Vídeo e imagem em campanha ofensiva contra a Presidenta Cristina Kirchner
октября 27, 2012 22:00 - no comments yet
Contra a lei de meios de comunicação na Argentina Banda radicada em Miami "The Rockadictos" produz vídeo ofensivo contra a Presidente Cristina Kirchner e o povo argentino.
Clique aqui para ver o vídeo
Capa da Revista Notícias na Argentina
Fonte: Youtube, Yahoo argentina
É esse o tipo de liberdade de Imprensa que os argentinos merecem???
Alguém ainda tem dúvidas de que a lei de meios de comunicação será benéfica para a Argentina?
Burgos Cãogrino
Grupo Clarín se nega a cumprir lei de meios de comunicação e convoca população para destituir Cristina kirchner
октября 26, 2012 22:00 - no comments yetGrupo Clarín se nega a cumprir lei de meios de comunicação na Argentina
Uma forte ofensiva do Grupo Clarín, com o apoio de setores da oposição, tenta evitar o cumprimento da decisão da Suprema Corte de Justiça da Argentina que deu como prazo limite o próximo 7 de dezembro para o Clarín cumprir com os termos da lei de meios audiovisuais. A ofensiva inclui uma campanha midiática antigovernamental com procedimentos que afetam em vários casos a ordem.
Por Stella Calloni, no La Jornada
A oposição no Congresso homenageou nesta quinta-feira (25) os juízes do Conselho da Magistratura que teriam que se apresentar perante a justiça para explicar as graves irregularidades na nomeação de magistrados, entre eles, o que deve agir para superar a liminar, com a qual o Grupo Clarín conseguiu até agora escapar da aplicação da lei, que estabelece um limite para cada grupo midiático de 35% do mercado, 10 licenças no espectro eletromagnético e 25% de canal a cabo.
Veja na TV Vermelho
Saiba por que Lei dos Meios argentina é um modelo para o mundo
A Suprema Corte indicou que no próximo 7 de dezembro vence o prazo da liminar que permite ao Grupo Clarín não cumprir em sua totalidade a lei sancionada pelo Parlamento há mais de 3 anos para substituir a antiga norma que vigorava desde a ditadura passada (1976-1983).
A liminar aponta para artigo 161 da lei dos meios, que obriga os grupos mediáticos com mais licenças que as permitidas pela lei, a se adequarem conforme indica a norma.
O Grupo Clarín tem mais de 240 sistemas de TV a cabo, 19 rádios AM, FM e quatro canais de TV aberta, passando a configurar um monopólio e uma rede nacional ilegal.
Cartas marcadas
Desta maneira a justiça converteu-se num cenário de batalha entre juízes — muitos deles ainda atuam desde a época da ditadura e jogam em favor de interesses econômicos, aos quais corresponderam em diversos momentos da história local.
Os oito juízes citados nesta quinta (25) prestaram depoimento na Comissão de Disciplina e Acusação no marco da denúncia das irregularidades em designações no tribunal que lida com a lei dos meios.
Também foi citado o juiz aposentado Raúl Tettamanti, que teve que renunciar após ter sido nomeado irregularmente para ditar a sentença na causa imposta pelo grupo Clarín, ao qual está ligado.
Democratizar a comunicação
Martín Sabatella, dirigente do Nuevo Encuentro, um partido de esquerda aliado ao governo, é o novo titular da Autoridade Federal de Serviços de Comunicação (AFSCA) criada pelo artigo desta lei para controlar a aplicação da mesma — alertou que é um tema transparente e que se trata de cumprir uma lei aprovada por maioria no Congresso e respaldada pela Suprema Corte.
Trata-se de democratizar a informação e terminar com redes ilegais de monopólio, que asfixiam a verdadeira liberdade de informação e expressão, disse Sabatella;
Ingerência
Diante desta situação, enquanto outros grupos já apresentaram as suas formas de desinvestimento, o Clarín se recusa a cumprir as normas e nesse ambiente incentiva uma campanha contra o governo, se fazendo de vítima dos monopólios midiáticos similares, criando um tenso cenário no país. Durante a recente reunião da patronal Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) no Brasil, seus diretores decidiram ir para a Argentina no dia 7 de dezembro para apoiar o Grupo Clarín.
“É evidente que se trata de uma ingerência nos assuntos internos de um país e da justiça deste país. Virão para impedir a aplicação de uma lei votada pela maioria?”, se perguntam os analistas locais.
Desestabilização
Acusações, perseguições contra os funcionários do governo nacional, denúncias sem provas, vale tudo. Mentem dizendo que o jornal Clarín não será mais publicado, quando nada disso existe na lei. E, além disso, se o Grupo Clarín abrir mão de tudo o que significa ter uma posição de monopólio, continuará sendo o mais poderoso do país, explicam funcionários da AFSCA.
Recentemente, houve atos de violência contra jornalistas de meios governamentais em atos da oposição. Houve também casos de grupos violentos na frente das casas de funcionários do governo e apareceram notas difamatórias contra a presidenta Cristina Fernández de Kirchner, ministros, jornalistas e profissionais que defendem a lei dos meios.
Enquanto isso, a mais forte convocatória registrada nos últimos tempos para um panelaço geral é no próximo 8 de novembro com a “tomada” da Praça de Maio.
Isto isso circula há tempos e também existem chamados de desobediência ao governo. Convocam a julgar e destituir a presidenta em termos depreciativos ou simplesmente com um breve “participe que ela vai embora”. São instâncias evidentemente golpistas e desestabilizadoras.
Fonte: Vermelho
*Tradução: Do Vermelho,
Léo Ramirez
**Intertítulos do Vermelho
Por que a América Latina é um território vigiado
октября 26, 2012 22:00 - no comments yetPor Romina Lascano
O conflito geoestratégico com a China, o futuro da América Latina e o interesse de Washington na região são o miolo do novo livro da analista Telma Luzzani, Territorios Vigilados, recentemente apresentado em Buenos Aires, que deixa claro como opera a rede de bases militares estadunidenses na América do Sul.
Segundo a autora, a ideia do livro foi amadurecendo pouco a pouco até que, em 2008, escreveu uma nota sobre a reativação por parte dos Estados Unidos da IV Frota do Comando Sul para patrulhar os Oceanos Pacífico e Atlântico.
"O que me perguntava nessa nota –assinala Telma- é por que razão os EUA teriam interesse em reativar uma frota semelhante poder de fogo no território onde, visivelmente, não havia nada que chamasse a uma guerra”.
"Falei com vários analistas e o resultado dessa nota era que, justamente, nossas riquezas, com os recursos naturais e mais as mudanças que estavam acontecendo no mundo em âmbito econômico e político, tornavam necessário para os Estados Unidos, militarizar a zona, para continuar mantendo seu poder e seu domínio”.
