Veja a decisão da Justiça do Rio que pode matar o Viomundo, o Blog de Luiz Carlos Azenha

March 31, 2013, by Unknown - No comments yet

Clique aqui para ver a decisão de magistrada do Rio de Janeiro que condenou o jornalista e blogueiro a pagar R$ 30 mil ao Diretor da Rede Globo Ali Kamel por danos morais, o que pode inviabilizar a continuação do Viomundo. Filed under: Política Tagged: Luiz Carlos Azenha Viomundo



Entrevista com Valter Pomar: PT, um partido ímpar

February 14, 2013, by Bertoni - No comments yet

Artigo sugerido por O Eletricitário

O jornal Página 13 entrevista nesta edição Valter Pomar, membro do Diretório Nacional do PT e Secretário Executivo do Foro de São Paulo. O dirigente petista faz uma análise da trajetória do partido que completa 33 anos, no dia 10 de fevereiro. Fala sobre os dez anos do partido frente ao Governo Federal; e a necessidade de que o Processo de Eleições Diretas, que será realizado este ano seja capaz de formular uma nova estratégia para o PT enfrentar a atual situação política, nacional e regional e mundial.

 

PG13 – O PT completa 33 anos no dia 10 de fevereiro. Qual é a diferença do PT de 1980 e de hoje?

Valter Pomar – A principal diferença é que hoje somos governo nacional e temos melhores condições para materializar nossas propostas. Mas conquistamos a presidência de República em condições muito diferentes daquelas que existiam em 1980 ou em 1989. O PT é diferente, o Brasil é diferente, a América Latina e o mundo são diferentes.

 

PG13 – O que mudou desde fundação do PT para cá?

Valter Pomar – De maneira geral, a onda neoliberal que começou nos anos 1970 afetou negativamente o mundo do trabalho, as nações em desenvolvimento, o estado de bem estar europeu, o socialismo de tipo soviético e causou imensos estragos na cultura progressista, democrática, de esquerda em todo o mundo. Tudo isto constrange o potencial de um governo de esquerda.

 

PG13 – Como, apesar deste contexto negativo, o PT ganhou as eleições presidenciais?

Valter Pomar – Há várias causas. O neoliberalismo chegou tardiamente no Brasil, quando já estava refluindo no resto do mundo. Em parte por isto, em parte por nossas virtudes, conseguimos impedir os tucanos de implementar o neoliberalismo até o fim: por exemplo, preservamos estatais importantes, como o Banco do Brasil e a Petrobras. O que quer dizer que a correlação de forças aqui não era tão negativa quanto em outras partes. Por outro lado, apesar de também ter sido impactado, o PT conseguiu ampliar sua influência eleitoral nos anos 90, o que funcionou como um contraponto ao refluxo das lutas sociais naquele mesmo período e funcionou como um acúmulo de forças fundamental para entender a vitória de 2002. E, por fim, há um fato importantíssimo: uma parte da burguesia brasileira estava descontente com o fundamentalismo neoliberal de FHC e não fez contra Lula 2002 o que havia feito contra o Lula 1989. Essas são algumas das causas que nos levaram a vencer. A correlação de forças não impediu o PT de ganhar as eleições presidenciais de 2002, mas produziu um governo muito diferente do que faríamos, por exemplo, se tivéssemos vencido em 1989. Naquela época teríamos um governo de esquerda, já a partir de 2003 tivemos um governo de centro-esquerda.

 

PG13 – Em que o PT avançou?

Valter Pomar – Aqui é preciso distinguir as coisas. O PT nos anos 80 era o partido da luta contra a ditadura e contra a transição conservadora, um partido de oposição, ancorado nas lutas sociais e no socialismo como objetivo. Já nos 90 nos convertemos em alternativa de governo contra o neoliberalismo. E a partir de 2003, viramos o partido do presidente da República. Assim, do ponto de vista de massa, nossos êxitos se confundem com os êxitos do governo, que de maneira muito resumida consistem em ter melhorado a vida do povo, recuperado o papel do Estado e adotado uma política de integração regional. Numa frase, estamos nos desfazendo da herança maldita do neoliberalismo. Mas o Partido não pode ser avaliado apenas pelo que fez ou deixou de fazer enquanto governo. Temos objetivos históricos que vão muito além daquilo que um governo é capaz de fazer. E, neste aspecto, o balanço é mais contraditório.

 

PG13 – Você acha que nesses anos o PT retrocedeu?

Valter Pomar – As pesquisas, inclusive as nossas, mostram que o PT segue sendo o partido com maior apoio popular, 24%, muito à frente do segundo colocado, que é o PMDB, com 6%. Mas somos os maiores, num ambiente em que cai o número de brasileiros e brasileiras que manifestam preferência por algum partido: 61% em 1988, 44% em 2012. De maneira geral, podemos dizer que nos últimos dez anos melhoraram as condições materiais de vida do povo brasileiro, mas a subjetividade popular não acompanhou o ritmo. Por subjetividade, eu me refiro ao ambiente cultural em geral, à postura dos meios de comunicação e da indústria cultural, à qualidade da educação pública, à auto-organização social, à democratização da política e à vida interna dos partidos. No concreto: hoje no PT temos mais filiados-eleitores que filiados-militantes. E nossa vida interna, nosso debate, está longe, muito longe, da que necessitamos para governar e principalmente transformar profundamente o país.

 

PG13 – Apesar disto, podemos falar que o PT é hoje o maior partido de esquerda da América Latina e um dos maiores do mundo?

Valter Pomar – Eu evito usar esta expressão, porque me recorda uma frase de um ministro da ditadura militar acerca da Arena. Brincadeiras a parte, o PT não é dos maiores partidos do ponto de vista numérico. Pode ser que esteja enganado, mas acho que o percentual de brasileiros filiados ao PT é inferior ao de uruguaios filiados à Frente Ampla. Aliás, o PT precisa crescer muito em número de filiados, o que exigirá garantir a existência de núcleos, de formação e de comunicação partidária. Mas voltando a tua pergunta, embora numericamente possamos não ser os maiores, ao menos proporcionalmente, do ponto de vista político o PT é visto hoje como um dos partidos mais importantes do mundo e da América Latina. Não apenas porque governamos o Brasil, com os êxitos já citados, mas também porque expressamos uma esquerda que soube resistir relativamente bem à crise do socialismo soviético e da social-democracia.

 

PG13 – Quais os principais desafios do Partido para o próximo período?

Valter Pomar – Um dos desafios é não viver do passado glorioso, nem se conformar com o presente exitoso. Noutras palavras: o PT não pode virar um partido que tem um grande passado pela frente. Até porque, se fizermos isto, seremos derrotados pela direita, que está se renovando, se reciclando, nos atacando e experimentando caminhos para nos derrotar. Outro desafio é deixar de ser um partido de anos pares, ou seja, um partido que vive fundamentalmente em função dos processos eleitorais, dos governos, dos mandatos parlamentares e do pagamento das dívidas das campanhas anteriores. Temos quer voltar a ser um partido que atua também nos anos ímpares e que sabe combinar luta social, luta ideológica, construção e partidária, com disputa eleitoral, ação parlamentar e governamental. Foi com esta combinação de formas de luta que acumulamos forças para vencer em 2002. Um terceiro desafio é construir uma estratégia que nos permita passar para uma nova etapa, uma etapa de reformas estruturais no país. Aqui, em minha opinião, trata-se de atualizar o programa e a estratégia democrático-popular e socialista que o PT elaborou nos anos 80. Até porque, o sucesso relativo de nossa ação governamental está recolocando os dilemas estratégicos que o Brasil viveu naquela época. Evidentemente, um quarto desafio é a reeleição para a presidência em 2014, ampliar nossa presença nos governos estaduais e nos parlamentos.

