não permitimos casamentos com crianças? Não, mas permitimos que sejam prostituídas. Temos inúmeros graus de poder que acobertam, usam, estimulam e, sim, permitem que isso ocorra. Nossa indignação é válida, violenta e correta. Mas, há mais, desgraçadamente, há muito mais. E está ali, na esquina, não só no Iêmen.
O segundo ponto que gostaria de chamar atenção é a forma como a notícia foi construída no Ocidente e assim traduzida e vendida. Porque se observarmos com atenção é possível ver que o texto – vindo de uma agência de notícias alemã – não só nos encobre (encobre as desgraças do Ocidente e os homens ocidentais que viajam para países do terceiro mundo para usufruírem de sexo com crianças, meninas e meninos) como trabalha na construção dos “terríveis povos muçulmanos” que casam crianças com adultos. O texto jornalístico faz ênfases. Enfatiza que foi o padastro, porque afinal (isso é uma ironia) um pai nunca faria isso, não é mesmo? E lá retornamos nós aos contos de fadas em que todos os padastros e madrastas são intrinsecamente maus. Enfatiza a venda e o preço. Um pouquinho de história e sociologia e falar-se-ia em dote e não em venda. Só que dote nos parece aceitável e venda não. VENDA, com o perdão do trocadilho horroroso, vende muito mais notícias. É claro, podemos argumentar, mas dote não é uma espécie de venda também? Sim, dependendo do seu formato, é sim. E isso não é terrível? É, claro que é. Não é um absurdo que ainda exista? Com todo a certeza. No entanto, usar conscientemente, um termo que aumenta a monstruosidade do caso e o ódio contra os países árabes e suas inúmeras culturas e aspectos religiosos não pode nos passar desapercebido. Não, no momento político internacional que vivemos.
Meus comentários não pretendem esvaziar a notícia ou a justa indignação que causou. Apenas acredito que o caso e seu noticiamento comportam outras leituras. A mais grave de todas é o terceiro aspecto que eu gostaria de enfatizar: trata-se da permanência dessa cultura que objetifica as mulheres, que as esvazia de vontade, que faz da virgindade um tipo de troféu ou segurança da masculinidade. No mundo todo, assistimos regularmente as mulheres sendo tratadas como cidadãos de segunda classe, como apêndices do masculino. Isso está entranhado em nós, em nossos sistemas de pensamento, em nossa linguagem, em nossas condutas, na forma como lemos o mundo. Mais do que pensar nos inúmeros casos que assistimos ou somo informado, é preciso pensar em impedir que eles continuem a ocorrer. E para isso é preciso alterar a forma como encaramos o que é ser homem, o que é ser mulher. A revolução mundial é, antes de tudo, a superação deste mundo em que ser menina ainda é um vaticínio de azar em grande parte do planeta e ali, na nossa esquina.
Fonte: Sapatinhos Vermelhos . Sul21
Internautas alemães elogiam Dilma por cancelar viagem aos EUA e criticam Merkel
19 de Setembro de 2013, 7:29 - sem comentários aindaDeutsche Welle
Atitude da brasileira é considerada correta pela maioria dos leitores em sites de notícias alemães. Vários dizem esperar postura semelhante da chanceler federal Angela Merkel em relação a programa de espionagem dos EUA.
Anunciado às vésperas da eleição na Alemanha, o cancelamento da viagem da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, prevista para outubro, gerou manifestações de apoio dos internautas alemães nesta terça-feira (17/09) e acabou sendo comparado por eles à reação de líderes alemães às denúncias de espionagem da agência americana NSA.
A notícia foi muito comentada nos sites Tagesschau.de (de um dos principais telejornais do país) e Zeit.de (maior jornal semanal alemão). A maioria dos internautas elogiou a posição de Dilma e disse esperar postura semelhante da chanceler federal Angela Merkel.
No site do Tagesschau, um usuário escreveu: "Esta é a melhor reação". Outro escreveu, em português, "muito obrigado". "Merkel, Pofalla [chefe de gabinete da chanceler] e Friedrich [ministro do Interior] poderiam/deveriam aprender com a senhora Rousseff", afirmou outro.
