Ir para o conteúdo
ou

Thin logo

McWalenski

Marcos A. S. Lima
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brazil

Pesquise:

Cinema:

Россия Федерация

ZEITGEIST 1

ZEITGEIST 2

ZEITGEIST 3 Final Mo

Além Cidadão Kane

Sonegação da Globo

Tela cheia
 Feed RSS

JANO, o Lanterneiro

8 de Setembro de 2013, 13:37 , por Marcos A. S. Lima - | No one following this article yet.
Licenciado sob CC (by-nc-nd)

VISITE O PARQUE NACIONAL DOS LENÇÓIS MARANHENSES

12 de Setembro de 2013, 16:47, por Marcos A. S. Lima - 0sem comentários ainda
VISITE O PARQUE NACIONAL DOS
LENÇÓIS MARANHENSES
(indicado ao título das 7 maravilhas da natureza)



Assista ao vídeo:



_______

Postado por Marcos "Maranhão" em 24 de fevereiro d 2009, às 18:50h



DOIS PEÕES

12 de Setembro de 2013, 16:44, por Marcos A. S. Lima - 0sem comentários ainda

DOIS PEÕES

 

Raskólhnikov II chegou de viagem, direto de Aidnâlogniram. Recebi-o em minha casa. Leia parte de nossa conversa:

 

RASKÓLHNIKOV II – Saudações, meu velho! Pronto para mais uma partida de xadrez?

 

MARCOS “MARANHÃO” - Ora, ora, se não é nosso incansável Indiana Jones do túnel do tempo! Seja bem-vindo! Vieste sozinho? Achei que finalmente eu iria conhecer Dra. 'S'.

 

RASKÓLHNIKOV II – Sabia que não resistiria a tocar no nome dela na primeira fala nossa...

 

MARCOS “MARANHÃO” - Depois do que me escreveste, querias o quê?

 

RASKÓLHNIKOV II – Ela ficou em Aidnâlogniram. Está vendo uns negócios lá. Não vê a hora de te conhecer.

 

MARCOS “MARANHÃO” - Quem esteve por aqui foi Sônietchka.

 

RASKÓLHNIKOV II – Hum! (…) Bom. Achei que te encontrarias sujo de tintas. Não estou vendo nenhuma faixa pronta. E aqueles pincéis parecem-me bem secos. O negócio tá brabo, maninho?

 

MARCOS “MARANHÃO” - É fase, suponho. Esse é o problema de quem vive de crises...

 

[risos]

 

MARCOS “MARANHÃO” - Sim, digo crises porque me acostumei a fazer mais faixas para meus amigos dos movimentos sociais. Naqueles tempos faziam-se mais greves, reivindicavam-se mais e, portanto, surgiam mais faixas. Foi um período de vacas gordas pra mim. Por outro lado, comemoro(?) a ausência de faixas: sinal de que o governo está atendendo algumas reivindicações dos trabalhadores.

 

RASKÓLHNIKOV II – Mas, meu caro, vou te contar como...

 

MARCOS “MARANHÃO” - Sim. Deixa eu ver tua máquina do tempo.

 

RASKÓLHNIKOV II – Aqui.

 

[Raskól tira do bolso e me entrega um aparelho parecido com um celular, de cor preta, cinza e vermelho, com a diferença de que, ao apertar-se qualquer tecla, o objeto inicia um processo de encaixe e desencaixe de peças, transformando-se num míni-laptop]

 

MARCOS “MARANHÃO” - Hum! Alta tecnologia, hein?!

 

RASKÓLHNIKOV II – É um projeto no qual venho trabalhando há duas décadas. Há emprego de tecnologia All Spark; é um Autobots.

 

MARCOS “MARANHÃO” - E como ele transporta a pessoa através do tempo?

 

RASKÓLHNIKOV II – Coloquei nele aquela solução que eu e Dra. 'S' usamos no espectrômetro de aceleração de massa. Aí, é só escolher o tempo pra onde quer ir na tela do laptop, ficar tocado no aparelho, e pronto. Experimente!

 

MARCOS “MARANHÃO” - Depois. Mas, e estas coisas aí do futuro? Parecem sérias.

 

RASKÓLHNIKOV II – É pra isso que estou aqui. Temos que pensar numa forma de agir para que no futuro não tenhamos de passar por aquilo. O que mais me preocupa é aquele negócio de oráculo: eu não quero morrer logo.

 

MARCOS “MARANHÃO” - Relaxa. Existe alguma forma de mexermos nisso para que tu não batas as botas antes do tempo.

