Quando as médicas têm cara de empregada doméstica
17 de Setembro de 2013, 11:14 - sem comentários aindaPor Franklin Cunha*
Num dos espetáculos mais vergonhosos e chocantes perpetrados por um segmento da classe média,no caso a categoria médica, foi documentado pelos jornais e TVs do país inteiro.
Neles vimos um colega, negro e modestamente vestido, atravessando um corredor polonês, sendo vaiado e insultado por médicas e médicos brancos e elegantes. O olhar e a expressão facial do colega,nos entristeceram profundamente. Como diante desse deprimente espetáculo, pode se explicar a atuação desses profissionais da saúde física e mental do Ceará? Logo o Ceará, com tão altas taxas de mortalidade materna e infantil que certa vez um médico, Dr. Galba Araújo, tentou diminuí-las criando as Casas de Parto, administradas e atendidas por parteiras dos pobres municípios nordestinos. Estas modestas unidades, onde as mortes de gestantes e de nascituros baixaram a níveis escandinavos – ou cubanos – foram desativadas e nunca mais tivemos notícias de quaisquer protestos. Os argumentos dos distintos colegas de que a medicina cubana e os seus praticantes são de baixo nível técnico e profissional e que, portanto não servem para nosso país, merecem algumas observações. A Organização Panamericana da Saúde, repetidamente informa que os quatro países da América nos quais suas populações têm os melhores níveis de saúde são o Canadá, Costa Rica, Chile e Cuba. Para os três primeiros, as explicações são diferentes, mas e para Cuba, país pobre e com muitas restrições de acesso às sofisticadas tecnologias médicas? Ou estas tecnologias não são fundamentais para se manter um povo saudável ou os médicos e o sistema de saúde cubano são tão bons que superam a ausências desses meios técnicos. Há uma terceira hipótese: os médicos não são os principais e únicos fatores que mantém a boa saúde das populações. Saneamento básico, habitação espaçosa e limpa, boa alimentação, instrução e educação generalizadas, são mais importantes, baratos e eficientes do que médicos, medicamentos e equipamentos para a manutenção da saúde física e mental dos seres humanos em qualquer região do planeta. Com muito menos recursos, a medicina cubana produz resultados muito melhores do que a medicina brasileira e mesmo a dos EEUU, país que mantém 40 milhões de seus cidadãos sem nenhuma assistência médica.
Ao cometer a estupidez de dizer que médicas cubanas têm “cara de empregada doméstica”, a jornalista Micheline Borges fez, sem querer, um grande favor. Escancarou o preconceito de tantos e ressaltou o processo de exclusão de negros do sistema de ensino. Aqui, nos acostumamos com médicos brancos e operários pretos e qualquer perspectiva de mudança – cotas em universidades, por exemplo – assusta muita gente.
Quanto a exigência pétrea que nossas entidades médicas exigem para se avaliar os médicos estrangeiros,dispõem-se das seguintes informações : desde 2005 o Conselho Regional de Medicina de São Paulo vem aplicando, ao final do curso, um exame visando à avaliação dos conhecimentos adquiridos pelos novos médicos e sua capacidade em atender com proficiência à população. Formulam 120 questões, considerando aprovados aqueles que acertam apenas 72 (60%).Depois de vários exames realizados entre 2005 e 2011 a taxa de reprovação dos médicos variou de 32% a 61%. Então vemos que 1.098 dos médicos recém formados em SP não conseguiram acertar 72 de 120 questões da prova. Esta é a “qualidade” que alguns querem que seja alcançada pelos médicos estrangeiros que vêm para resolver um crucial problema da assistência médica, a qual é direito de todo o cidadão.
O mais grave é que 88% dos examinados erraram questões sobre como tratar criança com diarréia e desidratação; 88% não souberam tratar uma criança com insuficiência respiratória; 86% erraram um diagnóstico sobre apendicite; 83% erraram diagnóstico de tuberculose; 81% não souberam proceder num caso de paciente com trauma por acidente; 73% não souberam realizar atendimento em recém-nascidos.
Diante de tudo isso, envergonha a categoria médica a afirmação do presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais que orientará os médicos mineiros para não socorrerem pacientes que sejam vítimas de eventuais erros de médicos cubanos.
A declaração do presidente do CRM/MG deflagra um claro e cruel estímulo ao crime de omissão de socorro. Trata-se sem dúvidas de um processo de nítida patologia mental.
*Franklin Cunha é médico
Fonte: Sul21
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EUA: Senadores que autorizaram ataque contra a Síria receberam 728.497 dólares da Indústria Militar
16 de Setembro de 2013, 14:21 - sem comentários aindaUm estudo realizado por Maplight, uma organização que investiga a influencia do dinheiro na política dos EUA, mostra que os legisladores da Comissão de Assuntos Exteriores do Senado que autorizaram o ataque contra a Síria receberam um total de 728.497 dólares da Indústria Militar.
No passado 3 de setembro, o Comitê de Assuntos Exteriores do Senado votou por 10 a 7 a favor de uma resolução que permite ao presidente dos EUA, Barack Obama recorrer a ação militar contra a Síria.
Ente os partidários da resolução, o senador Jonh McCain foi o maior foi o maior beneficiário de doações da Indústria Militar e dos interesses da defesa, com uma soma de 176.300 dólares.
Cabe mencionar que o mesmo McCain, junto com Lindsey Graham, tachou de “absurdo” (sem sentido) o recente acordo entre Russia e EUA para evitar um possível ataque contra o país árabe.
O rechaço de McCain e Graham ao acordo de Washington e Moscou ocorre juntamente com os aplausos da comunidade internacional a este respeito.
Conforme os analistas políticos, Washington retirou sua iniciativa de realizar uma intervenção militar na Síria devido a oposição da opinião pública contra suas fracassadas políticas bélicas na região.
Fonte: A Marcha Verde
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Tradução: Google Tradutor
Lágrimas, sangue e morte: o Brasil é o próximo alvo
16 de Setembro de 2013, 10:42 - sem comentários aindaQueridíssima Professora G. A.
És um maravilhoso e grande achado que fiz pelo Facebook. És um dos meus grandes orgulhos. Tua vida como ser humano e professora é o mais eloquente testemunho do quanto vale a pena a luta pela vida bem formada.
Lembro-me daquela noite em 1973 quando tua mãe bateu à porta da casa pastoral, onde eu morava em Uruguaiana - RS. Eu jamais poderia imaginar que na estranha mãe, com sua penca de pequenas crianças trazidas pelas mãos, movia-se uma gigante, uma leoa pronta a defender suas crias, mas disposta jamais a abafá-las no que cada uma seria. Tua mãe, a Professora Yolanda, sobre quem já escrevi aqui, é modelo de vida aguerrida para todos os seres humanos.
Vocês chegaram, hospedaram-se, alimentaram-se e logo levantou-se a pergunta: como essa família sobreviverá? Que nada, eu não sabia que lidava com a Yolanda, recém-formada no Curso de Belas Artes da Universidade de Passo Fundo, uma verdadeira artista da vida, no melhor sentido humano da palavra. Pois sabia moldar cada material que lhe chegava às mãos e trazê-lo à revelação da mais grandiosa beleza, oculta à percepção dos acomodados. Ela não haveria de permitir que problemas econômicos não se tornassem arte e beleza humanas.