Um usuário especulou que Merkel também pode ter sido espionada. "Ela iria exigir uma desculpa de Obama e adiar por tempo indeterminado uma viagem a Washington, até que tudo estivesse perfeitamente investigado e esclarecido? Inimaginável", lamentou.
No site do Die Zeit, um usuário disse esperar em vão reação semelhante da Alemanha. Outro criticou o comportamente "vergonhoso" dos políticos europeus, que tentam "minimizar o escândalo".
Alguns usuários também criticaram o fato de a imprensa alemã, de um modo geral, ter dado pouco destaque à notícia sobre a presidente brasileira.
As denúncias feitas pelo ex-colaborador da NSA Edward Snowden também envolveram a Alemanha, que teria sido alvo da espionagem dos EUA. As denúncias geraram indignação entre a opinião pública alemã e motivaram uma viagem do ministro do Interior, Hans-Peter Friedrich, aos Estados Unidos. Mais tarde, ele declarou num debate na televisão que os Estados Unidos não espionam a Alemanha.
Autoria: Alexandre Schossler – Edição: Renate Krieger
Fonte: Página Global
A Obama resta a alternativa de sair da pocilga ou continuar chafurdando na lama.
18 de Setembro de 2013, 20:39 - sem comentários aindaPor Georges Bourdoukan
Dilma não vai se encontrar com Obama.
E não podia ser diferente.
O Brasil é uma nação soberana e exige respeito.
Acabou a época em que Estados Unidos podiam fazer o que bem entendessem, com o apoio incondicional dos governos da Casa Grande e sua mídia servil.
Entre as muitas atitudes arrogantes adotadas recentemente pelo governo estadunidense, duas se destacam:
1- A ordem, em solo brasileiro, de desrespeitar a autodeterminação dos povos e ordenar o ataque contra a Líbia e;
2- Espionar o Brasil a seu bel prazer sem um pedido de desculpas.
É o velho problema de se achar o dono do mundo. E o mais grave, ser assessorado por idiotas que se deixam enganar pelas manchetes da mídia nativa.
Talvez a senhora Dilma não faça idéia do alcance de sua atitude. Mas pode ter certeza que lavou a alma de todos aqueles que prezam seus países, mas temem o armamento do império.
Dona Dilma arrebentou os cadeados das senzalas.
O sr.Obama precisa entender que a humanidade mudou - e continua mudando.
Ninguém, por mais poderoso que seja, conseguirá travar a roda da História.
A ele resta a alternativa de sair da pocilga ou continuar chafurdando na lama.
Fonte: Blog do Bourdoukan
Fidel Castro: Lembranças inesquecíveis
18 de Setembro de 2013, 12:36 - sem comentários aindaPor Fidel Castro, no diário Granma*
Lembrar os antecedentes e os monstruosos crimes cometidos contra os países com menos desenvolvimento econômico e científico, ajudará a todos os povos a lutar por sua própria sobrevivência
Há apenas três dias nos visitou um alto dirigente do Partido Comunista do Vietnã. Antes de partir me transmitiu a vontade de que eu elaborasse algumas lembranças de minha visita ao território libertado do Vietnã em sua heroica luta contra as tropas ianques no sul desse país.
Na verdade não é muito o tempo de que disponho quando grande parte do mundo se empenha em procurar uma resposta às notícias de que uma guerra, com o emprego de mortíferas armas, está a ponto de estourar em um canto crítico do nosso globalizado planeta.
Contudo, lembrar os antecedentes e os monstruosos crimes cometidos contra os países com menos desenvolvimento econômico e científico, ajudará a todos os povos a lutar por sua própria sobrevivência.
No dia 12 de setembro se completam 40 anos da visita de uma delegação oficial de Cuba ao Vietnã.
Numa reflexão que escrevi em 14 de fevereiro de 2008, publiquei dados sobre o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos da América, John McCain, humilhantemente derrotado em sua candidatura por Barack Obama. Este último, pelo menos, podia falar em termos parecidos aos de Martin Luther King, assassinado vilmente pelos racistas brancos.