 

PG13 – Neste ano, além das comemorações dos 33 anos do PT, o partido realiza o Processo de Eleições Diretas. Qual é a importância do PED?

Valter Pomar – Depende. Se o regulamento do PED for respeitado, ou seja, se houver debate, democracia interna e, principalmente, se pararmos de importar para dentro da nossa vida interna práticas oriundas das eleições tradicionais, se tudo isto for feito, o PED pode ser muito importante para formular uma nova estratégia para o PT enfrentar a nova situação política, nacional e regional e mundial. Resumidamente: em parte por causa dos efeitos da crise, em parte porque a burguesia não gosta da combinação de salários altos e desemprego baixo, está ocorrendo uma mudança na postura do grande capital frente ao governo federal encabeçado pelo PT. Ou seja, estão deixando de existir aquelas condições excepcionais que permitiram a um governo de centro-esquerda, liderado por Lula, melhorar a vida dos pobres e garantir grandes lucros aos ricos. O PED é o momento de debater esta nova situação e de decidir que caminho seguir. Claro que haverá os que defendem que o caminho a seguir é fazer concessões ao capital, via concessões, desonerações, subsídios e flexibilizações na legislação trabalhista e social. Confio, entretanto, que a maioria do Partido vai optar por outro caminho: mais democracia, reformas estruturais, fortalecer o mundo do trabalho, reafirmar nossos compromissos socialistas.

 

PG13 – O que diria para o militante petista e para o simpatizante do partido nos 33 anos do PT? Qual é hoje o principal inimigo e a principal ameaça ao PT?

Valter Pomar – Se me pedem para escolher um, eu diria que o principal inimigo é o monopólio da mídia. Hoje, as grandes empresas de comunicação são o quartel-general da direita, dos conservadores. Não apenas do antipetismo, mas anti-esquerda, anti-movimentos sociais, anti-democracia. Agora, a principal ameaça que paira sobre nós é a postura conivente, complacente, tímida, recuada, com que alguns setores do PT e da esquerda em geral tratam este tema. O inimigo está na dele, está fazendo o seu papel, que é o de nos desmoralizar para nos destruir. O problema está em como atuamos frente a isto. Temos que construir os nossos meios de comunicação próprios, temos que democratizar a verba publicitária dos governos que dirigimos, temos que fazer cumprir as leis (por exemplo, parlamentares não podem ser proprietários de concessões públicas de rádio e TV) e temos que alterar a legislação que regula a comunicação social.

 

PG13 – Mas o PT já está há dez anos no governo e, como você diz, pouco avançamos na tão sonhada democratização da comunicação. Por quê?

Valter Pomar – Na minha opinião, prevaleceu no governo uma linha incorreta, de conciliação com as grandes empresas de comunicação. O problema de fundo é o seguinte: a saúde é um direito público, a educação é um direito público, é dever do Estado garantir estes direitos, podendo o setor privado ter um papel complementar, mas sob supervisão pública. Pois bem: na comunicação deveria valer o mesmo critério. Mas na prática segue prevalecendo o contrário: a informação e a comunicação são controlados pelo setor monopolista privado, com quase nenhuma supervisão pública, mas com amplo financiamento público via propaganda governamental. Nós temos os recursos humanos e financeiros necessários para ter uma comunicação pública de imensa qualidade, assim como para ter uma comunicação privada democrática e plural; falta vontade política. E temos a obrigação de democratizar as verbas publicitárias, muito mais do que aquilo que já foi feito.

 

PG13 – Quero insistir no assunto governo. Em 2013, o partido também comemora os 10 anos do Governo Democrático e Popular. O PT conseguiu os avanços a que se propôs enquanto governo e se manteve fiel à sua plataforma?

Valter Pomar – Não foram dez anos de governo democrático-popular. Foram dez anos de governo federal encabeçado pelo PT. Assim está, aliás, no documento que convoca o Quinto Congresso petista. Infelizmente, na hora de dar nome ao evento, acho que alguém ficou com medo de melindrar os aliados com a história de encabeçado pelo PT; e como falar de governo de centro-esquerda é meio frustrante, tacaram a expressão democrático-popular. Sei que para alguns pode parecer uma firula terminológica, mas não é: precisamos exatamente de um governo que faça reformas estruturais no país, por exemplo, a tributária e a agrária, e o nome que sempre demos a isto foi exatamente governo democrático-popular. Feita esta ressalva, a resposta a tua pergunta é: mais ou menos. A plataforma do PT não foi globalmente executada nestes dez anos de governo. Em alguns casos, porque a correlação de forças impediu; noutros casos, porque durante muitos anos prevaleceu no Partido a tese de que é melhor um mal acordo do que uma boa briga. Apesar disto, estes dez anos podem e devem ser comemorados: com todas as limitações e contradições, trilhamos o caminho da superação do neoliberalismo, melhoramos a vida do povo e incentivamos a integração regional. Historicamente, não é pouca coisa. Mas, também historicamente, não é o suficiente. A desigualdade continua brutal, a maioria do povo ainda não tem acesso ao bem-estar social, a democracia política continua refém das elites.

 

PG13 – Você é um dos dirigentes da Articulação de Esquerda, tendência petista que este ano está comemorando 20 anos de fundação. De que forma a AE colaborou para a construção do PT e no que continua a colaborar?

Valter Pomar – Nos anos 80, a tendência hegemônica no PT era a chamada Articulação. Depois de 1989, houve um grande debate no Partido e nesta tendência, sobre como atuar no contexto da ofensiva neoliberal e da crise do socialismo. Este debate resultou, primeiro, numa guinada à direita, que se tivesse prevalecido teria transformado o PT num partido social-democrata. Num segundo momento, como reação, houve um giro à esquerda: entre 1993 e 1995, uma precária maioria de esquerda controlou o Diretório Nacional do PT. Num terceiro momento, a maioria de esquerda foi desalojada: perdemos o 10º Encontro Nacional do PT por apenas 2 votos na tese guia e 16 votos na escolha do presidente do Partido. Durante dez anos, entre 1995 e 2005, a esquerda partidária cumpriu um papel de resistência, oscilando entre 45% e 30% do Diretório Nacional. A Articulação de Esquerda vertebrou, ao lado de tendências como a Democracia Socialista e a Força Socialista, esta resistência. Certamente cometemos muitos erros, mas olhando para trás acho que cumprimos um papel importante para o PT: sem nós, sem a pressão que exercíamos, a maioria moderada do PT poderia ter levado o Partido para um caminho de desacumulação de forças. Dou como exemplos disto: a tentativa de fazer o PT participar da revisão constitucional, que poderia ter nos custado algumas estatais; a tentativa de aprovar o parlamentarismo, que inviabilizaria de fato o governo Lula; a tentativa de lançar outro candidato presidencial, que não Lula, em 1998; e as ridículas tentativas de tratar o PSDB como nosso aliado, tentativas que até recentemente causaram desastres, como em Belo Horizonte.