 

RASKÓLHNIKOV II – Sabe, Marcos, andei mexendo com algumas coisas. Temo que não são poucos os que me querem ver longe daqui.

 

MARCOS “MARANHÃO” - Talvez tu não morrerás até 2011. Teus opositores apenas te trancaram numa prisão, num calabouço; disseram aos teus conhecidos que tu sofreste um acidente, ou algo parecido; forjaram teu funeral; aproveitaram aquelas 'maluquices' que tu andavas falando e te transformaram num deus; colocaram na televisão alguns 'milagres' em teu nome ocorridos na região; colocaram um 'profeta' se dizendo conversar contigo no Além, onde tu passavas a predizer o futuro das pessoas e das coisas; abriram um templo, um oráculo e começaram a faturar.

 

RASKÓLHNIKOV II – Boa hipótese...

 

[Neste momento Raskól toma um copo de suco de maracujá que eu preparei]

 

RASKÓLHNIKOV II – ...Mas o que podemos fazer de concreto aqui, agora?

 

MARCOS “MARANHÃO” - Para que o fato de tua morte, ou da tua prisão não se concretize em 2011; ou melhor, para que teus possíveis carrascos (já que tu os viste lá no oráculo) desistam da ideia, só restam duas coisa a fazer: primeiro, intensifique a exposição deles em tuas matérias, inclusive dando indiretas de que eles podem ser culpados por alguma coisa que possa vir a te acontecer; segundo, faça o que eles querem: desista de reportar os assuntos apimentados de que vem tratando (opção não recomendada).

 

RASKÓLHNIKOV II – E se eu começasse a antecipar a ideia do oráculo?

 

MARCOS “MARANHÃO” - Abririas uma igreja?

 

RASKÓLHNIKOV II – Não necessariamente uma igreja, um templo físico. Mas na internet eu começaria a atender os 'fiéis', as pessoas em busca de consultas no oráculo do deus Raskólhnikov II, o herege. Eu colocaria o mesmo nome que eles querem colocar lá em 2011. Isso, no mínimo, os faria desistir de ganhar dinheiro em meu nome, já que o tom jocoso com que eu trataria o tema não me daria crédito uma vez transformado em deus no futuro.

 

MARCOS “MARANHÃO” - Pode ser.

 

RASKÓLHNIKOV II – Agora, e quanto ao problema do ensino? Isso é sério, rapaz. Hoje nós vemos o empenho de uma equipe que quer de fato fazer do Estado a referência primeira na educação do Brasil. Mas por que então as coisas começam a se desenhar diferentemente de hoje lá em 2014?

 

MARCOS “MARANHÃO” - Talvez seja pelo fato de um dos concorrentes do atual governo vir a ganhar as próximas eleições; ou algum gérmen, implantado dentro dessa equipe, esteja a desenvolver algo no sentido contrário do que fala o governador. Qual é, hoje, o Estado considerado o melhor na educação do país? Será que ele gostará de perder o cargo? Tudo é possível.

 

RASKÓLHNIKOV II – O que fazer de concreto?

 

MARCOS “MARANHÃO” - Talvez não deixarmos de falar no assunto. Mesmo havendo um consenso de que os critérios atuais para escolha de professores em todos os níveis são os mais democráticos, os mais usados Brasil afora, é bom que a categoria esteja atenta para que nosso conceito de democracia não nos cegue a todos, e o ideal, o sonho de uma sociedade próxima do mais igualitário possível, não se desmanche. Esse negócio de haver 'pistolão', 'QI (Quem Indica)' foi coisa do passado. Isso não acontece mais.

 

RASKÓLHNIKOV II – Eu não coloco minha mão no fogo, Marcos.

 

MARCOS “MARANHÃO” - Relaxa! Veja o meu caso: aguardo contratação para professor PSS tranquilamente, afinal, ao fazer inscrições, atentei para as normas do edital. Ano passado fui chamado. Tudo bem que só tenho três meses de experiência. Mas, se chamarem no finalzinho do ano novamente, já vai somar mais dois, três meses. Em poucos anos terei melhores chances para marcar mais pontos no quesito experiência. Ademais, o dinheirinho que eu for ganhando com estas aulas dá pra pagar algumas pós-graduações, o que me tornará, em breve tempo, um candidato entre os primeiros colocados.