Depois ficou-se sabendo que o ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, naquele momento à frente do governo, havia acordado a presença de sete bases militares em seu país. Esse foi o início de uma investigação de vários anos e de um livro que tardou quase dois anos para ser publicado.
Com a colaboração dos jornalistas Emiliano Guido e Federico Luzzani, a autora começou a desenrolar o motivo que levou à instalação e manutenção das bases militares –que passaram de 14 (em 1938) para 30.000 (em 1945), das quais, ao finalizar a II Guerra Mundial, somente permaneceram abertas 2.000- sem conflito bélico à vista. Explica: "Todos os impérios tiveram bases militares. Os países que tem uma frota marítima significativa necessitam de lugares onde abastecer-se, treinar-se, acumular recursos. Então, as bases militares, na realidade, são parte da estrutura militar de uma potência”. "Quando os Estados Unidos converteram-se na maior potência juntamente com a União Soviética, após a II Guerra Mundial, decidem expandir suas bases em função de um projeto de dominação global”.
Segundo a jornalista, em cada período político e, de acordo com as circunstâncias, as bases vão mudando de características: "Uma base tradicional, grande, com muito pessoal é muito cara e é odiosa para o país que tem que alojá-la. Em geral, cria conflitos, traz problemas ambientais”. "Após a queda da União Soviética, os Estados Unidos redesenharam seu poder militar e decidiram em algum lugar deixar as bases tradicionais e, em outros, abrir novas bases ou substituir as que tinham por outras menores, dissimuladas, com pouco pessoal, que é rotativo. Para o governo que as aloja, é fácil convencer aos seus cidadãos de que não se trata de uma base militar...”.
Com relação ao critério empregado para situar as bases, a autora ressaltou que o mesmo é geoestratégico. "Está vinculado à guerra e ao comércio”. E aprofundou em uma das hipóteses de seu livro, o potencial conflito entre os Estados Unidos e a China rumo a 2016: "É somente uma projeção. 2016 será o ano assinalado pelo Banco Mundial como o momento em que, provavelmente, a China superaria aos Estados Unidos como primeira potência econômica do mundo. Os Estados Unidos não vão esperar por 2016 e que isso seja um fato consumado; essas coisas são resolvidas antes que aconteçam. Não sabemos se a China continuará o mesmo esquema expansionista dos Estados Unidos. Vamos rumo a um sistema que ainda não conhecemos”.
Nesse contexto, Luzzani analisou a papel da América Latina e ressaltou duas questões importantes. "Uma é que, pela primeira vez, os Estados Unidos têm que deslocar uma presença militar evidente, que, até que aparece a Base de Manta, isso não fazia falta porque havia uma quantidade significativa de governos militares, cuja linha de mando terminava diretamente no Pentágono. E, em segundo lugar, uma escassez de recursos naturais que, em nosso território, é abundante”.
Luzzani também busca desmascarar com seu texto a denominada irrelevância latino-americana. "Outra hipótese que trabalho no livro é o fundamento que diz que a América Latina não tem nenhuma importância para os Estados Unidos. Tento demonstrar que é exatamente ao contrário”. "É tão importante que, em geral, sempre está presente em seus primeiros objetivos sobre o que vai acontecer na região. Sem a América do Sul e a América central, os Estados Unidos não poderiam ser a potência que são”.
A jornalista argumentou que daí provém a necessidade de dominar a região e de separar o Brasil e a Argentina, união que considerou como "um dos piores pesadelos dos Estados Unidos”.
Telma Luzzani explicou que alguns fatos políticos não puderam ser incluídos no livro: "O que aconteceu com [Fernando] Lugo é importante porque eles têm uma base militar, que é a de Mariscal Estigarribia; que no Paraguai exista um governo como o de Lugo ou o de Federico Franco faz uma grande diferença. Nesse sentido, me interessava muito ampliar esse enfoque”.
Antecipou que poderia mudar algum capítulo para aprofundar sobre o processo de paz iniciado entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc): "O presidente Juan Manuel Santos surpreendeu muito. A Colômbia sempre foi o país aliado estratégico dos Estados Unidos. A presença do Plano Colômbia justificada pelo narcotráfico, pelo terrorismo, parece que vai por águas abaixo caso avance o processo de paz. Suponhamos que o processo seja um êxito e que o argumento do terrorismo e do narcotráfico se debilitam. Então, não se justificaria semelhante deslocamento militar”.
Em relação à reeleição do presidente venezuelano Hugo Chávez, a autora ressaltou que para os Estados Unidos é uma má notícia e ressaltou que esse país também está rodeado por bases militares norte-americanas. "Há bases que estão a 50 quilômetros da costa venezuelana. Estão também as bases da Colômbia. O modelo venezuelano, o tipo de política que é levado adiante na Venezuela é exatamente o que os Estados Unidos não gostariam que tivesse êxito, porque é totalmente contrário ao que eles disseram por toda a vida que era melhor”.
Na hora de desvelar se a América Latina pode libertar-se do controle norte-americano, Luzzani não deu lugar a dúvidas: "Se pensarmos nas riquezas que temos, creio que, no momento, é muito difícil que deixemos de ser um território vigiado”.
[Territorios vigilados. Como opera la red de bases militares norteamericanas en Sudamérica; Editorial Debate, Buenos Aires, 560 páginas].
Fonte: IrãNews
Tradução: Adital
Atílio Boron: Monopólios midiáticos na América Latina
октября 24, 2012 22:00 - no comments yet“Não há erro: os meios de comunicação simplesmente são grandes conglomerados empresariais que têm interesses econômicos e políticos. Na América Latina, os monopólios midiáticos têm um poder fenomenal que vêm cumprindo na função de substituir os partidos políticos de direita que caíram em descrédito e que não têm capacidade de chamar a atenção nem a vontade dos setores conservadores da sociedade”. Assim o politólogo e cientista social argentino Atilio Boron caracteriza a canalha midiática.
Por Fernando Arellano Ortiz, no Observatório Sociopolítico Latino-Americano
Nesse sentido, explica, "cumpre-se o que muito bem profetizou Gramsci há quase um século, quando disse que diante da ausência de organizações da direita política, os meios de comunicação, os grandes diários, assumem a representação de seus interesses; e isso está acontecendo na América Latina”. Em praticamente todos os países da região, os conglomerados midiáticos converteram-se em "operadores políticos”.
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| Atilio Boron |
Tópicos como a crise estrutural do capitalismo, o fenômeno da manipulação dos monopólios midiáticos e o que significa para a América Latina o triunfo de Hugo Chávez foram tratados com profundidade por esse destacado politólogo, sociólogo e investigador social, doutorado em Ciências políticas pela Universidade de Harvard e, atualmente, diretor do Programa Latino-americano de Educação a Distância em Ciências Sociais do Centro Cultural da Cooperação Floreal Gorini, na capital argentina.