Não demorou e ela alugou uma casa grande na esquina, à frente do Colégio União. Ali instalou a primeira escola de Belas Artes de Uruguaiana. Cada manhã que eu dava aula naquela instituição saudava vocês, às vezes de longe outras indo até o local. Vocês respondiam invariavelmente com muita alegria. Quando a gente chegava à escola residência de vocês todos cercavam a gente, cada criança querendo contar uma história e mostrar um desenho ou pintura. Sinto saudades da Rosane, tua irmã que morreu tão cedo. Ela era dona de um olhar calmo e penetrante, coisa de pensadora e reverente com a vida.
Tu, minha amiga Gisele, és fantástica. Afastei-me de vocês logo a seguir para trabalhar em Cruz Alta, mas nunca as esqueci. Nunca me esqueci de teu irmão Nero, também. Graças às redes sociais encontrei e à tua mãe. Vejo-te como educadora apaixonada pela educação e pela vida. Ao ver tuas fotos me deparo com uma mulher cujos olhos brilham, sempre cercada por muita e bela gente. Outro dia, tu e eu, travamos gostoso e inteligente debate político que pareceu-me frutífero para nós dois. Nem sempre a conjuntura é clara no que tange às manifestações de massa. Por isso o debate é esclarecedor e o esclarecimento é justo quando revela a verdade oculta nos fatos sociais.
Pois hoje, minha amiga e heroína professora, levanto agora e aqui um ponto muito sério por sua gravidade. Acima destaquei a importância da força e generosidade de tua mãe que soube construir as linhas da costura da vida e costurar meticulosamente o tecido das relações afetivas da família de vocês. A partir daí és uma das melhores construtoras educacionais da Pátria Brasileira. Certamente olhas para cada criança como quem trabalhas com um cidadão em potencial dotado de todos os direitos a um País e a um sociedade justos e dignos. Bem como fez tua mãe ao cuidar com tanto afeto e entrega cada um de vocês, seus filhos, fazes como professora em relação aos teus alunos. É assim que agem os educadores.
Podes ter certeza, minha querida, na Síria também há mães, pais e professoras com a mesma tua disposição e a de tua mãe. Há séculos aquele País luta contra as trevas e o ódio, conseguindo agora posição importante no Oriente Médio. O governo de Bashar La Assad conseguiu construir patamar econômico significativo na relação com o Iran, o Egito, os Palestinos, com a Rússia e outros Países não alinhados com o terrorismo americano e israelita. Noutras palavras, o imperialismo americano não permite que os outros povos se desenvolvam e conquistem sua independência econômica, graças às matérias primas de seus sobsolos e suas conquistas políticas de fortalecimento do Estado que investe socialmente no empoderamento de seus povos.
Assim ocorreu no Iraque quando os Estados Unidos decidiram, depois de inventar a mentira das tais armas químicas de que Sadan Hussein dispunha, tudo desmentido depois da destruição do País e assassinato de seu presidente. Também na Líbia, quando seu povo crescia sobre o deserto distribuindo riquezas, ao ponto de premiar os casais novos e quem queria estudar no exterior com boa quantidade de dólares como estímulo para que a juventude se dedicasse ao País.
A máquina mediática pró-imperialista compra suas fofocas que têm o objetivo de destruir as imagens de seus líderes. Desse modo a mídia encheu páginas e vídeos de TVs para difamar Sadam e Kadafhi. Pode ser que eles tivessem problemas sim, pois eram humanos. Mas não dá para crer em nada do que o império e o que sua mídia divulgam sobre os líderes dos povos detentores de solos ricos em matéria prima, principalmente petróleo. A jogada corriqueiramente tem o objetivo de destruir a resistência de cada Nação alvo, abrindo caminho para a invasão, mesmo que matem milhões de pessoas.
Nessa semana viveremos dias tristes e tenebrosos. O império estadunidense, governado por seu traidor presidente Barack Obama e o falso socialista presidente da França, urde a invasão da Síria. Vê, Gisele, primeiro entraram naquele País e espalharam terror, destruição e divisão no meio de seu povo. A próxima etapa é o bombardeio. A terceira, depois de matarem crianças, mulheres, velhos e trabalhadores, será o saque do País em apoio a Israel e a vizinhos árabes comparsas dos negócios sujos das corporações privadas americanas e judias.
Então, primeiro foi o Iraque, depois a Líbia, o Egito, agora a Síria. Posteriormente será quem, Gisele? Glenn Greenwald, o jornalista que mostrou ao mundo as espionagens que o governo americano fez do Brasil e da Presidente Dilma (clica aqui para ler), afirma que o Brasil é o grande alvo do império. Dentro do Brasil o grande interesse é o petróleo, principalmente nosso pré-sal, cujos leilões, um equívoco do governo brasileiro, marcados para outubro, atendem a essa ganância de guerra dos americanos. O próprio governo e o Congresso Nacional do Brasil deixam brechas para a espionagem e para a guerra desenfreada.
Os exercícios de preparação da guerra contra o Brasil já começaram. Somos o alvo meticulosamente preparado. Já começam a campanha de desmoralização de nossos líderes históricos. Há brasileiros mercenários pagos pelo governo americano para exercer esse papel antipatriótico, como fizeram no Iraque, na Líbia e na Síria, onde criaram oposição caluniosa e divisionista. No Congresso Nacional brasileiro trava-se luta reida entre nacionalistas e entreguistas neoliberais, estes desejosos de que o pré-sal seja entregue à ganância internacional. Não se importam que nossa saúde e nossa educação sejam prejudicadas por falta dos investimentos que sairiam daquela poderosa fonte de riquezas. Caso o método “pacífico” do governo americano, visando derrubar o atual governo brasileiro e por no poder outro que lhe seja colaboracionista não funcione não titubearia em acelerar o processo de difamação nacional e internacional de Dilma e, depois, invadir militarmente o Brasil para abocanhar o petróleo para suas grandes e diabólicas corporações multinacionais.
Como enfrentaríamos as bombas americanas matando nossas crianças, mulheres, jovens e trabalhadores? A solução para esse risco vem bem antes. Temos que encontrá-la.
Abaixo posto vídeo que explica as razões e métodos das guerras produzidas pelos Estados Unidos. É de arrepiar, mas necessário que se tome conhecimento. Os apertos de beijos e abraços de Barack Obama em nossa Presidente Dilma não passam de beijos de Judas e de abraços de ursos, cujos animais são muito melhores do que ele.
Abraços críticos e fraternos preocupados na luta pela justiça e pela paz.
Dom Orvandil: bispo cabano, farrapo e republicano.
Fonte: Cartas e Reflexões Proféticas
Os fatos sobre a ajuda dos russos aos EUA
15 de Setembro de 2013, 21:54 - sem comentários aindaDaoud Rammal, Al-Manar, Líbano
O ataque dos EUA à Síria já começou e já acabou. Tudo aconteceu no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava.[1]A Rússia neutralizou os dois mísseis: um foi destruído em voo e o segundo foi desviado para o mar.
Fonte diplomática bem informada disse ao jornal As-Safir que
“a guerra dos EUA contra a Síria começou e acabou no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava, até que surgiu uma declaração oficial dos israelenses, que dizia que teriam sido disparados no contexto de um exercício militar conjunto EUA-Israel, e que os mísseis caíram no mar e que nada tinham a ver com a crise síria.”
A fonte também informou ao diário libanês que
“os EUA dispararam os dois mísseis de uma base da OTAN na Espanha. Os mísseis foram instantaneamente detectados pelos radares russos e foram repelidos pelos sistemas russos de defesa: um deles foi destruído em voo e o outro foi desviado em direção ao mar.”