Obama, inclusive, se propôs a imitar a viagem de trem do austero Abraham Lincoln, embora não tivesse sido nunca capaz de pronunciar o discurso de Gettysburg. Michael Moore lhe espetou: “Parabéns, presidente Obama, pelo Prêmio Nobel da Paz; agora, por favor, ganhe-o.”
McCain perdeu a presidência dos Estados Unidos, mas diligenciou para voltar ao Senado, de onde exerce enormes pressões sobre o governo desse país.
Agora é feliz, movimentando suas forças para que Obama descarregue o maior número de certeiros mísseis com capacidade de bater com precisão as forças vivas das tropas sírias.
Tão mortal é o gás Sarin como as radiações atômicas. Nove países já dispõem de armas nucleares que são muito mais mortíferas do que o gás Sarin. Dados publicados desde 2012 informam que Rússia possui aproximadamente 16.000 ogivas nucleares ativas e os Estados Unidos por volta de 8.000.
A necessidade de fazê-las explodir em questão de minutos sobre os alvos adversários, impõe os procedimentos para o uso das mesmas.
Uma terceira potência, a China, a mais sólida economicamente, já dispõe da capacidade para a destruição mútua assegurada com os Estados Unidos.
Israel, por sua vez, supera França e Grã-Bretanha em tecnologia nuclear, mas não admite que seja pronunciada uma palavra sobre os fabulosos fundos que recebe dos Estados Unidos e sua colaboração com este país nesse âmbito. Há poucos dias enviou dois mísseis para testar a capacidade de resposta dos destróieres estadunidenses no Mediterrâneo que apontam contra Síria.
Qual é então o poder de tão pequeno, mas avançado, grupo de países?
Para tirar a enorme energia derivada de um núcleo de hidrogênio é preciso criar um plasma de gás de mais de 200 milhões de graus centígrados, o calor necessário para forçar os átomos de deutério e trítio a se fusionarem e liberar energia, segundo explica uma notícia da BBC, que geralmente é bem informada sobre o assunto. Isso já é uma descoberta da ciência, mas quanto será preciso investir para tornar realidade tais objetivos.
Nossa sofrida humanidade espera. Não somos “quatro gatos-pingados”; somamos já mais de sete bilhões de seres humanos, a maioria esmagadora crianças, adolescentes e jovens.
Voltando às lembranças de minha visita ao Vietnã, que motivaram estas linhas, não tive o privilégio de conhecer Ho Chi Minh, o lendário criador da República Socialista do Vietnã, o país dos anamitas, o povo do qual tão elogiosamente falou nosso Herói Nacional José Martí no ano 1889 em sua revista infantil “A Idade de Ouro”.
No primeiro dia fiquei alojado na antiga residência do governador francês no território da Indochina, quando visitei esse país irmão em 1973, ao qual cheguei no dia 12 de setembro após o acordo entre os Estados Unidos e o Vietnã. Lá fui alojado por Pham Van Dong, na altura Primeiro Ministro. Aquele poderoso combatente, ao ficar sozinho comigo no velho casarão construído pela metrópole francesa, começou a chorar. Desculpe, me disse, mas penso nos milhões de jovens que morreram nesta luta. Nesse instante percebi em sua plena dimensão quão dura tinha sido aquela contenda. Também se queixava dos enganos que os Estados Unidos da América tinham utilizado contra eles.
Em uma síntese apertada utilizarei as palavras exatas do que escrevi na referida reflexão de 14 de fevereiro de 2008, logo que tive a possibilidade de fazê-lo:
“As pontes, sem exceção, ao longo do trajeto, visíveis desde o ar entre Hanói e o Sul, estavam, com efeito, destruídas; as aldeias, arrasadas, e todos os dias as granadas das bombas de racemo lançadas com esse fim, explodiam nos campos de arroz onde crianças, mulheres e inclusive idosos, trabalhavam na produção de alimentos”.
“Um grande número de crateras se observavam em cada uma das entradas das pontes. Não existiam então as bombas guiadas por laser, muito mais precisas. Tive que insistir para fazer aquele percurso. Os vietnamitas temiam que eu fosse vítima de alguma aventura ianque se soubesse de minha presença naquela zona. Pham Van Dong me acompanhou o tempo todo”.