Rumo a um projeto pós-capitalista
No desenvolvimento de sua exposição no encontro da Universidad Popular de Madres de la Plaza de Mayo, Boron analisou o contexto da crise capitalista.
"Hoje em dia é impossível referir-se à crise e à saída da mesma sem falar do petróleo, da água e das questões meio ambientais. Essa é uma crise estrutural e não produto de uma má administração dos bancos das hipotecas subprime”.
Recordou que, recentemente, foram apresentadas propostas por parte dos Prêmios Nobel de Economia para tornar mais suave a débâcle capitalista. Uma, a esboçada por Paul Krugman, que propõe revitalizar o gasto público. O problema é que os Estados Unidos estão quebrados e o nível de endividamento das famílias nos Estados Unidos equivale a 150% dos ingressos anuais. "Krugman propõe dar crédito ao Estado para que estimule a economia. Porém, os Estados Unidos não têm dinheiro porque decidiram salvar os bancos”.
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| Amartya Sem |
A crise capitalista serviu para acumular riqueza em poucas mãos, uma vez que "o que os democratas capitalistas fizeram no mundo desenvolvido foi salvar os banqueiros, não os endividados, ou seja, as vítimas”.
Exemplificou com as seguintes cifras: enquanto o ingresso médio de uma família nos Estados Unidos é de 50 mil dólares ao ano, o daqueles de origem latina é de 37 mil e o de uma família negra é de 32 mil, o diretor executivo do Bank of America, resgatado, cobrou um salário de 29 milhões de dólares.
Então, é evidente que cada vez mais há uma tendência mais regressiva de acumular riqueza em poucas mãos. Em trinta anos, o ingresso dos assalariados foi incrementado em 18% e o dos mais ricos cresceu 238%.
"No capitalismo desenvolvido houve uma mutação e os governos democráticos transformaram-se em plutocracias, governos ricos”. Porém, além disso, "o capitalismo se baseia na apropriação seletiva dos recursos”.
Por isso, citando o economista egípcio Samir Amin, Boron afirma sem medo que "não há saída dentro do capitalismo”.
Como alternativa, Boron sustenta que "hoje, pode-se pensar em um salto para o modelo pós-capitalista. Há algo que pode ser feito até que apareçam os sujeitos sociais que darão o ‘tiro de misericórdia’ no capitalismo. O que se pode fazer é desmercantilizar tudo o que o capitalismo mercantilizou: a saúde, a economia, a educação. Assim, estaremos em condições de ver o amanhecer de um mundo mais justo e mais humano”.
A reeleição na venezuela
Sobre a matriz de opinião que os monopólios midiáticos da direita têm tentado impor no sentido de que a reeleição do presidente Chávez é um sintoma de que ele quer se perpetuar no poder, a análise de Boron foi contundente:
"Há um grau de hipocrisia enorme nesse tema, porque os mesmos que se preocupam com o fato de Chávez estar por 20 anos no governo, aplaudiam fervorosamente a Helmut Kohl, que permaneceu no poder por 18 anos, na Alemanha; ou Felipe González, por 14 anos, na Espanha; ou Margaret Thatcher, por 12 anos, na Inglaterra”.
"Há um argumento racista que diz que somos uma raça de corruptos e imbecis; que não podemos deixar que as pessoas mantenham-se muito tempo no poder; ou há uma conveniência política, que é o que acontece ao tentarem limar as perspectivas de poder de líderes políticos que não são de seu agrado. Agora, se Chávez instaurasse uma dinastia onde seu filho e seu neto herdassem o poder, eu estaria em desacordo. Porém, o que Chávez faz é dizer ao povo que eleja; e, em âmbito nacional, por um período de 13 anos, convocou o povo venezuelano para 15 eleições, das quais ganhou 14 e perdeu uma por menos de um ponto; e, rapidamente, reconheceu sua derrota. Então, não está dito em nenhum lugar sério da teoria democrática que tem que haver alternância de lideranças, na medida que essa liderança seja ratificada em eleições limpas e pela soberania popular”.
Tradução: Adital
Fonte: Vermelho
Imagem: Google
A paz é possível
октября 24, 2012 22:00 - no comments yetAs intervenções de Humberto de La Calle Lombana e de Iván Márquez na instalação da Mesa de Diálogos em Oslo, Noruega, na quinta-feira da semana passada (18) colocaram as enormes diferenças e contradições políticas e ideológicas entre as duas partes, o que revela a complexidade dos debates e discussões que ocorrerão em Havana, Cuba.
Por Carlos Lozano*
Era previsível, pois se trata de partes antagônicas que não se reúnem para trocar elogios, mas para discutir suas diferenças.
Iván Márquez representa uma guerrilha que por anos tem buscado o poder pela via das armas, com uma proposta revolucionária de transformação avançada da sociedade.
Enquanto Humberto de La Calle Lombana é o porta-voz de um governo que considera inamovível o modelo atual de acumulação de economia de livre economia neoliberal, em crise nos países capitalistas mais desenvolvidos do planeta.
Não há razão,então, para tanto protesto, desespero e pessimismo que fomentam os grandes meios de comunicação.
O discurso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército Popular (Farc-EP) não se afasta muito do que um partido político de esquerda ou um sindicato e organização populares defenderiam no marco da precariedade da democracia. O governo deveria pensar até onde está disposto a chegar, se é que se quer a paz, nas mudanças políticas, sociais e econômicas para erradicar as eternas causas do conflito colombiano.
A agenda não exclui a possibilidade de que no desenvolvimento de seus pontos se tenham em conta os graves problemas nacionais, como o estão exigindo setores sociais que são excluídos do processo de paz. Não se trata de reformas maximalistas, mas sim de acordos que fortaleçam a democracia e a justiça social. São essas as causas do conflito e a razão de ser de um novo pacto político e social para uma paz estável e duradoura.
Ao governo e ao grande capital não agradam as mudanças progressistas e de maior equidade social; sentem medo das reformas democráticas porque elas ameaçam seu enorme poder político e econômico. Ficou demonstrado nos processos de paz anteriores com as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN), todos frustrados, porque quando era inevitável abordar os temas de fundo buscaram com afã o pretexto para a ruptura. Nesta ocasião, como existe a agenda acordada e de entrada têm que abordá-la, pretendem reduzi-la à mínima expressão.