 

PG13 – Qual é o principal legado da AE e desafios daqui para frente?

Valter Pomar – Acho que nosso principal legado foi o que ajudamos a fazer em 2005. Naquele ano, a direita se empenhou a fundo em destruir o PT. Aproveitou-se, para isto, de erros cometidos por setores do próprio Partido. E, frente ao ataque da direita, outros setores do Partido se acovardaram ou ficaram em tamanha defensiva que não conseguiam, nem mesmo, dizer um único motivo para acreditar, defender e votar no PT. Nós da Articulação de Esquerda, igual a outros setores do petismo, não titubeamos em defender o PT e acho que cumprimos ali um papel muito importante. Embora, é preciso dizer, o papel fundamental tenha sido cumprido pelo petista anônimo, aquela montanha de gente que não apenas foi votar no PED de 2005, mas defendeu o PT na rua.

 

PG13 – A AE terá candidato no PED. Quem será? Qual a plataforma da corrente para o PT?

Valter Pomar – Teremos candidato, que pode ser alguém da própria Articulação de Esquerda, neste caso provavelmente eu mesmo, assim como pode ser alguém integrante de outro setor, desde que óbvio tenha identidade programática com aquilo que defendemos. Nossa plataforma estará disponível em março, no endereço www.pagina13.org.br Seu componente central é: uma nova estratégia para um novo período. Basicamente, defendemos que é preciso passar da ênfase na superação do neoliberalismo, para a ênfase nas reformas estruturais. E que para isto é preciso outro tipo de comportamento partidário: mais mobilização, mais organização de base, mais formação, mais comunicação, mais defesa do projeto socialista. Um partido também para os anos ímpares, como creio já ter dito antes.

 

PG13 – Qual é a sua avaliação sobre a crise de 2005 e a AP 470?

 

Valter Pomar – A crise de 2005 tem duas facetas: por um lado, o ataque hipócrita da direita, que tentou transformar um caso de caixa 2 numa crise constitucional e no supostamente maior escândalo de corrupção na história do país; por outro lado, os erros de importantes dirigentes, que se terceirizaram parte das finanças partidárias para um criminoso tucano chamado Marcos Valério. Como a direita não conseguiu nos destruir em 2005, nem conseguiu nos derrotar em 2006 e 2010, abriu-se para eles o caminho da judicialização da política em geral, e para esta estratégia o caso de 2005 caia como uma luva. Por isto sempre afirmei que o processo no Supremo Tribunal Federal resultaria em condenações. Curiosamente, alguns dos condenados achavam o contrário. A mesma ilusão de classe que os levou a promiscuidade com Marcos Valério, os levou a acreditar no suposto caráter técnico da corte suprema. Claro que para fazer as condenações, foi necessário criar uma nova jurisprudência. Aos inimigos, nem mesmo a lei…

 

PG13 – O que você pensa sobre os atos que são organizados Brasil afora pelo companheiro José Dirceu?

Valter Pomar – Eu penso que ele está no direito dele se defender, até porque sua condenação foi sem provas. Mas se eu fosse ele, agiria totalmente diferente. Primeiro, pelo papel que ele jogou na construção do PT e na direção do Partido durante a primeira fase do governo Lula, acho que ele tem a obrigação de apresentar um balanço crítico e autocrítico de sua atuação. Em segundo lugar, acho que ele deveria acompanhar as deliberações do Diretório Nacional do PT acerca do assunto, que evitam cair na armadilha montada pela direita, que pretende transformar as condenações de alguns filiados em condenação de todo o Partido. Na minha opinião, Dirceu não percebe que a tarefa de defender o PT não deve ser confundida com a tarefa de defender os condenados pelo STF. Em terceiro lugar e mais importante, eu teria enfrentado este tema ainda em 2005, assumindo a responsabilidade política pelos erros cometidos. Se tivéssemos feito isto, estaríamos todos nós, ele inclusive, em melhor condição, agora.

 

PG13 – Então você acha que estes atos não ajudam ao Partido?

Valter Pomar – Como disse, acho que o Dirceu tem o direito de se defender. E acho que os militantes que se sentem solidários a ele, podem e devem participar. Mas na minha opinião política, estes atos não ajudam o Partido, não ajudam o governo e não ajudam os condenados. O PT deve continuar denunciando os atropelos cometidos pelo STF, deve continuar prestando solidariedade aos condenados, sem que isto implique em deixar de reconhecer os graves erros que foram cometidos. Mas a defesa do PT passa pela ação do Partido em torno dos grandes temas da pauta nacional. Quem quer e precisa colocar este tema no centro da pauta é a direita, não nós.

 

PG13 – Qual é a posição da AE a respeito da reforma agrária? Qual é a avaliação da corrente sobre a atuação do governo nesta área?

Valter Pomar – Somos totalmente a favor da reforma agrária. Tanto antes, quanto agora. Seja para combater a inflação, seja por segurança alimentar, seja para democratizar a propriedade e o poder, a reforma agrária é fundamental. O desempenho dos nossos governos, nesta área da reforma agrária estritamente falando, é medíocre. O correto seria que a reforma agrária tivesse a mesma importância e a mesma qualidade que a política agrícola, o apoio aos assentados e aos pequenos produtores.

 

PG13 – Financiamento Público de campanha é fundamental para que?

Valter Pomar – Para que haja democracia. Hoje, a eleição é deformada pelo poder do dinheiro. Não há democracia que resista a isto. E, como a grana chama grana, o investimento das empresas na democracia gera leis e governos em favor das empresas doadoras, gerando também corrupção. A corrupção é um efeito colateral inevitável do financiamento privado empresarial das campanhas eleitorais.

 

PG13 – Qual é a pauta prioritária para o PT no próximo período? Na sua avaliação em que devemos centrar nossas lutas?

Valter Pomar – Politicamente falando? Reforma política e democratização da comunicação. O PT tem que aproveitar este ano, aproveitar o PED, aproveitar seu Congresso, para debater com a sociedade brasileira sobre os grandes temas de nosso país, sobre o balanço de nossos governos, sobre os desafios futuros e sobre os grandes obstáculos políticos a este futuro, hoje: a influência do poder econômico nas campanhas eleitorais e a deformação informativa e comunicacional imposta pelos monopólios da mídia.

 

PG13 – E com a classe trabalhadora qual deve ser a nossa relação?

Valter Pomar – O PT continua sendo o Partido preferido pela maior parte dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras. E também somos o partido preferido da maior parte dos militantes sociais. O problema é que a pauta da mobilização social, no sentido amplo da palavra, não apenas reivindicativo, não ocupa um lugar central na agenda das direções partidárias. Ao lado deste problema, que vem dos anos 1990, há um problema novo: o surgimento de uma nova classe trabalhadora, geracionalmente e sociologicamente, isto que alguns chamam indevidamente de nova classe média. O PT precisa buscar este setor, organizá-lo, mobilizá-lo, impedir que a direita o hegemonize. Em especial a juventude, com destaque para a juventude trabalhadora, que tem que ser reconquistada pelo PT. E para isto precisamos de uma conduta muito forte, que vai desde o funcionamento e postura do PT e da Juventude Petista, passando por fortalecer nosso agir cultural, as politicas de governo etc.

