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Internacional

28 de Fevereiro de 2014, 14:09 , por Blogoosfero - | 1 person following this article.

Notas rápidas internacionais 09/05/18

9 de Maio de 2018, 9:53, por Ana Prestes - 0sem comentários ainda

por Ana Prestes
por Ana Prestes

- Trump fez exatamente o que todos esperavam que fizesse, tirou ontem (8) os EUA do Acordo Nuclear com o Irã. Sem que o Irã tenha violado nenhum aspecto do acordo. Israel e Arábia Saudita saíram em defesa da medida de Trump. União Europeia, Rússia, França, Alemanha e Reino Unido se pronunciaram em tom crítico e indignado.

- Presidente do Irã, Hassan Rouhani, disse que o país seguirá comprometido com o acordo nuclear transnacional de 2015.

- A Síria acusou Israel de ter lançado mísseis contra alvo próximo à capital, Damasco, pouco depois do anúncio de Trump de saída do acordo nuclear iraniano.

- Macri estava fazendo “fake news” quando disse que o “mercado estava reagindo bem” às medidas internas para controle do câmbio. Na verdade, o mercado já estava reagindo bem às notícias de que a Argentina recorreria ao FMI para tentar sair da crise.

- Já crescem na Argentina os protestos com a consigna: “no volver al fondo”. Contra o endividamento com o FMI.

- Moscou realiza hoje (9) a Parada da Vitória. Comemora-se hoje o 73º. Aniversário da vitória soviética sobre os nazistas.

- Xi Jinping e Kim Jong-un voltaram a se reunir ontem (8) na cidade de Dalian, nordeste da China.

- Na mesma manhã do encontro de Xi e Kim, Trump twittou que falaria ao telefone nas próximas horas com “meu amigo Xi da China” e que os temas da conversa seriam comércio e a relação com a Coreia do Norte.

- Governo do Paraguai confirmou que vai transferir sua Embaixada em Israel para Jerusalém.

- Repercutiu nas redes dos movimentos na América Latina que a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados foi impedida ontem (8) de realizar visita a Lula.

- Presidente do Equador, Lenin Moreno, pediu ontem (8) a renúncia de todos os seus ministros. Segundo seu secretário particular, Juan Sebastián Roldán, perto de complentar um ano de mandato, o presidente quer fazer uma avaliação da gestão de cada pasta.

- Governo brasileiro teve que dar explicações à OEA nesta terça (8) sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro e a execução da vereadora Marielle Franco e o condutor do carro em que se encontrava, Anderson Gomes. A denúncia à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA foi feita por 20 organizações da sociedade civil brasileira e contou com o testemunho de Mônica Benício, viúva de Marielle.

- Cuba e Bolívia rechaçaram as declarações do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que atacou Cuba, Nicarágua e Venezuela, feitas na última segunda (7) durante reunião do Conselho Permanente da OEA.

- EUA e o Secretário Geral da OEA, Luis Almagro, ainda não contam com os 24 votos necessários na Assembleia Geral da organização para suspender a Venezuela, no entanto a própria Venezuela dá sinais de querer deixar a OEA e investir na construção da CELAC.



Notas rápidas internacionais 08/05/18

8 de Maio de 2018, 10:17, por Ana Prestes - 0sem comentários ainda

por Ana Prestes
por Ana Prestes

- Trump deve anunciar hoje (8) se os EUA ficam ou não no acordo nuclear com o Irã de 2015.

- Alta mundial no preço do petróleo. Nesta segunda (7), o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, passou a barreira dos US$ 70 por barril pela primeira vez desde 2014. O petróleo Brent, negociado em Londres, fechou em US$ 75,53 também nesta segunda.

- Disparada no preço internacional do petróleo nos últimos meses fez com que a arrecadação com royalties do petróleo subisse 23,4% nos primeiros quatro meses do ano no Brasil, chegando a R$ 6,4 bilhões.

- À medida em que se aproximam as eleições da Venezuela (20/05) aumenta a tensão com os EUA. Em visita à OEA nesta segunda (7), o vice-presidente americano, Mike Pence, pediu aos países membros sanções contra Maduro e exigiu deste a suspensão das eleições.