Nesse contexto, disse a fonte, “é que surgiu a declaração distribuída pelo Ministério de Defesa russo. A declaração falava sobre a detecção de dois mísseis balísticos disparados na direção do Oriente Médio, mas nada dizia nem sobre de onde os mísseis foram disparados os mísseis, nem que haviam sido abatidos. Por quê?
Porque no momento em que a operação militar estava sendo lançada, o chefe do Serviço de Inteligência da Rússia telefonou à inteligência dos EUA e disse que:
“atacar Damasco significa atacar Moscou. Nós omitimos na nossa declaração oficial a expressão “os dois mísseis foram derrubados”, para preservar as relações bilaterais e para impedir qualquer tipo de escalada. Assim sendo, é imperioso que os EUA reconsiderem suas políticas, abordagens, movimentos e intenções sobre a crise síria, porque os EUA já podem ter certeza de que não conseguirão eliminar nossa [dos russos] presença no Mediterrâneo.”
A mesma fonte continuou:
“Essa confrontação direta entre Moscou e Washington, que não foi divulgada, aumentou ainda mais a confusão reinante no governo Obama e a certeza de que o lado russo insistirá no alinhamento ao lado dos sírios. E, também, a evidência de que os EUA já não tinham outra saída, se não pela iniciativa dos russos, que‘salvaria’ a imagem dos EUA.”
Desse ponto de vista, a mesma fonte diplomática explicou que
“para evitar confusão ainda maior nos EUA, e depois que Israel negara saber do disparo dos dois mísseis (o que é verdade), Washington pediu que Telavive assumisse que teria disparado os mísseis, para não ferir a imagem dos EUA ante a comunidade internacional, sobretudo porque aqueles dois mísseis eram o primeiro movimento do ataque dos EUA à Síria e o anúncio do início das operações militares. O plano original previa que, depois do ataque, o presidente Obama viajaria para o encontro do G-20 na Rússia, para negociar o destino do presidente sírio Bashr Al-Assad. De fato, como depois se verificou, Obama teve de ir à Rússia para negociar o fim do impasse em que se viu preso.”
A mesma fonte disse também que
“depois desse confronto EUA-Rússia, Moscou já trabalha para aumentar o número de especialistas militares, e já ampliou a presença se unidades de guerra e destróieres no Mediterrâneo. Os russos também decidiram marcar para depois do G-20 o anúncio de sua iniciativa para conter a agressão à Síria, depois de se criar um contexto de contatos às margens daquela reunião, e depois de duas visitas sucessivas dos ministros de Relações Exteriores do Irã e da Síria, nos quais se acertaram detalhes de um acordo com os russos, que incluía o anúncio, pela Síria, de que aceitava pôr suas armas químicas sob supervisão internacional e preparar a Síria para assinar o tratado de não proliferação de armas químicas.”
Por fim, aquela fonte diplomática comentou que
“Um dos primeiros resultados do confronto militar EUA-Rússia foi a rejeição, na Câmara dos Comuns britânica, de qualquer envolvimento na guerra contra a Síria. Em seguida vieram as posições europeias, todas na mesma direção, a mais significativa das quais foi a da chanceler alemã Angela Merkel."
Fonte: Instituto João Goulart
A nova embaixadora (terrorista) dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde
13 de Setembro de 2013, 13:15 - sem comentários aindaNova embaixadora dos Estados Unidos chega dia 16 a Brasília
A nova embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Liliana Ayalde, desembarcará em Brasília segunda-feira (16). A diplomata chega ao Brasil em um momento de tensão com os Estados Unidos em decorrência das denúncias de espionagem, por agências norte-americanas, à presidenta da República, às autoridades, aos cidadãos e, mais recentemente, à Petrobras.
A embaixada norte-americana examina a possibilidade de Liliana Ayalde fazer uma declaração à imprensa – sem perguntas dos jornalistas – após o desembarque. Porém, a iniciativa ainda está em discussão.
Ayalde substitui o embaixador Thomas Shannon, que ficou no posto três anos e meio e deixou Brasília no último 6. A substituição estava prevista há três meses. Diplomata de carreira, ela serviu no Paraguai e na Colômbia e demonstra conhecimento sobre a América Latina, a exemplo de seu antecessor.
Antes do golpe a Fernando Lugo, Liliana Ayalde negou: “Aqui (Paraguai) o que estamos fazendo é uma cooperação, na qual há transparência. Desconheço [o rumor de golpe] e desminto totalmente”. "O Paraguai e os Estados Unidos são países amigos" afirmou na época a embaixadora.
Liliana Ayalde é “cria” da USAID
Ayalde tem extensa experiência dentro da agência de cooperação USAID, na qual trabalhou durante 24 anos e pela qual foi diretora de missão em Nicarágua (1997-1999), Bolívia (1999-2005) e Colômbia (2005-2008). A USAID é utilizada pelo governo norte-americano como fachada para espionagem e corrupção de políticos e governantes.
Recentemente o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a expulsão do país da representação da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), que operava desde 1964, sob a acusação de conspiração e interferência em assuntos políticos internos.
Evo Morales denunciou que a agência americana está na Bolívia "com fins políticos e não com fins sociais".
"Não precisamos de algumas instituições da embaixada dos Estados Unidos que continuam conspirando contra este processo, contra o povo e, em especial, contra o governo nacional", afirmou na época Evo.
"Nunca mais a USAID, que vai manipulando, que vai utilizando nossos irmãos dirigentes, que vai usando a alguns companheiros de base com esmolas", insistiu diante de milhares de pessoas no Dia do Trabalho, evento que aproveitou para anunciar diversas medidas a favor dos trabalhadores.
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| Roberta Jacobson |
Nascida em Baltimore em 1956, com raízes latinas e domínio do idioma português, ela trabalhou como embaixadora dos Estados Unidos no Paraguai de 2008 a 2011, onde participou ativamente da formatação do golpe parlamentar que derrubou Fernando Lugo da presidência.
Certamente ela participará ativamente de maquinações e espionagem para tentar sabotar os esforços dos líderes democráticos que lutam pela construção de uma América Latina mais unida, através do Mercosul.
Fonte: Sul21, A Marcha Verde
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Xeque ao rei da Guerra: como gafe histórica ajudou a desarmar ataque à Síria
13 de Setembro de 2013, 11:57 - sem comentários aindaO que o episódio revela sobre poder internacional no século XXI e como Putin se tornou protagonista da crise
Obama e Washington em xeque
Por Antonio Martins
Como uma gafe histórica ajudou a desarmar ataque à Síria. Que o episódio revela sobre poder internacional no século 21
Um olhar superficial poderia atribuir ao secretário de Estado dos EUA, John Kerry, o gesto desengonçado que tornou difíceis e arriscados os planos da Casa Branca para uma guerra contra a Síria. Na manhã desta segunda-feira (09/09), ao falar de improviso em Londres, Kerry sugeriu que o ataque anunciado por Obama poderia ser cancelado, caso o presidente sírio, Bashar al Assad, entregasse “todas as suas armas químicas, sem demora” e permitisse “a verificação completa” do ato pela comunidade internacional. No instante seguinte, tentou neutralizar o efeito de sua própria frase, talvez por perceber o risco que implicava. “Ele [Assad] não o fará, isso não pode ser feito”, disse. Minutos depois, a porta-voz do Departamento de Estado correu em seu socorro, afirmando que ele fizera apenas “uma argumentação retórica”, sobre a “impossibilidade de Assad abrir mão das armas”. Mas era tarde.