 

PG13 – E  com os países da América Latina, da Europa que encontra-se em crise e EUA?

Valter Pomar – O PT tem uma política internacional bastante ativa, mas os recursos humanos e materiais disponíveis são ínfimos perante a imensidão da tarefa. Na secretaria de relações internacionais do PT temos, contando dirigentes e funcionários, sete pessoas. Quando contamos isto para os chineses ou para os franceses, eles não conseguem acreditar: seus departamentos de relações internacionais contam com mais gente. Se o PT quiser ampliar sua influência internacional, precisamos conhecer mais, elaborar mais, difundir mais o que fazemos e ter presença física mais intensa em todo o mundo. Não são tarefas difíceis em si, apenas exigem recursos, empenho e paciência para formar novos quadros. Felizmente, embora o PT estrito senso tenha pouca gente envolvida, o petismo no sentido amplo da palavra é muito presente na vida internacional, através dos nossos quadros que atuam na área, seja em movimentos sociais, ONGs, nas universidades e centros de pesquisa, governos e parlamentos. Este petismo internacionalista é fundamental para o PT e muitas vezes é o que suplemente a debilidade do aparato partidário.

 

PG13 – O que é ser socialista e defender o PT?

Valter Pomar – É fazer o que fazemos. Claro que quando eu vou a algumas atividades, onde a mesa de debate é composta apenas por organizações de ultra-esquerda, uma mais radical que a outra, é difícil. Mas quando eu lembro que o Brasil real é completamente diferente da composição daquela mesa de debate, quando eu lembro que a esquerda brasileira detém apenas 30% do parlamento nacional, quando eu lembro o ódio que a burguesia, a direita e o PIG têm contra o PT, quando eu penso no papel que o PT e o governo brasileiro jogam no mundo, quando eu penso no quanto melhorou a vida do povo nesses dez anos, aí eu acho que defender o PT é uma das coisas mais fáceis e necessárias.

De maneira similar, quando vou a reuniões dominadas por gente acrítica e burocratizada, que acham que está tudo 100% bem, que tem como horizonte máximo administrar, fica difícil. Mas basta mudar de ambiente, para ver que há dezenas ou centenas de milhares de petistas que não querem apenas governar, querem transformar o país e o mundo. Que não aceitam o neoliberalismo e o capitalismo como horizontes intransponíveis. E que não entraram no PT para fazer carreira, para ter cargos, mas sim para organizar e potencializar sua militância. Nestas horas, eu continuo achando válida uma opinião que eu tinha nos anos 80, ou seja, que o petismo pode ser o socialismo adequado às condições brasileiras. A conferir, pois esta história ainda está sendo escrita.



Charge: ICI – Instituto Caixa-Preta de Informática

January 21, 2013, by Unknown - No comments yet

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A partir de hoje o Blog do Tarso vai contar com a charges do cartunista Lucas Fier. A estreia é sobre o ICI – Instituto Curitiba de Informática, uma associação privada que recebe milhões da prefeitura de Curitiba, mas não respeita a Lei de Acesso à Informação e não divulga os valores recebidos da prefeitura, o dinheiro que repassa para empresas privadas, o salário de seus dirigentes, entre outras informações de interesse público. O prefeito Gustavo Fruet (PDT) está tentando assumir o poder no ICI, já que foi eleito de forma democrática com a promessa de deixar o ICI mais transparente.

 


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Beto Richa investe quase metade do que Requião em infraestrutura escolar

January 21, 2013, by Unknown - No comments yet

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Nos dois anos do governo Beto Richa (PSDB) foi investido na infraestrutura escolar pela Secretaria de Estado da Educação – Seed bem menos do que a média dos valores aplicados no governo de Roberto Requião (PMDB), segundo a Gazeta do Povo.

Beto Richa investiu R$ 70,3 milhões por ano e Requião, entre 2007 e 2010, investiu na média anual R$ 130,1 milhões.

Por favor 2014, chega logo!


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FHC e a memória leviana

December 5, 2012, by Unknown - No comments yet

Memória golpista: Operações da Polícia Federal durante FHC, Lula e Dilma. FHC: 48 operações; Lula: 1.273 operações com 15.754 presos. E agora, FHC? Continuar lendo



Respeitando o passado do Governo de FHC

December 4, 2012, by Unknown - No comments yet

Respeitem o passado de FHC! Continuar lendo



ABSURDO: Matriz Curricular única do PR (SEED)

November 23, 2012, by Unknown - No comments yet

Parana Governo Beto Richa: Ganhamos duas novas disciplinas, que ninguém sabe de onde surgiram porque pessoas de gabinete decidiram. Embora, tenham a cara de pau de falar que houve uma “ampla discussão entre professores e alunos”. Companheiros, alguém de vocês foi realmente consultado? Continuar lendo



OLHOS AZUIS #ConsciênciaNegra #20NOV

November 20, 2012, by Unknown - No comments yet

#20NOV Consciência Negra: O objetivo do exercício é colocar pessoas de olhos azuis na pele de uma pessoa negra por um dia. Para isso, ela rotula essas pessoas, baseando-se apenas na cor dos olhos, com todos rótulos negativos usados contra mulheres, pessoas negras, homossexuais, pessoas com deficiências físicas e todas outras que sejam diferentes fisicamente. Continuar lendo



É momento de flexibilizar leis trabalhistas? NÃO

November 17, 2012, by Unknown - No comments yet

Hoje na Folha de S. Paulo

Por Renato Henry Sant’anna, presidente da Anamatra

Pleno emprego como justificativa falsa

Tenho observado, recentemente, uma onda de estudiosos, autoridades e juristas imprimindo na sociedade um discurso preocupante: o da necessidade de mudanças na legislação trabalhista, sempre sob a justificativa de sua “modernização”.

Trata-se de uma análise superficial, que serve a um grave movimento que cada vez mais ganha força dentro do Brasil: a luta pela maximização dos lucros, como se a existência de direitos fosse obstáculo ao desenvolvimento.

Os juízes do trabalho entendem que é necessária a manutenção de um sistema de proteção ao trabalho integrado de normas irrenunciáveis, que estão longe de serem excessivas ou prejudiciais ao desenvolvimento social e econômico. São garantias alcançadas através de muita luta pelo cidadão brasileiro no decorrer de décadas, que não podem ser ameaçadas por um perigoso e falso discurso onde o capital e a precarização vencem.

Como vivemos um período de crescimento e com baixas taxas de desemprego, alguns atores sociais parecem ávidos para vislumbrar nas crises de outros países uma oportunidade de “patrocinar” medidas contrárias aos direitos dos trabalhadores e à própria estabilidade social do Brasil.

Exemplos de que tais discursos encontram eco entre os Poderes da República são a “reforma da CLT” em discussão no Poder Executivo, a regulamentação da terceirização, o projeto do Simples Trabalhista e o acordo coletivo de finalidade específica. Podem ser resumidos em uma perigosa constatação de que estamos a caminho de legalizar o trabalho precário no Brasil.

Não que uma ou outra atualização da CLT não deva ser discutida, mas apenas e sempre no campo restrito da terminologia e da adaptação às novas tecnologias e realidades. Mas que isso não sirva como um pretexto para que o trabalho seja tratado como mercadoria e a dignidade do trabalhador seja ameaçada, sempre sob justificativa meramente econômica.