“Sobrevoamos a província de Nghe-An, onde nasceu Ho Chi Minh. Nessa província e na de Ha Tinh morreram de fome em 1945, o último ano da Segunda Guerra Mundial, dois milhões de vietnamitas. Ficamos em Dong Hoi. Sobre a província onde radica essa cidade destruída lançaram um milhão de bombas. Cruzamos de balsa o Nhat Le. Visitamos um posto de assistência aos feridos de Quang Tri. Vimos numerosos tanques M-48 capturados. Percorremos caminhos de madeira na que um dia foi a Rota Nacional destroçada pelas bombas. Reunimo-nos com jovens soldados vietnamitas que se encheram de glória na batalha de Quang Tri. Serenos, resolutos, curtidos pelo sol e pela guerra, um ligeiro tique reflexo na pálpebra do capitão do batalhão. Não se sabe como conseguiram resistir a tantas bombas. Eram dignos de admiração. Nessa mesma tarde de 15 de setembro, regressando por uma rota diferente, pegamos três crianças feridas, duas delas muito graves; uma menina de 14 anos estava em estado de choque com um fragmento de metal no abdômen. As crianças trabalhavam a terra quando uma enxada fez contato casual com a granada. Os médicos cubanos que acompanhavam a delegação deram-lhes uma atenção direta durante horas e salvaram suas vidas. Fui testemunha, senhor McCain, das proezas dos bombardeamentos ao Vietnã do Norte, dos quais você se orgulha”.
“Por aqueles dias de setembro, Allende tinha sido derrubado; o Palácio de Governo foi atacado e muitos chilenos torturados e assassinados. O golpe foi promovido e organizado desde Washington.”
Lino Luben Pérez, jornalista da AIN, consignou em um artigo que publicou em 1 de dezembro de 2010, uma frase que pronunciei no dia dois de janeiro de 1966 no comício pelo sétimo aniversário da Revolução: ao Vietnã “estamos dispostos a dar-lhe não só o nosso açúcar, mas nosso sangue, que vale mais do que o açúcar!”.
Noutra parte do referido artigo, o jornalista da AIN escreveu: “Durante anos, milhares de jovens vietnamitas estudaram em Cuba várias especialidades, incluídos os idiomas espanhol e inglês, ao passo que outro número considerável de cubanos aprendeu lá sua língua”.
“Ao porto de Haiphong, no norte bombardeado pelos ianques, aportaram navios cubanos carregados de açúcar, e centenas de técnicos trabalharam durante a guerra nesse território como construtores”.
“Outros compatriotas fomentaram aviários para a produção de carne e ovos.”
“Constituiu um acontecimento transcendental o primeiro navio mercante dessa nação que entrou em porto cubano. Hoje, a colaboração econômica estatal ou empresarial e o entendimento político entre os dois partidos e suas relações de amizade se mantêm e multiplicam.”
Peço que me desculpem o modesto esforço de escrever estes parágrafos em nome de nossa tradicional amizade com o Vietnã.
Na manhã de hoje (10/09), o risco de que o conflito estoure com suas funestas consequências parece ter diminuído graças à inteligente iniciativa russa, que se manteve firme diante da insólita pretensão do governo dos Estados Unidos, ameaçando lançar um ataque demolidor contra as defesas sírias que podia custar milhares de vidas ao povo desse país e desatar um conflito de consequências imprevisíveis. O chanceler russo, Serguéi Lavrov, falou em nome do governo desse valente país e talvez contribua para evitar, no imediato, uma catástrofe mundial. O povo estadunidense, por sua vez, se opõe fortemente a uma aventura política que afetaria não só seu próprio país, mas toda a humanidade.
Fidel Castro Ruz
10 de setembro de 2013
*Tradução publicada no jornal Brasil de Fato
Presidente Rafael Correa denuncia poluição da Chevron na Amazônia
18 de Setembro de 2013, 11:35 - sem comentários ainda![]() |
| "Esta é a mão negra da Chevron" afirmou Rafael Correa |
O presidente do Equador, Rafael Correa, chamou nesta terça-feira (17) a população para um boicote à petroleira norte-americana Chevron. O mandatário denunciou a poluição deixada na selva amazônica pela empresa transnacional.