Muito rápido, o chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, que se opõe à guerra, aproveitou a brecha. Assegurou que seu país recomendaria à Síria colocar os arsenais sob supervisão de inspetores internacionais. O círculo fechou-se quando o próprio chanceler sírio, Walid al Moulen, que estava em Moscou, acolheu a proposta e saudou “a sabedoria da liderança russa, que tenta prevenir uma agressão norte-americana contra nosso país”… Nos instantes seguintes, e na velocidade da internet, a ideia receberia o aval do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, do primeiro-ministro britânico, David Cameron, e de diversos parlamentares em Washington. À noite, um Obama relutante foi obrigado a ceder, parcialmente. Em cinco entrevistas à TV, que haviam sido agendadas para defender o ataque à Síria, ele disse desconfiar do compromisso sírio, mas declarou-se disposto a testá-lo. Outras reviravoltas poderão surgir, mas atacar Damasco, nas novas circunstâncias, havia se tornado insustentável. A questão é: tudo terá sido, mesmo, resultado de um escorregão de John Kerry?
Uma série de acontecimentos aconselha a dizer que não. Desde meados da semana passada, os planos de um ataque à Síria sofriam desgaste crescente. A aprovação, no Congresso norte-americano, da resolução de guerra proposta por Obama tornara-se, no mínimo, duvidosa. No plano internacional, aprofundava-se o desgaste do presidente dos EUA, dos governantes e da mídia dispostos a segui-lo.
Por trás destas dificuldades, há três hipóteses que merecem ser analisadas com atenção – e comemoradas. Dez anos após mentir intencionalmente ao mundo, no Iraque, Washington não reúne, hoje, condições políticas para desafiar a ONU – e iniciar um conflito cujo real objetivo é a afirmação de seu poder geopolítico. Permanece temerário, para governos que se afirmam democráticos, contrariar de modo frontal e aberto a opinião majoritária das respectivas sociedades. Não será aceita, sem contestação, a ideia de que os Estados têm o direito de agir movidos por “informações” que dizem possuir – mas se recusam a compartilhar com os cidadãos.
Todas estas hipóteses foram reforçadas por fatos concretos, nos últimos dias – inclusive no cenário interno dos Estados Unidos. Lá, uma opinião pública cansada de guerras e manipulações, e um establishment político profundamente dividido, corroeram uma estratégia esdrúxula da Casa Branca. Consistia em afirmar que existem “provas conclusivas” sobre a responsabilidade do governo sírio pelo ataque químico a um subúrbio de Damasco, em 21/8; mas em evitar a apresentação pública de tais comprovações – que seriam sigilosas e, portanto, exibidas apenas em comitês de senadores e deputados.
Já no sábado, um balanço do The New York Times revelava que Obama enfrentaria uma “batalha tensa e em contracorrente” para aprovar no Congresso seu pedido de autorização para a guerra. Havia três fatores para isso. Uma parcela importante do Partido Democrata opunha-se por convicção ao conflito – da mesma maneira que o próprio presidente condenou a guerra contra o Iraque quando senador, fora da Casa Branca e, portanto, menos submisso às pressões da máquina de Estado. Um outro setor, que incluía democratas e republicanos, tendia a votar contra o Executivo por pressão direta dos eleitores.
Todas as sondagens de opinião pública realizadas nas últimas duas semanas, desde que o presidente anunciou a disposição de atacar a Síria, revelam que uma sólida maioria de cidadãos opõe-se a esta atitude. O jornal estimava que são especialmente sensíveis a tal posicionamento os parlamentares que não têm sua reeleição assegurada – e terão de enfrentar as urnas, em pouco mais de um ano. Esta previsão foi confirmada em 9 de setembro, de modo enfático, por Justin Amash, deputado do estado de Michigan pelo Partido Republicano. Nos encontros públicos, disse ele, “percebo que não há apenas desaprovação à guerra, mas esmagadora desaprovação – seja de eleitores democratas ou republicanos”…
A arrogância da Casa Branca, que se julgou desobrigada a oferecer sinais efetivos do suposto envolvimento de Assad no ataque contra civis, ajudou a cimentar a rejeição popular à guerra. No domingo, um texto da agência Associated Press, insuspeita de favorecer o governo sírio, frisava a lacuna. “O público – dizia a matéria – ainda não viu uma única peça de evidência concreta capaz de conectar o governo do presidente Assad aos ataques com armas químicas. Nenhuma imagem de satélite, nenhuma transcrição das comunicações militares sírias: nada”.
A terceira razão para os percalços internos de Obama é o acirramento das disputas entre as elites políticas norte-americanas e a consequente dificuldade de Washington para exercer poder global. Ao invocar a parceria do Congresso para a guerra, em 31 de agosto, o presidente imaginou que teria amplo amparo do Partido Republicano – conservador, implicado nos conflitos contra Iraque e Afeganistão, saudoso dos tempos em que os EUA enxergavam-se como potência única. Uma parte dos republicanos de fato o apoiou. Reivindicou, inclusive, que os ataques não se limitassem a “punir” Assad, mas procurassem derrubar ou, ao menos, enfraquecer seu regime. Mas outro setor, ainda mais primitivo, radicalizou-se de modo irreconciliável contra o presidente, nos últimos anos – a ponto de considerá-lo um “socialista” que não merece apoio em circunstância alguma…
Na arena internacional, Obama e seus aliados foram pegos num contrapé similar. Confiante no poder bélico incomparável dos Estados Unidos, o presidente agiu como George W. Bush em 2003 e julgou-se com legitimidade para lançar unilateralmente, e sem aval da ONU, uma guerra de pretexto “humanitário”. Num editorial de rara sinceridade publicado em 5 de setembro, a revista Economist apoiou o presidente, mas expôs a verdadeira razão por trás de sua iniciativa. “Os argumentos para a intervenção na Síria são mais estreitos e menos utópicos que no Iraque. Primeiro, está o cálculo dos interesses norte-americanos. A arena internacional é, por natureza, anárquica. (…) Como polícia do mundo, os EUA podem definir as regras de acordo com seus interesses e preferências. Se recuarem, outras potências avançarão (…) A China já provoca a América; Vladimir Putin começou a confrontá-la – e não apenas sobre a Síria. É questionável que a Síria fosse de interesse vital para os EUA, antes deste ataque; mas não depois do desafio direto de Assad à autoridade de Obama”.
Em poucos dias, ficaria claro que Washington mantém supremacia militar global, mas arrisca-se a perder, de forma acelerada, algo mais decisivo: o poder político para impor “seus interesses e preferências”. Em 29 de agosto, o Reino Unido, um aliado histórico nas campanhas militares norte-americanas, já havia se recusado a atacar a Síria, após surpreendente voto contrário de seu parlamento. Três dias depois, o papa Francisco anunciou – em fala aos católicos, no Vaticano, e também pelo Twitter – sua oposição à guerra. Exortou: “guerra nunca mais. Nunca mais guerra”. Argumentou: “Quanto sofrimento, quanta dor, quanta devastação, traz o uso das armas, em seu rastro”.