Precisamos ser conservadores quando o que está em jogo é o direito do trabalho e o cumprimento da Constituição. Seria de se perguntar por que os admiradores dos chamados países desenvolvidos não se interessam em copiar seus exemplos de estabilidade das leis e de boa qualidade no campo dos direitos trabalhistas.

Se quisermos discutir modernidade, precisamos primeiro debater propostas “varridas para debaixo do tapete”, como os direitos das domésticas, os mecanismos para coibir a despedida arbitrária, a erradicação do trabalho escravo, acabar com a chaga do trabalho da criança e uma reforma sindical verdadeira: aquela que resgata o papel histórico dos sindicatos, priorizando, por exemplo, a negociação coletiva como forma de prevenir litígios, e não, como se pretende, para estender perigosamente ao Brasil todo uma realidade excepcional de pressão de algumas categorias ou regiões.

Os juízes do trabalho convivem diariamente com o embate entre trabalhadores e empregadores. A existência de regras claras e estáveis serve para organizar o sistema de produção. Atua em benefício de todos, trabalhadores e patrões.

Mas não podemos esquecer que a Constituição, ao enumerar alguns direitos dos trabalhadores, deixou claro que outros podiam ser pensados, desde que para melhoria da condição social. O direito do trabalho, assim como a vida, anda para frente, não retrocede.

O momento é de alerta à sociedade: a estrutura dos direitos sociais está em risco. Os trabalhadores não têm direitos em excesso. Não é essa a reforma que o Brasil precisa. Que todos fiquem atentos.

RENATO HENRY SANT’ANNA, 46, é juiz do trabalho em Ribeirão Preto (SP) e presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra)

*Observação do Blog do Tarso: veja agora a posição pelo SIM, de um neoliberal inimigo dos trabalhadores e dos direitos sociais:

É momento de flexibilizar leis trabalhistas?

SIM

Chance de trocar a tutela pelo diálogo

Em 1º de maio de 1943, quando assinou o decreto instituidor da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), o presidente Getúlio Vargas, protagonista de uma das ditaduras da República no século passado, certamente não imaginou que o Brasil democrático de 2012 estaria com pleno emprego e teria no capital humano sua melhor oportunidade de conquistar o desenvolvimento.

Se tal hipótese lhe tivesse ocorrido, talvez deixasse brechas no texto para futura flexibilização.

Infelizmente, passados 69 anos, num Brasil e num mundo inimagináveis na década dos 40, continuamos com a legislação trabalhista de um tempo diferente.

Nele, o homem travava a Segunda Grande Guerra e ainda não havia ido à Lua, a União Soviética era uma potência socialista, o Japão nem sonhava em ter economia próspera, a China era um regime comunista fechado, a Zona do Euro não existia, globalização nem figurava nos dicionários, computadores, internet e celulares eram ficção científica e as pessoas tinham de lutar muito para garantir um mínimo de respeito aos direitos individuais e coletivos.

O anacronismo de nossa legislação trabalhista desrespeita a democracia e a prevalência do indivíduo e da sociedade sobre o Estado. O brasileiro não precisa ser tutelado!

Por isso, é desconfortável constatar que as únicas mudanças até agora feitas na CLT a empurraram mais ao passado: contribuições sociais sobre verbas indenizatórias, incertezas dos nexos causais nas doenças profissionais, licenças ampliadas, novo aviso prévio e insegurança jurídica quanto ao trabalho à distância e/ou terceirizado.

Além de extemporâneas, alterações a varejo não atendem à necessidade de atualizar leis. Precisamos de ampla e lúcida reforma trabalhista.

Não é prudente nos apegarmos a uma situação de pleno emprego para nos resignarmos ao arcaico, pois há obstáculos persistentes. A taxa oficial de desemprego está em torno de 5%, mas três em cada dez trabalhadores seguem na informalidade. Além disso, a desigualdade de renda ainda é grande, são impetradas no Brasil cerca de dois milhões de ações na Justiça do Trabalho ao ano e país ocupa o 121º lugar no ranking do Fórum Econômico Mundial quanto à flexibilidade da lei trabalhista.

Urge, portanto, modernizá-la, de modo que empresas e trabalhadores tenham força e articulação para promover o crescimento sustentado e solucionar problemas que conspiram contra a competitividade: burocracia, juros e impostos elevados, câmbio sobrevalorizado, infraestrutura insuficiente, saúde e educação precárias.

É necessário resgatar a nossa competitividade ante a concorrência estrangeira, pois as importações criam em outras nações empregos financiados pelo consumidor brasileiro, como ocorre com a impressão de livros de nosso país em gráficas chinesas. Dentre os avanços, é prioritário reduzir os encargos que empresas e trabalhadores recolhem ao governo, de modo que esse dinheiro engorde os salários e multiplique investimentos produtivos.

A reforma trabalhista deve valorizar a liberdade de negociar, consagrada, aliás, na Constituição.

Em vez de impositiva, é mais pertinente uma lei moderna, que preserve os direitos, mas incentive o diálogo democrático. Sem dúvida, é por meio dessa postura madura e avançada, congruente com as demandas da economia mundial, cada vez mais competitiva, que continuaremos crescendo e desbravando nosso caminho ao futuro.

FABIO ARRUDA MORTARA, 58, empresário, é diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP) e da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf)


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Nota do PT sobre a Ação Penal 470 #AP470

November 14, 2012, by Unknown - No comments yet

O PT, amparado no princípio da liberdade de expressão, critica e torna pública sua discordância da decisão do Supremo Tribunal Federal que, no julgamento da Ação Penal 470, condenou e imputou penas desproporcionais a alguns de seus filiados. Continuar lendo



Futuro do Blog do Tarso está nas mãos do Ministro Marco Aurélio

October 26, 2012, by Unknown - No comments yet

Tarso Cabral Violin e o Ministro Marco Aurélio Mello, na XXI Conferência Nacional dos Advogados, ocorrida em Curitiba nos dias 20 a 24 de novembro de 2011

Para quem acompanha a saga das duas multas aplicadas pelo TRE/PR a mim, Tarso Cabral Violin, editor-presidente do Blog do Tarso, no valor total de R$ R$ 106.410,00, os dois agravos de instrumento interpostos junto ao TSE pelo grande advogado Guilherme Gonçalves foram sorteados para o Ministro Marco Aurélio Mello, Ministro do TSE e do STF:

27.354/2012 AI-117471 117471.2012.616.0001

27.353/2012 AI-117556 117556.2012.616.0001

Você pode acompanhar o processo se registrando no link do TSE, clique aqui.

Agora é esperar a decisão pelo seguimento dos recursos especiais.

Quem diria, na XXI Conferência Nacional dos Advogados, ocorrida em Curitiba nos dias 20 a 24 de novembro de 2011, entreguei meu livro sobre Terceiro Setor para o Ministro Marco Aurélio, por ele ter pedido vista na ADIN das OS, com a esperança que ele vote pela inconstitucionalidade das organizações sociais.

Agora preciso de uma decisão do Ministro favorável pela continuidade da existência do Blog do Tarso.