- Chancelaria venezuelana se pronunciou ontem sobre os últimos ataques de Pompeo (secretário de estado) na sexta (4) e de Pence (vice-presidente) na segunda (7): “as instituições venezuelanas garantem que nenhuma ação externa impeça que os cidadãos, em pleno exercício da sua soberania, decidam democraticamente o seu futuro no dia 20 de maio”.

- Taxa básica de juros na Argentina foi de 27,25% à 40% em um mês. Medida foi adotada para reduzir dólar e a inflação. Após uma segunda-feira (7) de monitoramento, o governo Macri disse através de porta voz que “há satisfação quanto ao comportamento do mercado”. Narrativa do governo é de que a subida do dólar da semana passada se deve a uma crise internacional que atinge tanto a Argentina como outras economias.

- Já foram instaladas em Jerusalém as placas indicativas do local da Embaixada dos EUA na Cidade Sagrada. Inauguração será em uma semana, no dia 14 de maio, data do 70º aniversário da criação do Estado de Israel. Ano passado, quando anunciada a mudança da Embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, 128 países, dos 198 que integram a Assembleia Geral da ONU, votaram uma resolução de condenação à decisão americana. Apenas 7 países ficaram com Trump.

- Trump não irá à inauguração da Embaixada em Jerusalém. Chefe da delegação será o subsecretário de Estado, John Sullivan, e Ivanka Trump, filha do presidente, também estará presente.

- Chancelaria de Israel afirma que Paraguai e Guatemala também irão mudar o local de suas Embaixadas para Jerusalém. Governo do Paraguai diz que decisão ainda não foi tomada.

- O Líbano foi às urnas no domingo (6) para eleições legislativas. Ainda não há resultados 100% completos, pois falta contar votos de um dos 15 distritos. No entanto, já se sabe que Hezbollah e aliados conquistaram uma pequena maioria, o que pode ser considerado uma vitória para o Irã e Síria (e Rússia) e uma derrota para Israel e Arábia Saudita (e EUA).

- O Líbano tem um Pacto Nacional (desde 1943) que garante aos cristãos a presidência (chefe de Estado), aos muçulmanos sunitas a chefia de governo (primeiro ministro) e aos muçulmanos xiitas a presidência do parlamento. Nestas eleições, os sunitas do Primeiro Ministro Saad Hariri, perderam 11 cadeiras no parlamento. Tinham 33 e agora conquistaram 21. O Hezbollah continuou com 13 cadeiras, mas ampliou presença via aliados (71 cadeiras no total). O parlamento é composto por 128 membros.

- Exército da Nigéria anunciou ontem (7) ter libertado mais de 1000 pessoas reféns do Boko Haram.

- Na África do Sul milhares de pessoas foram às ruas contra uma proposta de salário mínimo e nova legislação que limita o direito de greve. Salário mínimo será de 20 rands por hora (1,30 euros) a partir de 1º de maio.

- Diante do impasse entre a Liga do Norte e o Movimento 5 Estrelas, o Presidente da Itália Sergio Mattarella deve convocar novas eleições. Provavelmente para 8 de julho.



Notas rápidas internacionais - 07/05/18

7 de Maio de 2018, 9:15, por Ana Prestes

- Vladimir Putin toma posse hoje para seu quarto mandato presidencial, ficará até 2024. Teve 56 milhões de votos (76%). Está no poder desde 1999, sendo que desde então só não foi presidente em um mandato, quando foi Primeiro Ministro e Dmitry Medvedev foi o presidente (2008 a 2012).

- No sábado (5), dois dias antes da posse de Putin, foi organizado um protesto em Moscou por opositores. Um dos líderes das atividades é Alexei Navalny do Partido Progressista. Advogado e empresário, tem 2 milhões de seguidores em sua conta no Twitter.

- No Líbano, pela primeira vez em 9 anos, os cidadãos voltaram às urnas ontem (6) para eleger um novo parlamento. Serão eleitos 128 deputados. É provável que o Hezbollah conquiste a maioria de parlamentares.