 

RASKÓLHNIKOV II – Mas o dinheiro é pra tu pagares tuas contas, criatura. Que eu saiba essa casa não é tua. Tuas calças, camisas e sapatos ficam velhos. Tu não vives de ar. Gastas com telefone e outras despesas domésticas. Precisas ir ao cinema, teatro, comprar livros, ajeitar o micro...

 

MARCOS “MARANHÃO” - Raskól, dá e sobra. Inclusive estou ouvindo falar que o salário vai aumentar, e as chances de muitos professores se aposentarem, agora com a aprovação do 2º padrão – abrindo-se, com isso, mais vagas para os novatos -, são muitas.

 

RASKÓLHNIKOV II – Bom. Depois não diz que eu não avisei.

 

MARCOS “MARANHÃO” - Vai. Ajeita as peças do xadrez. Tens de presente dois peões...

__________

Postado por Marcos "Maranhão" em 23 de fevereiro de 2009, às 19:47h



Raskól envia carta ao governador

12 de Setembro de 2013, 16:40, por Marcos A. S. Lima - 0sem comentários ainda

Raskól envia carta ao governador

 

Aidnâlogniram, 19 de fevereiro de 2014

 

Ilustre 'Maranhão':

 

Perdoe-me se acaso incorro em demasiado pessimismo, mas é que, depois daquela experiência lecionando em Silopólidnaras, em 2013, após o reinício das aulas neste ano em que te escrevo, decorrida a constatação de que piorei na lista de classificação de professor reserva naquela cidade, e 'otras cositas más' que arrolarei nos parágrafos seguintes, resta-me apelar para o governador daqui e retornar para o tempo presente em que tu te encontras, a fim de analisarmos com mais cautela a situação aqui do futuro e, de passagem, tentarmos impedir que estas coisas não se concretizem, visto que aí ainda não dão sinal de que haverá mudanças.

 

Pois eis que, após constatar minha queda na lista geral de professor reserva em Silopólidnaras (desci três posições em relação ao ano passado), e, estranhamente, minha subida na tabela de Aidnâlogniram, mesmo sem dar aulas aqui (ganhei vinte e sete posições), resolvi solicitar às funcionárias do departamento encarregado da seleção de pessoal a relação de todos os meus concorrentes do ano passado – eu esperava comparar com os deste ano, vendo quem saiu e quem entrou na briga por vagas -, no que me foi negado, sob a alegação de que estes dados já se encontravam arquivados.

 

Não era questão pessoal, não, nem desconfiança, apenas presumi que eu tinha este direito, afinal, nada melhor do que eu ter em mãos as informações de quem é quem na disputa por uma chance de sair do banco de reservas e mostrar serviço: minha intenção era tão-somente tentar encontrar os que estavam na minha frente e solicitar informações sobre onde conseguiram tão preciosos possíveis títulos de pós-graduação, a fim de que eu pudesse ver a possibilidade de conseguir um para pagar em parcelas condizentes com minha situação financeira.

 

Depois desta situação desanimadora, ainda arrisquei algumas candidaturas de emprego de professor em instituições privadas, mesmo contra minha vontade. Até que coloquei uma roupa social, ajeitei-me um pouco mais, mas ficou só no 'Depois a gente te liga, tá?'. Eu já sabia. Ali se respira negócio$. É na base do QI (Quem Indica).

 

Agora, só como tentativa de fazer este povo do futuro não desanimar, fiz uma carta ao governador. Li em praça pública e a enviei para a capital. Sei que pode parecer perda de tempo, mas anseio deixar algumas gotas de esperanças aqui em 2014, caso nossas ações aí em 2009 falhem.

 

Eis a carta:

 

Aidnâlogniram, 19 de fevereiro de 2014

 

Excelentíssimo Governador de Estado do Futuro,

Aquele a Quem Assistimos Jurar Pela Constituição.

 

Cumprimentando-o fraternalmente;

 

Esta carta tem como objetivo colocar-lhe a par de como andam as coisas da educação aqui por estas províncias do norte do Estado que Vossa Excelência governa e, de passagem, solicitar-lhe revisão nos critérios de selecionamento de pessoal para compor o quadro de funcionários que lhe ajudarão a fazer um excelente exercício do mandato ora outorgado-lhe pela população.

 

Saiba que as notícias do bom governo vosso na área educacional, os investimentos na construção de novas escolas, as compras de equipamentos de informática, laboratoriais e de novos ônibus para o transporte de alunos e, sobretudo, a implantação de políticas de melhoria dos salários dos professores, andaram atraindo não só os profissionais dessa área moradores da região, mas também um grande número de concorrentes vindo dos Estados vizinhos – é só ver os números -, o que é um direito de todo e qualquer cidadão de qualquer parte desta nação, afinal, a Constituição nos garante o direito de ir e vir.

