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Blog do Bertoni

3 de Abril de 2011, 21:00 , por Desconhecido - | No one following this article yet.
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A academia e a fábrica de carburadores

16 de Janeiro de 2017, 10:17, por Bertoni - 0sem comentários ainda
Esta é uma peça de ficção e qualquer semelhança com fatos relacionados à produção de artigos científicos é mera coincidência
 
 
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Fabrica

Chegou de um reino distante a ideia de construir uma fábrica de carburadores, prova cabal de avanço e sofisticação

Era uma vez um reino distante. Seus habitantes viviam da exploração das coisas da terra e da dilapidação dos recursos do Estado. Vez por outra, lançavam-se em aventuras modernizantes, emulando, entusiasmados, os esforços civilizatórios de reinos de além-mar.

Caracterizava as altas castas locais o deslumbramento com o estrangeiro. Conceitos débeis e práticas esdrúxulas aportavam com frequência no reino distante: das modas de vestir às modas de ouvir, dos modos de pregar aos modos de orar, das coisas do comércio às coisas do prazer.

Assim chegou ao reino distante a ideia de construir uma fábrica de carburadores, tida como prova cabal de avanço e sofisticação. Tratadas como de interesse nacional pela corte e seus séquitos, as obras avançaram celeremente. Recursos foram alocados, gestores contratados e operários treinados. 

Inaugurada com pompa e circunstância, a incrível fábrica iniciou a produção, gerou empregos e muito mais. A corte local logo percebeu que não bastava fabricar carburadores. Um reino moderno, verdadeira sociedade do conhecimento, deveria ir além dos modos e costumes do mundo da manufatura. Foram criados centros de pesquisa, colóquios e revistas científicas. A missão era inovar e ser referência mundial em carburadores.

Todos os anos, os grandes estudiosos dos carburadores reuniam-se por uma semana nos melhores hotéis de praia ou montanha. Ali discutiam seus mais recentes avanços, cumprimentavam-se por descobertas e agraciavam-se com prêmios e honrarias.

As revistas científicas cresceram e se multiplicaram, especializando-se em materiais, tecnologia e processos produtivos. Números especiais de grande repercussão foram dedicados à influência da cultura organizacional sobre a eficiência do filtro de ar e ao impacto da intersubjetividade de gênero sobre o circuito de água no coletor. Um texto tratando da apreciação crítica da política de horas extras à luz de Habermas e Foucault foi alvo de polêmicas e originou dois simpósios específicos.

Os primeiros anos foram de regozijo e autocongratulações. Afinal, o reino agora se igualava às grandes potências mundiais. A tranquilidade e a felicidade aos poucos deram lugar, entretanto, a turbulências e preocupações. Um grupo de oposição logo se articulou, o MSC, Movimento dos Sem Carburadores. Seus aguerridos membros pintaram faixas, criaram slogans, fizeram piquetes e ameaçaram invadir a incrível fábrica. Seu líder, carismático e combativo, argumentava que a maior parte da população do reino não podia sequer sonhar em comprar um carburador.

Mais vozes críticas surgiram, ocuparam mídias sociais e blogs a denunciar a má qualidade dos carburadores e a baixa produtividade da incrível fábrica. Acuada, a alta gestão da fábrica mobilizou-se, consultou renomados gurus internacionais e implantou um choque de gestão: estabeleceu metas, criou indicadores e implantou modernos métodos de avaliação de desempenho. Para incentivar os funcionários, foram estabelecidos prêmios de produtividade.

A reação inicial foi adversa. Gestores advertiram que boicotariam o novo sistema. Operários ameaçaram entrar em greve e parar a produção. Em pouco tempo, porém, venceu o secular conformismo, tão característico daquele reino distante. E todos se adaptaram às novas práticas. A produtividade aumentou e a incrível fábrica passou a bater recordes de produção. Nunca naquele país foram produzidos tantos carburadores.

No entanto, um detalhe passou despercebido, não havia por ali veículos que usassem carburadores. Por isso, toda a produção da incrível fábrica passou a ser transportada para imensos armazéns erguidos com urgência para guardar os estoques.

Como não havia receita de vendas e funcionários e fornecedores precisavam ser pagos, a alta gestão da incrível fábrica começou a tomar empréstimos com os agiotas do reino distante, tipo que lá havia em profusão. Nesse momento, um vice-rei, movido pelos mais altos interesses, decidiu intervir.