Por algum tempo, Obama e Kerry contaram com uma compensação parcial: o presidente francês, François Hollande, ofereceu, em 30 de outubro, apoio à intervenção na Síria. Mas suas condições de mantê-lo começaram a evaporar, logo em seguida. Também na França, apenas 25% da população apoia o ataque. Embora a Constituição permita a Hollande ir à guerra sem apoio do parlamento, cresceram os sinais de que o presidente não conseguiria fugir a este teste. Por isso, já na reunião do G-20, em São Petersburgo (5 e 6 de setembro), ele vacilava. Sugeria que talvez fosse melhor adiar o ataque para depois de um parecer dos inspetores da ONU sobre as armas químicas. Não se sabe quando ele sairá e é muito improvável que implique o regime sírio…
Em tais circunstâncias, era natural que John Kerry, impulsivo e falastrão, acabasse cometendo alguma gafe. Obama tencionava submeter rapidamente, ao Congresso, a moção em favor da guerra. Quanto maior a demora, mais riscos de o apoio interno e internacional ser corroído pelos fatos. A entrevista do secretário de Estado, em Londres, foi um autêntico festival de absurdos. Talvez para aliviar as pressões sobre Hollande, ele afirmou, por exemplo, que os EUA planejavam, contra a Síria, um ataque “incrivelmente pequeno” [incredibly small]. Desconcertou todos os que conhecem as incertezas dos conflitos bélicos – mas em especial os conservadores norte-americanos, que exigem “firmeza” contra Assad. Desse ponto até o blefe infantil e comprometedor, pronunciado a seguir, foi um passo. Ágil, empenhado em recuperar ao menos parte da antiga influência geopolítica, o governo Putin não deixou a oportunidade escapar. Que virá agora?
Os riscos de um ataque à Síria não podem ser, ainda, descartados. Como admite o editorial do Economist, não é de armas químicas que se trata – mas de poder geopolítico. Por isso, a caça a pretextos prosseguirá: agora, provavelmente na forma de condições para a inspeção dos arsenais que o governo Assad não tenha condições de cumprir. Outra possibilidade é um novo ato provocativo. As imagens das vítimas de Damasco, em 21 de agosto, sugerem de fato que foram atingidas por armas químicas; porém, quem as lançou? Um depoimento de Carla Negroponte, da comissão da ONU que investigou atentados aos direitos humanos na Síria, é eloquente: “com o que sabemos até agora, são os opositores do regime os que utilizaram gás sarin”. Conhecidos por seus laços com a Al Qaeda, os “rebeldes” não poderiam animar-se a novas aventuras, capazes de instigar o envolvimento direto dos EUA?
Mas o tempo agora corre contra Washington: a lógica das guerras é a ação irrefletida, as “urgências” reais ou produzidas. Além disso, há fatores mais profundos em movimento. Nesta terça-feira (10/9), veio à luz uma nova e impactante sondagem sobre a opinião pública norte-americana. Comprovou a rejeição à guerra – seis de cada dez entrevistados opõem-se até mesmo aos ataques aéreos “limitados” a que se refere Obama. Indicou que, segundo 80%, os objetivos da guerra contra a Síria “não estão claros”. Mas revelou, também, um nítido desconforto da própria população com o papel imperial que os governantes querem preservar para os EUA. A ideia de que seu país deve exercer “liderança na resolução de conflitos externos” é rechaçada por 62% dos norte-americanos e apoiada por apenas 34%. A desaprovação é 19 pontos percentuais mais alta que à época da guerra contra o Iraque (43%), há dez anos.
Obama assumiu a Casa Branca, em 2009, prometendo virar a página de intervencionismo e arrogância, que marcou a era Bush, e resgatar os valores positivos que os EUA imaginavam ter projetado, em décadas passadas. Chegou até mesmo a receber o Prêmio Nobel da Paz. Porém, concessão depois de concessão, curvou-se de tal modo ao establishment político – particularmente ao chamado “complexo industrial-militar” – que se reduziu a uma peça muito funcional à engrenagem. Um presidente negro, neto de africanos e de passado progressista, mostrou-se afinal mais útil que seu antecessor para comandar tarefas como o assassinato extra-judicial de milhares de pessoas por drones; a ampliação ilimitada das redes globais de espionagem; a perseguição aos que a denunciam.
É possível que a aventura síria dispare um forte alerta contra este processo. Talvez, em vez de Bashar al Assad, tenha sido Barack Obama quem “cruzou a linha vermelha”, no episódio. Se for assim, é possível esperar, daqui em diante, maior resistência internacional aos planos de um governante que já não pode usar máscaras.
E salta aos olhos, neste ponto, um último aspecto, preocupante: a desarticulação da chamada “sociedade civil global”. Há dez anos, às vésperas de George W. Bush iniciar a guerra contra o Iraque, ela promoveu manifestações nos cinco continentes. Segundo certas estimativas, reuniram 13 milhões de pessoas. Não frearam a ofensiva militar, mas foram essenciais para deslegitimá-la. Foram articuladas em Porto Alegre, no FSM (Fórum Social Mundial) de 2003. Levaram o próprio The New York Times, a falar na emergência de uma segunda superpotência mundial.
Na crise síria, esta “superpotência” esteve ausente. O papel mais destacado na oposição a Washington coube a… Vladimir Putin, presidente da Rússia. A mesma ausência tem se repetido em uma série de acontecimentos globais de grande relevância – da crise financeira à defesa dos perseguidos por denunciarem a espionagem de Washington. O esvaziamento dos FSMs, a partir de 2005, não foi corrigido nem substituído por outro espaço ou mecanismo de articulação. Fazê-lo será, cada vez mais, um desafio estratégico.
Fonte: Outras Palavras, Opera Mundi
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O prêmio Nobel da Guerra fez seu discurso
12 de Setembro de 2013, 11:45 - sem comentários aindaAlles Schall und Rauch, 11/09/2013.
Depois que suportei o discurso ao vivo de Obama à nação, eu apenas consegui balançar a cabeça sobre aquilo que fiz meus ouvidos suportarem. A cada segunda frase vinha uma mentira. Não, todo o discurso foi um amontoado de mentiras, afirmações inventadas e falsas suposições. Eu me surpreendo como meu monitor não foi parar junto à parede. Como já sabemos desde a infância, o nariz do Pinóquio cresce bastante a cada mentira. O nariz de Obama deve medir agora pelo menos 10 km.
No caso do golem norte-americano, podemos ver que a mentira o acompanhou desde a infância. Apesar da mãe ter tentado, os puxões de orelha não adiantaram… – NR.
A mentira que permeou todo o discurso: Obama acusou o presidente Assad de ser o único culpado pela guerra interna na Síria. Mas um detalhe, quem enviou todos os terroristas para a Síria e os abasteceu com armas? Sobre isso disse Obama: “Os Estados Unidos trabalharam em conjunto com os aliados para fornecer apoio humanitário à moderada oposição, para que uma solução política fosse alcançada.”
Como é? Quer dizer que para Obama, armas aos milhares são um “apoio humanitário”, os terroristas da Al-Qaida são uma “oposição moderada” e a queda do presidente Assad, assim como a destruição do organismo estatal, são uma “solução política”?
E para que os telespectadores acreditem que o presidente Assad seja o novo Hitler (quem mais?), ele menciona o uso de gás venenoso na 1ª Guerra Mundial e o (suposto – NR) gaseamento dos judeus pelos nazistas. Como prova para a afirmação que o governo de Assad teria utilizado gás venenoso, Obama citou vídeos do Youtube, fotos de smartfones e contas do Facebook. São estas as fontes críveis para justificar uma guerra?
Naturalmente o Irã deveria ser mencionado para causar medo. “Se os Estado Unidos não confrontar Assad, então seus aliados, como o Irã, irão ignorar o Direito Internacional e construir armas atômicas, ao invés de trilharem um caminho pacífico”, disse Obama. Novamente uma suposição e mentira, que o Irã quer ou já constrói bombas atômicas. Onde está a prova para esta afirmação?