Na cidade de Aguarico, na província amazônica de Sumcumbíos, Correa acusou a Chevron de ser responsável por um dos “maiores desastres ambientais do mundo”, enquanto mostrava a mão coberta de petróleo. "Esta é a mão negra da Chevron" afirmou o presidente equatoriano depois de colocá-la em uma das mil piscinas que se formaram na região.
Com esta visita, o presidente começa uma campanha internacional, junto a personalidades que irão percorrer as várias zonas da Amazônia onde a transnacional manteve suas operações. A empreitada do governo obedece à negativa da empresa de reconhecer a decisão de um tribunal equatoriano que a condenou a pagar uma indenização de 19 bilhões de dólares aos povoados da Amazônia.
Por sua vez, a transnacional apresentou uma contrademanda em que acusa a justiça do Equador de atos de corrupção.
“Não permitiremos que se desprestigie o nosso sistema de justiça”, respondeu Rafael Correa no sábado (14), ao acusar os governos anteriores do país de terem assumido uma atitude entreguista e de ter participado de conluios com a empresa estadunidense.
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| Chevron despeja resíduos de petróleo na Amazônia equatoriana |
De acordo com a campanha "ChevronToxico", em mais de três décadas de extração de petróleo na Amazônia equatoriana, a Chevron despejou mais de 18 bilhões de galões de água poulída na floresta, o que deixou a população local sujeita a uma onda de câncer, aborto e deficiências ao nascer, além do extremo impacto ambiental em geral.
Fonte: Vermelho
Imagens: Vermelho, Google
Dilma decide que não vai viajar para os Estados Unidos
17 de Setembro de 2013, 13:58 - sem comentários aindaA presidente Dilma Rousseff decidiu não viajar para os Estados Unidos em outubro, pois não ficou satisfeita com as explicações sobre a espionagem americana no país. A viagem estava marcada para 23 de outubro.
O anúncio oficial será feito ainda hoje. A presidente Dilma e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversaram por telefone ontem durante 20 minutos sobre a revelação de que a agência americana de segurança espionou comunicações de brasileiros, incluindo a própria Dilma e a Petrobras.
A presidente Dilma gostou da conversa telefônica com Obama ontem, mas, mesmo assim, decidiu não viajar porque é preciso deixar muito bem marcada a insatisfação do Brasil com os fatos de que o país foi vítima e com as explicações dadas pelo governo americano.
O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, que esteve em Washington tratando da espionagem com o governo americano, acompanhou a conversa dos dois presidentes. Até o telefonema, a tendência da presidente era cancelar a viagem, pois a resposta do governo americano aos questionamentos do Brasil sobre o monitoramento das comunicações não convenceu o Palácio do Planalto.
Também ontem, Dilma Rousseff confirmou que vai falar da espionagem americana durante o discurso que fará na sessão de abertura da assembleia geral da ONU em Nova York, daqui a uma semana. Em entrevista concedida na sala VIP do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, Dilma destacou que seu discurso vai salientar a necessidade de se manter a neutralidade da rede mundial de computadores e a proibição de usar a internet para ações de espionagem. Segundo ela, o presidente dos Estados Unidos já foi informado do teor do discurso.
Fonte: Forças Terrestres
Imagem: Google
Acabou o flerte entre Obama e Dilma?
17 de Setembro de 2013, 12:27 - sem comentários aindaPor Dario Pignotti, no sítio Carta Maior
Acabou o flerte de Obama e Dilma: os jornais deste domingo confirmam aquilo que se escutou durante toda a semana, nos bastidores de Brasília, sobre uma possível suspensão da viagem à Washington, a visita de Estado que, com pompa e tapete vermelho, havia sido publicitada pela imprensa dominante como uma boda política entre o Brasil e os Estados Unidos, depois de anos de divórcio engendrado pela parceria Lula-Amorim.