Como tudo, como o começo foi de apresentação das posições, não há por que entrar em desespero, pois ambas as partes declararam a vontade de paz. É imprescindível a criatividade e a audácia para aplainar o caminho à solução política dialogada. O mais importante é buscar o silêncio dos fuzis e isso dependerá da profundidade das mudanças. Ambas as partes estão em pé de igualdade e de condições. O governo e os grandes meios de comunicação devem abandonar a falácia de que a guerrilha está derrotada e de que golpeando-a será obrigada a render-se.
Esse método fracassou ao longo de quase cinco décadas e só serviu para prolongar o conflito de maneira indefinida. Sobra a advertência de que o governo não seja refém do processo com inspiração a ultimato. O balanço periódico deve ser para dinamizar o diálogo, não para acabá-lo. O tempo deve ser razoável, o necessário para abordar uma agenda que é de discussão e sobre a qual ainda não existe um só acordo.
Os grandes meios de comunicação deram um mau exemplo ao saírem do ar quando começou a coletiva de imprensa com os porta-vozes das Farc. Sinal de intolerância e de infantil retaliação.
(*) Diretor do semanário colombiano Voz
Fonte: www.pacocol.org
Retirado do site Vermelho
Imagem: Google
O sonho do ministro Joaquim Barbosa pode virar pesadelo
октября 22, 2012 22:00 - no comments yetVia Jader Resende
Publicado originalmente em 11 de outubro de 2012 – AfroPress - por Ramatis Jacino
Enviado por Alfredo Pereira dos Santos
Extraído do blog “Em lugar de uma carta”
Comentário de Adriano Ferrarez: Brilhante esse texto de Ramatis Jacino. É uma das melhores reflexões que li nos últimos tempos. Traz à tona a ilusão de muitos “fodidos”, como diria Oscar Niemeyer, que se embriagam com a ascensão e viram as costas para a sua origem de classe e se aliam com as elites. Esse texto de Ramatis lança luz classista sobre esse episódio do julgamento do mensalão.
Importante também a reflexão que faz sobre alguns militantes que como diria Raulzito: “Travam a inútil luta com os galhos, sem saber que é lá no tronco que tá o curinga do baralho”. Joaquim Barbosa verá seu sonho virar pesadelo logo, logo. Matéria do jornal dos Marinhos de 30 de setembro de 2012 traz como título:
“E depois do mensalão? Entre a firmeza e o destempero, um futuro desafiador - Amigos e até rivais tentam erguer blindagem para evitar tensões na gestão de Barbosa à frente do STF”
Já começou e a tendência é piorar. Leiam mais de uma vez se puderem. Esse texto é uma verdadeira aula.
Negros que escravizam e vendem negros na África, não são meus irmãos
Negros senhores na América a serviço do capital, não são meus irmãos
Negros opressores, em qualquer parte do mundo, não são meus irmãos...
Solano Trindade
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| *Ramatis Jacino, presidente do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (INSPIR) |
O racismo, adotado pelas oligarquias brasileiras para justificar a exclusão dos negros no período de transição do modo de produção escravista para o modo de produção capitalista, foi introjetado pelos trabalhadores europeus e seus descendentes, que aqui aportaram beneficiados pelo projeto de branqueamento da população brasileira, gestado por aquelas elites.
Impediu-se, assim, alianças do proletariado europeu com os históricos produtores da riqueza nacional, mantendo-os com ações e organizações paralelas, sem diálogos e estratégias de combate ao inimigo comum. Contudo, não há como negar que o conjunto de organizações sindicais, populares e partidárias, além das elaborações teóricas classificadas como “de esquerda”, sejam aliadas naturais dos homens e mulheres negros, na sua luta contra o racismo, a discriminação e a marginalização a que foram relegados.
No campo oposto do espectro ideológico e social, as organizações patronais, seus partidos políticos e as teorias que defendem a exploração do homem pelo homem, que classificamos de “direita”, se baseiam na manutenção de uma sociedade estamental e na justificativa da escravidão negra, como decorrência “natural” da relação estabelecida entre os “civilizados e culturalmente superiores europeus” e os “selvagens africanos”.
É equivocada, portanto, a frase de uma brilhante e respeitada filósofa negra paulistana de que “entre direita e esquerda, eu sou preta”, uma vez que coloca no mesmo patamar os interesses de quem pretende concentrar a riqueza e poder e àqueles que sonham em distribuí-la e democratizá-la. Afirmação esta, que pressupõe alienação da população negra em relação às disputas políticas e ideológicas, como se suas demandas tivessem uma singularidade tal que estariam à margem das concepções econômicas, de organização social, políticas e culturais, que os conceitos de direita e esquerda carregam.
As elites brasileiras sempre utilizaram indivíduos ou grupos, oriundos dos segmentos oprimidos para reprimir os demais e mantê-los sob controle. Capitães de mato negros que caçavam seus irmãos fugidos, capoeiristas pagos para atacarem terreiros de candomblé, incorporação de grande quantidade de jovens negros nas polícias e forças armadas, convocação para combater rebeliões, como a de Canudos e Contestado, são exemplos da utilização de negros contra negros ao longo da nossa história.
Havia entre eles quem acreditasse ter conquistado de maneira individual o espaço que, coletivamente, era negado para o seu povo, iludindo-se com a idéia de que estaria sendo aceito e incluído naquela sociedade. Ansiosos pela suposta aceitação, sentiam necessidade de se mostrarem confiáveis, cumprindo a risca o que se esperava deles, radicalizando nas ações, na defesa dos valores dos poderosos e da ideologia do “establishment” com mais vigor e paixão do que os próprios membros das elites. A tragédia, para estes indivíduos – de ontem e de hoje - se estabelece quando, depois de cumprida a função para a qual foram cooptados são devolvidos à mesma exclusão e subalternidade social dos seus irmãos.
São inúmeros os exemplos deste descarte e o mais notório é a história de Celso Pitta, eleito prefeito da maior cidade do país, apoiado pelos setores reacionários, com a tarefa de implementar sua política excludente.
Depois de alçado aos céus, derrotando uma candidata de esquerda que, quando prefeita privilegiou a população mais pobre – portanto, negra – foi atirado ao inferno por aqueles que anteriormente apoiaram sua candidatura e sua administração. Execrado pela mídia que ajudou a elegê-lo, abandonado por seus padrinhos políticos, acabou processado e preso, de forma humilhante, de pijama, algemado em frente às câmeras de televisão. Morreu no ostracismo, sepultado física e politicamente, levando consigo as ilusões daqueles que consideram que a questão racial passa ao largo das opções político/ideológicas.
A esquerda, por suas origens e compromissos, em que pese o fato de existirem pessoas racistas que se auto intitulam de esquerda, comporta-se de maneira diversa: foi um governo de esquerda que nomeou cinco ministros de Estado negros; promulgou a lei 10.639, que inclui a história da África e dos negros brasileiros nos currículos escolares; criou cotas em universidades públicas; titulou terras de comunidades quilombolas e aprofundou relações diplomáticas, econômicas e culturais com o continente africano.