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PT de Lula e Dilma é o partido mais votado do Brasil

October 8, 2012, by Unknown - No comments yet

Segundo levantamento realizado pela Folha de S. Paulo, o Partido dos Trabalhadores foi o partido mais votado do Brasil em 2012, no primeiro turno, com 17,3 milhões de votos. PMDB e PSDB perderam eleitores e prefeituras, e o PT, que alcançou 627 prefeituras, já quase passou o segundo colocado PSDB.

Paulo Moreira Leite, colunista da Revista Época, chegou a dizer que o grande vencedor das eleições no 1º turno foi Lula, clique aqui.


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Curitiba tem a rua mais cara do mundo: R$ 19 milhões o km

April 20, 2012, by Unknown - No comments yet

Quem assegura é o ex-prefeito e pré-candidato à prefeitura, Rafael Greca, para quem a Linha Verde também pode ser conhecida como Lesma Verde.

Questionado sobre os frequentes congestionamentos enfrentados por motoristas na Linha Verde, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, fez duras críticas ao empreendimento de mobilidade urbana, parcialmente inaugurado na gestão de Beto Richa.

Segundo Greca, a Linha Verde é a “rua mais cara do mundo”, com um custo estimado em R$ 380 milhões. Cada quilômetro pavimentado (20 km previstos no projeto inicial), de acordo com o peemedebista, tem o custo de R$ 19 milhões para os cofres do município.

“A Prefeitura, na gestão de Richa e de Ducci, consumiu todos os recursos programados para a Linha Verde, a ponto de o prefeito Luciano Ducci, viajar para Brasília, para pedir mais recursos de empréstimos federais para o senador Roberto Requião”, frisou.

Greca informou ainda que dos 20 quilômetros prometidos de pista, apenas nove quilômetros foram pavimentados. E, segundo ele, ainda faltam 15 trincheiras para serem construídas, conforme o projeto original.

Rafael Greca atribui à paralisação do trânsito, nesse trecho da pista, pelo fato da prefeitura ainda não ter construído as transposições necessárias, nem as trincheiras previstas, ao longo da rodovia.

É bom lembrar que surgiu nesta semana a informação de que a Linha Verde – ou Lesma Verde -, obra que reelegeu Beto Richa em 2008, teve em sua construção a participação da Delta Construção, do “empresário” Fernando Cavendish, envolvido com a máfia de Carlinhos Cachoeira, alvo de investigação de CPI no Congresso Nacional.


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A primeira investigação sobre a imprensa na história do Brasil

April 19, 2012, by Unknown - No comments yet

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania*

CPI do Cachoeira, CPI da empreiteira Delta, CPI do Agnelo… A mídia passou dias e dias construindo versões sobre o foco que terá a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que ela mesma disse que não sairia porque, pasme-se, “o governo” teria “medo” da investigação.

As ameaças dos meios de comunicação de inverterem o foco da CPMI e de jogá-lo contra os partidos da base aliada e contra o governo Dilma de fato surtiram algum efeito. Parlamentares de todos os partidos se preocuparam. Mas a preocupação decorreu da campanha midiática. Ponto.

Todavia, essa investigação tem tanta chance de se voltar para a relação da Veja com o esquema Cachoeira quanto contra qualquer outro alvo.

Jornalistas de alguns grandes meios de comunicação, sobretudo os da Folha de São Paulo, começaram a tocar no assunto como este blog previu que fariam. Ao tratarem das relações da Veja com Cachoeira, dizem o óbvio: criminosos podem, sim, ser fontes da imprensa.

Alguns desses jornalistas reconhecem que tiveram contato com Cachoeira e explicam que foram contatos fortuitos, o que os torna explicáveis. Agora, no caso da Veja, não. São CENTENAS de ligações e sabe-se lá quantos encontros presenciais.

Quando um jornalista fala com uma fonte criminosa uma vez, cinco vezes, dez vezes, é uma coisa. Quando fala CENTENAS de vezes, é casamento.

Eis, aí, o potencial da CPMI que transpareceu da clara resposta que, ao aprová-la maciçamente, o Congresso deu a uma imprensa que dizia que o Poder Legislativo abafaria o caso. E esse potencial é o de, pela primeira vez na história, a imprensa sentar-se no banco dos réus.

Uma fonte muitíssimo bem informada me diz que anda por volta de mais de duas centenas de parlamentares o contingente deles que tem a imprensa atravessada na garganta. E claro que dirão que isso ocorre porque são todos corruptos que temem o trabalho da imprensa livre, blábláblá.

O fato, porém, é o de que as gravações da Operação Monte Carlo revelam que ao menos no caso da Veja não se trataram de relações fortuitas com uma fonte, mas de um crime continuado.

Não há mera relação entre imprensa e uma fonte que possa assim ser caracterizada diante da descoberta de que aquele veículo falava várias vezes por semana, durante anos, com um criminoso, e de que a quadrilha desse criminoso deu TODAS as matérias que o veículo publicou contra o PT.

A Veja argumenta, literalmente, que a relação que mantinha com Cachoeira era a mesma que os criminosos mantêm com a Justiça quando optam pela “delação premiada”. Ora, então a pergunta é uma só: se a delação é premiada, que prêmio a revista ofereceu a Cachoeira em troca de suas denúncias contra o PT?

Parlamentares petistas, peemedebistas, comunistas, pedetistas e de quantos partidos se possa imaginar não assinaram essa CPI à toa. Há um clima no Congresso para que venham à tona os métodos que setores da imprensa brasileira usam.

Isso porque todos têm muito claro que uma imprensa que se alia a determinado grupo político e usa seu poder e até concessões e dinheiro público para fazer luta política, é uma imprensa que não serve a ninguém além de seus proprietários e aos políticos amigos deles.

A CPMI aprovada pela esmagadora maioria do Congresso terá um viés inédito na história da República. Será a primeira vez que o país irá esmiuçar o comportamento do dito “quarto Poder”. E já fará isso tarde. Depois dessa investigação, o Brasil nunca mais será o mesmo.

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PS: o blog esteve fora do ar desde o fim da manhã até o começo da tarde desta quarta-feira porque a empresa que o hospeda teve que trocar de servidor devido ao acúmulo de tráfego, que sempre cresce muito quando a política esquenta.

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Do leitor que se assina André:
Coluna Esplanada
CPI já vira caso de polícia dentro da Câmara
Por Leandro Mazzini

A CPI mista do Cachoeira nem começou mas já pega fogo nos bastidores – em especial, nos corredores da Câmara. Um roteiro com ingredientes de cena policial ganhou o sétimo andar do Anexo 4 da Casa. Indignados com um cartaz pró-CPI na porta do gabinete do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), ex-delegado da PF e entusiasta da instalação, dois deputados tucanos o arrancaram da porta e jogaram no chão, irados. Tratam-se de ninguém menos que o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), e o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). Protógenes só soube quando pediu à Polícia Legislativa o vídeo do circuito interno de TV do corredor. Mas não prestou queixa à Mesa Diretora.

Constrangido e incrédulo, Protógenes não procurara, até ontem à noite, os parlamentares para pedir explicações. Um assessor acompanhava os deputados na hora do ‘ataque’.

Pelo vídeo e sequência de fotos, fica clara a atuação do trio na porta fechada do gabinete do deputado, durante o dia. Guerra indica e Marinho puxa o cartaz…”

Incrível o potencial dessa gente no cinísmo!!