Plenamente amparado pelos poderes constituídos, criou um imposto especial para garantir a perenidade da incrível fábrica, que continuou a operar e produzir carburadores.

E assim, cientistas e operários, agiotas e gerentes viveram todos felizes para sempre.

 
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Parabéns aos paneleiros, governo dos golpistas vai limitar acesso à internet

13 de Janeiro de 2017, 11:56, por Bertoni - 0sem comentários ainda

Ministro confirma que limite de dados na internet fixa será aplicada no Brasil no segundo semestre de 2017

Por William R. Plaza


Em dezembro do ano passado Juarez Quadros, novo presidente da Anatel, que assumiu o posto depois que o polêmico João Resende renunciou, disse que a proibição da aplicação da franquia de dados na internet fixa permaneceria por muito tempo. Infelizmente esse muito tempo é bem menos do que todos imaginavam. 

Gilberto Kassab, que assumiu em maio de 2016 o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, disse em entrevista ao Poder360, que a aplicação da franquia de dados na internet fixa começará a valer a partir do segundo trimestre de 2017. Isso retoma toda aquela conversa em relação aos problemas que os usuários terão que lidar para desfrutar de serviços como os de streaming de vídeo com um plano de franquia. 

Kassab diz que o objetivo é beneficiar o usuário, e que a ideia é que o serviço seja o mais elástico possível, mas que tenha um ponto de equilíbrio, porque as empresas têm os seus limites. "A empresa tem 1 limite e o consumidor tem 1 sonho: que seja ilimitado ao infinito. E cabe ao governo, cabe a Anatel, definir esse ponto de equilíbrio".

O Ministro também disse que haverá um período de adaptação em que os usuários terão o limite no pacote de consumo. Isso funcionará como uma espécie de termômetro para que o governo e as operadoras possam identificar a reação dos usuários.  Quando questionado se há um temor que o governo seja taxado como o limitador de acesso, Kassab diz que não, e que o governo estará sempre ao lado do usuário, e que o problema não é a redução, é ponto de equilíbrio.

Vale relembrar que a própria Anatel no ano passado, através de um relatório, admitiu que comparando com outros países (Portugal, Chile, Austrália, Inglaterra, Canadá e Estados Unidos), não é possível afirmar que "era da internet ilimitada" está chegando ao fim, e que a aplicação da franquia de dados prejudicaria principalmente as camadas mais populares, que tem menos poder de compra, já que a banda larga compromete 15% do salário mínimo do Brasileiro, e com a necessidade de adquirir novos pacotes para continuar trafegando normalmente esse percentual obviamente será maior. 

O discurso é alterado de acordo com o momento, provavelmente agora a Anatel irá apresentar mil razões para mostrar que a aplicação da franquia de dados não será tão ruim assim.



Como é lindo pagar IPTU numa cidade de alienados

10 de Janeiro de 2017, 23:30, por Bertoni - 0sem comentários ainda

Iptu 2017 cwb

Hoje recebi o carnê do IPTU de Curitiba. Na terceira folha do carne leio:

MENSAGEM

Prezado contribuinte,
Comunicamos que o Imposto Predial e Territorial Urbano − IPTU para o exercício 2017 foi corrigido da seguinte forma:
•  Imóveis com edificação (casas, apartamentos, salas comerciais e outros):
6,99% (seis virgula noventa e nove por cento), correspondente à correção monetária pelo IPCA acumulado no período de dezembro de 2015 a novembro de 2016 + 4,0% (quatro por cento) = 10,99%.
•  Imóveis sem edificação (terrenos):
6,99% (seis virgula noventa e nove por cento), correspondente à correção monetária pelo IPCA acumulado no período de dezembro de 2015 a novembro de 2016 + 7,0% (sete por cento) = 13,99%.
Observações:
− Os percentuais acima foram aplicados sobre o valor lançado do IPTU 2016, com base no disposto na LeiComplementar nº 91/201.
− Os limites de acréscimo discriminados não se aplicam aos imóveis que sofreram algum tipo de alteração em seus dados cadastrais.
− Os valores venais dos imóveis foram atualizados tendo por base a Planta Genérica de Valores aprovada pela Lei Complementar.

Que maravilha. Aumentaram 4% (imóveis com edificações) e 7% (imóveis sem edificações) acima da inflação sem nenhuma justificativa. Aumentaram e pronto. Para que explicar?