O sonho realizado...
Joaquim Barbosa se tornou o primeiro ministro negro do STF como decorrência do extraordinário currículo profissional e acadêmico, da sua carreira e bela história de superação pessoal. Todavia, jamais teria se tornado ministro se o Brasil não tivesse eleito, em 2003, um Presidente da República convicto que a composição da Suprema Corte precisaria representar a mistura étnica do povo brasileiro.
Com certeza, desde a proclamação da República e reestruturação do STF, existiram centenas, talvez milhares de homens e mulheres negras com currículo e história tão ou mais brilhantes do que a do ministro Barbosa.
Contudo, nunca passou pela cabeça dos presidentes da República – todos oriundos ou a serviço das oligarquias herdeiras do escravismo – a possibilidade de indicar um jurista negro para aquela Corte. Foi necessário um governo de esquerda, com todos os compromissos inerentes à esquerda verdadeira, para que seu mérito fosse reconhecido.
A despeito disso, o ministro Barbosa, em uníssono com o Procurador Geral da República, considera não haver necessidade de provas para condenar os réus da Ação Penal 470. Solidariza-se com as posições conservadoras e evidentemente ideológicas de alguns dos demais ministros e, em diversas ocasiões procura ser “mais realista do que o próprio rei”.
Cumpre exatamente o roteiro escrito pela grande mídia ao optar por condenar não uma prática criminosa, mas um partido e um governo de esquerda em um julgamento escandalosamente político, que despreza a presunção de inocência dos réus, do instituto do contraditório e a falta de provas, como explicitamente já manifestaram mais de um dos integrantes daquela Corte.
Por causa “desses serviços prestados” é alçado aos céus pela mesma mídia que, faz uma década, milita contra todas as iniciativas promotoras da inclusão social protagonizadas por aquele governo, inclusive e principalmente, àquelas que tentam reparar as conseqüências de 350 anos de escravidão e mais de um século de discriminação racial no nosso país.
O ministro vive agora o sonho da inclusão plena, do poder de fato, da capacidade de fazer valer a sua vontade. Vive o sonho da aceitação total e do consenso pátrio, pois foi transformado pela mídia em um semideus, que “brandindo o cajado da lei, pune os poderosos”.
Não há como saber se a maximização do sonho do ministro Joaquim Barbosa é entrar para a história como um juiz implacável, como o mais duro presidente do STF ou como o primeiro presidente da República negro, como já alardeiam, nas redes sociais e conversas informais, alguns ingênuos, apressados e “desideologizados” militantes do movimento negro.
O fato é que o seu sonho é curto e a duração não ultrapassará a quantidade de tempo que as elites considerarem necessário para desconstruir um governo e um ex-presidente que lhes incomoda profundamente.
Elaborar o maior programa de transferência de renda do mundo, construir mais de um milhão de moradias populares, criar 15 milhões de empregos, quase triplicar o salário mínimo e incluir no mercado de consumo 40 milhões de pessoas, que segundo pesquisas recentes é composto de 80% de negros, é imperdoável para os herdeiros da Casa Grande. Contar com um ministro negro no Supremo Tribunal Federal para promover a condenação daquele governo é a solução ideal para as elites, que tentam transformá-lo em instrumento para alcançarem seus objetivos.
O sonho de Joaquim Barbosa e a obsessão em demonstrar que incorporou, na íntegra, as bases ideológicas conservadoras daquele tribunal e dos setores da sociedade que ainda detém o “poder por trás do poder” está levando-o a atropelar regras básicas do direito, em consonância com os demais ministros, comprometidos com a manutenção de uma sociedade excludente, onde a Justiça é aplicada de maneira discricionária.
A aproximação com estes setores e o distanciamento dos segmentos a quem sua presença no Supremo orgulha e serve de exemplo, contribuirão para transformar seu sonho em pesadelo, quando àqueles que o promoveram à condição de herói protagonizarem sua queda, no momento que não for mais útil aos interesses dos defensores do “apartheid social e étnico” que ainda persiste no país.
Certamente não encontrará apoio e solidariedade nos meios de esquerda, que são a origem e razão de ser daquele que, na Presidência da República, homologou sua justa ascensão à instância máxima do Poder Judiciário. Dos trabalhadores das fábricas e dos campos, dos moradores das periferias e dos rincões do norte e nordeste, das mulheres e da juventude, diretamente beneficiados pelas políticas do governo que agora é atingido injustamente pela postura draconiana do ministro, não receberá o apoio e o axé que todos nós negros – sem exceção – necessitamos para sobreviver nessa sociedade marcadamente racista.
*Ramatis Jacino é professor, mestre e doutorando em História Econômica pela USP e presidente do INSPIR – Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial.
Fonte: Jader Resende
Paraguaios se manifestam contra multinacional do Canadá
октября 22, 2012 22:00 - no comments yetParaguaios rechaçam instalação multinacional canadense no país
O Paraguai continua enfrentando as consequências do Golpe de Estado que tirou derrubou o presidente eleito, Fernando Lugo. Sem resposta do então governo golpista de Federico Franco, a população mais uma vez se manifesta.
Dessa vez o motivo é a instalação da multinacional canadense Río Tinto Alcán que, segundo os movimentos organizados, pretende pagar um preço bem inferior ao que está estabelecido no mercado internacional pela energia produzida pelas usinas Itaipu e Yacyretá.
Há alguns meses, se lançou uma campanha para coletar 1.000 assinaturas contra a instalação da Rio Tinto Alcán. Em comunicado, se denunciava que as negociações e a intenção de abrir as portas para uma transnacional sem a devida consulta do povo feria a soberania do país, uma vez que se trata de recursos naturais, como a água e a energia elétrica.
"Desde o início da campanha ‘Não ao Golpe de Río Tinto Alcán’, denuncia a mencionada multinacional ligada à máfia local e ao narcotráfico com representação parlamentar, repudiando igualmente a quebra do processo democrático do país, sofrida no mês de junho”, afirmava o comunicado.
O trecho faz menção ao fato de o Canadá ter sido o terceiro país – depois do Vaticano e Alemanha – a reconhecer o governo ilegítimo, resultado do Golpe de Estado ocorrido em junho deste ano no país. Os movimentos apontam que a instalação da empresa hidrelétrica já seria de interesse do governo canadense.
De acordo com a Campanha, a Rio Tinto Alcán pretende pagar 38 dólares por megawatts da energia paraguaia, quando o custo real seria de 60 megawatts. A construção de duas turbinas – uma e Itaipú e outra em Yaciretá ficariam livres de impostos, os quais seriam pagos pelos cidadãos e cidadãs paraguaios.