- Argentina: dólar, juros e inflação nas alturas provocam primeira crise de grandes proporções do Governo Macri.

- No México, López Obrador mantém a liderança nas pesquisas eleitorais, com 48% das intenções. Em segundo lugar vem Ricardo Anaya, com 30%, candidato da centro direita (candidato do empresariado).

- Em mais um domingo de protestos (a favor e contra), o Parlamento da Nicarágua criou ontem, domingo (6), uma “Comissão da Verdade” para esclarecer as mortes durante os atos contra o presidente Daniel Ortega das últimas semanas, iniciados em 18 de abril.

- Presidente Muhammadu Buhari, da Nigéria, fortemente pressionado por onda de violência. Mais 45 pessoas morreram neste domingo (6) em um ataque a uma vila ao norte do país.

- Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, apresentou neste domingo (6) seu programa de governo para as eleições de 24 de junho. Erdogan adiantou o processo eleitoral em um ano e meio pois quer governar de acordo com as recentes mudanças constitucionais que darão ao próximo presidente eleito plenos poderes executivos e eliminará a figura do primeiro-ministro.

- Site oficial da presidência do Irã divulgou discurso do Presidente Hassan Rohani deste domingo (6) em que ele fala sobre os EUA e do arrependimento que Trump terá caso saiam do acordo nuclear de 2015.

- Com faixas de “Pare Macron” e “Um ano basta” manifestantes foram às ruas de Paris neste sábado (5).

- As negociações entre o Governo Colombiano e a ELN estavam ocorrendo no Equador, quando este simplesmente se afastou e quis deixar de ser sede. As negociações serão retomadas em sua 5ª rodada em Havana, Cuba. Foi também em Cuba que ocorreram as exitosas negociações entre Governo da Colômbia e as FARC.

- Partido Comunista da China (PCCh) promoveu na última sexta (4) uma grande conferência em comemoração dos 200 anos de Marx. Segundo Xi Jinping, no evento: “Teoria de Karl Marx, dois séculos depois, ainda brilha com a luz da verdade”.

- A China enviou também para a Alemanha uma estátua de Marx de 5,5 metros (com o pedestal) e que pesa mais de duas toneladas para ser inaugurada em Trier, sua cidade de nascimento. Mais de 50 mil chineses visitam a cidade todos os anos.

- The Economist traz um especial sobre os 200 anos de Karl Marx, com artigo extenso, um vídeo e a recomendação do livro de Isaiah Berlin (1939) sobre Marx.

- Partido Comunista da Ucrânia denuncia avanço do fascismo no país. Com prisões arbitrárias, espancamentos, fechamento de organizações, proibição de livros e materiais. O primeiro de maio foi tenso na Ucrânia.

- Presença de mais de 260 mil pessoas na III Feira Nacional da Reforma Agrária organizada pelo MST em São Paulo repercutiu nos veículos de comunicação dos movimentos sociais na América Latina.

- Venezuela realizou neste domingo uma simulação das eleições como parte da preparação para o 20 de maio. Cerca de 500 centros de votação foram testados em todo o país.

- Plenário da Frente Ampla do Uruguai resolveu no sábado (6) que o Governo não deve fechar acordo de livre comércio com o Chile que vem sendo discutido há vários meses no país. Decisão não afeta negociação do acordo comercial Mercosul/União Europeia.

- Na Colômbia, muitos entraves à aplicação do Acordo de Paz, quase um mês da greve de fome de Jesús Santrich (líder que foi um dos redatores do Acordo), preso com acusação de narcotráfico e investigação do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) sobre recursos gastos na campanha eleitoral dos candidatos do partido.

- Casos de adolescentes estupradas e queimadas na Índia têm mobilizado muitos protestos no país ao longo dos dias.



A quem servem as mega fundações? Professora norte-americana responde

22 de Março de 2018, 14:04, por Bertoni

Há muito se fala sobre as fundações estrangeiras mantidas por mega-empresários e seu nefasto papel no mundo, principalmente para a Classe Trabalhadora. Muitos aqui no país falam disso, mas como sabemos santo de casa não faz milagre. Por isso, a reportagem e entrevista de Luiz Carlos Azenha com a professora Joan Roelofs, que reproduzimos abaixo, é de extrema importância.