 

Diante desta situação, nos últimos concursos, quer para a contratação de professores titulares, quer para os reservas temporários, verificou-se um acirramento na disputa, o que obrigou vosso departamento que trata destas coisas por aqui a adotar critérios que, na nossa opinião, pode até ser justo para alguns que têm condições financeiras melhores (principalmente se levarmos em conta a hipótese de que governos neoliberais fazem a escolha de seus funcionários também através do exame de títulos comprados no mercado hoje largamente crescente para este fim – o que não é vosso caso), mas mostra-se deveras injusto com aqueles cujas parcas economias mal lhe dão o direito de pagar um aluguel ou comprar seus alimentos básicos, o que dirá comprar títulos. Isso sem falar no outro critério que é a comprovação por tempo de serviço.

 

Ora, Vossa Excelência há de convir que, desse jeito, aqueles que podem comprar 50 títulos de pós-graduação, ou os que têm 500 anos de experiência na função são beneficiados em detrimento daqueles mais lascados, os mais pobres que, a duras penas, entraram numa universidade pública e gratuita e que estão querendo ter seu primeiro emprego como professor.

 

Porquanto, rogamos-vos que reveja os critérios para selecionar os professores titulares e reservas. Talvez não precise acabar de vez com as exigências de títulos e comprovação de experiência, mas dê uma amenizada no negócio porque tá feio o negócio pras bandas dos miseráveis sem titulação. Quem sabe possa lhe interessar o estudo de ideias tipo, além de uma prova para escolha dos professores reservas, uma avaliação das notas nos boletins segundo cada curso, de acordo com o tipo de instituição superior (as voltadas para o que seria o ensino sério e as que visam lucros); a criação do que seria o 4º grau, ou seja, incentivo a professores que queiram dar cursos de pós-graduação gratuitos em universidades públicas a alunos que, comprovadamente, sejam pobres - sem desmerecer os mestrados, é claro -, de forma a acolher os graduados que, digamos, têm menos capacidade de passar nestas pós mais difíceis – e que não estejam a fim de ficar puxando sacos de certos professores; a preferência para quem mora na cidade há, pelo menos, o tempo de uma graduação...

 

Certos de que Vossa Excelência olhará com carinho para esta situação, porque não lhe cairia bem a pecha de neoliberal, tal qual àquele antecessor a quem vós dirigiu acusações neste sentido; desejosos de que vosso discurso, de que este Estado de fato seja exemplo número um na educação do país, vire prática; e que vós não gostaríeis de ouvir na porta de vosso palácio 'Ado, ado, ado, Educação não é supermercado!!!', despedimos-nos com votos de sucesso no resto de vosso mandato,

 

Atenciosamente,

 

Comissão dos candidatos a professores reservas sem títulos de pós-graduações, sem experiência comprovada em carteira, miseráveis, lascados, sem teto, portadores de licenciaturas não curtíssimas, nem instantânea, muito menos via correio.

 

Nos vemos aí no presente.

 

Raskólhnikov II”

__________

Postado por Marcos "Maranhão" em 22 de ffevereiro de 2009, às 10:31h



Raskól torna-se professor reserva (PSS)

12 de Setembro de 2013, 16:38, por Marcos A. S. Lima - 0sem comentários ainda

Raskól torna-se

professor reserva (PSS)

 

 

Silopólidnaras, 07 de novembro de 2013

 

Amigo:

 

Fiz o segundo concurso público para professor da rede estadual. Consegui a façanha de piorar na classificação em relação àquele que te relatei.

 

Cheguei a apresentar meu boletim no núcleo, como tentativa de que levassem em consideração minhas notas (fiquei com nota global 7,3 em todo o curso de psicologia, feito na UEJO, apontada como uma das melhores instituições de ensino público do país – há rumores de que concorrentes meu foram chamados no concurso tendo notas mais encarnadas que as minhas, que foram só seis, nunca inferiores a 4,0).

 

Disseram que poderei ter chances como professor PSS (um nome bonito que deram para o professor reserva). São aquelas vagas temporárias deixadas por professores titulares que saem por diversos motivos (licença-maternidade, licença-prêmio, licença para tratamento de saúde, etc, geralmente solicitadas no último bimestre, próximo do final de ano, na hora do pepino pra fechar nota).