Os vereadores, eleitos para representar o povo e que na real só representam os interesses do prefeito e da corja que manipula as verbas públicas municipais, aumentaram lá na lei nº 91/201. Dane-se o eleitor e contribuinte. Dane-se o cidadão de bem.

Os cidadãos da ilusória República de Curitiba que batem no peito e dizem "aqui se cumpre a lei" calam-se diante deste inexplicável aumento de impostos municipais. Calam-se porque o aumento beneficia a bandalheira da turma do Richa e seu novo fiel escudeiro Greca. Calam-se porque, paneleiros, colocaram no governo federal um bando de ilegítimos governantes cleptomaniacos em nome de um suposto combate a corrupção.

Só os anormais não veem que toda a indignação dos paneleiros nada tinha a ver com corrupção, mas tão somente com o ódio de classe dessa gente desclassificada que se acha informada porque lê veja e assiste o jn da globo.

O mais legal nisso tudo é que o governo federal golpista que os paneleiros ajudaram a colocar em brasília, estabelece um limite dos gastos públicos que beneficiam a população, mas não limita os aumentos de impostos, pois estes beneficiam os corruptos. E os paneleiros que diziam ser contra o aumento de impostos, se calam novamente.

Se calam porque fizeram uma besteira sem tamanho em nome de uma racionalidade que só se justifica em sua ignorância e burrice preconceituosa e excludente.



Putin ordena que chefes da espionagem da Rússia encontrem os mandantes do assassinato do embaixador na Turquia

20 de Dezembro de 2016, 17:54, por Bertoni - 0sem comentários ainda

Logo após o assassinato de Andrey Karlov, embaixador russo na Turquia, o presidente russo Vladimir Putin convocou uma reunião urgente de seus principais assessores de política externa e de inteligência.

O encontro aconteceu ontem, 19 de dezembro de 2016, no Kremlin, e contou com a presença de Putin, presidente russo, Seguei Lavrov, ministro das Relações Exteriores, Sergey Naryshkin, chefe da SVR (Serviço de Espionagem Exterior) e Alexander Bortnikov, chefe da FSB (Serviço Federal de Segurança Nacional).

A nota publicada pelo Kremlin após a reunião dá uma idéia de qual será a resposta imediata da Rússia ao assassinato do embaixador:

Este crime é inegavelmente uma provocação destinada a desestabilizar a normalização das relações russo-turcas e o processo de paz na Síria, que é ativamente promovido pela Rússia, Turquia, Irã e outros países interessados ​​na resolução do conflito interno na Síria.

Só pode haver uma resposta - intensificar a luta contra o terrorismo.

O Comitê de Investigação da Rússia já iniciou a investigação do assassinato e foi encarregado de formar um grupo de trabalho que irá prontamente para Ancara participar das investigações deste crime, juntamente com parceiros turcos. Devemos descobrir quem dirigiu a mão do assassino.

A segurança deve ser reforçada nas missões diplomáticas russas na Turquia, na embaixada e em outras missões. O lado turco deve fornecer garantias de segurança nos escritórios diplomáticos russos, em conformidade com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

O conteúdo da nota marca a diferença entre a maneira como os russos lidam com esses tipos de atentados terroristas e como certos países ocidentais - principalmente os EUA e Israel - o fazem.

A resposta clássica ocidental a um assassinato desse tipo é a ação militar.

Em 1982, Israel usou uma tentativa de assassinato de Shlomo Argov, o embaixador de Israel na Grã-Bretanha, como pretexto para iniciar a invasão do Líbano, onde pretendia destruir a OLP (Organização de Libertação da Palestina).

Em 1986, os EUA bombardeando a Líbia como resposta ao assassinato de dois militares norteamericanos, mortos durante um ataque à discoteca La Belle, em Berlim Ocidental.

Em 2001, os EUA responderam aos ataques terroristas de 11 de Setembro invadindo o Afeganistão e depois destruindo o Iraque.

Em novembro de 2015, a França respondeu aos ataques em Paris bombardeando Raqqa.

Em 2016, os russos tratam os ataques deste tipo como uma "provocação" destinados a desestabilizar a perseguição de seus objetivos ("a normalização das relações russo-turcas e o processo de paz na Síria").

A partir do momento em que classificam o ataque como uma "provocação", passam a ter cuidado para não serem provocados a fazer o que eles acreditam que os terroristas querem que eles façam.