Esperamos que produza os efeitos desejados e que a esquerda brasileira pense melhor antes de querer aplicar a Lei do Gerson. A história já mostrou que só os poderosos do mundo faturam com ela!

Artigo indicado por Meg Melniski, via Telegram

Ford, Soros, Gates: A quem servem as mega fundações? A professora Joan Roelofs dá algumas pistas

por Luiz Carlos Azenha

A resposta curta à pergunta do título, não atribuível à entrevistada, é: aos próprios bilionários.

Fundacoes gringas colagem

Nos Estados Unidos, quem cria uma fundação pode deduzir do imposto de renda de 20 a 30% do valor que transferiu a ela, dependendo se for cash ou títulos.

Se você criar uma fundação e doar U$ 1 milhão a ela, pode deduzir ao menos U$ 200 mil do seu imposto a pagar.

Mas, tem mais: a lei obriga a fundação a aplicar apenas 5% de seus bens líquidos do ano anterior em grants, doações, no ano seguinte.

Ou seja, 95% você pode administrar como bem quiser, direta ou indiretamente. Desde que você não tire proveito do dinheiro pessoalmente, tudo bem.

O que permite a você construir duas fortunas, paralelas: uma, pessoal; outra, que você pode usar indiretamente para turbinar sua fortuna pessoal. Ou a de seus filhos, netos e bisnetos.

Como? Comprando poder.

Há milhares de beneficiários das doações, sem qualquer dúvida. Mas, será que é mudança na qual se pode acreditar?, para repetir o candidato que deixou tudo como estava?

Nos Estados Unidos, a maior de todas as fundações é a Bill & Melinda Gates. Uma das mais antigas e influentes é a dos irmãos Rockefeller. Grande e influente é a dos herdeiros de Henry Ford. Dentre as mais agressivas está a do megainvestidor George Soros. Até Leona Helmsley, que já foi presa por sonegar impostos, tem no nome dela e do marido uma fundação filantrópica, com bens superiores a U$ 5 bi.

A soma dos bens só das mais importantes supera os U$ 200 bilhões, mais que o PIB de muitos paises.

Nos Estados Unidos existe um debate incipiente sobre o papel das fundações. Incipiente por falta de conhecimento, de transparência e de interesse.

Fora de lá, houve alguma polêmica depois que o Fórum Social Mundial de Porto Alegre foi financiado em parte pela Fundação Ford. Deveria ser o alter ego da reunião dos capitalistas em Davos, na Suiça.

Depois de quatro edições em Porto Alegre, o financiamento da Fundação foi rejeitado quando o Fórum teve sua primeira edição fora do Brasil, em Mumbai, na Índia.

Numa “confissão involuntária”, a então diretora de governança e sociedade civil da Fundação Ford à época, Lisa Jordan, resumiu em entrevista: “Já podemos ver algumas diferenças em relação a foruns anteriores. Por exemplo, podemos ver maior colaboração de grupos da esquerda comunista da Índia no fórum de Mumbai — o que não era necessariamente uma parte importante do Fórum Social Mundial em sua manifestação brasileira”.

Sobre a rejeição do Fórum ao financiamento da Fundação Ford, ela acrescentou: “Não estamos apoiando o fórum deste ano porque o Comitê Organizador Indiano, que representa uma tentativa ampla de juntar uma grande parte da sociedade local, inclui alguns grupos que se opõem às atividades da [Fundação] Ford na Índia desde 1953 — especialmente o apoio à Revolução Verde nos anos 60 e 70. Eles acreditam que as contribuições feitas pela Fundação Ford evitaram que a Índia passasse por uma revolução comunista”.

Trata-se de uma generalização barata: as críticas à Revolução Verde são muito mais profundas e embasadas do que isso. Ou talvez a entrevistada tenha dito isso por acreditar que a tarefa da FF fosse mesmo evitar uma revolução na Índia. Não é o ponto.