Relembrando
Por Silvio Núñez
Parece ter passado despercebido na imprensa internacional que um dos primeiros países, depois do Vaticano e da Alemanha, que reconheceu o novo governo instalado no Paraguai mediante um golpe parlamentar, foi o Canadá. O governo do Canadá, através de sua embaixada de Buenos Aires, vem realizando desde 2009 um intenso lobby a favor da indústria extrativa Río Tinto Alcán que quer se instalar nesse país sul-americano.
Mas, o quê representa a Río Tinto Alcán ?
A Río Tinto Alcán (RTA) é a segunda maior produtora de alumínio no mundo, se dedica também a extração de diversos minerais e tem presença nos cinco continentes.
As denúncias contra a RTA incluem acusações de genocídio e crimes de lesa humanidade.
Em Papua Nova Guiné, ilha de Bougainville, a empresa é acusada de ter instigado, em 1980, um levante armado que provocou o uso de forças militares e milhares de mortos. A seguir, depois que os trabalhadores começaram a sabotar a mina, em 1988, a Rio Tinto foi acusada de conspirar para impor um bloqueio que resultou na morte de cerca de 10 mil civis até 1997. O caso se encontra atualmente na Corte dos EUA, no caso "Sarei et al v. Rio Tinto Plc et al", 9ª Corte de Apelações, N° 02-56256.
O jornalista paraguaio Guido Rodríguez Alcalá faz uma breve mas contundente história da RTA no mundo: apoio ao regime racista da África do Sul; o governo da Noruega pôs a RTA na lista negra por atentar contra o meio ambiente e os direitos humanos; por razões similares, o movimento “Fora do Pódio” deseja eliminar a RTA como patrocinadora dos Jogos Olímpicos... E a lista continua.
O investimento no Paraguai: um enorme consumo de energia
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| Francisco Rivas |
Posição complacente e crítica do Governo
Depois de duas audiências públicas realizadas pelo mesmo governo, a batalha na opinião pública parecia dividida. Por ser um assunto sumamente popular e com um apoio majoritário, o investimento da Río Tinto Alcán começou a gerar opiniões críticas dos mais diversos setores.
As opiniões mostram sua máxima polarização quando o então vice-presidente critica publicamente a vice-ministra de Minas e Energia, segundo publicação do jornal Ultima Hora, de 30 de maio passado: “Então, eu disse ao presidente da República (Lugo): para que me enviou ao Canadá e nos pôs a estudar isto, se no final uma vice-ministra (Mercedes Canese) vai se opor. Eu tenho o direito de pensar que o que se pretende é continuar favorecendo a economia brasileira, porque não cabe na minha cabeça que, podendo vender energia muito mais cara que a que cedemos ao Brasil, gerando emprego, impostos e divisas, tenha gente que se oponha a este projeto”. Similares publicações podem ser vistas em outros meios.
A afirmação de Franco é um falso dilema, pois a venda de energia do Paraguai de Itaipú ao Brasil gera divisas para o desenvolvimento e o investimento e, além disso, o que a RTA se propõe é pagar preços inferiores - inicialmente 32 US$/Mwh e atualmente 42 US$/Mwh - aos que o Brasil paga e que, embora ao preço atual de 52,2 US$/Mwh, somente produzem um pequeno beneficio (8,4US$/Mwh) e cobrem ao mesmo tempo os custos de produção (43,8US$/Mwh).
A RTA pressiona o governo para iniciar negociações
Depois das declarações de Federico Franco, a empresa manifestou seu interesse em iniciar as negociações com o governo, pressionando sobre o cronograma de instalação da planta. Assim, no dia 13 de junho foi publicada nos meios de comunicação a visita dos representantes da RTA ao Chefe de Gabinete da Presidência da República. Na oportunidade, seu representante, o hispano-brasileiro Juan Pazos, afirmou: “Consideramos, depois de três anos e meio que estamos no Paraguai, que o governo já tem todas as informações que necessita”. "Evidentemente, um tema central é o preço da energia. Não se pode discutir o preço da energia, sem discutir o resto. Formam parte de um pacote”. A multinacional não informou o valor que considera "ideal" pela energia paraguaia.
O golpe em gestação
Dois dias depois, em 15 de junho, aconteceu a tragédia de Curuguaty. Uma juíza determinou uma ordem de busca e apreensão a pedido do empresário colorado Blas M. Riquelme, para resguardar sua suposta propriedade privada. A ação é coordenada pela promotoria e termina com a morte de 18 campesinos e policiais. No lugar, que depois a própria imprensa indicaria que eram terras públicas usurpadas por Blas M. Riquelme, havia menos de 50 pessoas no momento do massacre.
O resto é história. Nesse mesmo dia, Fernando Lugo substituiu Carlos Filizzola (da Frente Guasú) no Ministério do Interior pelo colorado, ex- Procurador Geral do Estado, Rubén Candia Amarilla, responsável por mais de 1000 denúncias de movimentos sociais e vinculado a Camilo Soares, ex- Secretário de Emergência Nacional, acusado por malversação e membro do primeiro círculo de Fernando Lugo. Na segunda-feira, 18 de junho, a Frente Guasú expressou seu desacordo com dita designação, junto com o Partido Liberal Radical Autêntico (partido de Federico Franco e Francisco Rivas) e, para mais desconcerto, a própria Associação Nacional Republicana, Partido Colorado, criticou sua nomeação.
Na quinta-feira, 21 de junho, a Câmara de Deputados aprovou a abertura de um processo político contra Fernando Lugo. No dia seguinte, 22 de junho, o Senado aprovou em tempo recorde o afastamento do presidente.
Golpe parlamentar
A notícia do jornal La Tercera, do Chile, reproduz a declaração do Secretário geral da OEA, José Miguel Insulza “...que, reconhecendo que o artigo 225 da Constituição do Paraguai confere faculdades à Câmara de Deputados para iniciar um juízo político e ao Senado para atuar como tribunal, "a comunidade internacional formulou dúvidas fundadas sobre o cumprimento das normas contidas nos artigos 17 e 18 da Constituição do Paraguai e nos tratados internacionais subscritos por esse país, que consagram os princípios universais do devido processo e do legítimo direito de todo processado de defender-se, usando todos os recursos processuais, contando para isso com prazos suficientes entre o inicio do juízo e sua conclusão"...”.
O presidente do Paraguai teve menos de 24 horas para preparar sua defesa e não foram apresentadas provas - exceto fotocópias e publicações da imprensa - para formalizar as acusações.