*Eduardo Guimarães é blogueiro (blogdacidadania.com.br) e ativista do Movimento dos Sem Mídia

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Charge: CPI do Cachoeira, por Aroeira

April 15, 2012, by Unknown - No comments yet


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O retorno de Beavis and Butt-Head

April 14, 2012, by Unknown - No comments yet

Já tem data e hora para a televisão brasileira ficar um pouco mais divertida.

Anote na agenda: a partir do dia 17 de abril, às 23h30, está de volta Beavis and Butt-Head, na tela da MTV. O desenho clássico, que teve sete temporadas nos anos 1990, ganhou 12 novos episódios no ano passado, com direito a tudo aquilo que sempre foi responsável pelo sucesso da série: humor ácido, comentários maldosos, as vozes inconfundíveis (o desenho continua legendado) e muitas bizarrices.

Ter Beavis and Butt-Head de volta é importante. Com a programação televisiva cada vez mais carente do tipo de humor esculachado que é característico da dupla, o desenho é de uma época em que as atrações da MTV norte-americana eram singulares e não apelavam para reality shows. “Esse retorno é emblemático tanto para os brasileiros quanto para os gringos. É o resgate de uma tevê mais visceral que Beavis representa”, diz o diretor de programação da MTV Brasil Zico Góes.

Crepúsculo
Durante os 14 anos em que Beavis and Butt-Head esteve fora do ar, muita coisa mudou no mundo e na MTV. Se antes a dupla tecia seus comentários maldosos e grosseiros a respeito dos videoclipes que estavam em alta na programação, foi preciso buscar uma nova fonte de referências – que não poderia ser outra senão a internet. “Acho que a principal mudança é que o assunto agora é mais abrangente. Agora eles metem o pau em programas de tevê e vídeos da internet. Eles, de alguma maneira, evoluíram”, considera Góes.

Logo no primeiro episódio da nova temporada, Beavis e Butt-Head assistem ao filme Eclipse, da saga Crepúsculo, enquanto discutem como um vampiro gay consegue namorar uma zumbi tão bonita. Em seguida, descem a lenha no reality show Jersey Shore e no clipe da música “Kids”, da banda MGMT. Referências novas e bastante diferentes das de 15 anos atrás.

Para Góes, a principal audiência do desenho, em um primeiro momento, será da galera mais saudosa. Entretanto, ele acredita que, com o tempo, é possível que a dupla conquiste novos fãs. “Eles são dois adolescentes inconsequentes, engraçados, que se metem em roubadas e falam umas barbaridades. O adolescente atual também é assim, então rola uma identificação óbvia”, avalia o diretor.

Politicamente incorreto
Beavis and Butt-Head nunca teve a preocupação de ser politicamente correto – isso, aliás, é a fórmula do sucesso do desenho – e os novos episódios seguem a mesma linha. De acordo com Góes, a MTV não se preocupa com isso, mesmo tendo sentido recentemente o peso de algumas piadas do Comédia MTV – uma delas rendeu um processo e uma multa de R$ 40 mil. “Temos um pouco essa patrulha do politicamente correto, mas isso aumentou porque aumentaram as manifestações politicamente incorretas. Hoje você vê isso acontecendo na internet e em outros canais que também se inspiraram nessa coisa anárquica”, explica.

E muito desta anarquia veio das temporadas originais de Beavis and Butt-Head. “Acho que eles inauguraram uma coisa na MTV, que se tornou algo latente, uma marca do canal, que é não se levar a sério e tirar sarro de você mesmo. A partir deles, nós e várias outras mídias foram muito influenciadas com a linguagem mais desprendida, mais crítica, de meter o pau nas coisas mesmo”, diz Góes, que arremata: “Beavis and Butt-Head é um daqueles produtos que aparecem uma vez a cada geração”.

Episódios clássicos não podem mais ser exibidos
De acordo com o diretor de programação da MTV Brasil Zico Góes, os episódios clássicos de Beavis and Butt-Head não podem mais passar em lugar nenhum. “Como eles eram baseados só nos videoclipes, não valia a pena renovar toda a licença de direitos autorais. Eles [MTV dos Estados Unidos] devem ter imaginado que não vale a pena porque é muito datado”, explica.

Com sete temporadas, os personagens surgiram em 1992, criados por Mike Judge para o curta-metragem Frog Baseball. A MTV percebeu o potencial e convidou Mike para desenvolver a série de tevê. Além disso, o criador também é quem empresta a voz característica da dupla.

Ao todo foram exibidas sete temporadas entre 1993 e 1997, além do filme Beavis and Butt-Head Detonam a América, que saiu em 1996. Com custo de U$ 12 milhões, o longa foi um sucesso e faturou quase U$ 64 milhões de bilheteria.

Referência
O desenho Beavis and Butt-Head revolucionou a maneira de a MTV fazer humor e também uma geração inteira de comediantes. Veja alguns exemplos:


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III Encontro Nacional de Blogueiros, 25 à 27 de maio, em Salvador (BA)

April 12, 2012, by Unknown - No comments yet

Democracia, redes sociais, jornalismo na internet, movimentos populares, Marco Civil da Internet, uma nova comunicação. Esses são alguns dos temas que estarão em discussão no III Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, de 25 à 27 de maio, em Salvador na Bahia.

A estrutura do evento, que deve reunir aproximadamente 500 ativistas digitais de todo o Brasil e de países vizinhos, já está quase toda montada. A comissão nacional organizadora do #BlogProg tem realizado os últimos esforços para garantir alojamento e refeição para todos os participantes.

A inscrição para encontro vai até o dia 11 de maio e pode ser feita clicando AQUI. O valor é de R$ 60,00 para os ciberativistas e de R$ 30,00 para estudantes.

Entre os convidados estão o cineasta, escritor e ativista norte-americano, Michel Moore, os ex-ministros Franklin Martins (Comunicação Social) e Gilberto Gil (Cultura), o jornalista francês Ignácio Ramonet do Le Monde Diplomatic, Amy Goodman, fundadora do movimento Democracy Now, além de vários personagens importantes do atual momento da comunicação e da internet no país.

A programação contará com palestras, seminários e discussões, espaços para oficinas autogestionadas – os interessados devem apresentar sugestões de temas e de debatedores até 4 de maio e ficam responsáveis pela iniciativa – e um ato em defesa da blogoosfera e da liberdade de Expressão, na Praça Castro Alves, região histórica da capital baiana.

Também haverá maior espaço para reuniões em grupo com o objetivo de intercambiar experiências, fazer o balanço das atividades no último período e traçar os próximos passos da blogosfera.

A programação e as inscrições podem ser feitas AQUI


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Pessoas mal educadas e infelizes com suas vidas são propensas a ficarem viciadas pelo Facebook

April 9, 2012, by Unknown - No comments yet

Facebook é um site com interface de hábitos, mas os usuários que passam muito tempo online dizem que se sentem menos felizes com suas vidas.

Cientistas da Universidade de Gotemburgo dizem que muitos usuários se transformam assim que fazem login no Facebook e que o hábito transforma-se em um vício.

Pessoas em grupos de baixa renda e mal educadas estão particularmente na faixa de risco do vício. Aproximadamente 85% dos usuários dizem que eles usam o Facebook diariamente – metade diz que entra no site logo quando se conecta a internet.