O mais importante é que ela deu a entrevista a um site que se chama Open Democracy, free trinking for the world, ou Democracia aberta, pensamento livre para o mundo, cuja lista de doadores… inclui a própria Fundação Ford, para não falar das Open Society Foundations, do megainvestidor George Soros, que segundo sua própria fundação doou mais de U$ 32 bilhões desde 1979 para financiar “uma sociedade civil vibrante”.

Isso dá uma ideia de como é difícil desfazer este emaranhado de interesses cruzados.

Travar o debate está se tornando difícil, uma vez que as grandes fundações dos Estados Unidos estão investindo cada vez mais na mídia — inclusive a identificada com a esquerda — e especialmente nos veículos sem financiamento, que tendem a se tornar dependentes das doações — e da renovação das doações.

Fundacoes gringas

Um estudo do American Press Institute, relativo a 2015, mostrou que as fundações estão doando como nunca a veículos de comunicação.

O mesmo estudo capturou a dependência da mídia não comercial dos Estados Unidos em relação às fundações: quase 40% dos meios pesquisados tinham nos grants mais de 50 por cento de seu orçamento total!

Nossa série de reportagens a respeito começa com uma entrevista com a autora de um dos livros seminais sobre o assunto, publicado nos Estados Unidos, Fundações e Política Pública: Joan Roelofs.

Ela é professora de Ciência Política do Keene State College, de New Hampshire, e nos respondeu por e-mail. A tradução é nossa, assim como a edição, para facilitar a clareza.

Viomundo: Há muitas fundações hoje em dia, conservadoras e liberais, mesmo de esquerda. Por que a máscara do pluralismo no subtítulo do livro?

Joan Roelofs: Eu estava me referindo à teoria pluralista, segundo a qual diferentes grupos de interesse competem uns com os outros para definir as políticas públicas [um conceito utilizado nos Estados Unidos]. Argumento que todos os grandes grupos de interesse são financiados pelas fundações, o que falsifica a ideia de pluralismo e mascara a real competição. Há limites impostos pelo financiamento (e outros processos relacionados às fundações, como networking, workshops, assistência técnica e a própria formulação do pedido de financiamento). Organizações financiadas não podem provocar grandes rupturas no poder e na riqueza, ou no capitalismo imperialista. Mesmo as ongs de esquerda, como o Institute for Policy Studies, e um dos grandes institutos trabalhistas, o Economic Policy Institute, são financiados pela fundações liberais, dentre as quais a Ford e a Open Society [de George Soros].

Viomundo: O financiamento amplifica a influência das fundações muito além da elite?

Joan: Meu livro é sobre isso. Elas se envolvem com o maior número possível de movimentos e organizações. Estes não podem sobreviver ou fazer o que querem, como levar casos à Suprema Corte, por exemplo, só com o dinheiro dos associados. Os institutos financiados pelas fundações fornecem os especialistas que falam na TV e material para artigos de opinião. As fundações têm grande influência nas faculdades e universidades. Elas cooptam liberais de classe média e gente talentosa entre os mais pobres para receberem doações a título de formação de lideranças. Está tudo no meu livro.

Viomundo: A senhora menciona ideias de alguém considerado um dos grandes estrategistas dos Estados Unidos, Zbigniew Brzezinski. O que ele dizia sobre espalhar a influência norte-americana?

Joan: Ele defendia o uso do soft power como forma de derrotar o comunismo. Faça a elite se envolver com as tecnologias da informação e torne as massas fascinadas pela cultura dos Estados Unidos. Operações clandestinas e abertas (com grande participação das fundações) foram utilizadas para levar adiante este plano.

Viomundo: A Fundação Rockefeller tem uma longa relação com o Brasil. Começou com doações ligadas à saúde pública e hoje o dinheiro continua chegando, por exemplo, no campo do chamado desenvolvimento sustentável. Por que eles investiriam dinheiro aqui?

Joan: Existe um ótimo livro sobre os Rockefellers e a América Latina, Thy Will Be Done, de Colby e Dennett. Se você quer explorar os recursos ou mesmo apenas fazer negócios, você não quer que seus trabalhadores locais ou seus gerentes norte-americanos fiquem doentes. Você precisa de água limpa. Você precisa que os recursos naturais sigam jorrando. Se o seu negócio é em turismo internacional, por exemplo, você quer que as pessoas se sintam limpas e seguras em suas férias no Exterior.