Além disso, quem ignora aqui realmente o Direito Internacional? Apenas Washington com sua ameaça em iniciar uma guerra de agressão contra a Síria sem o consentimento do Conselho de Segurança da ONU. E nesse contexto, o Irã já segue seu caminho pacífico há mais de 33 anos. Neste período, os EUA já fizeram inúmeras guerras e derrubaram governos, onde milhões de pessoas morreram.
Então Obama entrou no papel do ditador narcisista: “Eu decidi, em nome da segurança nacional dos Estados Unidos, a responder ao uso de armas químicas pelo regime de Assad com um ataque militar localizado. Esta é minha decisão como a mais alta instância militar.”
Como a Síria pode colocar em perigo a segurança nacional dos EUA? Isso é uma piada e uma mentira completa. Ambos os países estão separados por mais de 10 mil quilômetros, uma mar e um oceano. Obama já parece tratar todo o Oriente Médio como território norte-americano.
Ele se auto-bajula como ponta-de-lança da paz e disse: “Afinal, nos últimos 4 anos e meio, eu trabalhei para acabar com as guerras, não para começa-las.” Com isso ele realmente arrebentou a linha. O que dizer da Líbia com quase 100.000 mortos? Não foi ele que iniciou? Ou as incursões dos Drones no Iêmen, Afeganistão e Paquistão, que custou a vida de milhares de civis inocentes?
Obama disse: “A América não é a polícia do mundo. Mas se podemos evitar o gaseamento de crianças e com isso colocar nossas crianças em segurança, eu acredito então que devemos agir.”
Um disparate de Obama colocar numa única frase, crianças e seu gaseamento. Isso é apenas para comoção geral. Como que a segurança das crianças norte-americanas está ameaçada pela Síria? E então, os EUA não são a polícia do mundo? O que as esquadras da marinha norte-americana faz em todos os oceanos? Por que os norte-americanos mantêm mais de 800 bases militares por todo o planeta? Por que os EUA gastam 700 bilhões de dólares por ano para manter um gigantesco aparato militar? É óbvio que isso se destina à sua atuação como polícia do mundo.
Para encerrar, Obama disse: “Eu pedi ao presidente do Congresso para adiar a votação para permitir o uso da força, enquanto nós trilhamos o caminho diplomático.” Quanta generosidade por parte de Obama, poder adiar momentaneamente a guerra contra a Síria. Sem a exportação dos próprios terroristas, não haveria conflito naquela região. A paz seria simplesmente possível à medida que o ocidente não fornecesse mais armas e não enviasse mais mercenários e deixasse os sírios arrumarem seu sistema político sem intromissão estrangeira.
Fonte: Inacreditavel
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A Air Force da Al-Qaeda permanece em prontidão
12 de Setembro de 2013, 11:14 - sem comentários aindaPor Pepe Escobar, Asia Times Online - Tradução: Vila Vudu
Foi há exatos doze anos. Os historiadores registrarão que, segundo a narrativa oficial, 19 árabes armados com abridores de latas, facas de cozinha e com mínima capacidade para pilotar aviões, a serviço de uma corporação Terror Inc., converteram grandes aviões em mísseis e atacaram a pátria norte-americana, derrotando assim o mais elaborado sistema de defesa sobre a Terra.
Rodem a fita adiante, até 2013. Eis versão em 15 segundos do discurso do Presidente dos EUA (PEUA) sobre a Síria, exatamente um dia antes do 12º aniversário do 11/9:
Nossos ideais e princípios, além de nossa segurança nacional estão em jogo. Os EUA são “a âncora da segurança global”. Os militares dos EUA “não dão cutucadinhas”, mas carregamos o peso do dever de punir regimes que desrespeitem convenções vigentes há muito tempo e que banem o uso de armas biológicas, químicas e nucleares.
Eis a razão pela qual decidir providenciar ataque militar limitado, de alvo definido, contra Washington DC.
Para incontáveis cidadãos globais, essa versão alternativa já soa como perfeita narrativa da versão oficial do que aconteceu há 12 anos. A neblina da guerra obscurece tudo, pelos meios mais misteriosos. Mas permanece o fato de que o atual Imperador (farsante),[1] “relutante”, insiste em apostar a própria “credibilidade” – e a de seu país – numa operação “limitada”, “cinética” para reforçar uma linha vermelha que ele mesmo inventou contra armas químicas.
Obama quebrou a cara. Viajemos.
Na teoria, o plano russo para que Damasco entregue seu arsenal de armas químicas funciona bem por causa da sabedoria chinesa que carrega embutida: ninguém quebra a cara – nem Obama e o Congresso dos EUA, nem a União Europeia, nem a ONU nem a ainda mais farsesca Liga Árabe que não passa, essencialmente, de colônia da Arábia Saudita.
Apesar de Obama estar em plena guerra midiática total para roubar para ele o crédito pela iniciativa, Asia Times Online já confirmou que o plano foi construído por Damasco, Teerã e Moscou, semana passada – durante visita do presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento do Irã, Alaeddin Boroujerdi, a Damasco. A já famosa gafe do Secretário de Estado John Kerry criou a abertura.
Em resumo, eis o “eixo” – Damasco, Teerã, Moscou – que está ajudando Obama a safar-se do fundo do poço no qual mergulhou por iniciativa sua. Desnecessário dizer, é assunto absolutamente inadmissível e intolerável para os plutocratas encarregados de despejar sobre a Síria a sua nova produção (letal). Campanha novinha em folha de propaganda-mídia para gerar uma nova histeria deve ser ativada para justificar a guerra. Nisso, precisamente, o eixo anglo-francês-norte-americano trabalha nesse momento.
Não surpreende a proposta francesa para uma nova deliberação no Conselho de Segurança da ONU, já tenha citado o Capítulo 7 – que explicitamente permite ataque militar a Damasco no caso de não cumprir o acordo. No pé em que está, essa resolução será inevitavelmente vetada por Rússia e China. E aí estará o novo pretexto para guerra. O imperador (farsante) pode facilmente invocar dúvida razoável, destacar que envidou “todos os esforços” para evitar conflito militar e, afinal, convencer os céticos no Congresso dos EUA de que só resta o caminho da guerra.
E pensar que há desenvolvimento perfeitamente sólido e lógico para que prossiga o plano Damasco-Teerã-Moscou. As armas químicas da Síria podem ser postas sob supervisão russa – ou europeia. A Síria integra-se à Organização para a Proibição de Armas Químicas e ratifica a Convenção das Armas Químicas. Inspetores da OPAQ começam a trabalhar em coordenação com a ONU. Todos os especialistas sabem que esse processo exigirá anos.
Damasco já declarou que está pronta a integrar-se à OPAQ e a assinar a Convenção. Não há nenhuma necessidade de resolução do Conselho de Segurança da ONU para forçar Damasco a fazer o que já disse que quer fazer. E qualquer resolução da ONU sobre armas químicas no Oriente Médio terá necessariamente de incluir Israel. Observe-se que ninguém, absolutamente ninguém, fala sobre os vastos arsenais químicos de Israel, para nem falar das armas nucleares.[2]
Mas não se seguirá o bom caminho – porque Washington e seus poodles ladrantes, afogados em sonhos molhados com Sykes-Picot, Londres e Paris, já o estão bloqueando.
Fly me to the (guerra) moon[3]
Não há sinal algum de que o governo Obama esteja preparado, sequer, para reconsiderar a “doutrina Obama” ioiô para o Oriente Médio. Implicaria fritar o eixo sauditas-Israel e empenhar-se em esforço concentrado pelo sucesso da Conferência Genebra 2, a única saída diplomática possível para a tragédia síria.