Transnacionais, entre elas a RTA, as primeiras beneficiadas com o golpe
Corretamente, analistas políticos atribuíram aos grandes oligopólios da produção de grãos como os principais beneficiados do golpe de Estado contra Fernando Lugo. Lugo foi submetido a um sumaríssimo juízo político pela matança de Curuguaty, que desnuda uma realidade que não pode ser ignorada: oito milhões de terras mal havidas que não foram recuperadas pela Justiça, e o Paraguai com a pior distribuição da terra na região. Apesar de a ordem de despejo ter sido ditada por uma juíza e o operativo policial dirigido por uma fiscal, o julgado foi Fernando Lugo.
Entretanto, se esqueceram de um ator chave: a RTA.
Em seu discurso de posse, Federico Franco se referiu longamente ao tema energético, “Também impulsionará o setor energético para utilizar a energia gerada nas hidroelétricas de Itaipú e Yacyretá e "que ninguém tenha que ir ao exterior procurar trabalho".”
O Canadá reconheceu imediatamente. Logo em seguida, o nome de Francisco Rivas foi confirmado como Ministro de Indústria e Comércio e lobista da RTA. Evidentemente, as razões são milhões.
Fonte: Carta Maior, Vermelho
Imagem: Google
EUA testaram armas químicas em pobres e negros durante a Guerra Fria, diz pesquisadora Nas décadas de 1950 e 1960, periferia da cidade de Saint Louis, no Missouri, serviu de cobaia em testes de compostos tóxicos
октября 22, 2012 22:00 - no comments yet![]() |
| Lisa Martino-Taylor |
Leia a íntegra do estudo aqui (em inglês)
Segundo o estudo, as Forças Armadas dos EUA patrocinaram os testes especificamente em áreas socialmente segregadas, de elevada densidade populacional, onde a predominância era de cidadãos negros e de baixo poder aquisitivo. Em entrevista ao jornal local KSDK, ela se disse "muito chocada com o grau de falsidade e sigilo” das autoridades responsáveis pelas operações. “Eles claramente se esforçaram ao máximo para enganar as pessoas”, concluiu.
Os testes de armas químicas sobre humanos teriam sido produto do que Lisa chama de Coalizão Manhattan-Rochester, um programa de pesquisas do governo norte-americano que tentou mensurar no contexto da Guerra Fria o impacto de reações radioativas no organismo humano. Experimentos semelhantes também teriam ocorrido na cidade de Corpus Christi, estado do Texas.
A maior parte dos compostos tóxicos era despejada por meio de aviões durante voos rasantes sobre os alvos. No entanto, Lisa alega que pulverizadores também eram posicionados no alto de arranha-céus e torres meteorológicas da região. Em 1953, foram ao todo 16 testes – não menos que 35 disparos de sulfeto de zinco e cádmio em Saint Louis. A vizinhança mais afetada é descrita por Lisa como "uma favela densamente povoada”, onde residiam cerca de 10 mil cidadãos de renda baixa, em sua maioria crianças.
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| Imagem de aviões norte-americanos pulverizando agentes químicos no Vietnã. |
Esclarecimentos
Surpresos com os resultados obtidos por Lisa, parlamentares estaduais pediram esclarecimentos às Forças Armadas nesta segunda-feira (22/10). "A idéia de que milhares de cidadãos do Missouri foram expostos a materiais tóxicos contra a própria vontade para determinar seus efeitos sobre a saúde é absolutamente chocante. Não deveria ser surpresa que estas pessoas e suas famílias estejam exigindo respostas dos oficiais do governo", disse à AP o senador estadual republicano Roy Blunt.
A democrata Claire McCaskill, colega de Blunt, também pediu maiores esclarecimentos ao secretário do Exército, John McHugh."Tanto o Senado quanto a Câmara dos Comuns conduziram investigações ao longo dos anos 1990, mas nada nunca foi concluído, explica Lisa Martino-Taylor. Para ela, o pior erro foi "jamais ter procurado aqueles que realmente foram afetados".
Radiotividade
A pesquisa não foi capaz de concluir com precisão se realmente havia compostos radioativos em meio à mistura de sulfeto de cádmio e zinco. Em sua entrevista ao jornal KSDK, Lisa diz que “há várias evidências de que houve compostos radiológicos envolvidos no experimento”.
Sua hipótese principal é de que a esta mistura foram adicionadas partículas fluorescentes, utilizadas para “iluminar” os alvos e identificá-los para outros testes. Há suspeita de que uma companhia chamada US Radium esteve envolvida com esta parte do experimento."US radium já havia sido legalmente responsabilizada por produzir uma tinta radioativa que matou diversas pintoras de azulejos radioativos”, alega.
Questionada sobre os futuros passos de sua pesquisa, ela revela que o importante foi ter revelado "que tudo isso foi uma violação de toda a ética médica, de todos os códigos internacionais e até mesmo de todo o regimento militar da época”.
Fonte: Opera Mundi
Se nas décadas de 1950 e 1960 o Governo dos EUA pulverizava com sulfeto de cádmio e zinco a própria população americana, então imaginemos o que será que os EUA já utilizaram e continuam utilizando para pulverizar o restante da humanidade?
Os EUA deveriam ganhar o "PRÊMIO NOBEL de ATROCIDADES" cometidas contra a humanidade.
Alguém ainda tem dúvidas sobre isto???
(Burgos Cãogrino)
Líbia - Não esqueço e não perdôo
октября 19, 2012 21:00 - no comments yetPor Purificación González de la Blanca
Colectivo Internacional Ojos para la Paz, Plataforma Global contra las Guerras
Hoje (20/10/2011) faz um ano do brutal linchamento e assassinato (e vilipêndio de seu cadáver) do Coronel Kadhafi, nas mãos dos mercenários da OTAN. Com este magnicídio foi também assassinada a Revolução Líbia, La Jamahiriya, que havia obtido êxitos tão significativos que um mês antes do famoso "corredor aéreo", o governo líbio havia sido homenageado pela ONU por suas importantes conquistas sociais.
Desde então, a Líbia está mergulhada no caos, desaparecida como estado, invadida por milhões de mercenários estrangeiros dedicados a uma terrível caça as bruxas, em que as torturas e assassinatos estão na ordem do dia, e onde até os membros do governo imposto tem a nacionalidade estaduniense. Grande parte deles, inclusive, vivem nos EUA. Na Líbia onde a bandeira da Al Qaeda e o pseudo-governo estão implantando a Sharia. O próprio presidente do Palamento líbio é norte-americano, o que parece ser um caso único na história. O país que foi rico, e com o maior índice de desenvolvimento humano de toda a África hoje é um monte de escombros, com seus bancos, seu petróleo e seus recursos hídricos saqueados; e seus hospitais, escolas, portos, redes de abastecimento de água, rebanhos, cultivos, etc..., destroçados pelos bombardeios da OTAN.