Viomundo: A Fundação Ford se define hoje, no Brasil, como defensora da justiça racial, para fazer avançar a democracia e a igualdade. “Nós apoiamos a emergência e o crescimento de poderosas novas vozes e narrativas, tanto no campo quanto na cidade, e trabalhamos para conectá-las com outros líderes da justiça, movimentos e instituições-chave”, diz um texto sobre objetivos da FF. Não é disso que precisamos no Brasil?

Joan: Sim, mas é que direitos civis, lideranças e networking não bastam. Pode ser que o sistema econômico esteja bloqueando o progresso real em todo o mundo (inclusive nas nações desenvolvidas). Escrevi um artigo recente sobre direitos humanos como substituto do socialismo. James Petras tem escrito muito sobre a cooptação da esquerda na América Latina. A NACLA (North American Congress on Latin America), que já foi radical, a certa altura recebeu dinheiro da Fundação Ford e mudou o discurso sobre as barreiras à justiça social na América Latina.

Viomundo: A Ford e a Open Society (Soros) dão muito dinheiro para organizações de mídia, inclusive da nova mídia, algumas das quais identificadas com a esquerda. Por que os bilionários se preocupariam com isso?

Joan: Essas organizações de mídia se dizem realmente independentes, em contraste com as antigas, “ruins”, financiadas por governos ou partidos políticos. Naturalmente, existe poder em ter dinheiro no que é supostamente “alternativo” e que é lido por gente de esquerda, dentre outros.

Viomundo: Hoje, as fundações investem até em parcerias com grandes veículos de mídia, nos Estados Unidos. É dito que sem qualquer tipo de controle. Se as fundações não controlam o conteúdo, por que não aceitar o dinheiro?

Joan: Por que quem aceita o dinheiro normalmente se autocensura. Não quer ofender o patrocinador.

Viomundo: A Open Society está preocupada, pelo menos aparentemente, em fazer avançar a democracia na América do Sul. Junto com a Fundação Ford e outras, traçou inclusive cenários da América Latina para os próximos 15 anos. Com gente de esquerda no meio. Como você vê essas iniciativas de George Soros?

Joan: As organizações dele, junto com as operações clandestinas, tem sido poderosas para provocar mudanças. Por exemplo, na Hungria, com a transformação das universidades e a criação do partido Fidesz, ou com a derrubada de Milosevic [na extinta Iugoslávia]. Roger Cohen escreveu a respeito. Está no meu livro. Alguém deveria escrever um livro sobre tudo o que aconteceu nas revoluções coloridas [no entorno da extinta União Soviética] e sobre quem estava envolvido nelas.

Viomundo: Por que quase não existe debate sobre as fundações? Por que elas parecem ser neutras?

Joan: Elas não gostam de críticas públicas e tem poder suficiente para marginalizá-las. Eu fui chamada de teórica da conspiração por tentar jogar luz nas fundações. A maioria dos acadêmicos e repórteres evita morder a mão que os alimenta. As fundações se dizem apartidárias, o que é verdade. Eles não favorecem a este ou aquele partido nos Estados Unidos. Mas isso não significa que sejam objetivas e neutras. São fachadas para o poder da elite. Sua origem, financiamento, investimentos e filosofias estão profundamente ligadas às corporações bilionárias. Alguns de seus empregados, inclusive presidentes, refletem “diversidade” e elas podem promover grandes mudanças sociais desde que sua riqueza, poder e domínio internacional não sejam afetados. As fundações foram importantes em acabar com o apartheid oficial nos Estados Unidos — e na África do Sul — mas nos dois casos o capitalismo não pode ser tocado.

Viomundo: As fundações distorcem a democracia?