Já argumentei noutro artigo que o imperador (farsante) não passa de um amanuense – empregado subalterno e obediente. Os que estão pagando a próxima produção letal, como a Casa de Saud, ou festejando nas coxias, como o lobby israelense, simplesmente não desistirão.
A Casa de Saud quer mudança de regime já. O lobby de Israel/AIPAC e seus patrões em Telavive querem que a guerra síria respingue massivamente e inunde o Líbano, para envolver o Hezbollah. E os Patrões Financeiros do Mundo, setores significativos do complexo industrial-militar de segurança orwelliano/Panóptico, além do ocidente governado pelas petromonarquias, querem república árabe secular integrada subalternamente ao monopólio deles, gerando lucros.
O problema é que a tal de coisa “cinética” pode ser “limitada” demais e não satisfazer o eixo saudita-Israel nem, e sobretudo, os Patrões do Universo. Ao mesmo tempo que pode ser suficientemente ilegal para caracterizar crime de guerra.
Mas, afinal, já há um contrapoder. Asia Times Online já confirmou que acontecerá reunião sumamente importante, ainda nessa semana, no Quirguistão, durante a reunião anual da Organização de Cooperação de Xangai. Imaginem: o presidente Xi Jinping da China, o presidente Vladimir Putin da Rússia e o recém eleito novo presidente do Irã Hassan Rouhani, juntos, na mesma sala, construindo a posição comum dos três sobre a Síria. O Irã ainda é observador na Organização de Cooperação de Xangai – e em breve pode ser admitido como membro pleno. É o que o eixo anglo-franco-norte-americano dedica-se a tentar impedir que aconteça.
E isso nos leva de volta a 12 anos atrás – e ao mito de que jatos de alumínio conseguiriam penetrar as paredes das Torres Gêmeas, e de que bastaria querosene para derreter instantaneamente paredes de aço e revestimento de aço e converter tudo em poeira fofa. Assistam a esse vídeo e extraiam as necessárias conclusões.[4]
Quanto àquele “mal”, a transnacional Terror Inc., nem tinha nome ainda, quando a empresa Jihad International tentava começar a recrutar, no início dos anos 1980s, através de várias instituições islamistas de caridade; em seguida os recrutados foram treinados e pagos pela CIA e pela Arábia Saudita. Até que, um dia, a coisa foi batizada – pelos EUA. – Passou a chamar “al-Qaeda”. Ou, mais corretamente, “al-CIAeda”. E foram elevados à categoria de Mal Absoluto. Essa gente fez o 11/9. E reproduziram-se como coelhos, do Mali à Indonésia. Hoje a CIA trabalha com eles, lado a lado – como fizeram na Líbia. E ansiosamente esperam que a Força Aérea dos EUA abra o caminho para eles até Damasco. Ora, é só business (da guerra). Allahu Akbar [Deus é maior].
[1] http://www.atimes.com/atimes/Middle_East/MID-03-090913.html
[2] O presidente Bashar al-Assad, sim, falou sobre armas químicas de Israel, na entrevista a Charlie Rose (em português em http://redecastorphoto.blogspot.com.br/2013/09/entrevistapresidente-da-siria-bashar-al.html) [NTs].
[3] Ouve-se em http://www.youtube.com/watch?v=1COcXJgtyl4
[4] Em http://www.youtube.com/watch?v=Rml2TL5N8ds
Fonte: A Marcha Verde
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Venezuela confirma saída da Corte Interamericana de Direitos Humanos
11 de Setembro de 2013, 11:36 - sem comentários aindaPaís sul-americano reclama que tratamento dado pelo órgão é parcial quando envolve seus casos
Por Luciana Taddeo,
Na véspera do cumprimento do prazo de um ano do pré-aviso feito pela Venezuela à Convenção Americana de Direitos Humanos, que entra em vigor nesta terça-feira (10/09), o presidente Nicolás Maduro confirmou que seu país abandonará a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (10/09) no Palácio de Miraflores, Maduro afirmou que o Sistema Interamericano de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) está “capturado” pelos interesses do Departamento de Estado dos EUA.
Segundo o presidente venezuelano, a decisão de renunciar à corte é “acertada, justa” e “defende” seu país de “qualquer tentativa de manchá-lo”. “Foi a melhor decisão que nosso comandante poderia ter tomado”, disse, em relação ao processo de renúncia da Venezuela à Corte Interamericana iniciado por Hugo Chávez, em setembro do ano passado. “A Corte e a Comissão Interamericana [CIDH] foram derivando em um instrumento de perseguição contra os governos progressistas que se iniciaram com a chegada do presidente Chávez em 1999”, expressou.
Maduro lembrou que, quando era chanceler de Chávez, promovia uma campanha pela reforma no Sistema Interamericano “que se adequasse aos novos tempos, que acabasse com a impunidade”, propondo que “investigassem casos de abuso contra a Venezuela, como no caso do golpe de Estado e nos casos de terrorismo”. “Encontramos uma muralha”, disse sobre a iniciativa de reforma, à qual “os Estados Unidos se opuseram”.
Discórdia
Um dos principais argumentos do governo chavista para a saída do Sistema Interamericano é o que consideram um reconhecimento ao governo golpista durante o golpe de Estado em abril de 2002. Na ocasião, uma ONG colombiana apresentou uma solicitação de medida cautelar para a proteção de Chávez, que havia sido sequestrado, e segundo o governo, o organismo se limitou a contatar o ministro de Relações Exteriores que seria juramentado para o gabinete "de facto", mas nunca chegou à pasta devido à curtíssima duração do golpe: três dias.
“A Comissão Interamericana foi o único organismo multilateral que reconheceu Pedro Carmona Estanga [proclamado presidente durante o sequestro de Chávez] como governo na Venezuela. Só isso já seria suficiente para que renunciássemos todos”, concluiu, citando que na comunicação formal feita com os golpistas, Chávez foi tratado como “cidadão”, embora fosse “presidente em função, constitucional, sequestrado”. “Este foi o fato mais grave público e conhecido”, exemplificou Maduro.
O presidente venezuelano afirmou ainda que o Sistema Interamericano passou a proteger terroristas condenados pela Justiça de seu país. O estopim para que Chávez formalizasse a saída da Corte foi justamente a sentença do caso do terrorista Raúl Díaz Peña, que alega ter sofrido maus tratos por parte do Estado durante seu período na prisão, antes de fugir para os EUA. Condenado pela justiça venezuelana por ataques com bombas contra sedes diplomáticas da Colômbia e da Espanha, em Caracas, em 2003, a corte internacional entendeu que Peña deveria ser indenizado para atenção médica, e por “danos imateriais”.
Na ocasião, Chávez afirmou que a corte era “indigna de levar este nome” por “se pronunciar a favor do terrorista”. “Esta inefável corte voltou a atropelar e ofender a dignidade do povo venezuelano. O mundo tem que saber, vamos sair desta corte por dignidade”, criticou. A oficialização da renúncia se deu em uma carta de pré-aviso, datada de seis de setembro do ano passado, enviada pela chancelaria venezuelana ao secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza. A mensagem fazia duras críticas à Convenção Americana de Direitos Humanos, também conhecida como Pacto de San José, com a qual se criou a Corte. Por ser integrante da OEA, a Venezuela se mantém, no entanto, na CIDH.
Fonte: Brasil de Fato
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Quem está por trás do Imperialismo Francês
10 de Setembro de 2013, 8:03 - sem comentários aindaCada questão, cada evento tem uma razão, e cada um desses porquês tem uma resposta apropriada. A atitude "imperial" da França socialdemocrata, suas incursões na Líbia, Costa do Marfim, Mali, o intervencionismo desenfreado em Síria, são absolutamente compreensíveis se analisados de acordo com o marxismo-leninismo, a ciência do proletariado, segundo esta concepção orgânica e científica do mundo que nos dá a dialética materialista.