O estudo sueco entrevistou 1.000 pessoas com idades entre 18 e 73 anos, tentando mostrar o lado negro da rede social. “O Facebook pode se tornar um hábito inconsciente. A maioria dos entrevistados relatou que abre o site imediatamente quando abrem o navegador”, comentou Leif Denti, doutorando de Psicologia da Universidade de Gotemburgo.

As mulheres são mais ativas no Facebook do que os homens e pessoas de baixa renda e baixa escolaridade passam uma quantidade de horas superior às pessoas com uma condição financeira melhor e alto grau de ensino.

A outra surpresa sobre a rede é que as pessoas tendem a publicarem em seus perfis apenas coisas boas, negligenciando coisas ruins que ocorrem em suas vidas. “O Facebook é uma ferramenta social claramente usada para gerenciar relacionamentos com amigos e familiares”, comentou Denti.

“Mas os usuários não escrevem qualquer coisa – a maior parte do conteúdo que compartilham tem algo a ver com grandes eventos, coisas positivas e o fato de se sentirem bem e felizes. Apenas 38% escrevem sobre coisas negativas”, concluiu o cientista.

Fonte: Jornal da Ciência

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Jair Bolsonaro destila sua bestialidade em rede nacional

March 27, 2012, by Unknown - No comments yet

"Oi, cumpadi! Vai cumê uma galinhazinha?". "Não, já comi! Agora vô punhá ela di vorta no Pgalinhêro!"

No mínimo triste e lamentável a participação do deputado federal – além de babaca, parasita e psicopata - Jair Bolsonaro, no CQC de ontem. Antes do término do quadro, o tamanho da minha perplexidade era do tamanho da minha indignação. O parlamentar conseguiu, em 15 minutos, mostrar a que veio, destilando todo e qualquer tipo de preconceito e de intolerância. Mostrou e confirmou o que todos já sabiam: que sua filosofia se manifesta em sintonia fina às ideias conservadoras, neoliberais e imperialistas. Dizer que na ditadura brasileira não foi disparado um único tiro é atravessar todas as fronteiras da burrice e desrespeitar os familiares daqueles que foram fuzilados por um dos episódios mais atrozes de nossa história.

Pelas risadas fora de contexto, declarações absurdas e desinformação histórica, acredito, cegamente, que o nobre deputado deveria se submeter a um exame clínico psiquiátrico.

Triste, absurdo e beirando à loucura. Um ser insano, preconceituoso e que admitiu em horário nobre ter “comido” galinhas, no pior sentido possível. É esse tipo de gente que anda frequentando a política nacional. É esse tipo de caráter que se vale da imunidade parlamentar e aproveita o microfone livre – custeado com o dinheiro dos nossos impostos – para destilar preconceitos, ódios e bestialidades de todo gênero.

(Por Edson Rimonatto no Blog Lado B)


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Memórias Torturadas – A ditadura e o cárcere no Paraná estreia dia 29

March 22, 2012, by Unknown - No comments yet

É difícil responder à pergunta “que peça você recomenda no festival?” Mas um gênero que pode ser indicado, sem dúvidas, é o de peças apaixonadas. São trabalhos que partem de muita pesquisa e um ideal, como Memórias Torturadas – A Ditadura e o Cárcere no Paraná. A proposta partiu do ator Gehad Hajar, que também é pesquisador e estudou Direito, Ciência Política e Pedagogia.

Incomodado com uma enquete realizada em 2006 em que Curitiba mostrou ter o maior número de jovens brasileiros que desejam o retorno da ditadura militar, ele resolveu buscar histórias reais que jogassem luz sobre as agressões praticadas durante os anos de chumbo no Paraná. “É um tema que nunca foi trabalhado. É como se não tivesse acontecido”, disse Hajar à Gazeta do Povo.

A pesquisa começou no Arquivo Público do Estado, onde estão documentos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Hajar também pesquisou em edições da época da Gazeta do Povo e no livro Memórias Torturadas e “Alegres” de um Preso Político, de Ildeu Manso Vieira.

“Fui o primeiro a abrir algumas daquelas pastas e vi um material riquíssimo. Inclusive documentos que provam que Che Guevara passou por Curitiba.”

Essa e outras informações foram sendo incluídas na trama, que se passa no único lugar julgado pela equipe como adequado: o Presídio do Ahú, por cujas celas passaram presos políticos na década de 70 durante a Operação Marumby, braço da Operação Condor – aliança de regimes militares na América do Sul para eliminar adversários políticos – no Paraná. Pela prisão desativada em 2006 já passaram os elencos da série O Astro, dos longas-metragens 400 contra 1 e Estômago e do curta A Fábrica.

Almas
O cenário e o horário escolhido (meia-noite) se somam para compor o clima de medo e mistério da peça, que começa ainda do lado de fora do presídio. Ao en­­trar pelos corredores gelados, o público ouvirá um áudio que remete à alma de um dos presos-narradores.

Dos torturados pesquisados, foram selecionados quatro como personagens. Ildeu, interpretado por Carlos Vilas Boas, foi preso no Ahú junto com o filho, adolescente de 17 anos. Os outros são Jodat Nicolas Kury (Paulo Ney), Jacob Schmidt (Martin Esteche) e Diogo Affonso Gimenez (Ricardo Alberti), estivador que teve papel relevante na comunidade formada na prisão. O elenco se completa com Ithamar Kirchner, que faz um carcereiro.

A maior parte dos diálogos se dá em três celas situadas numa galeria no terceiro andar do presídio. Nesses cubículos, o artista plástico Gustavo Krelling criou interferências a partir de objetos encontrados ali mesmo pela produção do espetáculo – uma cadeira, documentos, um urinol, e cadernos estampados com o rosto de Cristo.

Nas paredes, ele gravou o nome dos encarcerados, assim como palavras de ordem e outras referências. “A cadeia já é um espaço muito cenográfico. Não quis mexer muito. Me inspirei na obra de Artur Barrio, português que se definiu como marginal e usava muito carvão, cordas e objetos assim.”

Não há cenas de agressão, apenas relatos verbais. A tortura era proibida no Ahú – o que não impedia que os presos fossem levados para apanhar em outros locais. Um dos assuntos debatidos pelos personagens – e garimpado por Gehad nos documentos de época – é a concentração de forças rebeldes contrárias à ditadura no Oeste do Paraná, guerrilha em formação desmantelada após delação.

Curitiba, capital do Brasil? Esse fato, ocorrido durante quatro dias em 1969, também é abordado. O grande interesse pelo tema por parte dos 32 membros da equipe faz de Memórias Torturadas uma peça apaixonada. “Coloquei no meu currículo que já lavei chão de cadeia”, brinca a coordenadora de produção, Beth Capponi.

Serviço:
Memórias Torturadas – A Ditadura e o Cárcere no Paraná.

Presídio do Ahú – entrada pelo portão grande (Av. Anita Garibaldi, 750 – Ahú), (41) 8414-8416 e (41) 9633-7169.

Dias 29, 30 e 31 de março e 5, 6 e 7 de abril, às 23h59.

Classificação indicativa: 16 anos.

R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada, mais R$ 3 de taxa de coveniência). (GP)


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