O vereador José Carlos Chicarelli (PSDC), é aquele mesmo que pediu para que os organizadores da 1ª Farofada do Granito fossem criminalmente responsabilizados pela realização do evento e que, dias depois, em 19 de junho, durante uma sessão na Câmara Municipal conclamou a população para que saísse à rua nas manifestações. Estas manifestações que resultaram em atos de vandalismo com prejuízosde aproximadamente R$ 1,5 milhão ao patrimônio público. Já a 1ª Farofada foi só uma grande festa em forma de protesto, sem nenhuma ocorrência.
Com relação a 1ª Farofada, até entendo o posicionamento do Vereador Chicarelli, ele é ligado a Associações de Bares e Restaurantes e talvez, estivesse apenas preocupado com a possibilidades de que o evento pudesse trazer algum prejuízo à imagem dos chiques botecos da região mais diferenciada da cidade.
Já o cartaz conclamando para que a população saísse às ruas no último dia 19…
Vai ver, faltavam melancias disponíveis nas proximidades da Câmara Municipal e um colar de tomates à Ana M. Braga, já saiu de moda faz tempo. (Prof. Galdino que se cuide, logo perde o posto de clown principal na nossa casa de leis)
Ainda não satisfeito, nosso insigne vereador debutante, na segunda feira resolveu anunciar que estava no processo de coleta de assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal, para investigar a situação do transporte coletivo na capital.
Oportunismo barato ou compromisso real com os curitibanos?
Não tenho resposta para o questionamento acima, tenho apenas mais questionamentos:
Apesar da louvável iniciativa do vereador, qual é o real poder de investigação de uma turma de vereadores numa Câmara Municipal, ainda mais nestes tempos em que liminares permitem que investigados se mantenham em silêncio durante seus depoimentos?
E, muito pior, para que servem mesmo as CPIs, a não ser para dar visibilidade a seus membros?
A CPI do caso Derosso no ano passado, resultou em alguma coisa?
E tantas outras CPIs no congresso federal nos últimos anos. CPIs do Banestado, dos precatórios, das ambulâncias, dos bingos, da telefonia móvel resultaram em algo prático? Algo além de gigantes e indigestas pizzas.
Pois é. Os legislativos se “empenham” nas “investigações”, encaminham os resultados para o Ministério Público e o MP faz o que com estes resultados? Engaveta conforme o poder e a influência dos denunciados.
(Parabéns pra você que levantou cartazes contra a PEC-37, vai tudo continuar do mesmo jeitão!)
Não sejamos ingênuos, por melhores que sejam as intenções de nossos vereadores com essa CPI, é preciso lembrar que a máfia do transporte na cidade de Curitiba está amparada por contratos legais decorrentes da licitação do transporte feita durante o mandato de Beto Richa no comando da cidade. Contratos tão benéficos para os empresários que, segundo Rogério Galindo do Caixa Zero, não importa qual o valor da passagem, os empresários sempre irão receber o valor da tarifa técnica por cada passageiro que passar pela roleta, hoje em R$ 2,99. Faz algum sentido esta tarifa técnica.
Por melhores que sejam as intenções de Gustavo Fruet a respeito das tarifas e da qualidade do transporte, ele está amarrado a estes empresários. Não custa nada lembrar que, Osmar Bertoldi, Secretário da Habitação no município, pertence a uma das famílias de empresários do Transporte Público da cidade.
Além disso, os empresários do Transporte Público têm forte influência nos bastidores da política nas terras de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais e nem é preciso usar mais do que dois neurônios para prever que esta CPI não vai dar em nada além de mais uma indigesta pizza com ampla cobertura midiática.
Nossos vereadores podem até tentar revisar os contratos e tentar quebrar este monopólio, mas não vão conseguir, pelo menos, não com a abertura de CPIs.
A mutreta da gestão anterior é tão bem costurada que só veremos algum resultado, caso sejam disponibilizados os custos reais da tarifa técnica, coisa que duvido.
Seria muito mais oportuno se nossos nobres vereadores pensassem em alternativas viáveis para concorrer com a atual máfia do transporte curitibano. Para isso, temos os R$ 1,2 Bí disponibilizados pelo PAC da mobilidade, graças a Copa do mundo no Brasil. E também os R$ 50 bilhões anunciados pela presidente em um de seus últimos pronunciamentos.
Mas será que algum dos nossos nobres vereadores está realmente preocupado com a máfia do transporte ou com a qualidade e o preço do transporte em Curitiba?
Ou tudo isso é só mais um festival pirotécnico, na vã tentativa de acalmar as massas e garantir os holofotes da imprensa durante mais uma CPI inútil?
Polaco Doido
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