Por Erman Dovis*, no site www.marx.it
A análise explica a conduta imprudente, não apenas de François Hollande, que é um simples porta-voz, mas dos verdadeiros patrões que tem por trás, aos quais ninguém elegeu. Um deles é, certamente, a Total, gigante multinacional do petróleo, gás natural, hidrocarbonetos e seus derivados (4º maior produtor do mundo, atrás apenas das também gigantes: Shell, BP e Exxon Mobil), também presente na indústria química, atuando em toda a cadeia de produção e também no varejo de todos os produtos listados acima, e como todos os outros conglomerados do ramo, empenhada na busca frenética por novas fontes de hidrocarbonetos e campos de mineração.
Quando anos atrás a chamada comunidade internacional, como sempre forjada e dirigida pelo imperialismo norte-americano, apontou seus holofotes sobre a junta militar birmanesa, a reação francesa frente ao pedido de imposição de sanções sobre aquele país foi contraditória.
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| Bernard Kouchner |
O então ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, procurou assegurar que a Total fosse protegida das eventuais sanções dirigidas contra o regime militar. O constrangimento deveu-se ao fato de que a Total, naquele país, possuía enormes somas de investimento e ativos financeiros, resultantes de acordos comerciais excepcionalmente favoráveis. Mas não é só: a multinacional francesa estava envolvida, entre outras coisas, em um processo liderado pela magistratura belga, que a acusava de empregar trabalho forçado sob o controle do exército birmanês, na construção de um gigantesco oleoduto.
A Total nega, alegando ter indenizado, no passado, cerca de 400 trabalhadores, e tratou de financiar uma "contrainvestigação" conduzida pelo socialista Kouchner (assalariado, não-oficialmente, com 25 mil euros), o futuro ministro das Relações Exteriores da França, conhecido por seus esforços humanitários, e que em 2003, estava livre de compromissos políticos. O relatório Kouchner, publicado no site da Total, era uma defesa solene do monopólio transnacional, que "nunca, nunca teria se prestado a desenvolver atividades em contrariedade com os princípios dos direitos humanos."
Não pretendemos nos alongar demais falando sobre outros casos de subornos e demais atos de corrupção da Total, como no caso de Basilicata, ou mesmo de outras questões graves que envolvem outras empresas petrolíferas, com atos de violação da soberania nacional, e outros autênticos crimes contra a humanidade (como é o caso da Shell na Nigéria).
Estas histórias demonstram como os monopólios privados estão em permanente conflito com os Estados e as instituições democráticas, que são permanentemente subordinados pela ação de grupos de pressão, que compram influência política, manipulam a opinião pública, buscando dominar todos os aspectos da vida, sempre orientados pelo princípio do lucro máximo, contra os interesses nacionais e, obviamente, das massas trabalhadoras.
O exército birmanês, que atua como um guardião da Total nos faz lembrar a história do episódio dos Marò italianos na Índia, exemplo da imensa dificuldade que se tem de apreender a realidade quando se nega a análise científica e dialética do proletariado. Naquela ocasião os comunistas (ou a maioria deles) se perderam em um debate tolo sobre os limites das águas territoriais, sob influência direta de nossos próprios militares e, enquanto isso, ficou obscuro o fato fundamental: que os soldados das forças armadas de um Estado soberano estavam guardando o tesouro privado de um magnata.
Para esclarecer melhor esse desejo de voltar às façanhas e expedições coloniais de Napoleão, vontade que o presidente Hollande parece personificar, basta fazer duas contas, a questão é muito simples:
A brutal e violenta concorrência intermonopolista obriga as empresas a buscar o desenvolvimento científico e tecnológico, para que se sobressaiam no mercado (ver, por exemplo, como a telefonia móvel alcançou níveis impressionantes, os equipamentos de hoje são, praticamente, computadores de bolso) e da quantidade de dinheiro necessária para as inovações é enorme.
Se nos atemos ao setor de óleo e hidrocarbonetos, as multinacionais Shell, Mobil e British Petrolium estão muito a frente das empresas no desenvolvimento de novas tecnologias de extração, em termos tanto de petróleo quanto hidrocarbonetos. São tecnologias ditas "não-convencionais" - um eufemismo para designar práticas que são altamente destrutivas e poluentes, capazes de produzir até riscos de abalos sísmicos. Tecnologias como o gás de xisto e xisto betuminoso que, esquematicamente, consistem na extração de petróleo e gás por meio do esmagamento de rochas profundas. As empresas precisam, ainda, investir no posterior processamento e transporte dos produtos, bem como na obtenção de novas fontes de extração.
A Exxon Mobil, por exemplo, gastou US$ 31 bilhões para absorver a produtora de gás XTO Energy, liquefazer o gás e transportá-lo na forma de gás natural liquefeito. A Shell investiu US$ 4,7 bilhões para obter o gerenciamento absoluto da bacia Marcellus, logo após a modificação da disposição da Administração Obama, que havia declarado que iria bloquear a perfuração no Alasca.
A Total faz parte, atualmente, de um consórcio chamado Gash, juntamente com as companhias Statoil, ExxonMobil, Gás de France Suez, Wintershall, Vermillion, Marathon Oil, Repsol, Schlumberger e Bayern-gás, que visa recursos de depósitos de gás de xisto do velho continente, particularmente em depósitos na Alemanha e na Dinamarca. Mas isso não tem sido o suficiente para suportar a competição e a apropriação de novas áreas de negócio.
Para fazer frente à concorrência o colosso petrolífero francês precisa encontrar novas áreas de atuação, especialmente no âmbito da prospecção de fontes tradicionais de energia, e deve fazê-lo com agilidade. O Mali, por exemplo, é um país com grande potencial onde foram já detectadas pelo menos cinco bacias para extração de petróleo: o diretor da Total Norte da África, Jean-François Arrighi de Casanova falou explicitamente de novo "Eldorado petrolífero" sob a área Mauritânia / Mali / Niger. Na verdade, a Total também está fortemente enraizada na Mauritânia.
Sem mencionar que o Mali é o terceiro maior produtor mundial de ouro e minério de ferro, lítio e bauxita. Mas o país africano é também uma presa desejada pelos capitalistas dos EUA e do Catar, que estão tratando de inserir-se na rica área do Sahel entre a Mauritânia e o Mali.
A impetuosidade do imperialismo francês é facilmente compreensível neste contexto em que suas multinacionais buscam impulsos corporativos de modo a evitar retrocessos em determinados setores estratégicos; este é um dos pontos que explicam essa intensificação de ações sem escrúpulos da França, como nos episódios da Líbia, Costa do Marfim, Mali e agora na Síria.
Não tínhamos aqui nenhuma pretensão de liquidar o assunto, mas somente de fazer um convite a que continuemos a investigação e pesquisa, em qualquer campo da luta de classes, pois somente por meio do estudo da realidade concreta e da análise objetiva podemos chegar à realidade dos fatos, fundamental para uma leitura acertada dos acontecimentos.
Permanece extraordinariamente relevante frase de Marx: “A história de toda sociedade existente até agora, é a história da luta de classes”.
*Membro do Comitê Central do Partido dos Comunistas Italianos (PdCI).
Traduzido por Rita Coitinho
Fonte: Vermelho
Imagens: Google


























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