Enquanto estou a escrever, o Presidente do Conselho Tribal Líbio (a saber, o único representante legítimo desse país) está dirigindo-se a Ojos para la paz - o que com honrosas exceções são negados pela mídia ocidental - para poder informar do cerco a Bani walit, e o bombardeio com gás sarín, que estão padecendo - e provavelmente também com fósforo -, terminantemente proibidos pela Convenção de Genebra, mas empregados generosamente no extermínio da Tribo dos Warfalas. Conforme recomendado pelo general Enrique Ayala: "as tribos - que não se rendem- devem ser convencidas política...ou militarmente". Os hospitais estão repletos de enfermos e mortos sem que nada mova um dedo por esta cidade previamente marcada na lista negra da autodenominada "Comunidade Internacional". As imagens são assustadoras.
Necessitam urgentemente de médicos e medicamentos.
Kadhafi - como todos os governantes de países petrolíferos que não se dobraram as imposições do ocidente - teve uma campanha de mídia em curso contra ele. Até mesmo a CIA orquestrou um ataque que acusou a Líbia (outro Maine), a Lockerbie,segundo numerosas provas.
Assim jornalistas escoceses revelaram que o atentado de Lockerbie, em 1988, um avião da Pan American que explodiu sobre esta localidade escocesa, foi preparado nos EUA pela CIA.
Depois de longas investigações se declarou culpado do atentado 0 líbio Abdelbaset Ali Mohamed al Megrahi, condenado na Escócia a prisão perpétua e libertado por padecer de uma enfermidade grave. Recentemente soube-se que durante o julgamento deste caso que as testemunhas contra o réu haviam sido subornados.
A jornalista escocesa Lucy Adams descobriu fatos chocantes que foram escondidos cuidadosamente:
"Acontece que o departamento de justiça dos EUA pagou uma quantia enorme de dinheiro para as testemunhas chaves da acusação, Paul Gauci e Tony Gauci. O último é proprietário de uma loja em Malta, que disse que Megrahi comprou a roupa que posteriormente foi encontrada na maleta onde estava a bomba. Esta foi a declaração chave contra o líbio acusado.
E agora sabemos que Anthony Gauci antes do julgamento necessitava desesperadamente de dinheiro, pelo qual recebeu 2 bilhões de dólares do Departamento de Justiça norteamericano depois de fazer sua declaração em juizo", disse em um comunicado a jornalista.
"A realidade é que a Líbia sempre negou ser responsável pelo atentado, acreditando que estava sendo objeto de chantagem pelas potências ocidentais, mas concordou em pagar uma indenização às vítimas, de 2.700 milhões de dólares, em troca da suspensão das sanções econômicas que as potências tinham decretado contra ela. Kadhafi acreditou que, se resolvido a todo o custo as várias disputas entre os Estados Unidos e seu país, poderia começar a parar os preparativos de guerra da OTAN. A história acabou provando que seu cálculo estava errado, e também mostrou que a OTAN não tem falta de imaginação quando se trata de inventar novas desculpas para justificar as guerras que já tem pré-planejadas".
Em um famoso documentário entitulado The Maltese Double Cross-Lockerbie, o jornalista Allan Francovich demonstra também que o famoso atentado foi perpetrado na realidade por um agente dos EUA.
Líbia era um centro de prosperidade, com a maior renda per capita e índice de desenvolvimento humano na África, de acordo com PNUD: crianças em idade escolar, aumento da expectativa de vida (78 anos), e partilha das rendas do petróleo, atendimento sanitário de alto nível, universal e gratuito, prestados sem interesse, rede de abastecimento de água que abarcava todo o país e conseguiu o plantio de milhões de árvores e a criação de extensas zonas de cultivo no deserto, habitação reconhecida como um direito constitucional, pleno emprego de mais de 2.5 milhões de postos de trabalho para imigrantes, etc... O governo líbio havia fornecido realizações aos seus habitantes iguais a maioria dos países europeus.
Hoje a Líbia é uma ruína, e chora por seus 75.000 mortos, onde os líbios perderam seu petróleo, suas reservas de ouro do Banco Central e os depósitos bancários, de 200.000.000.000 de dólares (o primeiro a roubar foi EUA), as pensões, os tratamentos médicos, as bolsas de estudo, os empregos... Tudo o que tinham. também implementaram o apartheid na população negra - imigrantes principalmente - são perseguidos e assassinados.
Magnífica obra da autodenominada "Comunidade Internacional" (que tanto aplaude, por certo, a essas monarquias feudais que ainda mantém a escravidão). Ainda temos que dar os parabéns a Obama e a União Européia pela obtenção dos prêmios Nobel da Paz. Que irônico.
O que fizeram os líbios para merecerem isto???
Defender sua independência, tratar de implantar sua própria moeda, e ter umas importantes reservas de dinheiro, de ouro, de petróleo e gás, cobiçado por alguns países sem escrúpulos, que atuam como um bando dedicado ao terror e a pilhagem, com a OTAN a seu serviço. E a Espanha (ou seja, não a ESPANHA mas um conglomerado de empresas que dizem ser espanholas) foram premiados com as obras do AVE La Meca-Medina, junta-se ao prêmio a matança dos líbios, obras que, como toda a Líbia, escorre sangue.
Cádiz, 20 de outubro de 2012
Fonte: LIBIA RESISTENCIA Y MARTIRIO
Imagem: Google (colocadas por este blog)
Vídeo: Youtube (colocado por este blog)
GUERRA CONTRA A DEMOCRACIA (The War on Democracy)
октября 18, 2012 21:00 - no comments yet
"The War on Democracy" é um filme sensível, humano, inteligente e essencial.
O premiado jornalista John Pilger mostra a cruel realidade planejada pelos EUA para quase todos os países latino-americanos.
Golpes, assassinatos, grupos de extermínio, torturas, genocídios - financiados e treinados pela CIA, acompanhados por uma cobertura quase sempre desonesta da mídia local - transformaram esses países no que eles são hoje: Desigualdade, miséria, desinformação e fornecedor de produtos primários.
Certos documentos apresentados pelo filme revelam a realidade que a mídia esconde até os dias de hoje.
Mas o documentário não é só amargura e mostra numa mensagem de otimismo de que o povo pode sair às ruas e conseguir o que lhe é de direito. Isso é bem ilustrado em dois ótimos exemplos na América do Sul: Venezuela e Bolívia, que – ao contrário do que diz quase todos os nossos meios televisivos e impressos - se transformaram em símbolos da luta popular pela democracia.
Esse documentário é essencial para quem quer saber da recente história latino-americana e para se situar no tempo atual.
Fonte: DOCVERDADE






















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