Joan: A riqueza distorce a democracia e as fundações são apenas uma parte dela. O trabalho delas com intervenções internacionais clandestinas certamente não ajuda a democracia. Além disso, a parte a descoberto — apoio a grupos de interesse ou a ongs para representar as pessoas — não promove a democracia. O sistema das fundações apoia e reforça o sistema das ongs e algumas fundações inclusive criaram ongs. Essas organizações são de elite, se comparadas à cidadania em geral, desorganizada. As fundações não podem legalmente financiar partidos políticos ou movimentos políticos de massa. A democracia deveria requerer que todas as pessoas fossem integradas a algum braço de uma organização local, de uma entidade política poderosa. Talvez já nem seja possível nos dias de hoje, com as grandes populações, extremo individualismo e a cultura da celebridade; e muitos gadgets, hobbies e jogos.

Viomundo: Então, as fundações podem ser uma força por mudança?

Joan: Alguma mudança, sim. Mas, elas previnem contra mudanças mais radicais, que poderiam ser mais eficazes na promoção da justiça e da paz?

Na Europa Oriental, nas repúblicas da extinta União Soviética, na Índia, dentre outros lugares, as fundações encorajam o nacionalismo e mesmo tradições religiosas locais, como forma de atacar o internacionalismo e as ideias do ‘trabalhadores do mundo, uni-vos’.

Nos Estados Unidos, trabalham contra o chamado ‘extremismo anticapitalista’. Elas não encorajam os grupos da supremacia branca ou fanáticos religiosos fundamentalistas, mas foram incapazes de evitá-los.

Um sistema baseado na disputa entre grupos de interesse, que foi estimulado pelas fundações, resulta em maior polarização do que ocorreria, se tivessemos movimentos políticos mais generalizados.

Reflito que os Estados Unidos tem o mais amplo e elaborado terceiro setor do mundo — fundações, entidades sem fins lucrativos, think tanks, mesmo organizações de base (reais, não de mentirinha). Ainda assim, o padrão de vida está em declínio, a infraestrutura cai aos pedaços, o meio ambiente está sendo devastado, os números da pobreza são enormes, a incidência de violência é sem precedentes (não apenas se comparada a países desenvolvidos). Todo mundo deveria ler o relatório How Effective Are International Human Rights Treaties? [Quão eficazes são os tratados de direitos humanos internacionais?] Enquanto isso, a agressão e a intervenção dos Estados Unidos em muitas nações não dá sinais de parar. E todas estas, aliás, não são questões que as fundações estão dispostas a descrever como “problemas”.

Fonte: Viomundo



Tras el vivir y el soñar, está lo que más importa: despertar. por Evo Morales

15 de Janeiro de 2018, 14:52, por Fr3d vázquez - 0sem comentários ainda

Exposición del Presidente Evo Morales ante la reunión de Jefes de Estado de los países productores de petróleo. Con lenguaje simple, trasmitido en traducción simultánea a más de un centenar de Jefes de Estado y dignatarios de los países productores de petróleo, logró inquietar a su audiencia cuando dijo:

"Aquí pues yo, Evo Morales, he venido a encontrar a los que celebran el encuentro.

Aquí pues yo, descendiente de los que poblaron la América hace cuarenta mil años, he venido a encontrar a los que la encontraron hace solo quinientos años.

Aquí pues, nos encontramos todos. Sabemos lo que somos, y es bastante.

Yo, venido de la noble tierra americana declaro que el hermano aduanero europeo me pide papel escrito con visa para poder descubrir a los que me descubrieron.

Yo, venido de la noble tierra americana declaro que el hermano usurero europeo me pide pago de una deuda contraída por Judas, a quien nunca autoricé a venderme.

Yo, venido de la noble tierra americana declaro que el hermano leguleyo europeo me explica que toda deuda se paga con intereses aunque sea, vendiendo seres humanos y países enteros sin pedirles consentimiento.

Yo los voy descubriendo. También yo puedo reclamar pagos y también puedo reclamar intereses. Consta en el Archivo de Indias, papel sobre papel, recibo sobre recibo y firma sobre firma, que solamente entre el año 1503 y 1660 llegaron a San Lucas de Barrameda 185 mil kilos de oro y 16 millones de kilos de plata provenientes de América.