E para espanto do establishment midiático Lula voltou a meter o rabo, como o diabo, na política externa, já que o ex-presidente teria opinado, em reunião com Dilma na sexta-feira, que é preciso deixar sem efeito a reunião na Casa Branca.
“Everything”. Com o dedo indicador para o alto, no dia 5 de setembro Dilma Rousseff demandou que os Estados Unidos revelem as informações roubadas por seus agentes. “Quero saber tudo o que tem em seu poder, a palavra tudo é muito sintética, abarca tudo, tudinho, em inglês se diz everything... não podemos ficar sabendo dessas coisas (espionagem) pelos jornais.”
Foi uma declaração da qual não há muitos antecedentes, porque Dilma é – ou era – desafeta à diplomacia presidencial e prefere – ou preferia – confiar essa responsabilidade aos profissionais do Palácio Itamaraty.
Os documentos vazados pelo ex-consultor da Agência Nacional de Segurança (NSA), Edward Snowden, informaram sobre a invasão de milhões de e-mails e telefonemas brasileiros, entre estes, várias mensagens do gabinete da presidenta e da petrolífera Petrobras.
Depois de seus ditos, no dia 5 de setembro, diante de repórteres de vários países em São Petersburgo, durante a Cúpula do Grupo dos 20, na semana passada, Rousseff retomou suas investidas contra Barack Obama pelas atividades ilegais da NSA. Algo está mudando na até agora áspera diplomacia dilmista. Em dois anos e meio de governo de Rousseff, a política externa teve como característica um certo imobilismo agravado pela falta de timing em relação à região, algo que se fez evidente na resposta tardia frente ao golpe que destituiu o ex-presidente paraguaio Fernando Lugo em 2012 e a desorientação na Bolívia observada nas últimas semanas, onde os diplomatas lotados em La Paz se prestaram a uma manobra da oposição direitista, ultra-golpista, concedendo asilo ao fabulador Roger Pinto e, por elevação, semeando a discórdia entre Dilma e Evo Morales.
O autor desse legado diplomático foi Antonio Patriota, chanceler entre janeiro de 2011 e agosto passado, aquele que não perdia ocasião para citar a amizade que o unia com Hillary Clinton e que dedicou sua gestão a eliminar as diferenças com os Estados Unidos para tornar possível a visita de Estado de Dilma à Washington, prevista para o dia 23 de outubro. A fim de recuperar a “credibilidade” da Casa Branca, Patriota cultivou um perfil profissional asséptico, distante de seu antecessor Celso Amorim, chanceler de Lula da Silva entre 2003 e 2010, que foi tipificado como um “anti-norteamericano” empedernido nas informações geradas pela US-Embassy de Brasília obtidas por Wikileaks.
Antes de perder o cargo, Patriota, talvez sobre atuando sua docilidade com Washington, declarou que jamais concederia asilo a Edward Snowden, comentário que, segundo transcendeu aqui, em Brasília, desgostou Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores, com alguns de seus legisladores impulsionando, na semana passada, o envio de uma missão à Rússia para saber até onde chegou o saque cibernético da NSA. Entre a segunda e a sexta-feira passadas, Rousseff pronunciou discursos, assinou notas oficiais e falou com jornalistas sobre o acionar dos serviços norte-americanos na Petrobras e a possibilidade de que isso a leve a desistir de sua visita de Estado à Washington.
Para a presidenta, o eventual furto de dados da petrolífera que fatura aproximadamente 160 bilhões de dólares ao ano é um fato que reveste uma simbologia particular, uma vez que ela, sendo ministra de Lula, desenhou o novo modelo de exploração de hidrocarbonetos que, de fato, significou uma espécie de reestatização da empresa. Se for confirmado que a NSA, ao invadir os arquivos da Petrobras, também se apoderou de informações secretas sobre o mega campo petrolífero Libra, com cerca de 15 bilhões de barris em águas ultra profundas, isso poderia redundar em benefício das empresas norte-americanas que se apresentarem à concorrência pública internacional para sua exploração, prevista para 21 de outubro.