 

Depois do segundo concurso, inscrevi-me nesse jogo (tanto em Aidnâlogniram, onde fiquei em 107º lugar, quanto em Silopólidnaras, onde fui o 28º colocado) e sentei no banco de reserva. Eu já estava sem esperanças, nem olhava mais pro campo, quando me chamaram pra dar aulas no último quarto de tempo, na equipe de Silopólidnaras.

 

Está sendo uma experiência fascinante. Tô conseguindo me aquecer durante a partida – que tá quente, por sinal. Agora tô cheio de trabalhos e provas pra corrigir, e as cadernetas esperam por meus apontamentos.

 

Falam que ano que vem terei vaga quase que garantida no time, quiçá definitiva. Oxalá eu consiga!

 

Logo volto.

 

Raskólhnikov II”

__________

Postaadxo por Marcos "Maranhão" em 21 de fevereiro de 2009, ás 18:00h



Raskól tenta vaga de professor em 2013

12 de Setembro de 2013, 16:33, por Marcos A. S. Lima - 0sem comentários ainda

Raskól tenta vaga de 

professor em 2013


Aidnâlogniram, 15 de maio de 2013

 

Caro paladino internauta, Marcos 'Maranhão':

 

Minhas suspeitas se confirmaram. Depois de horas naquela fila a fim de ver os rostos dos sacerdotes e ouvir a voz do profeta que atendiam no oráculo de Raskólhnikov II, o herege, dei de cara com as pessoas que encabeçavam minha lista de suspeitos de estarem lucrando com minha morte. É claro, tomei cuidado para não me reconhecerem: passei-me por um mendigo usando uma capa preta fedida na cabeça. Quando chegar aí eu te revelo os nomes.

 

Por ora, resolvemos, como tu deves ter notado na data, dar um pulo nos anos adjacentes a 2011. Agora estamos em 2013. O oráculo continua lá, agora mais bonito, em mármore. Abriram uma filial em Silopólidnaras, segunda maior cidade da região metropolitana de Aidnâlogniram.

 

Mais o que quero te relatar mesmo é o fato de que estou decidido a ingressar no serviço público estadual: candidatei-me, no primeiro concurso no início deste ano, ao cargo de professor de psicologia (Dra. 'S' já está trabalhando dentro do Núcleo de Educação de Aidnâlogniram).

 

Decepcionei-me neste primeiro concurso: apesar de ter acertado 13 das 15 questões da prova específica da disciplina na qual formei-me (86% de acerto; 3º lugar geral), fui mal na prova de CAQPENCC - Conhecimentos das Áreas em Que os Pais e o Estado Não Conseguem dar Conta (acertei só 4 dos 15 quesitos – lá na UEJO tivemos só umas aulinhas de faz-de-conta dessas disciplinas, bem naquele estilo resenha aqui, faz um fichamento ali, tá me entendendo, né?).

 

Mas, mesmo assim, fui classificado. O diabo foram os critérios para selecionar os muitos candidatos aprovados: dos 100 pontos possíveis do concurso, 30 foram reservados a quem tinha títulos e experiência comprovada de prática de ensino (quanto mais 'pós-isso', 'pós-aquilo', mais ponto o sujeito somava; quanto mais anos comprovados de experiência como professor, mais o cara ficava na frente).

 

Aí foi que o 'véi' dançou. Recém saído da faculdade, como eu poderia comprovar experiência profissional? Lascado como nunca (no meu bolso tu só encontras 'teia' de aranha e buraco), mal conseguindo arranjar uns tostões nas produções de textos que vendo para os movimentos sociais – dinheiro que não chega nem para o aluguel -, como eu iria comprar os títulos, pagar as pós-graduações? As mais em conta oscilam em torno de 120, 150 pratas por mês.

 

Ah! Mestrado é de graça, é? A prova é fácil, é? Sei...

 

Olha, 'Maranhão', aqui no futuro a coisa tá feia pro camarada pobre. Ainda bem que aí no presente o negócio não é assim. Temos que agir aí pra a coisa não descambar para isso que relatei aqui no futuro.

 

Mês que vem vai ter outro concurso. Depois eu conto sobre ele.

 

P.S. Sobre aquele negócio das gradinhas 'enfeitadas' que tu pediste pra mim dar uma olhada... continua.

 

Raskólhnikov II”

_________

Postado por Marcos "Maranhão" em 21 de fevereiro de 2009, às 15:51h