¿Saqueo? ¡No lo creyera yo! Porque sería pensar que los hermanos cristianos faltaron a su Séptimo Mandamiento.

¿Expoliación? ¡Guárdeme Tanatzin de figurarme que los europeos, como Caín, matan y niegan la sangre de su hermano!

¿Genocidio? ¡Eso sería dar crédito a los calumniadores, como Bartolomé de las Casas, que califican al encuentro como de destrucción de las Indias, o a ultrosos como Arturo Uslar Pietri, que afirma que el arranque del capitalismo y la actual civilización europea se deben a la inundación de metales preciosos!

¡No! Esos 185 mil kilos de oro y 16 millones de kilos de plata deben ser considerados como el primero de muchos otros préstamos amigables de América, destinados al desarrollo de Europa. Lo contrario sería presumir la existencia de crímenes de guerra, lo que daría derecho no sólo a exigir la devolución inmediata, sino la indemnización por daños y perjuicios.

Yo, Evo Morales, prefiero pensar en la menos ofensiva de estas hipótesis.

Tan fabulosa exportación de capitales no fueron más que el inicio de un plan 'MARSHALLTESUMA", para garantizar la reconstrucción de la bárbara Europa, arruinada por sus deplorables guerras contra los cultos musulmanes, creadores del álgebra, la medicina, el baño cotidiano y otros logros superiores de la civilización.

Por eso, al celebrar el Quinto Centenario del Empréstito, podremos preguntarnos: ¿Han hecho los hermanos europeos un uso racional, responsable o por lo menos productivo de los fondos tan generosamente adelantados por el Fondo Indoamericano Internacional? Deploramos decir que no.

En lo estratégico, lo dilapidaron en las batallas de Lepanto, en armadas invencibles, en terceros reichs y otras formas de exterminio mutuo, sin otro destino que terminar ocupados por las tropas gringas de la OTAN, como en Panamá, pero sin canal.

En lo financiero, han sido incapaces, después de una moratoria de 500 años, tanto de cancelar el capital y sus intereses, cuanto de independizarse de las rentas líquidas, las materias primas y la energía barata que les exporta y provee todo el Tercer Mundo.

Este deplorable cuadro corrobora la afirmación de Milton Friedman según la cual una economía subsidiada jamás puede funcionar y nos obliga a reclamarles, para su propio bien, el pago del capital y los intereses que, tan generosamente hemos demorado todos estos siglos en cobrar.

Al decir esto, aclaramos que no nos rebajaremos a cobrarles a nuestros hermanos europeos las viles y sanguinarias tasas del 20 y hasta el 30 por ciento de interés, que los hermanos europeos les cobran a los pueblos del Tercer Mundo. Nos limitaremos a exigir la devolución de los metales preciosos adelantados, más el módico interés fijo del 10 por ciento, acumulado sólo durante los últimos 300 años, con 200 años de gracia.

Sobre esta base, y aplicando la fórmula europea del interés compuesto, informamos a los descubridores que nos deben, como primer pago de su deuda, una masa de 185 mil kilos de oro y 16 millones de kilos de plata, ambas cifras elevadas a la potencia de 300.

Es decir, un número para cuya expresión total, serían necesarias más de 300 cifras, y que supera ampliamente el peso total del planeta Tierra.

Muy pesadas son esas moles de oro y plata. ¿Cuánto pesarían, calculadas en sangre?

Aducir que Europa, en medio milenio, no ha podido generar riquezas suficientes para cancelar ese módico interés, sería tanto como admitir su absoluto fracaso financiero y/o la demencial irracionalidad de los supuestos del capitalismo.

Tales cuestiones metafísicas, desde luego, no nos inquietan a los indoamericanos.

Pero sí exigimos la firma de una Carta de Intención que discipline a los pueblos deudores del Viejo Continente, y que los obligue a cumplir su compromiso mediante una pronta privatización o reconversión de Europa, que les permita entregárnosla entera, como primer pago de la deuda histórica...

Tras el vivir y el soñar, está lo que más importa: despertar.



fonte: https://www.conversaafiada.com.br/mundo/o-mercado-nao-apaga-lula-e-evo



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