Diferentemente de Angela Merkel, a chefona alemã, que se apressou em qualificar o atropelamento de uma feira natalina por um caminhão (ocorrido em Berlim na mesma data) como um atentado terrorista sem ainda ter provas para tanto, os russos abrem uma investigação do crime cometido contra seu embaixador.

Descarta-se, portanto, uma resposta militar neste primeiro momento.

Para surpresa dos analistas internacionais, a resposta do presidente Putin ao assassinato de A. Karlov não foi convocar Serguei Shoigu, ministro da Defesa da Rússia, nem os demais chefes militares do país. Ao contrário, se reuniu com o ministro russo da Relações Exteriores, e os chefes dos serviços de espionagem e segurança da Rússia.

Em vez de identificar o ataque como um ato de guerra (que por sinal é o que legalmente é um assassinato de um embaixador), o presidente Putin classifica como "crime" e como tal deve ser investigado.

Ao invés de culpar os turcos por permitir que isso aconteça em seu território e ameaçá-los com toda sorte de conseqüências terríveis, o presidente russo pede a criação de um "grupo de trabalho" que em conjunto com as autoridades turcas buscarão identificar e localizar os responsáveis pelo assassinato.

Desta forma, a soberania e o orgulho da Turquia são respeitados.

Além dessas medidas, Putin chamou seus chefes de segurança para reforçar a segurança dos diplomatas russos (e sem dúvida de suas famílias) na Turquia.

Embora os comentários de Putin impliquem que a investigação está sendo realizada pelo Comitê de Investigação da Rússia - uma agência policial e de aplicação da lei mais ou menos análoga ao FBI dos EUA, o fato dele se reunir com os chefes dos serviços de espionagem exterior e segurança nacional - Naryshkin e Bortnikov - mostra que, na realidade, são as agências russas de espionagem exterior e segurança nacional  - a SVR e a FSB - a quem se dá a tarefa de localizar quem ordenou o assassinato.

Não descarta-se, contudo, a possibilidade do assassino ter agido sozinho.

Caso se comprove que o assassinato foi resultado de uma conspiração e que outras pessoas participaram de sua preparação e execução, não se deve excluir a possibilidade de uma brutal reação russa.

No entanto, o contraste entre a resposta imediata russa ao assassinato do embaixador e a típica resposta ocidental é impressionante.

Em situações deste tipo, as potências ocidentais (EUA e Israel em especial) usam fuzis e bombas, os russos usam as lupas dos serviços secretos...



Europa pode embarcar na 3ª Guerra Mundial: Embaixador russo assassinado na Turquia

19 de Dezembro de 2016, 17:50, por Bertoni - 0sem comentários ainda

Andrei Karlov, embaixador da Rússia na Turquia, foi morto por um atirador enquanto visitava uma galeria de arte em Ancara, capital turca, segundo o Ministério das Relações Exteriores russo. Karlov

O responsável pelo ataque gritou "Allahu Akbar" ("Alá é grande"), de acordo com um fotógrafo da agência de notícias AP que estava presente no local. 

O atirador foi morto no local por forças de segurança, de acordo com a imprensa turca. Segundo o site britânico Independent, ele foi identificado pelo Ministério das Relações Exteriores da Turquia como Mevlut Mert Altintas. O atirador tinha 22 anos e trabalhava para uma tropa de choque da polícia de Ancara nos últimos dois anos e meio.

Assassino do embaixador russo O assassinato de Andrei Karlov, nos leva a fazer um paralelo com o fato ocorrido em 28 de junho de 1914, quando o assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria, o herdeiro do trono da Áustria-Hungria, pelo nacionalista iugoslavo Gavrilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia, foi o gatilho imediato daquela que viríamos a conhecer como Primeira Guerra Mundial.

Na época as políticas imperialistas das grandes potências da Europa, como o Império Alemão, o Império Austro-Húngaro, o Império Otomano, o Império Russo, o Império Britânico, a Terceira República Francesa e a Itália, visavam uma redivisão da riqueza e do poder no mundo, tal qual acontece nestes tristes dias de 2016. A agravante agora é que EUA e Rússia, entre outras potências bélicas, possuem armas nucleares com poder de destruição do planeta em pouquíssimo tempo.

Resta saber se Putin conseguirá reagir corretamente a esta clara provocação das demais potênciais ocidentais e deter os belicistas russos que certamente reivindicarão a vingança ao embaixador morto.

E se conseguir detê-los, por quanto tempo o logrará fazer?

Acaba 2016, acaba, mas não em guerra!



Bertoni