Diante dessa suspeita, o senador Pedro Simon recomendou, em diálogo com a Carta Maior, que o leilão seja deixado sem efeito até verificarem se as empresas estadunidenses foram favorecidas com informação roubada pela NSA, opinião em parte compartilhada pelo especialista Sergio Gabrielli, dirigente do Partido dos Trabalhadores, e ex-presidente de Petrobras. Depois dos comentários de Simon, Gabrielli e outros legisladores, que diretamente propuseram proibir às companhias norte-americanas de extrair petróleo no Brasil, o governo, através de seu principal ministro político, Aloízio Mercadante, descartou postergar o crucial chamado à apresentação de propostas para explorar esses recursos no litoral atlântico descobertos pela Petrobras.
Esse anúncio do ministro demonstrou que Dilma pretende impedir que a crise com Washington ultrapasse os limites do administrável e afete sua política de concessão de grandes áreas energéticas dentro de um regime misto, que estabelece a participação obrigatória da Petrobras.
Ou seja: a tensão entre Brasília e Washington já contaminou a política interna, e a ninguém escapa que o sortilégio entre Rousseff e Obama é pouco menos que coisa do passado, e o novo tom da relação estará marcado pela desconfiança.
Um sinal dos novos tempos é que o novo chanceler Luiz Alberto Figueiredo foi enviado a Washington, na quarta-feira, para pedir explicações à assessora de segurança de Obama, Susan Rice que, ao que parece, não disse nada de novo, agravando o descontentamento de Brasília.
Paralelamente o ex-chanceler e atual ministro de Defesa Celso Amorim, sempre indigesto para o Departamento de Estado, reapareceu em cena durante a crise com seu projeto de articular os países da região na luta contra a espionagem cibernética, tema do qual tratou na quinta-feira passada em Buenos Aires junto à presidenta Cristina Fernández de Kirchner.
Detalhe: ao envolver Amorim no atrito com a Casa Branca, Rousseff está dando ao tema o caráter de uma crise de segurança de novo tipo, ou seja, já não só alarme ao Planalto para a eventual presença da IV Frota no litoral atlântico (causante de outra crise com Washington em 2008), os bombardeios cibernéticos também são uma ameaça à segurança nacional.
E, no plano da Defesa clássica, a violação da soberania nacional cibernética perpetrada pela NSA, também terá consequências, já que agora parece totalmente fora de lugar a possibilidade de comprar para a Força Aérea os caça bombardeiros Super Hornet, da Boeing, uma operação à qual dedicou vários momentos de Lobby o ex-embaixador Thomas Shannon, que teve que abandonar o país depois de ser chamado duas vezes a dar explicações pelas interferências da NSA.
É verdade que a saída de Shannon estava prevista desde antes do escândalo, mas sua saída de Brasília foi pouco menos que vergonhosa, e nada indica que o diálogo melhorará substancialmente com a chegada, prevista para esta semana, da embaixadora Liliana Ayalde que tem em sua folha de serviços ter se desempenhado no Paraguai quando os EUA apoiaram sem esconder, o golpe de Estado palaciano contra Lugo.
Todo o anterior permite abonar a hipótese de que o escândalo de espionagem, ao tocar um tema tão delicado como o petróleo, representaria um marco na política externa que, de agora em diante, já não concederá o mesmo peso à aproximação com Washington, mesmo que a presidenta finalmente aceite o convite de Obama e realize a visita de Estado. Visita que, segundo a Folha deste domingo, parece ter sido arquivada.
* Tradução de Liborio Júnior
Fonte: Altamiro Borges
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17 de Setembro de 2013, 11:50 - sem comentários aindaSomos um grupo grande de brasileiros iguais a você,
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O manifesto começou a circular no dia 6 de setembro e alcançava, quando esta nota era fechada, quase 5.500 assinaturas. As adesões são feitas pela internet. O texto foi formulado às voltas da retomada do julgamento do chamado mensalão, que no ano passado rendeu a Genoino condenação a 6 anos e 11 meses de prisão. A peça jurídica vem sendo considerada por especialistas e acadêmicos uma decisão política, que deixa de levar em conta princípios como a existência de provas e o amplo direito de defesa.
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